O Duque que me Amou

10 Casados… e Nada Preparados


Notas iniciais
Boa tardeeee voltei com mais um capítulo, estou com três enredos lançados no momento e preciso concluir rsrs... obrigada pelo carinho de todas bora acompanhar esse casal.


Haymitch Everdeen estava sentado à mesa da cozinha, com uma caneca de chá que parecia conter mais desespero do que ervas.

Quando Katniss entrou — arrastando-se — ele ergueu os olhos. O olhar decepcionado de pai era pior do que qualquer ressaca.

— Sente-se.

Ela sentou devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse causar uma catástrofe física.

Haymitch respirou fundo.

— Katniss… pelo amor de Deus!

Ela arregalou os olhos, surpresa com o tom.

— Pai… eu…

— Você precisa crescer! — Ele bateu a mão na mesa. — Será a duquesa de Bro Waroch! Não pode agir como uma criança selvagem fugindo para floresta, bebendo feito um soldado e deixando o duque louco!

Katniss mordeu o lábio inferior.

— Eu só queria um momento de paz…

— Paz? — O pai balançou a cabeça. — Paz você não terá tão cedo. Olhe ao seu redor! Bligth continua sendo uma ameaça. Se não fosse pelo duque, nós não teríamos como protegê-la.

A respiração dela engasgou.

— Pai… eu não pedi para ser protegida.

— Eu sei! — exclamou ele, passando a mão pelo rosto. — Mas você precisa. Por mais que se ache invencível com esse arco e flecha, aquele homem é um demônio. Se te quisesse, teria levado você aquela vez e nunca mais a veríamos.

Katniss engoliu em seco.

Haymitch suspirou profundamente, como alguém que está cansado demais para continuar discutindo.

— Então… gostando ou não… comporte-se. Tente, pelo menos, parecer grata ao ser conduzida ao altar daqui a três dias.

A frase pousou sobre a cozinha com o peso de uma rocha.

Katniss piscou.

Uma vez.

Duas.

Três.

— T-t… três dias? — A voz saiu trêmula.

— Sim — confirmou o pai, firme. — O alfaiate já está finalizando seu vestido. O duque organizou tudo para que aconteça antes da Lua Nova. E você sabe que, quanto antes casar, mais seguro será para você.

Três dias.

Três dias.

Três dias.

A cabeça dela girou — e desta vez não era pelo álcool.

Era pânico.

Era realidade.

Era destino.

Katniss apoiou uma das mãos no tampo da mesa, procurando ar.

Haymitch se levantou e colocou a mão em seu ombro.

— Filha… eu sei que você está assustada. Mas esse casamento… vai te salvar.

Ela o encarou com olhos marejados.

E então percebeu, com um baque no peito:

Não estava assustada pelo casamento.

Estava assustada… por perder sua liberdade.

Nos próximos dois dias Katniss passou por uma sessão de depilação com mel. Disseram a ela que as mulheres da corte em Paris gostavam de tirar os pelos. A parte superior da casa fora reservada apenas para seus últimos cuidados, era possível escutar seus gritos e insultos do pomar a cada puxada que faziam seus pelos saírem. No final, ela estava sem fio algum na virilha, coxas pernas e axilas.

Quando se preparava para dormir alguém abriu a porta. Ripper limpou a garganta com solenidade exagerada.

— Bem, já que sua mãe não está aqui, alguém precisa lhe explicar o que acontece depois que a porta do quarto fecha.

Katniss ficou rígida.

— Ripper, não.

— Ripper, sim.

A criada olhou ao redor, caminhou até a penteadeira e pegou… duas luvas.

Katniss piscou.

— O que as luvas têm a ver com isso?

Ripper ignorou. Vestiu uma das luvas na própria mão.

Depois pegou a outra e tentou enfiar… a mão já enluvada dentro dela.

A segunda luva ficou presa na metade.

Ripper fez força.

Mais força.

Sacudiu.

Puxou com os dentes.

Nada.

Katniss assistia aquilo com horror crescente.

— Está… tentando se vestir?

— Não, menina! Estou demonstrando!

Ela puxou a luva com violência. A segunda finalmente deslizou por cima da primeira com um “ploc” abafado.

Ripper ergueu as mãos triunfante.

— No começo parece apertado. Estranho. Um pouco desconfortável. Mas depois… — Ela abriu e fechou os dedos dramaticamente. — Ajusta.

Katniss ficou imóvel.

— Ajusta o quê?

— O encaixe conjugal, menina!

Katniss fez um som engasgado.

— Não use a palavra encaixe.

Ripper suspirou como quem fala com uma criança teimosa.

— O marido é como essa mão aqui. Determinado. Persistente. E a esposa é como a luva nova. No início, rígida. Depois… maleável.

Ela fez a mão enluvada deslizar pela outra novamente, com expressão pedagógica demais.

