O Jabuti da vovó era pequeno, ainda. Passava os dias andando pelo jardim sendo alimentado pela dona, mas era uma vida tão monótona! Quem dera ele ter aventuras para passar os seus longos dias de vida.

Um dia, porém, houve uma agitação na porta da frente. Ouviu-se vozes vindas do portão, dois ou três cumprimentos. As duas netas tinham chegado.

Brincaram de bola, fizeram comidinha com a lama do jardim e salada com algumas das plantas da avó.

Agora, estavam sentadas na soleira da porta do quintal entediadas.

— O que fazemos agora? – Júlia murmurou apoiando o queixo nos joelhos magros.

— Papai disse que íamos pra cachoeira mais tarde... – Falou Michelle um pouquinho mais animada.

— Já sei! Vamos brincar de enterro! – Júlia exclamou como se fosse a ideia mais brilhante do mundo.

— Mas Júlia... A gente vai enterrar o quê? Tô sem as minhas bonecas aqui... – Michelle começou a procurar pelo jardim, talvez houvesse alguma coisa que elas pudessem usar, até mesmo um pregador de roupas.

Para o azar do pobre jabuti, Alfredo, ele passava naquele instante na frente das meninas. Júlia foi atrás de uma caixinha de madeira que ia pro lixo e logo retornou satisfeita. Michelle pegou o jabuti que fez questão de se recolher dentro do casco. Rumaram para o lado da casa onde havia uma horta...

Algum tempo depois Alfredo estava dentro da caixinha e Júlia o colocou dentro do buraco. Michelle começou a jogar a terra em cima.

— Alfredo era um ótimo jabuti... Ele morreu com honra... – Júlia fez uma falsa voz de pesar.

— Ele protegeu muito bem a casa durante os poucos meses que ficou aqui... Ele comia alface como ninguém! – Michelle encurvou os lábios e colocou a mão no peito em sinal de orgulho.

Da janela da cozinha, Cida olhava a cena querendo rir. Estava terminando de lavar a louça e logo iria prestar socorro ao jabuti Alfredo... Dona Jacir ia surtar se as netas realmente enterrassem o pobrezinho.

Elas deixaram a terra solta tapando o buraco e foram pra sala assistir tv. Assim que saíram de perto, Cida foi correndo até o jardim e libertou o pobre Alfredo, deixando-o na parte de trás da casa longe das meninas.

— Fica por aqui mesmo, querido. Você provavelmente vai viver muito tempo, – Cida fechou o portãozinho deixando o jabuti curtir a vida. A aventura não era uma boa companheira para Alfredo.

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