Notas iniciais
Já estou de volta? Sim! Não tenho paciência de esperar >< Vamos começar a interagir mais esses personagens? Sim! :v heuheue Parando com a loucura, espero que gostem s2

Lexi tomou um banho gelado e vestiu-se. Prendeu os longos e pesados cabelos loiros em um rabo de cavalo alto, antes de tomar um delicioso suco de acerola, que sua mãe deixara pronto na noite anterior, e engolir uma barra de cereal. Depois saiu na madrugada fria, caminhando até a Praça dos Namorados.

A Praça era uma enorme área de lazer na orla da Praia da Costa, recheada de espaços abertos, árvores, quadras, equipamento para alongamentos e aeróbica, sendo contornada pelo lado contrário ao mar por um calçadão.

Alexia observou, enquanto se alongava, algumas pessoas que já faziam seus exercícios sob a luz dos postes. Poderiam ser pessoas sem tempo durante o resto dia, pessoas que pararam ali por acaso, algumas com insônia, e talvez aquelas que, como a loira, precisavam espairecer a mente e livrar-se dos pesadelos.

Ela começou uma corrida no calçadão, e, quando já estava bastante suada, o sol ainda começava a nascer. Os pequenos raios de luz atingiam a água do mar, e davam um tom de azul claro ao céu até então escuro.

Ficou por mais um instante, observando a luz do sol tocar a água e a Ilha do Frade, que flutuava à certa distância, ligada à cidade por uma ponte. Era onde Tiago morava, e onde ele provavelmente estava dormindo. Dali, ela podia ver as pedras escuras onde eles costumavam se sentar para observar a paisagem.

Suspirou, e, por fim, tomou o caminho de casa rapidamente, para pegar sua mochila, e depois seguiu para a escola, mantendo o ritmo dos pés.

Pensou novamente no sonho, perturbada: sempre fora de ter noites sem sonhos, e agora vinha tendo o mesmo constantemente.

– Ei, loira – alguém disse, atrás dela, ao mesmo tempo em que uma mão pousou em seu ombro.

Em um ato instintivo, Alexia virou-se, segurando o braço da pessoa, e girando para prendê-lo nas costas de quem quer que fosse. Havia aprendido a usar seu tamanho para ser ágil. Mas, assim que imobilizou os movimentos do garoto, reconheceu os cabelos castanhos.

– Você não cansa de fazer isso, Leo? Algum dia ainda vou quebrar seu braço.

– Gosto de te ajudar a treinar. – Ele sorriu, dando de ombros.

Ela entrelaçou seu braço ao dele, e caminharam juntos, conversando animados sobre nada em especial. Para Alexia e Leonardo era assim, tudo era simples e um motivo de alegria. Além disso, o garoto já sabia a sua nova rotina de correr na madrugada e seguir para o colégio, onde ela se aproveitava das boas instalações do vestiário feminino para se arrumar para a aula.

Lexi estava no último ano do ensino médio, estudando junto com Tiago. A escola deles ficava próxima à casa da garota, não passando de um prédio retangular branco e sem graça. Apesar da aparência simplória, era um colégio de alto nível, e também alvo de muitos adolescentes de famílias ricas. Era o único luxo que Alexia realmente se permitia ter, embora sua família não fosse pobre, pois ela queria que os pais aproveitassem o dinheiro com eles próprios.

Além disso, a faculdade de Leo ficava próxima ao colégio, de forma que, quando ele tinha aulas pela manhã, eles sempre se encontravam, seguindo juntos em uma cúpula invisível de euforia.



A garota ouviu as vozes que vinham do corredor antes de vê-los.

– Está falando sério? Ela era gostosa? – Igor perguntava.

– E eu preocupada que você estava morrendo de tédio ontem – ela comentou, se aproximando.

– Eu estava... – Tiago começou a dizer.

– Até uma gostosa aparecer na piscina dele.

Lexi estreitou os olhos para Igor, que levantou os braços em sinal de rendição, e sumiu de vista. Ignorou seu ódio pelo amigo estranho de Tiago e voltou-se para este.

– Ela não apareceu na piscina... – Tiago argumentou, enfiando as mãos nos bolsos.

Ela suspirou.

– Não me deve satisfações.

Ele sorriu friamente.

– Provavelmente não.

–X-X-X-

Leo entrou em casa agradecendo mentalmente por sair de debaixo do sol quente.

– Cheguei! – gritou, enquanto largava a mochila no sofá.

