O Engano
8 Epílogo
Notas iniciais
Era uma manhã fresca e vibrante de outono, e ambos os times de vôlei do Nekoma e Fukurodani dividiam um ônibus alugado, tendo destino a um Acampamento de Treino que duraria alguns dias. Uma decisão sábia e ao mesmo tempo intrigante, pois nunca se sabe o que pode acontecer quando se junta “gatos” e “corujas” num mesmo espaço.
Ademais, a diversão e empolgação era unânime; quase que contagiante. Vozes altas e felizes soavam de todos os lados, assim como os barulhos de embalagens sendo abertas, contendo variados tipos de aperitivos.
Sentados aproximadamente no meio do ônibus, estavam os capitães de ambos os times dividindo os lugares, entretidos em uma conversa trivial e descontraída. Kuroo, mais uma vez, estava zombando da última nota que Bokuto havia tirado no teste de matemática, sua pior matéria de longe. O ás apenas reclamava e resmungava, dizendo que os números não eram seus "amigos".
Talvez a discussão tivesse se prolongado, isso se não fosse por perceberem as vozes de seus namorados, Kenma a Akaashi, logo na poltrona de trás, tomando, de imediato, suas atenções. Ambos os levantadores estavam entretidos numa longa conversa sobre o santo jogo que causara tantos problemas.
— … E me vende também aquela arma de lâmina fina pra eu matar essa raposa que quer comer minhas ovelhas. — o Keiji ia citando sua “lista-de-pedidos”, principalmente considerando que o Kozume tinha quatro vezes mais armas que ele por jogar há muito mais tempo.
— Ok. — o loiro assentiu. — Mas não esquece de me devolver tudo depois.
Kuroo e Bokuto se olharam em cumplicidade. Ambos sabiam, no fundo de seus corações, que a leve sensação de angústia no peito estava sendo compartilhada naquele momento, assim como sempre acontecia quando Kenma e Akaashi estavam interagindo um com o outro.
Seria aquilo algum tipo de trauma?
Kuroo cruzou os braços, irritado, afundando o corpo contra o assento macio. Praguejou baixo para que os dois atrás não ouvissem.
— Peguei um ranço desse jogo… — bufou.
Bokuto desviou os olhos dourados para a janela, vendo as imagens coloridas passarem como um borrão por sua retina enquanto o automóvel se locomovia com rapidez.
— Acho que estamos um pouco perturbados. — expressou.
Antes que Kuroo pudesse responder alguma coisa, uma figura pequena de cabelos castanhos-claros e olhos afiados surgiu da poltrona à frente, surpreendendo-os.
— Ah, não vem que não tem! — Yaku bradou, apontando acusadoramente para os capitães. — Não vão me dar dor-de-cabeça novamente, então parem já com essas neuras aí! — ordenou, soltando o ar com irritação.
Konoha, no lado direito do ônibus, sentado na reta de Kuroo e Bokuto, fez apenas revirar os olhos.
— Já se enganaram uma vez, e já querem se enganar de novo? — questionou, apoplético.
Bokuto e Kuroo logo sentiram suas mentes os recriminarem. De fato, estavam sendo uns idiotas neuróticos, como bem disse Yaku. Responderam um “não” em conjunto, garantindo para os dois companheiros que parariam com isso. Em seguida, decidiram virar-se para trás, querendo ver os namorados.
— E aí… O joguinho tá legal? — Kuroo disse com deboche, tom que sempre utilizava quando se referia ao jogo.
— Akaashi, você está parecendo um viciado! Vai ficar igual o Kozume aí. — Bokuto reclamou, fazendo um bico chateado.
— Bokuto-san, sente-se direito. — o Keiji pediu, absorto em seu aparelho, mas, ainda assim, prestando atenção no Koutarou.
Kenma, sem sequer erguer os olhos da tela, respondeu lentamente a pergunta de Kuroo:
— Está legal, sim, só que… — o cenho delicado franziu-se, intrigado. — Minha tela está sendo tapada pela sucessão de mensagens que o Shouyou está me enviando. — revelou com incerteza.
Todos mostraram-se interessados na mesma hora.
— O Chibi-chan? — Kuroo admirou-se. — O que ele quer?
Kenma pediu um minuto e logo saiu do jogo, pondo-se, em seguida, a ler as mensagens. Como sempre, o loiro mostrava prestar bastante atenção em tudo que era relacionado a Hinata, com quem dividia uma sincera amizade e admiração.
— Hum… — os olhos do Kozume passavam pelas palavras com concentração, o cenho se franzindo a cada linha que lia. — … Ao que parece, as coisas estão mal entre ele e o Kageyama. — comentou.
Bokuto estalou os dedos.
— Ah, mas isso já é esperado, não é? Só nos poucos amistosos que tivemos, aqueles dois viviam discutindo. — relembrou.
— É verdade, mas… — Kenma, então, baixou um pouco a voz, dando a entender que falaria algo um pouco mais sério. — O problema é que a coisa toda envolve aquela história do Oikawa e daquele Iwaizumi. — ergueu uma sobrancelha. — Vocês já devem estar sabendo pelas postagens do Oikawa…
Kuroo revirou os olhos.
— E quem nesse mundo não sabe? Foi um escândalo. — declarou.
Akaashi guardou o celular no bolso, erguendo os olhos para o grupo.
— Admito que estou surpreso até agora. — comentou. — Mas, de toda forma, não é da nossa conta. — disse por fim.
Com isso, decidiram esquecer a história e embarcaram em assuntos triviais e agradáveis, somente focando-se nos dias desgastantes e divertidos que teriam pela frente. O clima era agradável e confortável, compatibilizando com a aura de todos ali presentes.
E era assim que as coisas estavam. Desde que o quarteto havia engatado em seus respectivos namoros, uma eterna leveza e felicidade havia recaído sobre cada um ali. A cada dia que passava, os laços de confiança, amizade, respeito e, principalmente, amor, iam ficando cada vez mais estreitos e intensos; cuidando e regando, com gentileza e afabilidade, dos sentimentos e emoções de cada um. Todos tinham ciência de que um relacionamento requer atenção e zelo, e que, muitas vezes, teriam que estar dispostos a escutar e abrir mão de algumas coisas para agradar e tornar-se uma pessoa melhor para o outro. E os quatro, sem exceção, estavam dispostos a cumprir com todos os requisitos necessários para fazer dar certo.
Aquela aventura toda pela qual passaram, poderia ter tido seus momentos dolorosos, mas, no final, havia os presenteado com frutos e recompensas insubstituíveis:
A enfim junção das almas já interligadas e a dádiva incomparável que era a descoberta e a vivência do amor.
Enganos, às vezes, podem ter conclusões ruins e até catastróficas. Mas, aquele envolvendo os quatro garotos, com toda certeza, não poderia ter acabado de maneira melhor.
FIM
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