O Dpois
1 Um Passeio
Notas iniciais
Bem... Naquele dia, Haruhi inventou mais uma reunião na cidade, para que procurássemos por algo suspeito, ou como queiram chamar. Mas incrivelmente, apenas eu e Haruhi comparecemos naquele dia; Nagato, Koizumi e Mikuru incrivelmente não puderam ir.
Depois daquele incidente no espaço restrito, não comentei nada com Haruhi, mas... O que ela diria se eu puxasse esse assunto? Me pergunto até hoje, um ano após o ocorrido.
Voltando à reunião na cidade... Hruhi queria procurar por mistérios na cidade, mas como éramos apenas nós dois, talvez na cabecinha dela, aquilo fosse como um encontro entre nós dois. Haruhi realmente tem uma maneira bem peculiar de pensar.
Talvez porque não aja como uma colegial comum, mas sim como uma criançona, uma criança que não mede seus atos e muito menos suas conseqüências.
Quando ela chegou para me encontrar (aos outros também), percebeu que eu estava sozinho e que ela havia sido a última a chegar no local e teria que pagar nossas bebidas. Mas que sorte em Haruhi? São três bebidas a menos hoje.
Ela estava vestindo uma blusa azul com flores vermelhas bordadas, um casaco jeans e uma saia jeans também. Usava um meião preto com sapatos da cor da blusa e tinha nas costas uma bolsinha preta. Seria impressão minha ou talvez naquela manhã ela estivesse mais perfumada do que qualquer dia? Lembro-me como se fosse ontem... Será que Haruhi adivinhou que eu estaria sozinho? Bobagem... Para alguém considerada como Deus, isso não seria bem adivinhação não é?
*******
- Você está sozinho hoje? Onde estão os outros?
Até parece que você não sabe o que fez com nossos colegas...
- Acho que eles não virão – respondi.
- É... Acho que dá para procurar só com você mesmo.
Ela nunca fala o que realmente está sentindo.
- Vai beber o quê?
- Não se preocupe em pagar a minha – respondi em tom de agradecimento.
- Idiota! Então por que chegou mais cedo?
- Eu queria ver sua cara de raiva ^^.
Eu admito: Haruhi fica bem mais bonita quando está séria ou com raiva. Sempre chegando à escola, ela já está com a cara amarrada, sentada olhando aleatoriamente pela janela.
- Engraçado... Muito engraçado você.
- O que faremos hoje? – Como se eu já não soubesse.
- Iremos procurar algo anormal oras! Ah! E desta vez, você vai comigo!
- Mas não seria mais rápido se nos separássemos? – Assim eu poderia me abrigar em algum lugar fresco e dormir um pouco sem que ela me perturbasse.
- Preciso te vigiar. Não sei se você cumpriria suas obrigações. Precisa da Minha supervisão.
- Mas da outra vez, eu estava com Nagato e você não reclamou.
-Vamos beber algo enquanto eu explico para que lado vamo.
Será que ela ouviu o que eu preguntei?
- E quando eu estava com Asahina você não reclamou também.
- CALE-SE! Idiota!
Nossa... Um verdadeiro S.S.S. (Surto Súbito da Suzumiya). Ela gritou, parecia que ia explodir de raiva. Nunca consegui me acostumar a isso.
Sem mais nenhuma palavra, fomos a uma lanchonete ali perto, aonde sempre vamos em nossas reuniões. Um lugar legal e aconchegante.
Onze e meia da manhã. Sol rachante. Estávamos sentados em uma das mesinhas. Eu estava com uma latinha de refrigerante e ela com uma caixinha de suco 100% natural (XD).
- Iremos para o sul hoje. Li no jornal sobre um seqüestro de umas pessoas que passaram em frente a uma casa abandonada. Nós vamos lá investigar.
Haruhi! Não devia deixar esse tipo de atitude para a polícia? Isso não é hora para investigações. Está muito quente! Deixe que a polícia cuide disso.
- Eu estive pensando e acho que algum viajante do tempo capturou essas pessoas para tentar evoluir a humanidade levando esses caras para o passado.O que você acha?
De onde você tirou essa idéia? Os homens não podem viajar para tão distante na linha do tempo, nada além de três anos, lembra? Ah, você não sabe da história que tem por trás de você não é?
- Talvez não seja bem isso Haruhi. Quantas pessoas sumiram até agora?
- Quatro ou cinco. Vê aí.
Tirou da mochila um pedaço rasgado de jornal e me entregou.
“Cinco pessoas desapareceram essa semana em frente a uma casa abandonada na zona sul da cidade. A polícia acredita que essas pessoas foram vítimas de latrocínio, pois todas sumiram após saírem de uma agência bancária nas proximidades (...).”
Haruhi, deixa eu te perguntar uma coisa: de onde você tirou o raciocínio de viajem no tempo? Vamos garota, use pelo menos 1 vez na vida seu bom senso e admita que uns bandidos estavam apenas querendo uma grana extra e não “evoluir a humanidade”.
