O Dragão Negro

6 Capítulo 5


Antes de tudo começar e eles saírem para "caçar", deveria fazê-los ver outro lugar. Vocês precisam ver um cenário diferente daquele de união entre pessoas estranhas, com impulsos de fazer algo uns pelos outros após tanto tempo perdido com desesperança.

Um garoto de dezoito anos, mais ou menos, segurava em suas mãos duas espadas flamejantes. Sim, isso é parte de seu poder para que ele não se queime, por isso o apelido do jovem ruivo é, no mundo do crime e de todo o resto, "o espadachim demônio", embora haja também mais coisas envolvendo este título peculiar. Um ataque devastador em sua ilha natal. Um ataque que aniquilou todos os moradores de lá; e quando estava em uma prisão o Capuz Negro o tirou de lá o tornando parte da "família". Apenas um pequeno resumo sobre este rapaz.

As ruas de uma cidade grande são como algo divertido para alguém que gosta de violência, especialmente parte de um grupo criminoso, que às vezes trocam tiros ou usam poderes próprios (é muito raro eles terem alguém com poder) com outras gangues por território.

Mikael Aquino, o que sobreviveu de sua família de espadachins, era esse garoto resgatado.

Os combates entre organizações criminosas se tornou frequente. Não apenas vida, mas também passatempo de Mikael. Seus olhos alaranjados, com tons vermelhos das brasas, fuzilavam o que estava em sua frente.

— Vocês não aprendem, né? — falou um homem que era visto como apenas um cara de outra gangue. Inimigo com certeza.

Um homem baixo, mas nem tanto para chamar de anão. Tinha pernas curtas e uma cratera aparecia no meio dos cabelos castanhos.

— Aprender o quê? — perguntou fazendo cabos de chamas aparecerem em suas mãos e, logo após, virarem duas espadas com aparência normal com estilo de katana.

— Você roubou de novo algo em nosso território, pivete! Devolva ou... Pague com sua vida. — falou o bandido segurando uma arma. — Isso vai nos fazer conseguir negociar com pessoas poderosas.

— Tão clichê! — O ruivo sorriu em deboche. — Mas se é o que o aparelho faz, por que não pegá-lo para mim?

— Mais de nós está se espalhando pela cidade, demônio. Não vamos mais falar disso, ok? Não teve nenhum homem de terno sendo assassinado num galpão. Você não viu nada e nem virou nosso caminhão ao contrário. Eles são os piores.

— Se isso for bom mesmo, posso conseguir um bom preço, não acha? — perguntou Mikael com o aparelho no bolso. Ele sempre tocava a região para sentir se estava ali mesmo. — Não me importo de quem é.

— Você não sabe com o que está se metendo, garoto. — Ameaçou o baixo. — Se eu matasse você aqui seria um bom destino comparado ao que eles dariam a você.

O velho disparou a pistola abrindo um buraco no garoto. Um buraco em chamas que se curava rapidamente, cobrindo-o com fogo, que se transformou em pele normal, mas a camisa branca estava com o furo e marcada em volta.

O homem tremeu de medo por alguém com esse poder estar ali, mas logo conseguiu manter-se no controle do corpo.

— O que foi? Você não vai tentar nada? Esta arma daí não serve nem para ser um tiro comum.

— Você pode até escapar hoje, mas o chefe vai saber disso e vai decretar uma guerra contra a sua mafiazinha!

Embora tentasse controlar o medo, sua fala tinha apenas gaguejos. Tentou correr desajeitadamente com aquelas pernas curtas, mas não fugiu do beco.

Cortes precisos de Mikael cauterizavam os ferimentos causados e, apesar disto, os membros do homem queimavam antes de morrer. Não seria de sangramento, porém, com um pulmão comprometido não era possível sobreviver.

Enfiou a mão no bolso de trás da calça para ter certeza de que não havia perdido o aparelho no meio do beco.

"Ufa", pensou Mikael ao notar que ainda estava ali. "Isso pode me ser importante. Quem sabe o que posso ganhar?".