Katniss cobriu os olhos.

— Eu nunca mais vou olhar para uma luva do mesmo jeito.

— Ótimo, é sinal de que entendeu!

— EU NÃO ENTENDI NADA!

— Entendeu sim. Quando ele se aproximar… — Ripper se inclinou e sussurrou. — Não fique dura como madeira. Relaxa.

Katniss arregalou os olhos.

— Relaxar? Ripper, eu mal sobrevivi à cera quente!

— Ah, aquilo foi só o prefácio.

— PREFÁCIO?!

Ripper colocou as luvas sobre a mesa e apontou para ela com firmeza.

— Escute bem: ele vai chegar confiante. Talvez sorrindo daquele jeito bonito que ele tem. Vai tocar em você. Talvez aqui. — Tocou o próprio ombro. — Talvez aqui. — Encostou na própria cintura. E se você ficar parada como um cervo assustado, só vai piorar.

Katniss estava vermelha até a raiz dos cabelos.

— Eu prefiro enfrentar o cervo.

— Não seja dramática. O duque parece apaixonado. Homens apaixonados não querem machucar. Querem… apreciar.

Katniss fez uma careta.

— Odeio essa palavra.

— Vai odiar menos quando perceber que o “encaixe” funciona melhor do que a luva.

Katniss jogou a almofada nela de novo.

— PARE DE DIZER ENCAIXE!

Ripper saiu rindo.

— Só lembre da luva, menina. No começo aperta. Depois ajusta.

E foi assim que Katniss Everdeen passou o resto da noite amaldiçoando luvas.

❆❆❆

— PAAAARE! — Katniss arfou. — Ripper, pelo amor de Deus, meus pulmões vão se fundir ao espartilho!

Ripper não parecia nem um pouco comovida.

— Ainda está largo. Respire fundo.

— Não consigo respirar fundo!

— Ótimo. É sinal de que está funcionando — disse Ripper, puxando mais um centímetro.

Katniss agarrou a moldura da penteadeira como se lutasse contra um demônio invisível.

Octavia surgia com o vestido nos braços, toda orgulhosa:

— Vejam só, a futura duquesa! Ah, Katniss, você ficará deslumbrante.

— Eu ficarei morta — resmungou Katniss. — Enterrada num vestido lindo, mas morta.

Ripper ignorou.

Com a ajuda das damas, o vestido com bordados dourados deslizou pelo corpo da jovem como um casulo de seda. A saia fluida, a renda delicada nas mangas, o véu com pérolas… tudo parecia obra de anjos.

Quando finalmente a fizeram ficar em pé no centro do quarto, Katniss girou devagar.

Seu coração parou.

— Essa… sou eu? — sussurrou ela, diante do espelho.

Por um instante, esqueceu a dor do espartilho. Esqueceu o medo. Esqueceu Bligth.

Era apenas uma jovem que nunca imaginou vestir algo tão belo.

Ripper enxugou discretamente um canto do olho.

— Sua mãe estaria orgulhosa, menina.

Katniss engoliu em seco.

O pequeno vilarejo inteiro havia se reunido diante da igreja de pedra. Flores brancas decoravam a entrada; sinos repicavam com entusiasmo; crianças atiravam pétalas no caminho.

E Katniss… tentava caminhar sem desmaiar.

— Finnick — sussurrou ela, enquanto o irmão a conduzia. — Se eu cair… me joga num arbusto.

— Claro — disse ele. — Mas só depois de você dizer “sim”.

— Você é péssimo.

— Sou realista.

Quando as portas se abriram, Katniss viu Peeta no altar.

Seu coração perdeu o compasso.

Ele estava magnífico em sua casaca azul-marinho com detalhes dourados, postura ereta, olhar fixo nela como se o mundo tivesse diminuído para caber apenas naquele instante.

Ele respirou fundo… e seus olhos suavizaram.

Era ela.

Katniss caminhou até ele, mãos trêmulas.

— Você está… — Peeta começou, mas engoliu a palavra antes de dizer perfeita.

— Eu sei — murmurou Katniss, tentando parecer indiferente.

O reverendo começou a entoar um discurso profundo sobre matrimônio, compromisso e a união de duas famílias.

Peeta não ouviu nada.

Katniss também não.

Eles estavam ocupados… se olhando.

Ele queria decorá-la. Cada curva do rosto, cada mecha solta, cada tremor sutil nos dedos dela.

Ela queria entender por que seu peito apertava daquele jeito sempre que ele sorria.

— … e assim sendo, perante Deus e todos aqui presentes…

Katniss piscou.

— O quê? Ele já está chegando na parte importante? — cochichou para Peeta.

O duque sorriu de canto.

— Preste atenção, mo cher.

— Estou tentando sobreviver ao espartilho — respondeu.

O reverendo pigarreou alto.

— AH, SIM. — Katniss endireitou a postura, corando.

