O Dominador de Sonhos
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Vila Velha, 03 de dezembro de 2010
— O que a mãe de Tiago poderia ter a ver com isso? — objetou Alexia.
Vinícius não tirava os olhos de Patrícia, parecia triste. A mulher retomou a palavra.
— Descobri depois que ela era uma garota que estudou conosco em Manaus, e que foi amiga de Vinícius. Ela também foi afetada.
— Bianca pode controlar mentes, ou pelo menos fazer as outras pessoas pensarem que devem agir de determinada forma. Mas o alvo não sabe que foi controlado mesmo depois de ser liberto do controle — ele explicou melhor.
— Ela te controlou para ter um filho, não foi? — Patrícia se aproximou e abaixou em frente à poltrona na qual o Morelli se sentava. — Por que se casou com ela, Vinícius?
— Nós fizemos um acordo. — Ele estendeu a mão para uma mecha do cabelo de Patrícia. — Eu disse que me casaria com ela se fosse ter acesso ao dinheiro e ao seu poder para conseguir encontrar Thaís. Por algum motivo, sempre que eu voltava ao passado, Thaís estava um passo à frente. Cometi um ato desesperado, fui inocente em acreditar que Bianca era a mesma garota de quando éramos crianças.
Alexia não queria atrapalhar o momento deles, mas também queria entender o que estava acontecendo. Os dois pareciam estar se entendendo, mas não conseguia tirar da cabeça que a tal mulher estava muito próxima de pegar Tiago.
— Só me expliquem uma coisa: por que agora você está fora do controle dela?
— Bianca viajou a trabalho. — Patrícia abriu um sorriso maldoso.
— Twennis… — Ela interrompeu o homem com um balançar da mão.
— Só me disfarcei e a fiz sair por uns tempos. Nunca antes ela havia aceitado um convite meu, até estranhei.
Vinícius franziu o cenho, tentando entender. Um silêncio se instalou no cômodo por alguns instantes.
— Por que você acha que Tiago nasceu amaldiçoado? — Alexia soltou o que estava em sua mente desde que ouvira aquilo.
Os brilhantes olhos azuis se desviaram para ela, e o Morelli abriu um sorriso triste. Depois se voltou devagar para Patrícia, deslizando a mão para o rosto da mulher.
— É verdade que minha família sempre sabe com quem deve começar e terminar a vida. Há um tabu de que se tivermos filhos com outra — ou outro —, eles serão amaldiçoados.
A morena suspirou, colocando a mão por cima da dele e retirando-a dali. Encarou Vinícius por um instantes, e depois foi até Alexia.
— Temos que ajudar Tiago antes que seja tarde. Vamos precisar de você, pequena Lexi.
A loira assentiu, ainda tentando colocar sentido em toda a história que havia acabado de ouvir. Seria algo que seu pai contaria com seu jeito de trata-la sempre como o “seu bebê”. Assim que completou esse pensamento, assustou-se junto aos outros quando a porta foi bruscamente escancarada.
— Onde está a minha filhinha?
O pai de Alexia levantou as sobrancelhas para a cena à sua frente. A menina agradeceu por Patrícia não estar mais tão próxima de Vinícius.
— Vinícius Morelli? — Geraldo colocou as malas no chão e fechou a porta, indo até a cozinha. — Aconteceu algo com Tiago? — indagou, parecendo sinceramente preocupado.
— Nada demais. — O Morelli sorriu. — As notas dele na escola estão caindo e resolvi pedir para sua filha insistir em ajuda-lo.
— Mesmo? — Fitou Alexia. — Espero que tenha dito que fará esse favor, Ale.
Ela assentiu. O pai sabia que estavam mentindo, mas talvez não quisesse interferir no assunto.
— Já vou indo, tenho muito trabalho. — Vinícius olhou para Patrícia, que moveu a cabeça em silêncio. — Até uma outra hora.
— Geraldo, eu avisei Melissa que sairia mais cedo hoje, é o aniversário da minha menina. Espero que não tenha problema — Patrícia disse ao patrão.
— De forma alguma, Paty, já fez um ótimo trabalho. Mande parabéns à ela.