Guardou de volta no bolso e correu para o fundo do beco encontrando algumas passagens para ruas e saídas em vários locais.

Suas espadas desapareceram de suas mãos com um fogo alaranjado encobrindo-as e levando-as para... Nem Mikael sabia para onde elas iam.

Entrou em uma rua correndo e parou quando sentiu algo gelado tocando sua pele. Olhou para o céu e abriu a mão, vendo que a mesmo escurecia enviando para a terra gotas de água, que em poucos segundos viraram uma chuva com raios e trovões. Em alguns minutos toda a rua ficou escura e chuvosa.

— Droga! — disse franzindo o cenho. — Odeio chuva!

Voltou a andar tentando procurar algum abrigo, mas o seu próprio calor já o mantinha aquecido e não tão molhado.

Estava tão distraído sobre o que seria tão importante daquele aparelho, que bateu de frente com uma garota que estava com roupas esfarrapadas, com um tipo de roupa de alguma prisão; e sabia disso por que já esteve em uma. Não foi nada agradável.

Ela caiu sentada no chão, mas sem largar o capuz que a cobria. Mikael não sabia o porquê dela não deixar o capuz, mas como só ele conseguia fazer calor para si e em sua volta, compreendeu que o tempo, alternando com frequência, estava frio para alguns.

— Você está bem? — perguntou ajudando-a a levantar. — Desculpe-me, acho que estou andando meio distraído — deu um riso descontraído.

— Argh... — Arquejou, mas sem tempo de falar com ele. — Obrigada. Você sabe onde estou? — Perguntou a garota.

— Você... — Mikael iria dizer sobre a prisão, mas não era bom relembrar aquilo tudo. — Você está na província do Acre.

— Acre? — Mikael pensou ter visto um sorriso nela, mas a chuva sempre atrapalhou sua visão. — Então eu nunca saí do Brasil? Será... — Ela parecia ter tomado um rosto pensativo e sonhador, mas isso acabou como alguém que lembra ter um compromisso em encontrar um abrigo.

Correu pela rua vazia, mas antes de deixar completamente a visão do garoto ruivo, virou-se para ele agradecendo mais uma vez por ser o primeiro a lhe dar uma demonstração de gentileza.

Inicialmente Mikael se sentiu um herói, mas teve de lembrar-se de sua filosofia pessoal: "Eu não sou um herói. Eu ajo conforme meu próprio interesse, então, por gentileza, me chame de anti-herói.".

Ainda se lembrou de que tinha algo a fazer com o pen drive. Correu até a igreja local, um pequeno templo católico, e foi atrás da construção onde havia uma porta, que abrindo encontrou um caixão sobre um degrau de mármore cinza. Mikael conseguiu cobertura o suficiente para secar e aquecer suas roupas e seu corpo completamente, e apertou um botão na parede fazendo o caixão se mover entrando na mesma atrás de onde estava.

Se houvesse alguém no caixão Mikael nunca tivera o interesse de perguntar ao padre da igreja e nem de vê-lo com seus próprios olhos, apenas o deixava bem quieto.

Alguns segundos após finalmente abrir totalmente a passagem, Mikael conseguiu ver a escadaria de mármore em que a descida levava para uma porta de ferro.

Sem parar para pensar, andou e bateu duas e depois três vezes na porta.

Ruídos apareceram atrás da porta e Mikael esperou alguém aparecer. Demorou alguns minutos, mas, finalmente, a pequena porta se abriu na altura de seus olhos, onde dois olhos castanhos surgiram. Um deles estava revirado e tinha uma cicatriz vertical.

O homem o olhou com atenção e depois fechou a pequena porta.

Mikael escutou algo se arrastando, o que parecia ser um banco, e depois disso os mecanismos da porta moviam-se fazendo-a abrir vendo o homenzinho. Era o anão barbudo que ficava na porta, e sempre que alguém aparecia com aquela mesma batida, ele aparecia para ver subindo em um banco.