— Peeta Mellark, jura proteger esta mulher em corpo e alma, amar, honrar, sustentar e permanecer ao lado dela em todo sofrimento e alegria?

Peeta respirou fundo, virou-se para ela e segurou suas mãos.

— Eu juro protegê-la com meu corpo e com minha alma. Juro interpor meu nome, meu título e minha vida entre você e qualquer ameaça. Juro caminhar ao seu lado, seja em tormenta ou bonança. E juro... — Ele baixou a voz, íntimo. — Ser digno de você, todos os dias da minha vida.

O ar saiu dos pulmões dela.

Katniss engoliu seco.

O reverendo virou-se para ela.

— Katniss Everdeen, jura amar, honrar…

Ela piscou, apavorada.

— Hein?

O reverendo repetiu.

— Na saúde e na doença…

— Ah! Sim, sim! — Katniss assentiu rápido. — Na saúde… e… todo o resto. Eu prometo.

Finnick soltou uma risada abafada lá atrás. Gale cutucou o irmão. Haymitch passou a mão na testa em resignação.

Peeta sorriu como se aquela resposta atrapalhada fosse a coisa mais encantadora do mundo.

O silêncio pairou por um segundo dentro da igreja.

Um daqueles silêncios densos, carregados de expectativa.

O duque recebeu a pequena caixa de veludo das mãos do reverendo e a abriu com cuidado. Dentro dela, repousava uma aliança simples, de ouro polido, mas com um delicado trabalho entalhado ao redor — o brasão discreto da família Mellark.

Ele segurou a mão de Katniss.

Os dedos dela ainda tremiam.

— Está com medo? — murmurou ele, tão baixo que apenas ela ouviu.

— Só um pouco — respondeu, sem olhar diretamente para ele.

Peeta sorriu de leve.

— Eu prometo não deixá-la fugir agora.

— Isso veremos.

Mesmo assim… ela não puxou a mão de volta.

Com uma solenidade inesperada para alguém conhecido por seu sarcasmo, Peeta deslizou a aliança pelo dedo dela.

O ouro encaixou perfeitamente.

Como se sempre tivesse pertencido ali.

O reverendo assentiu satisfeito e então declarou:

— Pelo poder investido em mim pela Igreja e perante Deus e todos aqui presentes…

Katniss respirou fundo.

Peeta ainda segurava sua mão.

— Declaro-os marido e mulher.

O reverendo abriu um pequeno sorriso.

— Pode beijar a noi...

Mas ele não terminou a frase.

Porque Peeta já tinha puxado Katniss pela cintura.

O movimento foi rápido, natural, quase inevitável.

Um suspiro coletivo percorreu a igreja.

E então ele a beijou. Não foi um beijo abrupto. Foi doce. Lento. Cuidadoso.

Os lábios dele tocaram os dela com uma delicadeza que Katniss não esperava. Como se ele estivesse provando algo precioso.

O mundo desapareceu. Ela sentiu primeiro o calor. Depois o aperto estranho no peito.

E então…

Algo completamente novo.

Um frio repentino percorreu seu estômago — como se milhares de pequenas faíscas explodissem dentro dela.

Katniss congelou por um segundo.

Era a primeira vez. A primeira vez que alguém a beijava.

E a sensação…

Bem.

A sensação deixou a jovem completamente incapaz de reagir contra.

Os lábios dele eram macios. Quentes. Perigosamente desejáveis.

Quando o beijo terminou, Peeta não se afastou completamente. Apenas descansou a testa contra a dela por um segundo, respirando.

— Agora é oficial, mon cher — sussurrou ele.

Katniss piscou várias vezes, como se estivesse voltando ao próprio corpo.

— Você… — Ela começou, ainda sem fôlego. — É absurdamente atrevido.

Ele sorriu.

Atrás deles, a igreja explodiu em aplausos.

Finnick assobiou alto.

— Finalmente!

— Já estava demorando — comentou Gale.

Haymitch suspirou fundo, passando a mão no rosto.

— Pelo menos não desmaiou.

Madge, emocionada, abanava um lenço bordado.

— Que momento lindo!

Peeta ofereceu o braço para Katniss.

Ela hesitou.

Então aceitou.

— Vamos, duquesa — disse ele.

— Não se acostume — murmurou ela.

Eles caminharam pelo corredor central da igreja enquanto todos se levantavam.

Quando as portas se abriram…

A luz do sol inundou tudo.

Do lado de fora, uma multidão aguardava.

Servos.

Moradores da vila.

Curiosos.

Assim que o casal apareceu, um coro se ergueu:

— FELICIDADES AO CASAL!

Arroz começou a voar pelo ar.

Pétalas de flores foram lançadas sobre eles.

Brancas.

Rosas.

Azuis.

Peeta riu quando alguns grãos de arroz acertaram seu ombro.

