O Dragão
5 Capítulo 4
Notas iniciais
O vôo se seguiu tranquilo durante todo o percurso. Os dois dragões agitaram um bando de gaivotas voando por entre elas. Assim que saiu, Thalles percebeu que a sua ordem, a Casa dos Dragões, ficava encoberta por algum tipo de magia. O local que aparentemente ficava em uma grande clareira estava encoberto em uma grande montanha encoberta de florestas. As duas criaturas agora seguiam parte do caminho voando acima do mar. Avistaram alguns golfinhos pulando e correndo para perto deles. Mas os animais recuaram assim que os dois dragões mergulharam dentro de uma grande névoa no meio da água.
Outro truque de magia. Assim que entrou na névoa, Thalles se deparou com um novo mundo. Do lado de dentro não havia névoa nem neblina. Ao redor dele, as águas do mar caíam em uma grande cachoeira durante centenas de metros. Ele e Yonnin mergulharam novamente naquela espécie de funil de água, até um grande globo de névoa ao final do túnel.
O globo de névoa era mais um portão embutido de magia. Os dois dragões saíram na frente de uma suntuosa construção em estilo grego. Aparentemente cinco vezes maior que a Casa dos Dragões. Um grande Sol estava esculpido em relevo nos grandes portões que protegiam a construção. Yonnin se transformou novamente em humano e pediu que Thalles fizesse o mesmo.
– O que? Como? – As palavras saltaram da boca de Thalles. Ele não acreditava que uma construção como aquela existisse.
– Seja bem-vindo. A Casa dos Alquimistas é a mais protegida das três ordens. Ninguém que tenha permissão prévia para entrar pode passar pelos portais.
O homem se aproximou do grande portão e bateu na porta, murmurando algo que Thalles não conseguiu compreender. No mesmo instante os grandes portões se abriram como se estivessem também protegidos por magia. Yonnin estendeu a mão para o garoto, o chamando.
– Vamos.
Se a Casa dos Dragões era deslumbrante, a dos Alquimistas era um sonho utópico. Uma grande trilha cercada por rosas vermelhas levavam ao centro do pátio, onde um elegante homem trajando uma túnica vermelha os esperava. Ele ostentava um grande e acolhedor sorriso, como se já conhecesse o jovem há muito tempo. Yonnin se aproximou e cumprimentou o alquimista.
– Olá, Yonnin. – Disse o homem. Ele se virou para o jovem e estendeu-lhe a mão. – Olá, Thalles.
Ele o cumprimentou, mas achava estranho que aquele homem sabia o seu nome. Estava na Casa dos Dragões havia poucos dias. As notícias não conseguiriam se espalhar tão rápido em tão pouco tempo.
– Thalles, este é o atual líder da Casa dos Alquimistas. Tiferet. Ele me ajudou a escondê-lo entre os humanos quando você ainda era uma criança. – Explicou Yonnin.
– Você cresceu muito. Ainda me lembro quando você era apenas um filhote de humano. – Respondeu Tiferet, rindo.
O alquimista os levou até uma estranha fileira de portas em um dos cantos do pátio. Elas estavam em pé, enfileiradas como se estivessem numa simples loja de materiais para construção. Tiferet abriu a primeira porta da fileira. Ao contrário do que podia se esperar, a porta levava a um grande cômodo. Mais um tipo de magia naquele mundo.
O cômodo era um grande salão em estilo grego. Grandes quadros estavam fixados nas paredes, revelando pinturas de diversos deuses e figuras religiosas de várias eras e locais. Thalles identificou alguns rapidamente. Apolo, Dionísio, Rá, Amaterasu, Krishna, Buda, entre outros. O piso e o teto do salão mostravam imagens semelhantes, que mudavam lentamente, ao passo de uma tartaruga. Ao final do aposento havia um suntuoso trono feito do mais puro ouro e outras duas cadeiras feitas do mesmo metal. Tiferet sentou no trono e pediu para que os outros dois sentassem nas cadeiras. Thalles não se conteve de curiosidade e perguntou:
– O que são todas essas pinturas espalhadas na parede?
O alquimista apontou para as pinturas, revelando no dorso de sua mão a tatuagem de um caduceu, provavelmente a marca da ordem alquímica.
– Eu sou o sexto premiê da ordem, aquele que leva à iluminação. Esses são alguns dos que eu guiei. Eles ficarão lembrados aqui durante toda a eternidade.
– Sexto? Você parece tão novo...
– Não se engane. A aparência não significa nada para um alquimista. Eu sou um dos mais velhos dessa ordem. A idade não importa para nós. O primeiro alquimista, o que criou a ordem, está vivo ainda. Creio que ele tenha mais de quatro mil anos. – Tiferet cobriu novamente a mão com a sua túnica vermelha. – Mas não estamos aqui para conversar. Você está aqui porque você é um dos únicos não-alquimistas que possui certa habilidade com a nossa magia. Irei te ensinar apenas o básico para se defender das fênix. Nunca se sabe quando elas virão te atacar.
Ele se levantou e se dirigiu para uma das paredes do salão. Fez um gesto com a mão direita que se assemelhava com um tridente. Uma grande caixa vermelha surgiu nas mãos do alquimista.
– Sim, isto é perfeito.
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