O Encontro

1 Capítulo Único


Hey, preste atenção nessa história. Ela pode ser irreal para você, mas verdadeira para outros. Eu estava presente, mas não fui protagonista, sou apenas um narrador. Um narrador que estar ai com você leitor, enquanto viver eu estarei com você, prestando atenção no que você faz com a vida que lhe dou. Quem sou eu? Prazer, pode me chamar de vida.

A história que irei lhes contar fala de uma menina, uma adolescente solitária com uma vida cruel.

Ela era motivo de chacota na sala de aula, todos riam dela e jogavam bolinhas de papel em seu cabelo. Ela tentava não ligar, mas bem lá no fundo ela estava encolhida com a cabeça entre as penas, chorando desesperadamente. Na sala de aula ela nunca se pronunciava, nunca levantava a mão para responder alguma pergunta do professor. No intervalo ela nunca se sentava com ninguém, nunca dava bom dia, mas também nunca recebia.

Ela sempre ia para casa sozinha, sem se importar com o que a cercava. Em casa, ela entrava em silêncio, com medo de seus pais. Eles eram dois porcos bêbados, todas as noites caiam na bebedeira, sem se lembrar de que tinham uma filha.

A menina vai para seu quarto silenciosamente, com os olhos marejados ela se deita em sua cama, exausta de tanta aflição ela dorme. Eu a vejo adormecer, vejo seus olhos se mexerem para lá a para cá em baixo de suas pálpebras. Toco em sua cabeça, e seu sonho vem ate minha mente.

Em seu sonho, ela estava vestindo trapos, estava sentada no chão, em algum lugar que parecia uma caixa toda escura, segurava seus joelhos com a cabeça entre eles e chorava. Não parava de chorar. A escuridão a engole. Tudo parecia perdido. Mas não era bem assim. Em seu ombro ela sente uma mão a tocar, ela levanta seus olhos, um rapaz sorridente e alegre esta a olhando, com a mão estendida como um convite para segui-lo, uma ajuda para se levantar. Ela pega sua mão e se levanta. Tudo em volta ganha cor, ganha luz! Um salão de dança enorme, com o chão coberto por pétalas de flores aparece. Ela olha bem para o lugar cheio de detalhes, cheio de janelas de onde sai a luz, ela olha bem para o rapaz. Ele vestia um terno preto e uma gravata vermelha. Seu sorriso era belo, contagiante. O rapaz estala os dedos, as pétalas rodeiam os trapos que ela vestia e o transforma em um belo vestido a moda antiga, longo e rodado, e seu cabelo agora estava preso em um coque desarrumado. Ainda segurando sua mão, o garoto corre junto com ela pelo salão, chutando as flores, rindo, se divertindo. Pela primeira vez a garota sentiu que ela fazia parte de algum lugar, ela estava tão feliz, tão bem! Uma porta aparece em sua frente, de madeira com uma janela de vidro no topo, na janela estava desenhada uma flor. Ela já tinha entendido, seu corpo começara a despertar, e sua mente precisava voltar. Ela olhou para o rapaz, uma lágrima caiu de seu rosto “Não chore.” disse o rapaz limpando a lágrima de sua bochecha “Quando você voltar, eu vou estar aqui. Sempre vou estar!” Ele pega sua mão e beija as costas da mesma. “Vá! Eu estarei lhe esperando.” A menina se aproxima da porta e ela se abre sozinha. Ela olha para trás, ele continua sorrindo e acenando com a mão em despedida. Ela atravessa a porta e acorda.

Ela se levanta animada, pela primeira vez sorrindo. Querendo entender seu sonho.

Ao caminhar em direção a sua escola ela não para de pensar em seu sonho. As pessoas continuavam a caçoar dela, a jogar aviõezinhos de papel em se cabelo, ela tentou não se importar com isso.

Novamente em sua casa, novamente os pais bêbados. Ela subiu para seu quarto e deitou-se, esperando encontrar aquele rapaz que a fez tão bem. Quando ela adormece, toco novamente em sua cabeça.

Estava tudo escuro. Ela nota que estava de olhos fechados e os abre. Ela leva um susto na hora. Estava vestida do mesmo jeito que estava no sonho anterior, sentada em um banco de vidro, mas não foi isso que a surpreendeu, foi o cenário. Não estava de volta a salão, parecia estar de baixo d’água! Peixes de diversas cores e tamanhos nadavam ao seu redor, algas marinhas presas no chão pareciam dançar com a água. “Eu disse que estaria te esperando!” a voz do rapaz ecoa por trás dela, a garota ao virar o rosto o vê sorrindo, segurando uma flor que é colocada pelas mãos do rapaz em sua orelha. Ela sorri de volta, ele estende a mão e ela a segura. Novamente estão correndo pelo cenário, rindo, e desta vez, contando os peixes. Para sua infelicidade, a porta aparece em sua frente “Acho que você tem que ir.” O garoto comenta. Eles se despedem com um beijo na bochecha. O garoto sorri para ela ao vê-la passando pela porta.

Seus olhos brilham ao acordar, ela está tão feliz!

A garota vai a escola, não estava nem ai para o que estavam dizendo ou tacando nela. Ela só pensava no rapaz, só pensava em ir para a casa!

Já em casa ela se deita na cama de qual jeito, ela só queria vê-lo de novo.

