O Dragão e a Rosa
1 A Rainha Solteira
Notas iniciais
Esse primeiro capítulo é curtinho, para saber se a ideia agrada e devo continuar.
Daenerys Targaryen não se lembra de ter provado banquete mais saboroso. Tyrion havia lhe alertado que a senhora Olenna era uma mulher difícil, que a língua dela era mais afiada que uma espada, entretanto, durante a ceia, a senhora Tyrell não foi mais que uma boa anfitriã. Falaram sobre a vida da rainha em Essos, a beleza de Jardim de Cima, do irmão Rhaegar e da mãe Rhaella, da Guerra que estava para se iniciar, dos dragões e, principalmente, do seu futuro marido.
A velha se esforçara para fazer com que o senhor de Jardim de Cima parecesse um homem agradável enquanto Daenerys se esforçava para fingir que o assunto lhe era de interesse. Embora tivesse viajado de Dorne até a Campina para encontrá-lo, a rainha legítima não tinha nenhum anseio de conhecê-lo. “Ele provavelmente sente o mesmo, já que não compareceu ao banquete como era esperado”, ela concluiu. Gordo ou magro, alto ou baixo, feio ou bonito, nada daquilo importava, ela já era madura o suficiente para saber que a única coisa que importa é a posição que o futuro marido ocupa.
Às vezes a rainha tinha saudades da presença de Daario Naharis em sua cama, mas quando o deixou para trás, sabia que era para encontrar um consorte adequado. E, no momento, não havia consorte melhor em todos os sete reinos que o senhor de Jardim de Cima. Ao menos foi isso que Tyrion Lannister lhe convencera a acreditar quando Varys surgiu em Meereen com os termos de aliança dos Tyrell.
O vento que adentrava as janelas do belo castelo era frio e úmido, mas isso não impediu a caminhada solitária da rainha. A guerra se aproximava cada vez mais e isso a preocupava. Seu exército estava marchando naquele momento de Dorne até Jardim de Cima e, em questão de dias, estarão reunidos, prontos para tomar Porto Real.
Algumas nuvens cobriam o céu, mas a lua e algumas estrelas ainda brilhavam e iluminavam a varanda em que Daenerys estava. De onde estava podia ver o estábulo que foi reservado para a estadia dos seus dragões. Construções grandes, mas frágeis, que não resistiria a qualquer brincadeira de suas crias. Daenerys orava para que os filhos se comportassem. Jardim de Cima não era um lugar adequado para a presença de dragões. Cercado e tomado por árvores e jardins, qualquer faísca de Drogon, Viserion ou Rhaegal seria capaz de causar uma tragédia.
— Espero que esteja apreciando a estadia... – Uma voz masculina soou atrás dela.
Daenerys se virou depressa, vendo uma silhueta emergir no corredor escuro.
— Peço para que perdoe o meu atraso. – Ele continuou a falar.
Quando o dono da voz passou por um archote preso na parede, o fogo o iluminou e Daenerys pôde observá-lo. Um homem esguio de cabelo curto e castanho, com uma barba rala cobrindo-lhe o rosto e trajando um gibão de tecido verde ornamentado com singelas rosas douradas. “É ele”, a rainha constatou.
— Estava em Monte Chifre, tratando de assuntos do interesse de Vossa Graça.
À medida que ele se aproximava, mais Daenerys podia analisá-lo. Os olhos dele pareciam ter um tom acinzentado, embora brilhassem em azul quando estavam mais perto das chamas. Um homem bonito, sem dúvidas. Seria o marido dos sonhos de qualquer donzela, se não fosse um detalhe.
— O poderio da Campina finalmente está pronto para servi-la. – Ele continuou.
Uma espécie de sinta prendia a perna direita do homem que se movia lentamente com a ajuda de uma bengala. A perna ruim mais se arrastava pelo chão que outra coisa, embora estivesse enrijecida e não fosse feia de se ver. Quando chegou até ela, fez com quem ia se ajoelhar. Daenerys não pôde permitir que isso acontecesse:
— Não, por favor! – Ela disse, tocando-lhe o braço. – Um marido não deve se ajoelhar para a sua esposa.
Em resposta, o lorde Willas Tyrell se ajeitou sobre a bengala. Quando ergueu a cabeça na direção dela, Daenerys percebeu um riso tímido em seu rosto. "Ele é doce", ela se permitiu pensar.
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