Katniss tentou se proteger, levantando as mãos.

— Isso é um ataque! — protestou.

— Considere um treinamento para a vida de casada — respondeu ele.

— Muito engraçado.

Finnick passou correndo por eles jogando um punhado inteiro de pétalas.

— Tradição, irmãzinha!

— Finnick!

Peeta puxou Katniss um pouco mais perto pela cintura enquanto desciam os degraus da igreja.

— Sabe… — Ele cochichou perto do ouvido dela. — Ainda temos que repetir o beijo para o pintor que retratará esse momento.

Katniss virou o rosto lentamente para encará-lo.

— Nem pense nisso.

Peeta inclinou a cabeça.

— Vamos ver.

Ao fundo, as carruagens aguardavam enquanto a multidão continuava a celebrar.

Arroz voava.

Pétalas dançavam no ar.

E sob o céu claro da Bretanha…

O Duque de Bro Waroch acabara de se casar com a única mulher que já conseguiu deixá-lo completamente rendido.

Mesmo que ela ainda não admitisse isso.

❆❆❆

O salão estava iluminado por candelabros de cristal. Um bolo de cinco andares decorado com flores brancas dominava o centro. Os convidados circulavam, encantados.

Katniss tentava se manter calma enquanto recebia elogios — e críticas disfarçadas.

— Ora, ora… agora é uma duquesa — veio a voz azeda de Cecelia, a rabugenta irmã de sua falecida mãe. — Quem diria? A selvagenzinha de Trébeurden casando-se acima da própria sorte.

— Obrigada, tia — respondeu Katniss, forçando um sorriso. — A senhora está adorável hoje.

— Humpf. Não tente me bajular. Mas devo dizer… — Cecelia a olhou de cima a baixo. — O vestido esconde seus modos deploráveis.

— Titia... — Peeta apareceu ao lado de Katniss, gentil e diplomático. — A senhora está radiante.

Cecelia corou e saiu dali antes de arrumar outra crítica.

Peeta inclinou-se para Katniss.

— Está bem?

— Já fui insultada com maneiras piores. Isso foi quase carinho.

Ele riu baixinho.

Mais afastado, como uma sombra mal-intencionada, o tio Seneca chamou Peeta.

— Sobrinho.

Peeta não soltou a mão de Katniss, e isso irritou o homem.

— Um casamento não basta para você sustentar um ducado — disse o tio em voz baixa. — Quem dita sua capacidade para seguir o legado será sua prole.

Peeta sentiu o maxilar travar.

— Terei prole quando for o momento.

— Em breve, espero eu. Afinal… apesar de sua escolha simplória… — Os olhos do tio pousaram de cima abaixo em Katniss. — Ela é bem linda. E atraente.

Peeta mordeu a parte interna da bochecha tão forte que sentiu o gosto do sangue.

Katniss ergueu o queixo, orgulhosa e inflamada.

Ele a segurou pela cintura — não de posse, mas de proteção.

— Tio... — respondeu Peeta, frio. — Sugiro que aproveite a festa. Essa discussão não pertence ao dia mais importante da minha esposa.

A palavra minha esposa fez algo latejar no peito de Katniss.

Seneca girou o corpo com arrogância e saiu.

Peeta respirou fundo.

E ali voltou o pensamento que tentava ignorar desde que ela caminhou na direção dele no altar.

— O testamento.

— O herdeiro.

— A exigência.

Mas ao olhar Katniss — tão bonita, tão forte, tão assustada e tão viva — ele sabia uma coisa, daria o mundo inteiro antes de pressioná-la com isso.

E seria seu corpo, sua alma, seu nome… que a protegeriam daqui em diante.

A orquestra começou uma melodia suave e todos se afastaram, abrindo espaço para os recém-casados.

Peeta ofereceu a mão.

Katniss aceitou com a dignidade de quem estava tentando não tombar com o peso da saia, das joias e — principalmente — do maldito espartilho.

Ele sorriu torto.

— Esse é o melhor sorriso que consegue oferecer, mo cher?

Ela arregalou os olhos.

— Tenta respirar com esse espartilho vindo diretamente de Paris… e depois me diz se consegue fazer qualquer coisa. Até mesmo sorrir.

Peeta aproximou-se devagar, com aquele atrevimento desavergonhado que a perturbava mais do que deveria.

— Posso resolver esse problema para você…

Ele inclinou o rosto até seu ouvido, a respiração quente tocando sua nuca.

Katniss congelou.

Ele continuou:

— Arrancaria facilmente com os dentes.

Katniss tropeçou no próprio pé.

Se Peeta não tivesse segurado sua cintura, ela teria enfiado a cara na mesa de doces.

O rosto dela queimava como brasa viva.

Lembranças de Ripper e das malditas luvas invadiram sua mente.

Ela não precisava daquele flashback.

— Fique longe de mim — sibilou ela, furiosa.