E lá estava ele, sem o paletó, segurando uma casquinha de sorvete, se apoiando no carrinho de sorvete. Eles riam e brincavam com o sorvete, sujando um ao outro.

Em outro sonho, ela estava com um vestido de gala, e eles dançavam. O cenário era encantador! O chão era revestido de grama baixa, cheio de flores pequeninas. Um céu azul escuro pontilhado de estrelas, e ao lado deles, uma enorme cachoeira caia formando um lago gigante. Eles dançavam em cima desse lago, seus pés não se molhavam, seu lindo vestido continuava seco. Eles se olhavam e dançavam. Antes de ela ir embora, ele a abraça protetoramente e diz “Volte logo meu bem. Vou estar lhe esperando ansiosamente!”

Ela já não era mais triste, ela tinha motivo para sorrir. A garota sorria em publico sem motivo aparente. Tornou-se mais participativa das aulas, alguns admiraram isso, incentivavam a continuar assim, sorriam por ela. Já outros se irritaram com isso, não queria a ver feliz. Na hora da saída, duas garotas que a atormentavam a seguiram até o portão da escola. Pararam em sua frente e começaram a xingar de coisas que nem vale a pena repetir. No final de todos esses xingamentos elas a empurrou, a menina caiu bruscamente no chão. Cuspiram na menina e saíram rindo da garota.

Ela correu para a casa, não ligou para os pais bêbados. Subiu para seu quarto, limpando as lágrimas, olhando para sua cama sorrindo, pois sabia que ele estaria lá para ela.

A madrugada toda, ela não dormiu. Seus olhos não se fecharam por um minuto.

A garota levantou-se. Passou pela sala, viu seus pais tombados no sofá, vinho derramado por todo o tapete. Ela os ignorou, caminhou ao banheiro, e achou as pílulas que sua mãe às vezes tomava para dormir. Voltou a seu quarto, tomou uma pílula e adormeceu.

Em seu sonho ela voava em um pássaro gigante. O rapaz segurava as redias enquanto ela se segurava na cintura do rapaz. Passavam por nuvens, subiam ate as estrelas e mergulhavam em um céu aberto e escuro com uma lua enorme cheia de crateras.

Isso já estava me assustando, ela tomava essas pílulas ate na hora do jantar, dormia ali mesmo na mesa, mas era compreensível, seus pais não paravam de brigar e beber, e em seus sonhos o rapaz beijava sua testa e lhe entregava flores.

Certo dia, ela não aguentava mais as pessoas a caçoando. Tomou uma pílula e adormeceu na aula. Mas ela teve um pequeno descuido, deixou sua mochila aberta em cima de sua carteira. A professora viu a capsula em que as pílulas estavam. Essa droga para dormir era viciante, e a garota já estava se tornando dependente dela.

A professora a levou para sua casa, contou sobre as pílulas para seus pais. A menina tentou se explicar, mas tudo o que conseguiu foi um tapa bruscamente forte de sua mãe. Seu pai a gritou, xingou a garota de todos os nomes que ele podia pensar. Ele arrancou a capsula das mãos da garota e foi para a cozinha junto com sua mãe, para beber obviamente.

Porém, a garota tinha uma escapatória. Debaixo de seu travesseiro, havia outra capsula. Chorando desesperada ela tomou todas as pílulas que havia dentro do recipiente.

Em seu sonho ela abriu os olhos, estava de volta a aquele salão, procurou o garoto com os olhos e o achou atrás de si. Ela correu ate ele sorrindo por vê-lo mais uma vez. Mas ele não estava como de costume, ele chorava, o rapaz segurou sua mão, apontou para a porta, a que levava sua mente de volta a realidade. Estava se partindo em pedaços “O que foi que você fez? Ela esta de desfazendo!” E a porta se partiu como se fosse vidro caindo ao chão, se estilhaçando. “Não!” o garoto gritou. A menina sorriu ainda mais alegremente “Sim! Agora podemos ficar juntos para sempre!” exclamou ela. Ele chorou ainda mais e ela não entendia por que. Ele segurou seu rosto com uma das mãos e a beijou, um longo beijo de tomar o fôlego. Quando se separaram, ele se afastou dela, chorando desesperadamente “você não devia... Não! Desculpe-me... Por favor, me perdoe...” dizia ele por meio dos soluços. Ele se afastou mais ainda da garota, seus olhos ficaram em uma tonalidade de vermelho sangue. Seu corpo escureceu e cresceu em tamanho, ficando dois metros maior que a garota. Seu cabelo tornou-se um capuz, seu terno ficou maior transformando-se em uma capa negra que escondia todo o seu corpo, seu rosto agora era uma caveira. Ele esticou o esqueleto de sua mão, a garota estava apavorada. Ela pensou que ele fosse a ferir, mas ao invés disso, ele pegou uma flor no ar, e colocou em na orelha da garota. Ele chorava e ela também. Eles se abraçaram e ele a encobriu num abraço protetor e na capa negra.

Tirei a mão de sua testa. Vi seu pai a segurando no colo, chorando, gritando pela filha. A mãe estava no chão, desolada, com as mãos no rosto. Não acreditava no que via, no que tinha acontecido.

A menina tinha partido com quem se apaixonou.

Partiu para um lugar onde ela merece viver com um amor recíproco.

Notas finais
Poesia não fala somente de amor, é tragédia, dor, medo, alegria. Poesia são sentimentos. Anonimo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!