Notas iniciais
Espero que gostem, é uma adaptação de um sonho.
Boa leitura

Cliques de caneta e deslizes em folhas de caderno. O ambiente parecia datado pelas suas paredes enegrecidas e comportava carteiras e alunos de colegial. Não havia muita dúvida que realmente se tratava do início da alteração.

Era preciso observar algo mais específico. Talvez um acontecimento muito improvável? Coisas improváveis no universo significavam alterações. E assim que se firmou a intenção, uma carteira acabou sendo atingida por uma dose de vomito de um aluno que por algum motivo estava passando mal. Ele bem que tentou avisar o professor, mas levantar e atravessar metade da sala havia acelerado o processo e então... aconteceu.

Quebras de expectativas era algo que também podia indicar rumos lineares diferentes. Foi assim que o dono da carteira se sentiu ao ver seu lugar particular de se sentar todo empapado de coisas impronunciáveis. Um pouco desgostoso, mas agraciado por ter ido ao banheiro, pois com certeza aquilo o alvejaria e seria pior.

Aquela logica era aplicável a um mundo distante. É como se o pensamento criasse vida. No entanto, quem levou o vomito pensou que poderia ter escapado se fosse ao banheiro como queria. Então, a partir disso algo se ramificou pela própria lógica correta daquele rapaz. O improvável não era que alguém vomitasse nele, mas sim que fosse na carteira vazia.

Isso gerou um evento improvável, de tamanho incalculável.

A garota quis ser gentil e oferecer espaço na carteira e colocar aquele rapaz ao seu lado. Nesse mesmo espaço, antes de voltar a sua carteira recém limpada, aconteceu um pequeno ritual pré amoroso de dois jovens. As equações da lousa estavam se convertendo num grande cálculo para se descobrir o amor. Ela deu sua inteligência perspicaz para ele admirar, e ele deu seu “tanto faz” para ela se indignar.

A história se apagou do visor. Isso queria dizer que naquele ponto havia se alterado tudo o que viria depois. Mas queríamos ver alguns flashes antes do gran finalle.

Algumas semanas depois, a amizade se perpetuava cheia de aventuras e escapadas noturnas como em qualquer filme adolescente “hollywoodiano”. Mas até que fazia sentido, já que eles viviam em uma cidade no interior dos EUA. Para eles, era sobre andar nos corredores da escola no momento que não deveria, e sobre perceber que algumas amizades se disfarçam de amor contido. Nesse momento do conto, eles perderam o foco e demonstraram amor fora de hora. Isso os levou a serem pegos por um funcionário e claro que houve consequências. A imagem no visor se esmaeceu, como se cortasse a cena e ido para a próxima.

Essa nova cena mostrava uma jovem e um adulto discutindo. Pai e filha se enfrentando verbalmente após uma pequena ligação da escola que informava o que ela havia feito. Deu para notar que o problema não era a escola, mas o rapaz. Um clássico caso de não aceitação podendo ser visto de variadas formas, mas no padrão dos anos 80, era o que tinha para a época. As vozes nunca conseguiam ser ouvidas naquela discussão, se assemelhava a um abafado murmúrio que não ressoava coerente. O cenário apagou.

Novamente nos é mostrado outro acontecimento. Mesmo ambiente só que semanas depois. A garota e o garoto estão juntos lá. Isso significava que ela havia ganhado a batalha anterior. Mas algo maior aconteceu. Ela apenas pegou a mão dele e o puxou para seu quarto escadas acima. Abandonando o murmúrio crítico do próprio pai, que soava mais agressivo.

Nesse ponto, o sinal de alerta estava soando de um jeito sutil. Era como se fosse um bipe interminável que não podia ser ouvido no silêncio absoluto.

Uma caminhada na rua. Era o que poderíamos ver. Mãos dadas que evidenciavam a força do relacionamento. Tudo parecia simples, e era como se fosse um dia normal. Dá para ir mais longe e dizer que é como se nós estivéssemos ali, sentindo e se movimentando conforme a música do destino tocava. O antigo bipe de alerta estava silenciado, e isso significava que dessa vez, só dessa vez, eles iriam sentir paz.

E podia se ver ao longe o casal se divertindo, talvez com coisas bobas ao ponto de criar risadas contagiantes. Eles sentiam o vento agraciar o corpo. A temperatura aquecer o próprio coração. A sonoridade das palavras proferidas pelo ambiente, como pássaros voando, latir de cachorros e algumas pessoas falando ao fundo daquele teatro. Mas o melhor era olhar para o horizonte e ver que não há limites, e depois se olharem, pela última vez, por mais tempo do que deveria.

A doce melodia acabou.

O julgamento havia começado.

Quando olharam para frente, naquele mesmo horizonte, um aracnídeo enorme estava presente. Sua forma era apenas a escuridão mais pura que existia, suas patas vibravam como se não pudesse tocar o chão e aquele ser era tão imponente que olhar para ele fazia qualquer um questionar a sanidade.

O casal? Ah, eles viram a aranha.

Viram tentáculos vermelhos saírem de dentro da aranha. As coisas foram jogadas em todas as direções como se estivesse preenchendo toda a realidade.

E antes de se verem flutuando no espaço em direção a grande teia, ouviram a aranha falar. Uma fala tão introspectiva e existencial que só poderia ser ouvida e entendida se fosse dita dentro da própria mente.

E enfim, o final.

Notas finais
Acho que podemos dizer que isso é terror cosmico galera kkkk
muito obrigado se leram até aqui.

Até a proxima
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!