Peeta apenas riu — aquele riso baixo e quente que deixava seu estômago em parafuso.

— É a minha esposa quem está dizendo isso ou minha pequena fera selvagem?

— As duas coisas! — Katniss retrucou.

Mas quando ele a girou no salão, uma parte dela — minúscula, irritante e real — sentiu algo diferente.

Algo que a deixou ainda mais assustada.

Quando a festa acabou, Haymitch abraçou a filha como se ela estivesse partindo para a guerra.

— Cuide-se, minha menina.

Finnick e Gale quase esmagaram Katniss em um abraço conjunto.

Peeta agradeceu à família Everdeen com sinceridade.

Eles foram embora… deixando a jovem mais só do que nunca.

E mais casada do que jamais imaginou.

Katniss foi praticamente arrastada escada acima por um grupo de criadas animadíssimas.

— Este é o quarto da Duquesa — anunciou uma delas, orgulhosa.

Katniss mal teve tempo de observar: cortinas de seda, cama gigantesca com dossel, móveis entalhados… e um perfume suave de rosas.

Mas então… começou o ritual.

Vestido arrancado. Armações puxadas. Camadas e mais camadas de tecido voando.

Katniss cobria o peito com os braços — e as criadas a ignoraram por completo.

Como se ela fosse um móvel.

— Tragam a camisola — disse uma delas.

E surgiram com algo translúcido.

Uma nuvem branca, leve… com detalhes em renda…

E praticamente invisível.

Katniss arregalou os olhos.

— Isso… isso não é roupa. Isso é ar.

— É perfeito para a noite de núpcias — suspirou uma delas, orgulhosa. — Ele vai gostar.

ELE.

VAI.

GOSTAR.

Katniss quase desmaiou.

Depois, soltaram seus cabelos, longos e ondulados, a jovem agradeceu e dispensou as criadas, dizendo que ela mesma escovasse os cabelos.

Quando ficou sozinha, murmurou:

— Onde ele está?

Seu coração martelava no peito.

De medo?

De vergonha?

Ou outra coisa que ela não ousava nomear?

A porta rangeu.

Katniss virou-se, cobrindo o peito com o robe.

E lá estava ele.

Peeta Mellark.

Camisa aberta.

Calças meio tortas.

Pés descalços.

Caminhando como se o chão fosse feito de nuvens instáveis.

E segurando uma taça de vinho.

— Mo cherrr… hique... Você está linda… linda… é a mulher mais linda que… Hique … que eu já vi…

Katniss piscou, incrédula.

— Vossa Graça… o que aconteceu?!

Ele sorriu, bobo.

— Me chama de marido… vai… adoro quando você diz “Vossa Graça”, mas agora… — apontou para si mesmo. — Agora sou seu marido.

Katniss sentiu o estômago despencar.

— Onde está a garrafa?

Ele ergueu o braço… sem garrafa.

— Sumiu. Ela… fugiu. Acho que estava com ciúme de você... Ah, que belas luvas!

Peeta pegou as luvas devagar de cima da penteadeira.

Ela congelou.

Porque só conseguiu ouvir em sua mente.

"No começo aperta… depois ajusta."

— Não toque nas minhas luvas. — Ela se levantou abruptamente.

— Eu só as estava elogiando…

Katniss estava vermelha como tomate.

— NÃO MENCIONE.

Katniss levou a mão à cabeça e ele cambaleou.

— Quer se sentar?

— Não. — Peeta encostou na parede. — Tenho que… dizer uma coisa. Várias. Hã… muitas.

Ele respirou fundo — ou tentou.

— Meu tio… aquele velho desgraçado… veio atrás de mim hoje como você mesma presenciou. Ele… ele disse que… hique … casamento não basta.

Katniss franziu a testa.

— Como assim?

Peeta passou a mão pelo rosto, cansado, vulnerável… humano.

— O testamento do meu pai. — Sua voz ficou grave. — Se eu não… cumprir… se eu não tiver um herdeiro dentro de um período… tudo… tudo passa para ele.

Katniss sentiu o corpo gelar.

— Um… herdeiro?

Peeta assentiu, tropeçando no ar.

— É. Mas… — ele apontou o dedo para ela, firme apesar da embriaguez. — Eu não vou forçar você. Nunca. Entendeu? Nunca.

Katniss respirou, aliviada.

Mas então…

— Só que… o velho colocou espiões aqui no castelo. Eles vão procurar… sinais.

— Sinais? — Katniss estreitou os olhos. — Que sinais?

Peeta pigarreou.

— Hã… sangue nos lençóis.

Katniss congelou.

E novamente…

Ripper.

ENFIANDO A MALDITA LUVA SOBRE A MÃO ENLUVADA.

— E-eu vou sangrar?! — Katniss perdeu o ar. — Eu não quero isso! Você não pode… não pode… NÃO PODE!