– Ado, Ado! – A pequenina veio correndo de modo atrapalhado através da sala e estendeu os braços para o irmão.

Os cabelos, castanhos como os do irmãos, reviravam-se em um emaranhado, e os olhinhos cor de mel brilhavam.

Camila ainda não havia completado três anos, mas era bastante inteligente para sua idade. Agia como se já fosse independente, e ficava extremamente irritada com as limitações da idade.

Ele puxou-a para cima, e brincou com a garota por um tempo, acabando por jogá-la no sofá, os dois rindo. Colocou a irmã nos ombros e foi até os fundos da casa, sentindo as mãos pequenas de Camila segurarem em seu cabelo.

– Pai?

Na varanda de trás, Ricardo observava papéis através dos óculos retangulares, e as bolsas escuras por baixo de seus olhos demonstravam seu cansaço.

Era o lugar onde eles passavam a maior parte do tempo, pois a varanda se estendia por uma área considerável. O resto da casa se resumia a uma pequena cozinha, dividida da sala por uma parede, e um corredor que levava até três quartos e um banheiro social.

– Vá dormir, é bom fazer isso de vez em quando – Leonardo aconselhou, depois de ver a pilha de papeis que o pai lia.

Ricardo sorriu, enrugando os olhos gentis.

– Se me prometer levar sua irmã para passear.

– Falando assim estou esperando que me estenda uma coleira. – Riu. – Certo, vou levar ela na praia. Você vai ficar bem?

– Praia, praia! – Camila gritou alegre.

Ricardo assentiu, observando a filha. Naquele dia, completavam dois anos que sua mulher havia sido assassinada, quando eles foram a um restaurante para comemorar o aniversário de casamento; ela fora baleada quando um grupo invadiu o local e iniciou um tiroteio.

O mais velho levantou-se, puxando a filha dos ombros de Leo, e dando-lhe um beijo no rosto. Depois deixou a garota no chão, e sumiu casa adentro.

– Temos que te arrumar, miúda, não vou esperar se demorar – falou Leo para a irmã, apoiando as mãos nos joelhos.



Leo ficou sentado na areia da praia, observando Camila brincar com seus brinquedos coloridos a certa distância. Cogitou dar um mergulho no mar, mas estava com preguiça de levantar.

Enquanto percorria os olhos pelas pessoas que caminhavam ou deitavam para tomar sol, viu uma em particular sentada, com os joelhos puxados contra si, fitando o mar.

Tiago havia ligado para ele naquela madrugada contando a história da penetra que aparecera em sua piscina, e que no fim era uma garota que queria chama-lo para sair. Nenhuma novidade até aí, mas Leonardo entendia a peculiaridade da situação ao avistar aquela que imaginava ser Amanda Twennis. Quem mais faria cosplay como se fosse uma atividade diária? Pelo menos ele não conhecia ninguém que o fizesse no Brasil.

Resolveu arriscar, aproximando-se da garota.

– Amanda, certo? – perguntou, se sentando ao lado dela.

Amanda levantou a cabeça, fitando o outro com o cenho franzido por um instante.

– Leonardo. Amigo de Tiago. Certo. – Apoiou a cabeça nos joelhos novamente e pareceu ignorá-lo.

Em cheio.

– Não sente calor com toda essa roupa? Com essa calça e blusa de manga comprida, estou começando a achar que você é mineira. – Abriu um sorriso, procurando seu olhar, sem questionar como ela sabia quem ele era.

– Amazonense – respondeu, instantaneamente, levantando a cabeça um instante depois com as sobrancelhas franzidas.

– Sério? Nunca conheci ninguém de lá, como...

Ela levantou-se abruptamente, batendo as mãos na calça para tirar a areia.

– Eu preciso ir. – E virou-se.

Leo segurou seu cotovelo de leve, puxando-a um pouco.

– Não sei o que está acontecendo entre você e Tiago, mas parece ser uma garota legal, Amanda. Ele é meu amigo, mas... – Pensou por um instante. – Não queira se machucar.

Amanda ergueu as sobrancelhas e sorriu de lado.

– Está falando isso por mim... ou por Alexia?

Leo coçou a cabeça enquanto sorria, envergonhado.

– Certo, pelas duas.

A garota virou completamente para Leo, observando o rosto do outro por alguns instantes.

– Sabe, Leo, você é uma graça – disse, abrindo um sorriso maroto.

O mais alto estava estatelado, olhando para Amanda, quando sentiu algo bater contra sua perna, e braços enlaçando suas coxas.