Alexia e Vinícius encararam a mulher rapidamente e desviaram o olhar, ambos sabiam que ela não poderia passar o aniversário de Amanda com a mesma. A morena beijou a testa de Alexia e saiu com o Morelli.
— Ainda estou esperando meu abraço, Al.
Lexi sorriu, indo até onde o pai estava e sendo esmagada por seus grandes braços e barriga saliente.
— Como foi a viagem?
Ele trabalhava em Minas Gerais com conserto e manutenção de trens e ferrovias, viajando de tempos em tempos.
— Ótima, mas tive que voltar antes da hora quando sua mãe me ligou.
— Ligou? — Ficou confusa. — Pra quê?
— Pra me avisar que a nossa filha estava prevendo o futuro.
–X-X-X-
Amanda abriu os olhos em sua forma original. Fora difícil convencer Tiago que ele deveria ficar lendo as supostas informações investigativas enquanto ia até algum lugar esconder o corpo que ficaria sem vida. E, mesmo assim, o máximo que conseguiu foi ir algumas quadras para longe do prédio e cair em um beco qualquer.
Usar seu poder para transferir-se para uma casca falsa era cansativo e, por vezes, características do corpo original apareciam nela. Quando a ferida apareceu em seu pulso, teve certeza de que deveria descansar. E, além disso, Thaís a havia convocado.
— Bem a tempo, Amanda.
Virou a cabeça lentamente em direção à voz de Thaís, e uma sensação de surpresa a invadiu ao ver Patrícia parada ao lado da outra mulher. Sua mãe parecia bem mais velha que a última vez que a vira — e não era por menos, já fazia 19 anos.
Patrícia entrou rapidamente no local e se ajoelhou ao lado da filha, com os olhos cheios de lágrimas.
— Amanda — disse. — O que ela fez com você?
— Não é nada. — A garota abriu um pequeno sorriso, sentindo os cantos da boca endurecidos.
E não era mesmo. Apesar das feridas, as correntes não a machucavam de fato, apenas deixavam-na fraca e davam a sensação de que estava fora de seu corpo — o que era verdade, na maior parte do tempo. Apenas quando se encontrava de mau humor, resmungava pela prisão e lançava reações maldosas contra Thaís.
— Fiquem à vontade — disse Thaís, com a voz estranhamente alterada antes de voltar pelo corredor. — Levem isso como um presente de aniversário.
— Eu não acho que ela vá me deixar ficar aqui por muito tempo. — Patrícia afirmou, enquanto tomava o rosto da filha nas mãos. — Então me ouça: você tem que parar o que está fazendo, deixe Tiago em paz.
— Mãe. Estou morrendo. — Se perguntou se era estranho para a mãe ouvir aquelas palavras serem ditas com tanta naturalidade. — Se não conseguir o que Thaís quer, será definitivo.
— Nós estamos nos juntando, nós viremos te tirar daqui. Eu prometo.
— Não há maneira de me tirar daqui fisicamente. As correntes me matariam imediatamente.
A mais velha olhava com pena para Amanda, que resistia a fechar os olhos diante do carinho em sua bochecha.
— Nós vamos dar um jeito — repetiu. — Apenas pare de fazer o que está fazendo.
— Eu não vou.
— Amanda!
— Não me peça para ficar sentada aqui esperando a morte, mãe! Passei dezenove anos com Thaís, e o motivo deve ser realmente importante para ela fazer tudo isso! Não é o fim do mundo.
— Você não sente? — O tom de Patrícia havia mudado e ela deixou as mãos escorregarem até caírem nas laterais de seu corpo. — Essa sensação de que ela trará algo terrível junto do que quer que esteja buscando?
A mais nova espantou do pensamento os pesadelos que tinha quase todas as noites com o fogo e os olhos negros que se abriam no caos.
— Eu não acho que ela seja tão ruim quanto você pensa.