Peeta arregalou os olhos e correu para segurá-la pelos ombros.

— Cher! Calma. Eu falei que não vou fazer nada que te assuste. Não hoje… não assim… e não porque um velho idiota quer.

— Mas e se eles procurarem e… e...

Katniss ainda olhava para ele como se o mundo estivesse prestes a cair sobre sua cabeça.

— E se eles… procurarem sinais e não encontrarem? Você disse que… que eles vão procurar sangue. — Ela engoliu seco.

O duque ficou em silêncio por dois segundos.

Dois segundos nos quais seu cérebro, mesmo bêbado, trabalhou na velocidade de um cavalo em disparada.

Então ele ergueu o queixo, determinado.

— Eu resolvo isso. Agora.

Antes que ela pudesse perguntar o que significava, ele puxou um pequeno punhal que estava sobre a mesa onde repousava uma bandeja de frutas, duas taças e uma garrafa de vinho.

Katniss deu um passo para trás.

— Vossa graça???

Mas o duque já havia segurado a lâmina na palma da mão esquerda.

— É só um corte superficial — murmurou.

A lâmina abriu uma linha vermelha na pele dele.

O sangue brotou imediatamente.

Katniss levou as duas mãos à boca, horrorizada.

— PEETA!

— É melhor isso do que permitir que pensem que estou… falhando como duque — explicou ele, com calma surpreendente para alguém que sangrava na noite de núpcias. — Ou que estou forçando você.

Ele caminhou até a cama e deixou o sangue escorrer, formando uma pequena mancha no lençol central.

Depois, virou-se para ela, respirando um pouco rápido.

— Com licença, mo cher… — murmurou, tentando manter a dignidade. — Preciso… hm… tocar em você.

— O QUÊ? — Katniss recuou dois passos, pronta para escalar a janela se preciso.

— Apenas… — Ele levantou a mão ensanguentada. — Um pouco.

O rosto dela pegou fogo.

— N-não!

— É necessário — disse ele, firme. — Precisam acreditar que houve… consumação.

Ele se aproximou devagar.

Katniss fechou os olhos.

Peeta tocou a barra do robe dela com dois dedos, nada mais — e passou um único traço minúsculo de sangue, na altura da coxa.

Katniss ficou vermelha até as orelhas.

— Pronto — disse, contendo o ar. — É convincente o suficiente.

— Eu vou sangrar? Isso parece dolorido. — Ela ainda estava sem ar.

— Bem… — Ele tentou lembrar das poucas virgens que conhecera. — Não é contínuo. É só… um sinal. Dizem que… hm… acontece quando… — Ele inclinou-se, sorrindo perigosamente. — Depois você irá gostar bastante disso…

— NÃO CONTINUA! — Ela levou as mãos ao rosto, vermelha como brasa.

Ele riu.

— Você é tão linda quando fica com vergonha…

Ela o encarou com indignação absoluta.

— Você está bêbado!

— E apaixonado. — Ele parou… percebendo que disse demais. — Quer dizer… hique… estou… estou… casado.

Katniss sentiu o coração tropeçar num batimento estranho.

Ele limpou rapidamente a mão numa toalha e evitou olhá-la por alguns instantes.

Porque Katniss, em sua camisola translúcida, era… perigosa.

Demasiado perigosa.

Peeta desviou o olhar como se encarasse o sol diretamente:

— Mo cher… sua camisola…

Katniss olhou para baixo.

E quase morreu.

— Eu sei. Ela é escandalosamente transparente. — Ela quis gritar, ao invés disso, cobriu os seios com os braços.

— Não se preocupe. Estou olhando para a parede. Uma parede muito interessante — murmurou ele, virando-se totalmente de costas.

Katniss sentiu vontade de morrer.

Ou de matar Ripper.

Ou as duas coisas.

Peeta esfregou a nuca, riu baixinho, mas continuou virado para a parede.

O duque de Bro Waroch — de camisa aberta, calças tortas e pés descalços — parecia mais envergonhado que ela.

Era quase adorável.

— Ah, antes que me esqueça, aquela porta ali. — Ele esticou o braço apontando, ou tentando, em direção a porta esquerda. — Leva ao meu quarto.

— Ah, sim.

— Mas como estamos em lua de mel, é esperado que durmamos juntos.

Katniss sentiu o rubor subir novamente.

— J-juntos?

— Dormir, Katniss — enfatizou ele. — Apenas isso. — Então suspirou. — Eu não vou tocar em você esta noite. Vou dormir ali — apontou para a outra extremidade. — E você dorme aqui. No seu… trono de nuvens do lado oposto à… prova. E eu durmo na poltrona.

— Você não cabe na poltrona.

— Eu me acomodo.

Katniss observou-o por um instante.

A mão dele ainda sangrava.

— Obrigada.

