O Duque dos Meus Sonhos
20 Nosso pequeno milagre
Notas iniciais
Capitulo 20 – Nosso pequeno milagre
No momento em que Edward alcançou a charrete tombada viu que o condutor conseguira sair engatinhando para fora dos escombros e usava um pedaço de madeira partido para tentar abrir um buraco do outro lado do veículo. Ele estava com as roupas molhas e com lama até os joelhos, mas parecia não perceber a chegada do nobre conde.
– O que aconteceu? – Perguntou Edward, apavorado, enquanto descia do cavalo. — Não sei – arfou o condutor – em um minuto estávamos andando e no seguinte eu não consegui fazer a curva, acho que essas engrenagens estavam desreguladas.
– Quem estava com você, anda me diga logo, quem era a moça que estava com você seu infeliz?
– Oh! Milorde era uma jovem senhora chamada Isabella ...
– Bella? Onde está Bella? O que aconteceu com ela? Edward ajoelhou-se e tentou olhar para dentro dos destroços.
A charrete tinha rolado, amassado todo o lado direito
– Onde ela está?
– Acho que está presa embaixo da charrete senhor. – engolindo em seco, sua voz parecia mais que um sussurro.
Nesse momento Edward sentiu o gosto da morte, era amargo e o sufocava. Uma dor o rasgava por dentro como uma faca, sufocando-o e oprimindo-o, expulsando todo o ar de seus pulmões.
Puxou os destroços com toda a força, tentando abrir um buraco maior. A situação não era tão grave quanto parecia durante a batida, mas isso não ajudou a acalmar o coração do homem que batia acelerado.
– Bella! — ele gritou – Bella, está me ouvindo?
O único som que obteve foi um relinchar agitado dos cavalos que estavam presos e meio submersos na água do riacho.
O jeito foi ele primeiro soltar os animais, antes que eles entrassem em pânico e começassem a levar o que tinha sobrado da charrete para mais dentro do riacho.
– Você, seu condutor desastrado, sabe ao menos desatrelar os cavalos?
– Não sou muito rápido para fazer, mas sei sim senhor. Edward virou a cabeça para ver a multidão que já começava a se aglomerar em volta do acidente.
– Então veja se algum desses curiosos consegue lhe ajudar e desatrele logo esses animais, não esqueça de prender os cavalos junto a uma árvore, se não é bem capaz de você além de perder a charrete, perder os animais também.
– Bella? Está me ouvindo?
– Ele não conseguia ouvir nenhum som vindo de dentro da charrete.
– Tente de outro lado Conde Massen – sugeriu um homem que ajudava desatrelar os cavalos – a abertura não está tão amassada do lado de lá. Edward logo se pôs em pé com um pulo e correu por trás até chegar do outro lado.
A porta já saíra das dobradiças enferrujadas, deixando um buraco grande o suficiente para que ele introduzisse o tronco. — Bella? – gritou desesperado e começou a retirar as sacolas que tinham na frente jogando tudo para fora de qualquer jeito.
Foi então que ele a viu. Ela estava assustadoramente imóvel, mas o pescoço não parecia quebrado e ele não viu sangue. Isso só podia ser um bom sinal. Não sabia muito sobre medicina, mas agarrou-se a esse pensamento como um milagre.
– Você não pode morrer! – disse ele puxando os destroços desesperado, apavorado e com toda a força que tinha. – Você não pode morrer, está me ouvindo?
Você não pode! Ele acabou cortando as costas da mão em um pedaço de madeira solto, mas nem percebeu o sangue escorrer enquanto retirava os pedaços de madeira podres, quebrados e soltos.
– É bom que você esteja respirando – advertiu nervoso entre soluços de um choro que começava violento. – Isso não pode acontecer com você sua teimosa, o que estava fazendo em uma charrete velha e completamente podre?
Ele arrancou um grande pedaço de madeira conseguindo alcançar o pulso de sua pequena sentindo os batimentos cardíacos dela, mas ainda era impossível saber se ela estava ferida ou sangrando, ela podia ter quebrado a coluna ou batido a cabeça ou... eram tantas as possibilidades de uma tragédia que o choro de Edward tornava-se compulsivo.
– Não faça isso comigo! Você prometeu que iria ficar comigo pra sempre, você prometeu. Você não pode morrer, você não pode está me ouvindo! Quando Edward se preparava para dar outro puxão no último pedaço de madeira podre, os dedos de Bella apertaram seu pulso feito garras.
Ele fitou seu rosto e viu os olhos dela se abrirem, aquele mar de chocolate que ele tanto amava.
– Eu não vou te deixar, nunca! O alívio inundou o peito de Edward tão rápido que foi quase doloroso.