Embora Thaís estivesse fazendo Amanda passar por tudo aquilo, ela passara tempo demais com a mais velha para não entendê-la pelo menos um pouco. Lembrava-se de sua infância, quando a mulher a observava brincar entre as árvores e acenava sorridente de longe. Ou mesmo agora, quando achava que Amanda estava dormindo e se agachava em frente ao seu corpo frágil, acariciando seus cabelos castanhos. Às vezes, parecia que Thaís se arrependia de tê-la colocado naquela situação, mas que seus motivos eram muito fortes para desistir.
— Olhe o que ela está fazendo com você. — A voz exasperada de sua mãe a trouxe de volta para o presente. — Como pode falar dela como se sentisse afeto? Como se... como se ela fosse uma espécie de mãe? — Sua voz saiu falhada na última palavra.
— Mãe, eu não...
Suas palavras foram cortadas pela chegada de Thaís, que puxou Patrícia para longe. Observou a mãe ser levada, com sua consciência oscilando entre a realidade e a lembrança de quando a viu pela última vez em sua infância. Mas dessa vez, enquanto a Patrícia era arrastada para longe fitando-a, foi Amanda quem disse as palavras num sussurro:
— Eu te amo.
Sentia algo contra seu rosto e um leve sacolejar por todo o corpo. Amanda lentamente identificou braços ao seu redor. Levantou as pálpebras, e viu uma cabeça logo acima da sua.
— Leonardo?
O garoto parou e virou os olhos para ela, estatelado. Sentiu as mãos dele apertando seu ombro e perna esquerdos levemente.
— Amanda. — Soltou num suspiro aliviado.
— Leonardo? — Ela arqueou uma sobrancelha.
— Amanda! — repetiu abrindo um sorriso largo e colocando-a de pé.
— O que foi isso?
— Estou me perguntando o mesmo. Vinha caminhando na volta da academia e te encontrei caída em um beco, com a pele fria e os batimentos cardíacos muito fracos. Estava te levando para algum lugar onde meu celular tivesse área para chamar uma ambulância.
— Eu só estava dormindo — a garota disse casualmente.
— Dormindo em um beco?
Ela assentiu. Ele deu de ombros.
— Certo. Já que tecnicamente está me devendo uma, me deixe te mostrar uma coisa muito louca?
— Não estou te devendo nada. — Amanda sorriu. — Mas estou tentada a te seguir.
Eles começaram a caminhar lado a lado.
— É assim que conquista as suas garotas?
— As minhas garotas? — Leonardo soltou uma risada. — Não, esse é Tiago.
Amanda ergueu uma sobrancelha.
— Sério? No tempo em que ficamos juntos ele não me pareceu particularmente bom em conquistas.
Leonardo pareceu profundamente confuso.
— Ele não costuma ser tão calmo.
— Ou talvez seja um desafio muito grande para o garoto.
Leonardo a olhou de esguelha. Por vezes, ela se esquecia de que seu corpo falso era de uma garota mais jovem que Tiago, então a forma como se referira ao Morelli deveria ter soado estranha para o outro. Repreendeu-se mentalmente.
— Estou tentado a descobrir.
Amanda foi pega de surpresa, percebendo que não era nada do que estava pensando. Enfiou as mãos nos bolsos de trás de sua calça, com um sorriso querendo se abrir em seu rosto.
Mas seu companheiro ficou sério subitamente, fazendo a sensação estranha passar.
— Leo?
— Olhe isso.
A Twennis observou onde haviam chegado. Era um pátio amplo e vazio circundado por prédios, onde não havia nada além de lixo e entulhos ali. Enquanto percorria o local com os olhos, uma coisa chamou sua atenção: uma das lixeiras azuis de plástico estava se aproximando a alguns centímetros do chão.
Virou-se para Leo e a expressão de concentração dele fez tudo se encaixar.
— Telecinese? De todos os lugares para ser afetado, justo a glândula pineal?
— O quê? — ele indagou.
O barulho da lixeira batendo contra o chão ecoou pelo lugar.
— Perdi a concentração, droga. — Virou-se para Amanda. — O que foi que disse?
— Glândula Pineal. Fica no meio da cabeça. É o núcleo dos poderes psíquicos.
— Eu estudei biologia no ensino médio, sabia? O que quis dizer com “ser afetado”?