— Mikael, para onde você foi? — Perguntou o homem fechando a porta novamente.

— Lá fora. Estive nas ruas e achei que seria divertido roubar alguma coisa. — Disse despreocupado.

O baixinho suspirou.

— Você nunca toma cuidado?

— Quem toma?

— Pessoas inteligentes. — Falou o anão. — É bom que tenha trazido algo de útil, pelo menos.

Seguindo em frente, o anão pegou um lampião da parede para que pudesse iluminar o caminho até o esgoto.

Mikael se guiava pelas mãos e andava devagar, tinha medo de acabar tropeçando nos degraus escuros e úmidos. As paredes estavam molhadas e escorria água por elas. Olhava sempre para os pés para ver se conseguia acertar o degrau e ficou aliviado ao ver que outra luz apareceu à frente.

O anão deixou o lampião em um gancho preso à parede e abriu a porta.

Finalmente um lugar seguro. Homens e mulheres estavam ali fazendo suas coisas de sempre.

Ao olhar para a esquerda, Mikael viu a entrada para os quartos onde ficavam, com dois jovens saindo conversando entre si alguma coisa sobre um roubo recente que conseguiram.

À esquerda, o líder conversava com o conselheiro em sua mesa, onde havia um mapa, um livro em que eram marcados os valores de todas as riquezas que conseguiam e o que deviam para uma organização aliada que os ajudava.

À frente haviam mesas pequenas e circulares, com cadeiras em volta e alguns sentados e outros em pé. Jalren, o dono do bar, estava arrumando algumas coisas no balcão e retirou uma garrafa de vinho. Deu a um homem, recebendo alguns garnins em troca.

— Olha só quem voltou. — Mikael odiava esse cara. — Conseguiu algo de valor hoje, hein? — disse Helge, se dirigindo ao garoto com os braços abertos, mas Mikael impediu o seu abraço. — Está bem, você odeia todo tipo de contato físico.

— Não todo o tipo. — Olhou para Zeala.

Helge teve de olhar para onde Mikael olhava. Olhou-o quase rindo, o que fazia sentido, já que Zeala era uma mulher um pouco difícil em muitos aspectos.

— Então tá de olho nela, é? — Perguntou Helge coçando o curto cavanhaque. — Só acho melhor tomar cuidado.

— Com o quê? Outros pretendentes?

— Não. Se houve algum deve ter desistido, ela deve ter uns dezoito ou dezenove anos.

— Essa idade e já é mestra em furto?

— Você tem dezoito e é o melhor espadachim daqui. — disse entregando uma caneca de hidromel para Mikael.

— Mas não do mundo. — respondeu o ruivo. — É isso que eu vou ser algum dia. — falou tomando um gole da bebida e encarou o outro sério. — Mas eu sou o único espadachim daqui.

— Está bem, voltando ao assunto — colocou a bebida na mesa. — Eu disse no sentido de... — Pensou um pouco para falar. — Eu já a vi tomando banho no rio fora da cidade. — Mikael percebeu com facilidade a felicidade do homem.

— Claro que sim, ninguém toma banho em chuveiro aqui. — falou com sarcasmo.

— Não nesse sentido. — Disse com um pouco de medo. — Ela me pegou a espiando e disse que se acontecesse de novo... — olhou para ela para ter certeza de que não estava ouvindo o que ele dizia. — Ela tiraria o que eu mais tenho de importante.

Mikael quase pôde sentir a dor das adagas daquela ladra assassina sendo fincadas entre suas pernas, apenas de imaginar.

— Isso deve ser doloroso.

— É. Enfim, acho que não vou arriscar meus filhos. E você?

— Eu sou um cara quente.

— Literalmente.

— Taí alguém que entende minhas piadas — falou o ruivo.

Riram por mais uns cinco minutos, até alguém notar a sua presença ali.

— Mikael! — Gritou Zeala. — Por onde andou desde manhã? — Parecia irritada com o garoto.

