O Entregador de Estrelas

20 Palavras que nunca são trocadas


Caminhamos por várias ruas rapidamente já que assim que chegamos na esquina da primeira rua ouvimos uma trovoada do céu. Enquanto corríamos tentei decorar as ruas que pareciam um eterno borrão sem nunca formas definidas. Tudo só parou de girar depois de corrermos várias ruas e finalmente o rítimo com que Mary corria diminuir. Observei a rua longa que se perdia na distância. Eram várias e várias casas de tijolos aparentes ou algumas com o tom amarelo ou azul pastel, um quadro ao vivo. Andamos pela rua devagar enquanto Mary sussurrava o que eu supunha ser o número da casa que procurávamos. Fiquei distraído observando a organização e o padrão repetido de todas as casas sendo que todas possuíam janelas com vasos cheios de flores com cores azuis ou amarelas -e eu contei 3 casas com a mistura das duas cores- continuei andando maravilhado com o padrão até que a mão de Mary segurou minha blusa e eu parei.

“É aqui.” Ela sussurrou e eu me perguntei por que seu tom de voz ficou tão baixo de repente.

Obserrvei a porta azul na parede amarelo velho. Nos subimos as escadas e nos entreolhamos em uma expectativa ansiosa. “O que está esperando?” Ela perguntou e eu concordei e me virei para a porta. Bati na porta com meus punhos fechados e esta emitiu um barulho oco baixo que só meus ouvidos acostumados a se irritar com mínimo de barulho ouviram. Mary fez um círculo perfeito com os olhos e me empurrou para o lado. Ela se posicionou em frente da porta com seu porte perfeitamente educado e bateu na porta -sem antes, é claro tirar seu chapéu-. Passamos 4 minutos esperando por uma resposta e as primeiras gotas de chuva caíram no meu rosto. Mary bateu mais 3 vezes na porta até que a chuva parou de nos esperar e resolveu derramar toda a água de uma vez. Rapidamente a rua alagou e nos ficamos encxarcados. Mary apontou para uma cobertura pequena em cima da porta do lado paralelo ao que nós nos encontravamos. Corremos até lá e Mary e seu vestido ocuparam todo o espaço seco. Suspirei e a entreguei minha bolsa de carteiro para que ela não se molhasse mais do que já se encontrava. Depois de alguns instantes desisti de ficar do lado de Mary, se eu iria me molhar que fosse de uma forma que eu ganhasse algo no fim. Caminhei até o meio da rua e olhei para cima tentnado inutilmente ver algo além das nuvens e gotas. Depois de uma pequena luta as gotas de chuva venceram e fecharam meus olhos me teletransportando novamente para uma lembrança que parecia ter sido enterrada à séculos atrás.

O dia que eu acabei meu mapa estelar. Me senti sentado na grama da fazenda contemplando o eu mais novo olhando para o mapa e comparando o desenho com a realidade. Sorri quando conferi novamente o céu que tinha um espaço especial esperando por minha avó. Eu já falei. Eu estou sempre certo. Concordo com minha mente, nenhuma lembrança melhor para se escolher por que no momento que meu eu mais novo olha para trás asusstado com um barulho qualquer eu ouço o meu eu presente é acordado com a denuncia de alguém abrindo minha bolsa de carteiro. Abro meus olhos e vejo Mary mexendo em minha bolsa. Ela sorri vitoriosa ao tirar o envelope de dentro da bolsa azul e o examina. Corri até ela para tirar o envelope de suas mãos, mas ela só levantou a mão para cima e sorriu. “E ai, baixinho?” olhei para o envelope “Como você vai o pegar?”

Pulei tentando alcançar o envelope, mas ela pulou também e eu resmunguei algo. Ela fez um sinal para que eu parasse. “Carteiro, eu só quero ver quem te mandou esta carta.”

Fiz que sim e ela abaixou a mão para ler o verso do envelope. Observei cada reação que seu rosto fino esboçou. No começo foram suaves, mas rapidamente ela franziu a testa e eu reparei seus olhos relendo várias vezes a mesma frase.

