Notas iniciais
Sinto que é meu dever me desculpar com vocês antes e depois desse capítulo. É muito difícil escrever, sabe? Dá trabalho e quando a inspiração não vêm, dá uma culpa. Mas quando você consegue, é o sentimento bom que vêm agora, postando isso pra vocês. Obrigada por sempre se manterem fiéis e exigindo novos capítulos. É revigorante! Provavelmente isso não estaria aqui se não fosse por meus leitores. NOTA IMPORTANTE Pessoal, no capítulo anterior, enquanto Alma explicava algumas coisas para Samuel, falou que algumas Marcas eram eternas, recebidas ao nascerem. Isso está errado, me desculpem! Fui conferir no meu Códex e na verdade, as primeiras Marcas são feitas aos 12 anos. Já está corrigido agora. Sem mais delongas, o capítulo 6!

– Dalila!

Alma correu em direção da menina, que já se levantava, tossindo freneticamente. Assim que ela chegou perto de Dalila, caiu para trás, como atingida por um soco:

– O cheiro. Pelo Anjo... O que é isso?

Dalila balançou a cabeça. Não conseguiria responder a essa pergunta. Prendeu a respiração e se levantou, indo em direção ao homem desacordado.

– Ele está vivo! – Disse ela em um tom aliviado, com os dedos no pescoço dele, sentindo sua pulsação. – Samuel! Me ajude a carregá-lo. Precisamos voltar para o Instituto e cuidar desse... ferimento.

O garoto se aproximou cautelosamente, sentindo o cheiro horrível, mas não reagiu a ele como as meninas. Apenas franziu o nariz, o que gerou um olhar confuso de Dalila, que balançou a cabeça e disse:

– Precisamos cobri-lo com alguma coisa. Alma, me dê o casaco na sua cintura, por favor. Como você pôde pensar que estaria frio hoje?

– Você está de casaco também, Lila! Não encha meu saco.

– Eu sei, mas as mangas estão arregaçadas. Os bolsos são úteis e... Que seja, ande rápido!

Alma deu de ombros:

– Você sabe como eu sou. Nunca saia sem um casaco e um pacote de camisinhas, é o que sempre digo.

A garota bufou em resposta, pegando o casaco da mão estendida da parabatai e enrolando no quadril do homem, o que escondeu as partes traseiras essenciais. Samuel ficou surpreso com o modo que Dalila mal ruborizou ao fazer isso, tendo em vista que o homem estava pelado em toda sua glória, mesmo estando de bruços.

– Não-letal, 01... O que é isso? – disse a garota, agachada, pensando alto, enquanto examinava o ferimento em carne viva, sem hesitar.

Alma deu de ombros e balançou a cabeça, sem palavras. Poucas coisas a surpreenderam na vida, e essa era uma delas.

– Tanto faz por enquanto, Lila. Só vamos voltar e cuidar desse homem, e depois nós descobrimos.

Dalila assentiu, lentamente, e depois balançou a cabeça, gesticulando para Samuel ajudá-la a erguer o sujeito.

– Ande, Fulaninho. Rapidez, sim?. Não vejo mais nenhum ferimento, mas nunca se sabe. Errei feio quando você chegou ao Instituto, estava todo machucado... – Apesar do apelido, não falou em tom de provocação. Parecia intrigada com a cena e devaneando quando chegou à última frase.

Ele assentiu e andou em direção ao homem, que dormia profundamente. Samuel inclinou a cabeça, pensando como o ergueria. Optou por virá-lo e colocá-lo de cabeça para cima, o que gerou uma exclamação autoritária de Dalila:

– Ei! Quer matar nosso compadre de infecção? O chão está imundo. Erga-o pelo peito.

A raiva subiu a cabeça de Samuel.

– Por que não coloca logo uma droga de desenho da cura nele? Veja, você sabe que é um Caçador de Sombras. – Samuel apontou bruscamente para as costas do homem, que realmente estavam cheias de Marcas.

– Porque tenho que livrar o machucado de qualquer resíduo, pequena anta. Se eu o cicatrizar agora, qualquer coisa sob a pele permanecerá lá.

Samuel suspirou.

– Desculpe então.

– Tudo bem. Só ande logo com isso, por favor.

#-#

– Vamos?

– Certo. Só um segundo.

Dalila agachou-se e pegou o pequeno frasco de vidro do chão. Era muito parecido com uma ampola e ainda havia um pouco do líquido fétido dentro. A garota não o aproximou do rosto por precaução.