Seus cabelos carmesins compridos estavam amarrados em um rabo de cavalo e estava usando um capuz marrom. Conseguia apenas ver seus lábios e seus olhos cinzentos com um ar irritado.

— Oi Zea! Como vai gatinha? — O amigo de Mikael era um tanto sem noção para certas coisas, especialmente como falar com uma garota irritada.

— Não me dirigi a você, Helge. — Voltou-se para Mikael. — E então?

— Então...? Está esperando que a convide para sair? — Mikael tentou um flerte.

Apesar dela não aceitar muitas brincadeiras, deixou essa passar. Fechou os olhos e suspirou para se acalmar das bizarrices que sempre acontecia por ali.

— Por onde andou? — Ficou um pouco mais calma agora.

— Trabalhei um pouco.

— O chefe quer ver você.

— Fala que depois eu vejo o que ele quer, pode ser? Agora vamos dar uma saída.

— Fale de novo em "dar uma saída" que vou te dar uma saída desta vida.

Ela mostrou uma adaga para Mikael, que permaneceu calmo.

— Estaria derretida antes de me tocar.

— Você é o único capaz de estragar o meu "drama psicopata". — Disse com um suspiro. — Vamos?

— Está bem, é logo ali mesmo. — Apontou para a mesa onde o chefe estava bebendo uma cerveja.

Andaram até a frente de sua mesa para falarem o que tinham para falar. Mikael não gostava de surpresas envolvendo seu chefe.

— Koz! — Disse Zeala colocando a mão fechada no peito, e depois tirou o capuz. — Mikael está aqui como pediu.

— E aí, Koz! — Cumprimentou.

Zeala lançou-lhe um olhar de aviso por se dirigir ao líder do Capuz Negro dessa forma, mas Koz fez um sinal com a mão para falar que estava tudo bem.

— Mikael, o que você conseguiu? — Perguntou o homem alto, de cabelos castanhos claros e pele clara que estava do outro lado da mesa.

Mikael tirou o aparelho de seu bolso e mostrou ao chefe, recebendo um olhar decepcionado.

— Um pen drive... Em quê isso serviria?

— Isso estava bem protegido na verdade e...

— Cale-se! — Berrou. — Você só está nos trazendo prejuízo e nada além de coisinhas que qualquer um tem em casa. Queremos enriquecer e só estamos indo à falência! Os membros de outros estados estão conseguindo coisas boas, mas e nós? O que temos?

— Senhor! Acho que...

— Zeala! Não é você quem decide! — gritou antes que ela pudesse terminar. — Mikael, você está banido do Capuz Negro até que consiga nos trazer algo que nos interesse! — berrou.

— Tipo o quê?

— Encontre por si mesmo! — disse saindo dali antes que socasse o ruivo.

— Eu sinto muito, garoto. — falou Zeala com a mão sobre seu ombro. Pela primeira vez viu um olhar de cuidado nela.

— Olha. Pela primeira vez você foi legal e sentimental. Isso não significa que você quer sair comigo...

— Não. Até mais. — Respondeu friamente.

Mikael não ligou, estava acostumado a levar "foras" dela.

Olhou para a mesa depois que ela também saiu e viu alguns cartazes e papéis de Koz, eram alguns alvos, e em um deles dizia algo bem especial para um tal de Thrim. Era quase uma carta de contrato.

Thrim! Quero-o morto! Quem me trouxer sua cabeça será muito bem recompensado. É um alvo difícil, mas não creio que seja impossível.

Mikael leu o bilhete que o chefe colocaria nas paredes em breve e... Aí está a chance de Mikael provar seu valor. Nesse exato momento, comprometeu-se em caçar e matar Thrim, e se houvesse alguém com ele também seria um belo alvo.

— Eu não vou sair daqui, gatinha.

— Hum? O que disse? — Perguntou Zeala, que de repente apareceu ali para arrumar os papéis que Koz deixou sobre a mesa.

— Se eu conseguir o que Koz pede?

— Mikael, isso é impossível. Ele não fica impressionado facilmente — olhou para ele. — E você sabe disso.

— E se eu matar Thrim?