– Ado tem namorada, Ado tem namorada!

Leo virou-se para olhar Camila, tentando entender o que havia acontecido, e explicar à irmã que Amanda não era sua namorada. Mas, antes que seu cérebro raciocinasse, e assim que levantou a cabeça novamente, sua companheira de cabelos coloridos já havia desaparecido.

–X-X-X-

Tiago quase contara para Alexia, mas sabia que não devia. A garota ficaria histérica, acharia que era alguma maníaca querendo roubar seu dinheiro ou sequestra-lo ou mata-lo ou qualquer coisa que um maníaco faria. E talvez Amanda realmente fosse, mas ninguém conseguiria tirar tudo o que tinha tão facilmente, quanto mais aquela garota estranha.

Balançou o cabelo molhado para os lados e desceu para o primeiro andar, onde Dênis já devia ter deixado seu carro preparado. Os pais não davam a mínima que ele saísse, então o empregado simplesmente fazia o que Tiago pedisse.

Porém, para sua surpresa, seu pai estava recostado contra uma das pilastras na varanda da frente, olhando distraidamente para o jardim. Virou os olhos para o filho assim que este atravessou as portas de vidro.

– Tiago, você vai sair?

Virou os olhos para Vinícius apenas por um instante, adiantando-se para as escadas da frente, e passando direto pelo homem, mas o pai segurou seu braço de leve.

– Gostaria que ficasse em casa hoje, tenho algo sério para conversar com meu filho e não sei quando terei outra folga.

Ele sentiu o próprio corpo ficar tenso em surpresa, fitando os olhos do pai. Não se lembrava de qual a última vez que Vinícius dissera que eles iriam passar um tempo juntos.

Mas, no fim, não fazia diferença, Vinícius podia todos os dias tentar falar com ele.

– E eu gostaria... Não, melhor: você vai soltar meu braço, porque tenho um compromisso agora – disse, desvencilhando-se da mão do mais velho.

Vinícius abriu um sorriso distorcido. Ele podia mandar que o mais novo ficasse em casa, é claro, mas não era a melhor forma de fazer com que ele o ouvisse.

– Tudo bem, vou esperar você... – Sua fala foi cortada pelo toque insistente do celular.

Não vai, não. Tiago entendeu imediatamente.

Na Praça dos Namorados, caminhou por entre as pessoas, percorrendo as barracas da feira artística com os olhos. Pessoas de várias idades conversavam, comiam e olhavam mercadorias. Algumas crianças corriam, ou agarravam-se às roupas dos pais apontando para algo que quisessem comprar.

Depois de uns bons minutos, Tiago imaginou que Amanda não estivesse por ali, já que os cabelos dela seriam facilmente encontrados, e pensou se deveria esperar mais ou ir embora.

Não precisou especular muito, já que uma mão pousou em seu ombro, fazendo-o girar rapidamente sobre os calcanhares.

Os cabelos estavam jogados sobre seu rosto, e ela carregava um chaveiro, que balançou diante dos olhos do garoto.

– Vamos.

Ele ergueu as sobrancelhas enquanto a seguia. Geralmente, as garotas, no mínimo, esperavam que ele fingisse conquistá-las, mas Amanda era bem direta.

Entraram em um prédio de luxo de frente para a Praça. O porteiro encarou a garota com a expressão fechada, mas ela apenas revirou os olhos enquanto seguia até o saguão principal, e de lá para o elevador.

Tiago recostou-se na lateral do elevador e fitou Amanda pelo espelho enquanto ela girava as chaves ritmicamente no dedo. Havia algo de estranho no fato de não querer aproveitar que estavam sozinhos ali, não querer arriscar ser pego por algum outro morador enquanto agarrava a garota.

Desviou o olhar quando ela o fitou, observando enquanto o número no painel ia aumentando até chegar à cobertura.

Assim que entraram no apartamento, Tiago observou-o com curiosidade. Amanda jogou as chaves sobre uma mesa.

– Fique à vontade, já volto – disse sumindo por um corredor.

Ele fechou a porta atrás de si e observou a enorme bagunça. Havia algo de familiar nas peças de roupa jogadas sobre uma cadeira, nos objetos espalhados na cozinha, nos vários papeis sobre a mesa e até nos cavaletes perto das grandes janelas de vidro. Exceto os cavaletes, se parece bastante com meu próprio quarto, pensou abrindo um sorriso.

