O Elixir da Morte
1 Prólogo
Notas iniciais
– Ele me ama, Dali. Eu sei que ama.
A chuva era pesada, o que tornava a noite ainda mais escura e aterrorizante. Era incomum para a região uma temperatura tão baixa, mas tudo na rua escura parecia frio e sem vida, exatamente como a atmosfera.
– Não, mãe! Por favor, vamos embora! Ele deve chegar daqui a pouco!
– Não, filha. Eu não vou.
A criança balançou a cabeça, frustrada, confusa e com frio. Mas nenhuma dessas sensações poderia sobrepujar a profunda tristeza que sentia. Tinha apenas sete anos, mas sabia que, se deixasse a mãe ali, nunca mais a veria. Apesar da chuva cada vez mais intensa, juntou toda a calma que poderia reunir e respirou fundo.
– Mãe. Vamos. Agora. Eu sei onde podemos ir. Confie em mim.
O aperto em seu antebraço ficou mais forte, ao ponto de as unhas rasgarem a pele. A menina não emitiu um som com a dor. A voz fina de sua mãe foi um sussurro oco na escuridão cada vez mais pesada.
– Vá embora, criança. Eu o amo.
A garotinha começou a chorar. Entendia agora que a mãe ia deixá-la. Tocou com leveza nos dedos cravados em seu braço, que se soltaram, deu meia volta e saiu correndo, sem olhar para trás.
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