— Ninguém ensina sobre poderes psíquicos no ensino médio. E ninguém se lembra da biologia do ensino médio também. — Ela enrugou o nariz.
Afirmou aquilo com convicção, mas Amanda nunca estudara em um colégio, então só sabia de como as coisas eram teoricamente, baseado no que Thaís falava. A expressão dele pareceu confirmar que a informação era correta.
— Você se lembra. — Ele ergueu as sobrancelhas em desafio. — E eu sou curioso, faço medicina, e ainda farei pós em neurologia, então não vou me esquecer disso. Agora pare de me enrolar, Amanda.
— Admita, você está tentando me conquistar, garanhão. — Ela abriu um sorriso largo.
— Amanda...
— Mas você não tem cara de neurologista. Melhor dizendo, não tem cara de médico.
— Meu deus! — O garoto segurou os cabelos e se virou de costas para ela. — Não preciso ter cara, só quero entender isso!
Amanda soltou uma risada, antes de responder.
— Certo, desculpe. Vou explicar em um lugar melhor.
O humor dele pareceu melhorar instantaneamente, e foi quando notou que Leonardo estava brincando. Talvez não iria conseguir entender essas coisas tão rápido.
— Tipo um restaurante? Está me chamando para sair? — O garoto ondulou as sobrancelhas.
Ela revirou os olhos.
— Tipo uma padaria com um bolo bem grande de queijo com goiabada. Vai servir para comemorar.
— Pensei que garotas gostassem de chocolate quando estavam de TPM — disse enquanto a seguia na direção da avenida.
— Cansei depois de um tempo. É a melhor parte em se estar sempre de TPM.
Leonardo abriu um sorriso e balançou a cabeça.
— E vamos comemorar o que exatamente? O fato de estar saindo com o mais novo super-herói?
— Super-herói? — Ela ficou de frente para ele, andando de costas. — Não... O aniversário da super-heroína aqui. — Sorriu enquanto mexia a cabeça, sua aparência se modificando a cada posição.
Ele estancou na calçada, boquiaberto. Então estava preparado para se gabar pela telecinese, mas não podia ver uma mudança simples de aparência. Imagina se soubesse a história toda.
— Vamos, Leo. Você não deve ter achado realmente que era o único privilegiado no mundo.
Leonardo abriu um sorriso tímido no mesmo instante em que os dois ouviram uma buzina estridente e olharam para o carro em alta velocidade. Amanda foi jogada para a calçada atrás de si de forma sobrenatural, milésimos de segundos antes de ser atingida.
O garoto sentia todo seu corpo pulsar e seu cérebro parecia estar sendo sugado para uma parte ainda mais profunda de sua cabeça. Ele sabia que alguma coisa estava quase ruindo em seu organismo.
— Amanda — murmurou.
Estava em pé na calçada, e vendo-a caída na outra. O motorista não havia nem parado para ver se estava tudo bem; em vez disso, seguira direto soltando palavrões.
Pontinhos pretos dançavam em sua visão e suas pernas não obedeciam ao comando do cérebro. A coisa mais pesada que havia movido tinha sido sua irmã, talvez por isso aqueles efeitos colaterais mais dolorosos. Será que era esse o preço pela telecinese?
— Amanda — disse mais uma vez.
Ela não respondia e ele não sabia o porquê. Havia empurrado ela para longe do carro num ato instintivo e na hora certa.
Meio entorpecido, moveu-se até Amanda, se agachando ao seu lado. Piscou algumas vezes para ter certeza do que estava vendo. As mangas da blusa da garota estavam encharcadas de sangue nos pulsos. Ela estava desacordada e muito pálida.
Ele chamou uma ambulância e ficou ali, com medo de encostar em qualquer parte e acabar piorando a situação. Tudo o que aprendera na faculdade parecia ter sido retirado de sua cabeça.
Acompanhou-a até o hospital, observando o trabalho das enfermeiras. Elas levantaram o tecido molhado dos pulsos, revelando uma mistura de sangue fresco e carne triturada. Nunca havia visto machucados como aqueles, nem mesmo no hospital em que estagiava, onde chegavam pacientes com todo tipo de rasgos e infecções. Aparentemente, uma das mulheres também parecia incrédula enquanto limpava os ferimentos.