Andou até ter uma vista panorâmica da praia através das janelas e olhou as pessoas na praça, no calçadão, no mar. Era estranho ver tudo tão distante e silencioso. Correu os olhos pelos cavaletes e viu desenhos daquela paisagem e de outras. Um castelo, uma floresta, uma pessoa. Aproximou-se do rosto da pessoa, e surpreendeu-se ao reconhecê-la.

– Ainda falta pintar. – Ouviu a voz atrás de si. – Os cabelos negros e os olhos azuis.

Tiago girou o corpo, observando uma Amanda envergonhada. Ela estava com os cabelos presos em um coque frouxo e a franja presa para cima. Seus olhos verdes pareciam maiores, e ele observou com atenção os lábios carnudos e bem desenhados.

– Sonhei com você essa noite, então resolvi desenhar.

Permaneceram assim por um instante. Ela quebrou o silêncio:

– Quer comer alguma coisa?

– Você está sendo simpática? – ele perguntou, se aproximando do balcão, e apoiando os cotovelos no L de granito. – Posso perguntar se sofreu algum trauma cerebral?

– Não, a não ser que queira que eu volte a te tratar como antes.

O Morelli abriu um sorriso, baixando a voz e se aproximando dela.

– Por que me trouxe aqui, Amanda?

Ela parou de mexer nos armários, virando-se para ele.

– Eu já disse, ontem à noite.

– Investigar meu pai, certo. Invente uma desculpa melhor. – E avançou mais alguns passos devagar.

Amanda aproximou o rosto do dele com a expressão subitamente fria e os lábios comprimidos.

– Eu tenho uma missão que não tenho como completar sem você, não pense que sou como todas essas garotas imbecis que caem de amores por você. Eu não sou Alexia, e não sou obrigada a te aguentar. Então faça tudo como tem que fazer ou vai se arrepender, entendeu?

Tiago se afastou, exasperado. Sentou em dos bancos perto do balcão e observou enquanto a garota voltava a fazer o que havia começado. Imaginou que ela seria um desafio, e ele estava entediado. Se ela queria jogar, então tudo bem, ele sabia jogar também.

Correu os olhos por ela, e algo no pulso de Amanda chamou sua atenção. Ele viu marcas profundas e vermelhas que pareciam recentes, e não sabia identificar com o que poderiam ter sido feitas. Percebendo para onde olhava, ela reagiu, puxando a manga da blusa por sobre o local.

O Morelli se perguntou se ela algum tipo de maluca masoquista.

– Seu pai é alguém sem nome e sem rosto, Tiago. Ele utiliza de uma identidade secreta para realizar seu trabalho, e queremos entender exatamente o que ele faz. – Suspirou, massageando o pulso anteriormente exposto. – Pode ajudar a provar que seu pai é um dos mocinhos ou a denuncia-lo se for o vilão. De um jeito ou de outro, precisa ser descoberto.

– Por quê? – indagou, não seria tão difícil entrar nessa história, com toda a imaginação fértil da garota.

– Essa é a questão, não é? Bem, espero que esteja satisfeito se eu apenas esclarecer que meu trabalho nada tem a ver com Jorge.

– Muito satisfatório – murmurou. – Como posso ajudar?

– É assim que se fala! – Ela espalmou as mãos no balcão. – Eu tenho um plano.



O pensamento de Tiago naquele momento era de que talvez tivesse ido longe demais e que Amanda tinha sérios distúrbios mentais. Ambos estavam dentro de um carro preto estacionado em frente à casa de Tiago, no lado oposto da rua.

A casa estava silenciosa, exceto pela porta da varanda do quarto de seus pais, de onde se podia ver uma luz acesa.

– Certo, Amanda, isso é loucura. Meus pais obviamente estão muito bem ocupados lá em cima, vamos dar o fora.

– Está com medo? – ela indagou, abrindo o sorriso típico.

– Só estou dizendo... – Virou-se de lado no banco do motorista, ficando de frente para ela e aproximando-se. – Que poderíamos fazer coisas mais interessantes do que ficar aqui esperando meus pais terminarem a parte interessante.

O portão da garagem foi aberto assim que ele fechou a boca, e observou enquanto o carro de seu pai saía, e então seguia pela rua. Tiago permaneceu parado, fitando a rua novamente vazia e silenciosa.

– Vamos – Amanda disse, abrindo a porta do carro.

– Ei, não devíamos seguir ele de carro?

– Seu pai não saiu de casa, era uma distração, ele ainda está no quarto.