Alma e a parabatai trocaram um olhar. Ambos tinham inúmeras perguntas sem resposta.

– Vamos correr, sim?

Dalila colocou o frasco discretamente no bolso.

#-#

Boa parte do percurso de volta ao Instituto foi em silêncio. Apenas a respiração rápida pela corrida dos três era ouvida. Às vezes um gato solitário ou um bêbado desorientado apareciam, mas nada que os interrompesse. Inúmeras perguntas, antes obscurecidas pela agitação no Instituto, agora voltavam a mente de Dalila: Como Samuel é um Caçador de Sombras sem nenhuma marca? De onde ele veio? Como foi parar no Instituto? Será que sua aparição tem algo a ver com o homem? A última pergunta foi imediatamente descartada por ela. Não fazia nenhum sentido, mas sem dúvida confrontaria o garoto assim que chegassem ao Instituto.

Samuel, ofegante pela corrida e pelo peso extra, resolveu falar:

– Por que aquela senhora é tão branca? Aquela do Instituto.

As meninas se entreolharam e permaneceram em silêncio, enquanto Samuel as encarava.

– Então?

– Lily é viciada – Começou Alma, impassível – O yin fen é uma droga raríssima que foi considerada extinta, mas não está. Não sabemos e não nos pergunte por que ela se tornou assim, mas a amamos de qualquer maneira. – suspirou – O yin fen a torna fraca e extremamente dependente, além de sugar toda sua cor. É bom esclarecer isso, já que parece que você ficará um bom tempo com a gente.

– Entendo.

– Fulano. – Dalila, que até o momento permanecia em silêncio, resolveu se pronunciar – Por que você não tem nenhuma Marca e não sabe absolutamente nada sobre o Mundo das Sombras?

Samuel suspirou. Não queria começar com isso agora.

– Dalila, será que não posso começar a responder perguntas no Instituto? Não me lembro de muita coisa sobre aquela noite...

– Lembra de coisas o suficiente para me socar. – Respondeu ela, baixinho, mas não o suficiente para Alma não escutar.

– Socar?

– É uma longa história. No Instituto, Alma, no Instituto.

Ninguém mais ousou falar.

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– Alma, você vai cuidar do desmaiado desta vez. Veja se não existe nenhum outro ferimento ou se há algum resíduo nessa queimadura e então desenhe as iratzes. Depois disso, é só esperar. Preciso falar com Lily.

Dalila estava operando no seu modo automático enquanto dava as coordenadas para Alma. Geralmente ela era a enfermeira, mas no momento não conseguiria cuidar de ninguém. O peso de tantas perguntas não respondidas começou a deixá-la exausta, prestes a explodir. Já não bastava que Samuel surgisse como uma aparição na porta do Instituto, ainda havia o homem e o escrito em suas costas... Se apoiou em uma parede e fechou os olhos, respirando fundo.

– Dalila?

A garota abriu os olhos.

– O que foi, Samuel?

Ele estava com as mãos apoiadas na cintura, um pouco sujas, provavelmente por causa do chão do beco, e a encarava com um pouco de preocupação.

– Você está bem?

– Só sobrecarregada, obrigada por perguntar. – balançou a cabeça, uma mania que a acalmava – Agora, tenho mais o que fazer. Com licença...

Ela começou a dar as costas para ele, antes que este segurasse sua mão.

Dalila olhou para ele, de testa franzida.

Samuel lentamente aproximou a mão de seu cabelo. Ela quase se sentiu compelida a fechar os olhos, o que mais tarde julgou um pensamento tolo e estranho. Em vez disso, olhou para ele, que parecia concentrado na sua trança, tirando algo de lá.

– Um pedacinho de papel.

Soltou-a abruptamente e saiu andando.

Notas finais
Aí está. Mais de mil palavras que levaram mais de mil dias para escrever. Estou exagerando um pouco, mas foi o que senti. Espero que tenham gostado e espero que acreditem na minha promessa de que jamais demorarei tanto para postar de novo. Já estou com os próximos capítulos planejados e tudo! Muito obrigada mesmo por me perdoarem, e se não perdoaram, pense de novo, eu sou legal e vou na Bienal (haha, rimou.). Agradeço muito a Layla, que nem com as mil palavras desse capítulo posso dizer o quanto você me ajudou. Feliz aniversário adiantado, my darling! - A.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.