Ele respirou fundo, finalmente virando o rosto para ela, mas mantendo os olhos acima da clavícula, como um cavalheiro desesperado tentando não pecar visualmente.

— Eu faria bem mais que isso — disse ele, sincero, vulnerável, embriagado, mas completamente lúcido quanto a ela.

Katniss sentiu o coração bater errado.

Não de medo.

Mas de algo mais profundo.

Mais perigoso e mais real.

Ela engoliu em seco.

— Boa… noite, Peeta.

— Boa noite, mo cher — murmurou ele, virando-se, tropeçou na poltrona…

…e caiu sentado nela de modo cômico.

Katniss não conseguiu evitar sorrir.

Mesmo corada até as orelhas.

Mesmo confusa.

Mesmo recém-casada com um homem que ela jurava odiar…

…e que agora estava dormindo numa poltrona, sangrando por ela, para protegê-la.

Ela apagou a vela.

E deitou na cama — a parte sem sangue.

Mas demorou muito a dormir.

Porque cada vez que fechava os olhos…

Ela via Peeta sorrindo.

Chamando-a de mo cher.

Ou dizendo…

“Eu faria mais que isso por você.”

❆❆❆

A luz da manhã atravessou as cortinas de linho do quarto, criando um brilho dourado sobre o tapete. Katniss piscou devagar, o corpo inteiro ainda tenso da noite anterior — não pela consumação, mas pelo caos emocional.

Peeta estava completamente encolhido na poltrona.

De boca aberta.

Ronronando.

E abraçando uma almofada como se fosse um urso hibernando.

Katniss se levantou devagar, ainda sentindo a maciez mórbida da camisola transparente.

O lençol com a mancha de sangue falsa continuava lá — discreta, mas suficiente.

Peeta abriu um olho.

Mo cher…?

Katniss cruzou os braços.

— Está vivo?

Peeta franziu a testa, como se a luz do sol estivesse cometendo um crime contra ele.

— Minha cabeça dói como se um ferreiro tivesse montado oficina dentro dela.

Ela suspirou, mas algo dentro de si — algo irritante — sentiu pena.

— Isso é o resultado de beber uma garrafa inteira de vinho depois de uma festa inteira. — Ela pegou o pequeno frasco de mel que encontrara entre as coisas dadas pela aldeia. — E ainda se cortar como um idiota.

Peeta observou a mão enfaixada, o corte delicado na palma.

Katniss aproximou-se dele.

— Vou cuidar disso antes que infeccione.

Ele ergueu a sobrancelha.

— Vai cuidar de mim? Assim, tão cedo no casamento? Estou com sorte.

— Cala a boca e estenda a mão.

Peeta obedeceu, sorrindo como um menino.

Ela retirou a antiga faixa com cuidado e passou uma camada fina de mel sobre o corte.

— Mel? — perguntou, curioso.

— É cicatrizante — explicou ela. — Usamos muito. E Annie me ensinou as plantas certas.

Peeta a observou em silêncio, sem ousar fazer piada.

Era raro vê-la tão séria, tão concentrada… tão delicada.

Quando terminou, Katniss amarrou o pano com firmeza.

— Pronto. Agora, cuidado com isso.

Peeta testou o movimento da mão e sorriu.

— Obrigado, mo cher.

— Estou só… evitando que você morra. — Ela desviou o olhar. — Não vá pensar demais.

Ele inclinou a cabeça, estudando-a.

— Diga-me… conseguiu dormir?

Katniss deu de ombros.

— Um pouco. E você?

Peeta esticou as pernas, sentindo uma fisgada nas costas.

— Meu corpo inteiro está dolorido. Mas, se alguém perguntar… — Ele piscou. — Vão pensar que foi por causa de uma noite intensa.

Katniss corou até a alma.

— VOCÊ NÃO PRESTA! — reclamou ela, jogando uma almofada nele.

Peeta riu com prazer genuíno.

Antes que Katniss pudesse se esconder, a porta foi aberta por três criadas animadas.

Elas congelaram diante da cena:

A duquesa em camisola translúcida.

O duque descabelado, camisa aberta.

Lençóis… manchados.

Três suspiros apaixonados ecoaram no quarto.

— Vossa Graça… — disse uma delas, emocionada. — Preparamos um banho para… a senhora. Imagino que esteja… cansada.

Katniss abriu a boca para explicar, mas Peeta a interrompeu:

— Sim, sim, ela está muito cansada.

Katniss pisou no pé dele.

Peeta sufocou um grito.

As criadas recolheram a camisola dela — com extremo cuidado, como se fosse uma relíquia sagrada de fidelidade conjugal — e carregaram os lençóis com olhares cheios de significado.

Katniss cobriu o rosto.

A água morna com aroma de lavanda parecia um abraço.

Katniss mergulhou até os ombros, finalmente relaxando.

Lavanda.

Calmante.