Quando finalmente retiraram todo o sangue, que por algum motivo havia parado de fluir, Leonardo reparou nos cortes profundos que iam até os ossos. A cena o deixou nauseado. Já havia visto situações bem feias, não era isso exatamente que o incomodava; era o fato de ser Amanda ali.
Escondeu a cabeça nas mãos. Só conseguia pensar em uma resposta para aqueles ferimentos, e isso foi o suficiente para saber que precisava controlar melhor a telecinese. Seus instintos já estavam se aproveitando dela, e não tinha a menor ideia de até onde os efeitos colaterais podiam chegar, quando até mesmo machucava aqueles ao seu redor.
–X-X-X-
Tiago olhava a fachada da casa de Alexia com atenção. Já era noite, e Amanda ainda não tinha voltado. Por isso estava ali, tomando ar puro e olhando para o céu, enquanto uma lembrança invadia sua mente.
Se encontrava deitado ao lado da loira no gramado de sua casa com os ombros encostados. A brisa da noite não era gelada e ambos podiam ouvir as ondas batendo contra as rochas.
— No que está pensando? — ela indagou.
Ele se apoiou em um dos cotovelos e deu um sorriso de lado.
— No quanto você é linda.
Alexia soltou uma risada nervosa e continuou fitando o céu. O Morelli se repudiou mais uma vez, não pela primeira e nem pela última vez, por fazer aquilo. Sabia o que causava nela, mas as coisas pareciam sair de controle.
Tentou consertar aquilo voltando a deitar com as costas no chão.
— E você?
— Que às vezes me sinto sufocada. — Tiago olhou para ela de soslaio, esperando a explicação. — Quando a noite está nublada, olho para o céu e as estrelas estão cobertas pelas nuvens escuras. É como se fôssemos privados de toda a grandiosidade do universo.
— Isso é bastante poético.
— É, não é?
— E ambicioso.
— O quê? — Ela parecia irritada.
— Com todo esse mundo, você ainda quer acesso ininterrupto ao universo.
— Ninguém tem acesso ao universo.
Tiago sorriu sozinho, enquanto ouvia a risada do Sr. Favalessa escapar pelas janelas abertas. Fitou o celular mais uma vez, decidindo se devia ligar, mas não teve muito tempo para pensar, já que a garota saiu de casa e sentou no meio-fio, parecendo preocupada.
Seus pés se moveram sem comando, indo em direção a Alexia. Antes que a alcançasse, viu os olhos acinzentados se levantando para seu rosto, parecendo surpresos.
— Tiago?
Não respondeu, não precisava. Para seu espanto, ela se levantou com raiva, batendo os pulsos estranhamente fracos contra o peito do moreno.
— Seu estúpido! Estamos todos te ligando há horas! Por onde você andou? Idiota!
— Alexia — chamou. — Alexia, por que está chorando?
— Eu não sei! — berrou, sem se preocupar com quem pudesse ouvir. — Talvez porque acabei de chegar do hospital e estou assustada demais com o que vi lá.
Tiago a puxou para um abraço, embora ainda não entendesse. Acariciou seus cabelos com uma das mãos, utilizando a outra para dar-lhe apoio segurando em sua cintura. Fechou os olhos, sentindo o cheiro indescritível da loira.
— Por que foi no hospital, Lexi? — perguntou com delicadeza.
— Porque Leo estava lá.
O corpo dele se retesou e a apertou mais contra si instintivamente. Sentia-se em choque enquanto mil possibilidades do que poderia ter havido com Leo passavam por sua cabeça.
— Não. — Ela parecia tentar pensar com mais clareza. — Não aconteceu nada com ele. Foi Amanda.
Aquilo não melhorou sua tensão. Na verdade, seu coração acelerou, e Alexia pareceu ter notado ao levantar a cabeça.
— Não sei o que aconteceu entre vocês esses dias, mas sinto muito, Tiago. Amanda... ela... ela está morta.
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