– Você está bem? – perguntou com lágrimas nos olhos. Ela tossiu baixinho e deu um gritinho de dor. — Acho que machuquei minha perna, ela está doendo um pouco.
– Você vai desmaiar? Está tonta? Fraca?
– Não, só estou sentindo dor, na verdade dói tudo mas a perna dói mais.
Ele conseguiu em fim sorrir meio às lágrimas que caiam.
– Você está muito encrencada mocinha, o que estava fazendo sozinha em uma charrete velha, podre e completamente sem segurança alguma!
– Eu fui comprar o presente para Alice.
– E precisava escolher a pior charrete de aluguel para ir às compras?
– Na verdade, eu tentei pegar umas carruagens melhores, mas as pessoas ainda não estão muito acostumadas comigo e eu... não consegui.
– Como não conseguiu Bella? Você é minha mulher, a condessa de Massen!
– Eu sei quem eu sou Edward e você também sabe, mas... vai levar um tempo até todas as outras pessoas de Londres reconhecerem isso.
Ele entendeu o que ela queria dizer, a sociedade hipócrita e mesquinha, tinham negado uma carruagem a ela por ainda não a aceitarem na sociedade, ódio, raiva, incapacidade e frustração, Edward sentia tudo.
– Vou puxar você agora – falou tentando não mostrar a raiva que estava sentindo – acho que sua perna vai doer, mas não posso evitar.
– Já está doendo – ela deu um sorrisinho encorajador para ele – só quero sair daqui.
Edward concordou com seriedade, depois apoiou as mãos nas laterais do pequeno corpo dela e começou a puxar.
– Está tudo bem? – ela assentiu com a cabeça, ele com muito cuidado retirou Bella de dentro da charrete e com a força do puxão que deu para livrá-la dos escombros, foram os dois parar no chão.
– Oh! Meu Deus, sua perna! — disse Edward, tentando virar a cabeça dela para o outro lado – é melhor você não olhar.
– Ah, meu Deus – ofegou — dói muito. Não percebi quanto doía até ver...
– Não olhe, olhe para mim, venha, eu vou me levantar e te pegarei no colo. Olhe para mim, você está ficando meio verde! ...
Três horas depois, Bella estava deitada em sua cama, no quarto, no castelo de Clevydon, muito, muito confortável e quase sem dor. Sua perna tinha sido posta no lugar pelos três cirurgiões que Edward chamou (todos eles afirmaram não ser necessário mais do que um cirurgião para por um osso no lugar, mas Edward cruzou os braços de modo implacável e os encarou até que se calassem) e um clinico geral também veio para medicá-la, deixando várias receitas para que o boticário providenciasse os remédios que fariam Bella não sentir dor.
Depois de toda a confusão e com a perna de Bella posta no lugar e imobilizada, ela precisaria ficar um mês de cama para se recuperar e fez com que Edward prometesse que não ficaria vigiando ela 24 horas por dia.
No dia seguinte foi o casamento de Alice, a pequena fadinha estava encantadoramente vestida num traje todo vermelho de rendas brancas, um vestido lindíssimo que tinha um corpete justo que deixava seus pequenos seios maiores do que realmente eram.
Bella foi ao casamento no colo do marido, Edward providenciou um divã para que ela ficasse deitada durante toda a cerimônia e logo depois da troca das alianças e do beijo oficial, eles se retiraram.
Alice estava perigosamente atraente em sua festa e mal podia esperar para deixar o salão da mansão Halle e ficar trancada com seu marido no quarto que ocupariam a partir daquele dia.
Um pensamento não deixava Edward dormir em paz, Bella tinha se machucado tudo porque não conseguiu uma carruagem descente para usar, tudo por preconceito da sociedade idiota que viviam, talvez morar em Aubrey Hall não fosse a melhor solução, a Inglaterra era muito conservadora e as pessoas não aceitariam Isabella tão facilmente.
Ele esperou que sua pequena dormisse e foi conversar com seu pai, Carlisle era um homem sensato e saberia aconselhar o filho com prudência. Ouvindo todos os argumentos de Edward, o duque temeu pela vida de sua Esme, da mesma forma que Isabella tinha sido hostilizada, Esme também poderia ser, e ainda pior, pois ela era a cozinheira dos Halle há 17 anos e todos sabiam disso.
– Talvez teremos que nos mudar da Inglaterra, ir para um lugar onde as diferenças de classe não sejam tão ferrenhas como aqui. Um lugar onde não há monarquia, onde ser conde ou duque não é tão relevante.
– Poderíamos ver isso, parece que a Inglaterra está disputando território na América, podemos falar com a rainha e ver se não querem que iremos para lá para ajudar a conquistar território.
– Excelente ideia, filho.
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