“O que foi?” Eu perguntei e ela tirou o endereço do Doutor do seu chapéu e comparou os dois várias e várias outras vezes. Não pude evitar, devo admitir, que enquanto ela repetia as ações diversas e diversas vezes meu olhar ir descendo até parar em seus lábios. E eu passei o resto do tempo que ela demorou lendo e relendo os dois papeis admirando seus lábios da forma mais esquisita que já pensei que alguém pudesse o fazer. Quando ela levantou seus olhos para mim eu corei e senti minha barriga virar de nervoso, ela havia reparado? De qualquer forma ela sorriu e me mostrou os dois endereços. Dei de ombros e ela falou:

“Carteiro, são identicos! Quem te mandou esta carta mora ali!” Ela apontou para a casa de porta azul e eu arregalei os olhos. “Posso abrir o cartão?” Ela perguntou me fazendo voltar a atenção para seus olhos cinzas ansiosos com a descoberta. Ainda tentando entender certas coisas dentro da minha mente que de repente pareceu rodar eu concordei e ela abriu o envelope. “Querido filho, espero que esta carta o encontre be-” Quando a voz de Mary cortou o ar com tal frase minha mão, possuindo uma força que eu pensei nunca existir em mim arrancou o papel de seus dedos. Eu fiquei tão assustado quanto ela e até hoje sou convencido de que minha atitude foi mais uma defesa, um instinto do que qualquer outra coisa. Mary tentou pegar o papel de volta, mas eu continuei o afastando dela de todas as maneiras possíveis até que ela conseguiu segurar uma ponta. “Deixe-me acabar de ler!”

“Eu não quero saber o que está escrito, eu não quero saber desta pessoa!”

“Mas você não sabe! É a sua mãe! Pode ser um pedido de desc-”

Meu rosto ficou vermelho -eu consegui ver pelo refelxo de seus olhos que se arregalaram-.

“Nada nunca vai me fazer a ver como minha mãe novamente e nada nunca vai me fazer a perdoar.”

Desta vez foi Mary que ficou vermelha e eu senti sua mão bater em minha bochecha que começou a arder.

“Nunca diga isso.” Ela respondeu e puxou a carta para ela, mas eu puxei a carta de volta. “Ela vai rasgar.”

“Eu não me importo!” Falei puxando-a com mais força até que a carta rasgou e Mary olhou para o pedaço que restou em sua mão horrizada.

“Olha o que você fez! De todas as coisas esta foi a pior! Era a sua chançe e você literalmente a rasgou.” Ela abraçou o pedaço de papel rasgado que restou em suas mãos. “Você acabou de rasgar a possívelmente única resposta à tudo que perguntou a si mesmo todos estes anos!” Ela encostou-se na porta. “Sua mãe foi tão inteligente em te mandar uma carta. É óbvio que você nunca terá coragem de bater na porta dela, é óbvio que você nunca vai tentar concertar as coisas.” Ela deu uma passo em minha direção e a chuva molhou seu rosto. Ela me puxou pelo colar da camisa e falou “Essa é a semelhança entre você e todos os humanos que odeia, o seu orgulho e a sua falta de coragem.” Ela me soltou e eu tirei meu cabelo da frente dos meus olhos.

“Nada, especialmente um cartão vai mudar tudo que eu passei sozinho todos estes anos. Se minha cabeça não quiser explodir o melhor que faço é ignorar isso!” Respirei fundo e respondi no tom mais sereno possível. “Mary, é a minha decisão.”

Ela me encarou por alguns instantes, me soltou e insesperadamente so fechou os olhos e levantou a cabeça para as lagrimas do céu lavarem seu rosto. Olhei para a barra do seu vestido suja de lama.

“Vamos.”Ela falou abrindo os olhos e me entregado a minha bolsa de carteiro e o bilhete -entregando seria um modo diferente para se descrever que ela jogou o cartão em e cima de mim-

Voltamos a caminhar na chuva. Me peguei abrindo a boca para falar algo mais de duas vezes, eu finalmente tinha muito para falar. E desta vez eu falei:

“Obrigado.”

Eu sei que ela ouviu, mesmo que ela só tenha me olhado pelo canto do olho e continuou a andar sem dizer mais nada.