– E você quer espionar o quarto dos meus pais? Não vamos fazer isso, Amanda.

– Eles apagaram a lâmpada, sua mãe já deve estar dormindo, não vamos encontrar nada indesejado.

– Como pode ter tanta certeza? Uma luz apagada não diz nada, as pessoas... – Amanda colocou o indicador sobre a boca do moreno.

– Você disse que seu pai recebeu uma ligação, e eu tenho informações de que ele trabalhará hoje. Vamos lá, confie em mim.

O Morelli olhou-a por um instante, deslizando a mão até a dela que estava sobre sua boca. Tirou-a dali e puxou para si, utilizando como apoio para desequilibrar Amanda e trazê-la para perto.

– Por que tivemos que esperar aqui fora se ele trabalharia na minha própria casa? – sussurrou contra seu rosto.

– Porque ele não faria isso em casa, se nós estivéssemos lá – respondeu, no mesmo tom de voz baixo, com os olhos mais abertos que o normal.

Ela afastou-se, e soltou o ar de uma vez, fazendo o moreno dar uma risadinha.

– Certo, então vamos.



Tiago costumava pular, quando era criança, da varanda de seu quarto para a do quarto de seus pais, já que uma parede as dividia; mas havia algo de mais intenso em fazer isso durante a noite, com uma garota e sem saber o que encontrar do outro lado.

Ele não conseguia imaginar em qual ramo uma pessoa trabalharia em seu próprio quarto, e no escuro. Em sua mente só surgiam coisas sem noção, como hipnose, mas ele também nunca vira ninguém ficar rico com hipnose, e muito menos acreditava nesse tipo de coisa.

Jogou o corpo para o lado de fora e segurou-se no parapeito, movendo os pés devagar. Certo, ele não fazia isso há anos, mas não havia como desaprender.

Já do outro lado, observou enquanto Amanda o imitava. Ela era mais ágil e firme, fazendo-o pensar se costumava invadir lugares com frequência. Fez uma nota mental para perguntar isso depois.

Eles se moveram até a porta da varanda, mas a cortina estava fechada. Tiago encostou a mão ao vidro para abri-lo, e se surpreendeu ao notar que a porta estava fechada. Era noite, mas, mesmo assim, era a primeira vez que encontrava a porta da varanda do quarto de seus pais fechada.

Todas as portas da casa tinham chaves sobressalentes, e ele as havia pegado por precaução, agradecia por isso agora. Amanda tomou a frente, pegando as chaves de sua mão, destrancando e abrindo apenas um pouco a porta.

Depois de alguns segundos, para a surpresa de Tiago, ela abriu a porta de uma só vez e afastou as cortinas. Ele já começava a pensar em desculpas para explicar aos pais o motivo de estar ali, quando viu a cena à sua frente.

Sua mãe estava deitada na cama, dormindo profundamente. De pé, ao seu lado, estava Vinícius, com os olhos azuis arregalados e vidrados. Demorou algum tempo para que Tiago conseguisse retirar os olhos da expressão estática de seu pai e observar o brilho que provinha de sua mão, sobre a qual um globo de luz branco leitoso permanecia flutuando.

– O que...?

– Apenas o observe – pediu Amanda.

Vinícius mexeu os dedos levemente e o globo girou, mesmo que não tenha ocorrido nenhum contato. Tiago sentiu um fio de suor escorrer por suas costas, enquanto o que via o paralisava.

O corpo do homem amoleceu e começou a cair, mas antes que qualquer baque fosse ouvido do peso dele contra o chão, ele desapareceu. Simplesmente sumiu num piscar de olhos.

– Pai – Tiago soltou.

Caminhou até dentro do quarto, deu a volta na cama e olhou para onde Vinícius deveria estar caído.

– Pai – repetiu.

Sentiu a mão de alguém – provavelmente de Amanda – segurar seu cotovelo e puxá-lo para fora, mas sua mente não conseguia processar o que havia acontecido segundos antes. E nem o que viu logo em seguida.

Do lado de fora, onde antes havia apenas a vista habitual da varanda, estavam dezenas de globos de luz azuis e brancos, vibrando e flutuando, sem que qualquer força visível os controlasse.

Notas finais
Bolinhasssss (ou globos ou esferas) o.o Alguém chuta o que são? aahuahauh Conseguem imaginar qual é o trabalho do pai do Tiago? >< E o que acharam dessas pontinhas da vida dos nossos protagonistas? :3 Beijos, e até o próximo, amores s2