- Vamos lá Kyon!
- Eu não vou.
- O que você está dizendo? Levante-se logo.
- Já disse. Não vou.
- Como não? Você está em uma das atividades do clube. Não pode se recusar desta maneira. Vamos, levante-se!
- Não é óbvio? A polícia já está cuidando do caso e não tem motivos para 2 jovens como nós irem atrás de crimes como esse. Vai que eles acham que nós vimos algo e resolvem nos matar também?
Ela me olhou hesitante.
- Vamos Haruhi, aja como uma colegial da sua idade e vá se divertir com suas amigas, esqueça esses crimes, viajantes do tempo, alienígenas... Esqueças essas histórias e vá se divertir de outras maneiras.
Nesse momento, ela me olhou como se não estivesse entendendo o porquê dessa rebeldia. Lembrei-me do momento em que disse a ela que gostaria de voltar para nosso mundo quando estávamos no espaço restrito, fugindo dos gigantes.
- Mas eu achava que você estava se divertindo à procura desses fatos marcantes. Você não gosta? Por quê?
- Sim, eu gosto, mas tudo tem limites e você sabe. Pense um pouco no que eu lhe disse quando chegar em casa. Não podemos sair na rua à procura dessas criaturas a toda hora.
Me olhava desapontada. Pensei que algo que nunca vira acontecer estava para acontecer: Suzumiya Haruhi chorando. Mas ela realmente é dura na queda e seus verdadeiros sentimentos nunca são expressos com clareza para nós do lado de fora.
Chorando ou não, o resultado seria o mesmo: um espaço restrito aleatório por aí.
Sua idiota. Não fique triste com isso, é para seu próprio bem.
- Achei que iríamos procurar por mistérios, mas percebi que não é bem esse o objetivo dos nossos membros. Então estou indo pra casa. Até segunda-feira.
Não! Não posso permitir isso! O que será que ela iria fazer ao chegar em casa? Enterrar a cabeça no travesseiro? Choramingar?Haruhi, você pode não saber, mas nós da Brigada S.O.S sabemos como você é por dentro.
E depois? O que aconteceria? Um novo sonho cinzento? Com gigantes celestiais derrubando tudo? Recomeçar a história do mundo mais uma vez? E será que desta vez eu estaria no sonho para contar a história?“O homem que causou a desgraça do mundo”? Eu a deixei assim talvez me perdoe e não me tire da jogada no novo mundo, seria cruel. Espera! O que eu estou lamentando? Eu estou aqui para prevenir prováveis desgraças e não para provocá-las! Seu idiota! Não! Não vou deixar que isso aconteça.
- Haruhi! Espera.
Segurei firme e fortemente sua mão para impedi-la de continuar andando.
- O que você ainda quer? – Falou sem expressão na face sem olhar em meus olhos.
Depois deu uma sacudida na mão e tentou puxá-la, mas eu apertei com mais força.
- Posso não ir caçar viajantes do tempo, mas posso te mostrar uma coisa?
Isso (realmente) não estava nos meus planos, mas ver Haruhi olhando para mim com expectativa ao ouvir isso, me deixou aliviado.
Fomos caminhando algumas ruas até chegarmos ao lugar em que estive com Asahina na última reunião do clube. Um caminho sombreado por cerejeiras que na primavera se enchem de sakuras e por sorte estamos na primavera.
Haruhi caminhava ao meu lado maravilhada com a paisagem ao nosso redor. Era realmente maravilhoso. E um ótimo perfume se juntava ao das sakuras: o perfume de Suzumiya Haruhi.
Um passeio às sombras de árvores floridas ao lado de um riacho numa manhã quente. Não podia haver nada melhor naquele momento.
- Obrigada Kyon.
- Não precisa agradecer.
Eu quem deveria agradecer, porque você está de bem com o mundo né?
- Nossa! Já vai dar uma hora da tarde! Mas de todo jeito minha mãe não liga se eu não chegar para o almoço. Está a fim de comer alguma coisa?
Depois que eu disse isso, vi na minha frente o maior sorriso de todos os tempos.
Caminhamos até longe para procurar algum lugar para comer. O Sol já estava torrando minha cabeça quando encontramos um lugar para comer. Haruhi, por favor, não faça nada suspeito por aí... Aja como uma pessoa normal.
Fizemos nossos pedidos e chegamos a um acordo que eu pagaria a comida.
Os pratos e as comidas chegaram. Estava tudo quente. Enquanto eu me servia, Haruhi tirava da bolsa um elástico de cabelo da cor alaranjada de sua fita e prendeu o cabelo, pois o calor era intenso. Fez um belo de um rabo-de-cavalo. Haruhi... Por que fez isso? Você... Aff... O que ela estava tentando fazer? Não me seguro mais.
- Haruhi.
- O quê?
Sorri brandamente olhando nos olhos dela e com certeza ela entendeu o que eu quis dizer, mas como da outra vez, uma única resposta:
- Idiota.
~Fim.
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