Ela precisava muito daquilo.

As criadas a ajudaram a vestir-se com um vestido claro, elegante, muito mais delicado do que qualquer peça que ela tivera na vida.

— Vossa graça radia felicidade de recém-casada — disse uma delas.

Katniss quase engasgou.

Após o dejejum matinal com o duque, ainda pela manhã, Katniss foi apresentada à governanta — Greasy Sae.

Uma senhora de expressão sábia e postura impecável.

— Vossa Graça, o castelo é dividido em alas. Ala leste, onde ficam os aposentos principais… ala oeste, salas de música, biblioteca, salão de armas…

Katniss tentava acompanhar, mas tudo era tão grande que ela queria sentar no chão e chorar.

Ou fugir.

Sae perguntava:

— Deseja alterar o cardápio? A rotina dos criados? A disposição das flores, dos quadros ou das esculturas, talvez?

— N-não — Katniss respondeu. — Tudo está ótimo.

— Muito bem — concluiu Sae. — Como duquesa, qualquer mudança é de sua autoridade.

Katniss engoliu seco.

Ela se sentia… pequena demais para aquele lugar.

No fim da tarde, Greasy Sae anunciou:

— O duque espera a senhora para o jantar no salão principal.

Katniss cruzou os braços.

— Diga ao duque… que eu não vou.

Sae piscou, chocada.

Alguns minutos depois…

TOC. TOC. TOC

— Katniss. — A voz dele era firme. — Abra a porta.

Ela respondeu sem mover um músculo:

— Vai embora.

Houve um silêncio.

Depois:

— O jantar está pronto.

— Ótimo. Coma por mim.

— Mo cher… abra a porta.

— NÃO.

Peeta apoiou a testa na madeira.

— Você precisa comer.

— Eu como quando quiser!

— Katniss, está sendo teimosa.

— Obrigada. É o que faço de melhor.

Ele soltou um suspiro teatral.

— Você sabe que posso entrar se quiser.

— Se tentar, eu furo você com meu florete.

— É por isso que eu te amo.

Silêncio mortal dos dois lados da porta.

Katniss arregalou os olhos.

Peeta arregalou os dele também — do outro lado.

— Eu… — pigarreou ele. — Quis dizer que… admiro seu espírito… feroz.

Katniss corou.

Mas manteve a porta trancada por um longo tempo.

— Tudo bem. Se é para morrer de fome que morramos juntos. — Ele escorregou-se até o chão para sentar. Bem sabia que a porta de seu quarto, interligada ao dela, estava aberta, porém, não quis invadir.

Pouco tempo depois, o salão de jantar de Edenbrooke parecia saído de um quadro: candelabros acesos, mesa longa com toalha de brocado, comida suficiente para alimentar um regimento inteiro.

E apenas dois assentos ocupados.

Katniss sentou-se com a postura mais rígida possível, como se qualquer movimento demonstrasse rendição.

Peeta estava diante dela, elegante demais para um homem que havia dormido numa poltrona.

Eles se encararam como dois generais preparando-se para a batalha.

Peeta serviu vinho para os dois — embora ela mal tocasse no seu.

— Então... — Começou ele, tranquilo demais para o gosto dela. — Finalmente resolveu sair do quarto.

— Resolvi comer — respondeu Katniss, usando a colher como se fosse arma. — Já que aparentemente serei vigiada até para isso.

O canto dos lábios dele se ergueu.

— Eu não vigio você. Eu me preocupo.

— Você me irrita, é o que faz.

— Admito que gosto de provocar. — Ele piscou. — Você fica linda quando se irrita.

Katniss derrubou o guardanapo sem querer.

E Peeta sorriu, como se já tivesse vencido.

— E então… como foi seu dia como duquesa? — perguntou, dando outra colherada elegante.

— Longo demais. Encontrei uma governanta que fala mais do que um bando de galinhas.

— Greasy Sae? Uma excelente mulher.

— Excelente em me fazer andar por três quilômetros dentro de casa.

— Vossa graça terá pernas fortes — respondeu ele, rindo.

Katniss estreitou os olhos.

— Se continuar debochando, eu juro que viro a sopa na sua cabeça.

Ele ergueu o copo de vinho em brinde.

— É perigoso ameaçar um homem que viu você de camisola transparente.

Katniss engasgou com o ar.

— Você estava bêbado!

— Mas lembro perfeitamente.

Ela travou o maxilar.

— Eu vou embora.

— Não, não vai — disse ele, suavemente. — Ainda não provou a torta de maçã.

Ela o encarou com fogo nos olhos.

— Se tiver algo suspeito no meio, eu mato você.

Peeta gargalhou tão alto que até os criados sorriram.


Notas finais
Me digam o que acharam. Esses dois ainda vão colocar muito fogo nesse castelo de Edenbrooke kkkkkkk Até o próximo 😘
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.