A cara da garota mudou absurdamente. Antes parecia ter o humor um pouco melhorado enquanto trabalhava com os papéis do chefe, agora parecia aterrorizada.

— É impossível, ele é forte demais.

— O que esse idiota tem de mais?

— Ele é mais velho, mais ágil, mais habilidoso e mais poderoso que você, só para começar uma lista quase infinita.

— Então ele é difícil. Mas se eu conseguir, vamos sair? Tipo eu e você... Juntos...

Ela suspirou.

— Está bem. Vamos ver no que dá essa aposta, mas agora saia daqui antes que o chefe volte.

Um sorriso abriu em seu rosto e, agora sim, ele estava ansioso em sair de lá o mais rápido possível.

Na casa de Thrim, Dustin, finalmente, conseguiu tirar aquele cheiro horrível de roupa de prisioneiro com um banho um pouco demorado e sentiu-se novo novamente. As roupas eram memórias desnecessárias, então jogou-as fora. Usaram esse dia chuvoso para que Dustin pudesse descansar um pouco, pois quando iriam sair começou a chover fortemente.

Dustin estava na sala de estar principal, bem na entrada, com Henry e Thrim sentados no sofá azul marinho voltado à TV na parede à frente e estantes de jogos e DVDs ao lado contendo action figures para enfeitá-las. Na TV não havia nada de interessante, além do jornal que mostrava a notícia em que militares descobriram uma prisão ilegal onde conseguiram encontrar alguns dos membros destas prisões. Os prenderam e interrogaram.

— Ótimo. — Disse Henry deitado no sofá. — Pelo menos não teremos de lidar com eles.

— Mas eles podem acabar vazando informações sobre vocês.

— Virão nos investigar também? — Perguntou Dustin.

— Sim. Acredito que para estudarem tudo o que precisam vão levar uns seis meses. Vamos sair daqui após esse tempo.

— Após esse tempo? Por quê? — Perguntou Dustin.

— Não podemos ir agora? — Perguntou Henry.

— Não. — Respondeu. — Vocês precisam ser treinados. Eu vou fazê-los ficarem bem mais fortes. Vão precisar.

— Espere! — Falou Henry levantando-se rapidamente com uma ideia em mente. — Nós temos a maior organização do mundo como inimigo, então temos que ter algum nome, não? Seremos chamados de criminosos? Talvez! Mas não significa que vamos desistir de lutar contra eles!

— E o que você planeja? — Perguntou Thrim.

— Chutar a bunda deles! — Falou Dustin.

Não daria tão certo na visão de Thrim, mas lutar contra uma organização dessas seria suicídio. Um suicídio um pouco diferente, já que iriam acabar salvando algumas pessoas.

O mundo vai ser ruim, um lugar de pesadelos, mas e daí? O que importa é que pelo menos uma pessoa faça e acredite no bem enquanto o mundo todo faz o que é mau e ambos, tanto Dustin quanto Henry, fizeram Thrim ver isso.

— E qual deverá ser o nosso nome como organização? — Thrim perguntou entusiasmado com a ideia.

Henry começou a pensar enquanto os dois debatiam opções de nomes para uma equipe de heróis, ou bando de piratas ou qualquer coisa.

— Que tal "Freedom XZ"? — Sugeriu Thrim

— "XZ"?

— É. O cromossomo "X" com o da radiação, que poderia mudar o código genético para "XZ".

— Não, muito Mangá. — Disse Dustin. — Que tal "Ajax"?

— Parece que tirou isso de um sabão em pó.

— Ei! — Gritou Henry. — Tive uma ideia!

Embora tivessem muitas ideias que considerassem geniais para o nome de uma equipe, decidiram ver o que ele queria propor também, afinal era uma democracia. Bom, não igual à democracia de um antigo partido comunista do Brasil enquanto era apenas um país, mas... Ok, voltando ao que interessa, Henry teve uma ideia, todos ficaram felizes.

— Qual é a sua ideia, Henry? — Perguntou Dustin.

