Notas iniciais
Heeeelllllooooo Adivinha quem voltou depois de muito, mas muito tempo.... De fato, senti muita falta de todos você. Entretanto, nesses últimos dois anos e alguns meses simplesmente perdi a motivação para escrever. Inclusive, embora batesse o pé para dizer que não tinha planos de excluir qualquer umas das fanfics inacabadas que tenho, admito que a ideia me passou pela mente por uma ou duas vezes durante esse tempo. Eu sei. Sou meio indecisa. Nesses últimos meses, em especial, tive vontade de escrever de novo, mas acabava me desanimando ao lembrar dessas histórias inacabadas e decidi, então, que antes de começar qualquer coisa, terminaria essas histórias. Provavelmente vão notar que a escrita está diferente, aliás, seria estranho se não estivesse, não é? Enfim, posso dizer que aos poucos vou voltando e espero — de verdade, espero muito mesmo — conseguir postar os capítulos semanalmente (De preferência de todas as histórias). Também, pode ser que eu acabe me confundindo em alguns aspectos, ou decida mudar algumas coisas, nesses casos, avisarei antes para que não aja qualquer problema, embora eu acredite que, devido ao longo tempo que a história esteve parada, muitas pessoas possam ler novamente para não se sentirem perdidas (eu faria isso pelo menos) Agora, sem mais delongas, quero agradecer a todos que se mantiveram acompanhando essa história e espero que gostem do capítulo. Só pra lembrar, ponto de vista do Sev.

— Não suporto mais essa situação, Severus! — disse Lílian, abrindo com violência a porta de meu escritório. — Já fazem dois dias que você não sai deste maldito lugar, nem mesmo para comer. E quando peço que lhe tragam as refeições, sequer toca os pratos!

— Não faça escândalos por motivos tão tolos. Sabe bem que detesto mulheres escandalosas.

Embora não a olhasse diretamente, tinha plena certeza de que suas bochechas estariam vermelhas e seus olhos arregalados. Ela odiava que não levassem suas preocupações a sério.

— Ótimo! — murmurou numa voz chorosa que muito me surpreendeu. — Pois então, que morra de fome!

Ergui os olhos a tempo de vê-la sair batendo a porta.

Admito que, por um instante, fiquei surpreso com sua reação, afinal, há anos que não a via chorar. Entretanto, minha mente obrigava-me a pensar que naquele exato momento, Hermione poderia estar a sós com o jovem Malfoy, poderiam estar dançando ou...

Inferno. A porta abriu-se novamente, havia esquecido o quanto Lílian poderia ser persistente.

— Lílian...

— Não se feche dessa forma novamente, Severus. Sei que a algo que o está perturbando então, por favor, fale comigo. — Pela primeira vez em anos olhei-a com reprovação, recebendo um sorriso de escárnio em resposta. — Acha mesmo que esse olhar vai amedrontar? O conheço a muito tempo para me deixar intimidar por essa máscara de severidade que você criou.

— Muito gentil de sua parte se preocupar com meu bem-estar, mas asseguro-lhe que estou perfeitamente bem.

— Severus Snape, pare imediatamente com essa sua estúpida manipulação! — Proferiu Lílian, com as bochechas tão vermelhas quanto seu cabelo. — Não posso crer que você deseja mesmo que eu o deixe afundar-se em ócio e auto piedade! E não me venha com esse olhar surpreso. Acreditavas mesmo que eu, justo eu, não notaria o que está acontecendo?! Negue para qualquer um, para mim, para Hermione, para si mesmo e até mesmo para Deus, mas isso não mudará o fato de que se afeiçoou, ou melhor, se apaixonou por... como você mesmo disse no passado, uma criança. Não seja tão covarde!

— Não... — tentei falar.

— Admita! — Sua voz começara a tornar-se exigente. — Eu o amo, Severus! Deus sabe que o faço, mas às vezes você me deixa tão irritada!

Um fraco soluço escapou de seus lábios, seguidos de mais alguns até que, por fim, Lílian rompeu-se sem lágrimas outra vez, retirando-se novamente, mas não sem antes lançar-me um olhar de extrema mágoa.

Suas palavras ressoavam por meus pensamentos.

Negação...

Covardia...

Paixão....

As palavras de Lílian, embora exaltadas em sua maioria, possuíam partes da verdade que eu negava a mim mesmo.

Pensei, naquele momento, que talvez em algum lugar nas profundezas do inferno, Tobias ria da maldita situação em que me colocara.

***

Nos dias que se seguiram, Lílian continuava seu discurso. Todas as manhãs, durante todos os almoços e todas as noites em que a encontrava acordada ao voltar para casa, obrigava-me a ouvi-la falar sobre a estupidez de meus atos. Contudo, eu sabia que ela tinha razão. Alvo viera para auxilia-la em sua tarefa de perturbar-me.

Foi durante um desses momentos, em meio as risadas de Alvo e Lilian devido a histórias do passado, que um dos criados viera chamar-me. Ao que parecia, a carruagem dos Grangers acabara de parar em frente à mansão.

— A princesa voltou ao castelo então... — Lilian riu de sua própria piada. — Agora voltará ao normal, Severus.

Resolvi ignorar seus comentários, assim como suas risadas e as de Alvo.

De forma rápida e um tanto quanto desesperada, dirigi-me a entrada principal. Não sei de fato quais foram as motivações para minha ação, de certa forma, violenta de abrir as portas. Essa preocupação, entretanto, não durou muito tão logo pude ver Hermione descendo de sua carruagem. Por um instante, ela pareceu-me surpresa em me ver e, da mesma forma que eu a olhava fixamente, por alguns instantes Hermione devolveu-me o mesmo olhar.

Logo que ela desviou seu olhar, pude prestar atenção a pequena criança que escondia-se atrás dela. Não pude reparar muitos detalhes até que Hermione a pegasse no colo e lhe sussurrasse algo.

Hermione subiu a escadaria com a criança em seu colo e, diferente da criança que escondia seu rosto, ela olhava-me com certo receio, certamente com medo de qualquer reação minha... De fato, minha jovem esposa parou próxima a mim, prenunciando palavras num tom tão baixo que quase não a entendi, mesmo estando tão próximo.

— Resolvi voltar mais cedo — disse ela. E, olhando por um último momento nos olhos, entrou em nossa casa.