Em uma época não muito distante, quando crianças ainda ouviam histórias para dormir, Eliane sorria ao jogar o seu chapéu de formanda para o céu. Era o seu último dia de aula em Hogwarts e a partir daquele momento, ela precisava por em prática algo que planejou. Viajaria para a Grécia nas férias, afim de adquirir conhecimento para escrever o seu primeiro livro. Após retornar de viajem, começaria a escrever a sua história e passaria a ajudar o pai na editora de livros da família. Quando o pai decidisse se aposentar, ela assumiria o cargo de presidente da editora "Baba de Bruxo". Porém o destino resolveu brincar com Eliane, e em uma certa noite, ao observar a lua do jardim de sua casa, Eliane se depara com os olhos de Ártemis fixos nela. O susto foi grande, afinal não é todos os dias que se encontra uma deusa no jardim de sua casa. Encantada com a beleza de Ártemis, a bruxa ficou hipnotizada por segundos.

Quando Eliane voltou a si ,

Ártemis — Gosta de me observar, jovem caçadora?

- Quem é você? — perguntou Eliane, atônica.

- Sou Ártemis, a deusa da lua. Percebendo a dúvida nos olhos de Eliane, a deusa continuou: — Você não me conhece, pois ainda não leu sobre mitologia grega.

- Estou lembrando. Ártemis, segundo a mitologia grega, é a deusa da lua, filha do deus do céu, Zéus. — dise Eliane. — Mas deuses não existem. São apenas personagens de histórias para entreter os trouxas.

- A verdade não é somente a que acreditamos. Existem muitas verdades por aí. — disse Ártemis — Veja bem: Você vive em um mundo onde tudo envolve magia, enquanto ao seu lado vivem pessoas que nem se quer pensam que algo tão diferente possa existir. Acredita mesmo que outras crenças não passam de lendas, jovem menina?

A conversa entre Eliane e Ártemis foi longa. A cada frase que Ártemis dizia, a fé e a curiosidade de Eliane aumentavam. Ao final da conversa, Eliane se viu transformada: Não só acreditou na deusa e em suas palavras como aceitou o convite de segui-la por toda a eternidade.

- Eliane Wulfermann, jovem corajosa e sedenta por viver suas próprias aventuras, aceita fazer o voto de castidade, não se relacionar com nenhum homem a partir de agora e se tornar minha caçadora por toda a eternidade?

- Eu aceito! Eliane percebeu o brilho da lua brilhar nos olhos de Ártemis.

- Eu a abençoo!

Emocionada com os novos horizontes que estava prestes a voar, Eliane correra até a sua casa, pegou alguns pertences e os colocou em sua mochila. Ao observar os pais dormindo, não pode deixar de pensar na vida que levaria se não fosse embora naquela noite. Mas o seu destino estava traçado e não podia mudá-lo. Emocionada, um bilhete escreveu contando o que a fez tomar a sua decisão. Sabia que seus pais não acreditariam em suas palavras, mas era direito deles saberem a verdade.

"Queridos pais,

Existe uma linha imaginária que divide "viver" e "sobreviver". Questionando-me sobre a minha vida, cheguei a conclusão que ainda não sei o que é viver. Permaneci com esta angústia por tempo demais e decidi que ela não me aprisionará por muito tempo. [...] A maior lição que aprendi foi que eu sou a escritora da minha própria história. Quando lêrem este bilhete estarei vivendo a minha jornada.

Com amor e perdão, Eliane."

Eliane deixou o bilhete molhado de lágrimas e sem olhar para trás, correu em encontro do seu destino.