— Sigam-me. — Pediu subindo as escadas. Parou para ver se os dois subiriam atrás dele e viu que estavam curiosos para a sua ideia genial. — O nosso inimigo é o grande Dragão Branco, não é? Somos pessoas que irão se opor a eles.

Subiram as escadas e logo chegaram à porta que, empurrando, viram o que realmente queriam atrás da mesa de lobo: a cadeira especial.

— Seremos o Dragão Negro. — Disse vendo o dragão cobrindo a cadeira.

— Legal. — Comentou Dustin.

— Um bom nome, um bom significado. Gostei. — Nos segundos seguintes, Thrim pensou em tudo o que poderia fazer nos próximos meses até que, finalmente, falou sobre. — Seis meses de treino e depois disso vamos sair daqui para qualquer lugar.

— Que lugar? — Dustin questionou de forma curiosa.

— Quando estiver perto avisarei para onde iremos. Mandarei uma mensagem para um amigo falando que irei para algum lugar e pedirei para que nos acompanhe se quiser.

— Quem é esse amigo? — Perguntou Henry.

— Acho que vou deixar isso como surpresa para vocês.

Quando estavam prestes a sair, a campainha soou. Mas quem seria nessa noite chuvosa? E quem iria àquela casa em especial? Afinal, ninguém sabia onde Thrim morava. Olharam-se por um tempo, confusos e assustados, e então Henry correu descendo para abrir a porta já preparado com o que poderia ser atendido do outro lado.

Um trovão forte ressoou e a chuva parecia cada vez mais forte. Olhou pela janela e não via um carro sequer do lado de fora e nenhum passava por ali naquele temporal.

A campainha soou mais uma vez e Henry abriu a porta vendo uma garota com um capuz vestindo um macacão verde e um símbolo de um peixe com uma coroa nele. Parecia uma prisioneira de outra prisão secreta que conseguiu fugir. Seu capuz era longo e estava preso a um casaco comprido que cobria suas costas até os calcanhares.

Quando o viu, ficou surpresa mais do que ficaria se alguém a atendesse depois das milhares de rejeições que recebera naquele dia. Passou de casa em casa pedindo por um abrigo, por uma noite, pelo menos.

— Henry? — Perguntou com uma voz chorosa e aliviada. — É você? — Parecia que logo começaria a chorar de felicidade por algo e... De alguma forma o conhecia.

Henry pensou ter sido uma ilusão ouvir uma voz que conhecia desde antes da prisão, mas sem hesitar respondeu:

— Sim. O que você faz aqui? Não tem lugar para ficar? — Perguntou abrindo a porta deixando-a entrar.

— Obrigada. — Agradeceu, mas ainda não entrou.

As luzes de fora estavam acesas, seria o suficiente para vê-la depois de tirar o capuz.

— Como você sabe o meu nome? — Perguntou desconfiado.

Todas as dúvidas acabaram quando a garota tirou o capuz revelando os cabelos castanhos com orelhas de gato sobre sua cabeça e uma cauda fina e peluda com a mesma cor dos cabelos.

Ouvira dizer que algumas prisões, além de testes com radiações, fazia também fusão de DNA de algum animal e humano, mas somente vendo esta cena acreditou.

— Mytra? — Henry não acreditou no que viu. Pensava que nunca mais veria algum de seus velhos amigos, principalmente ela.

— Henry, é você? — Disse com um sorriso enxugando as lágrimas, mais feliz do que nunca por, finalmente, tê-lo encontrado. Antes pensava que estava morto.

Henry rapidamente a abraçou, mesmo no meio da chuva. Talvez algum raio os acertassem, mas não faria efeito contra ele mesmo.

— Sim, Mytra. Sou eu. — Falou. — Mytra, vamos entrar? — Convidou Henry, mas ela não conseguiu dar sequer um passo. Todo o peso das noites sem dormir caiu sobre seus ombros nessa hora. Desmaiou ali mesmo e Henry a impediu de cair a agarrando e levando para um quarto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.