O Doce Sadismo

1 Capítulo Único - Algo mais Doce.


Notas iniciais
É minha fic para o desafio "Heróis e Vilões", minha escolha, obviamente, foram os vilões. Mesmo que para mim não existam heróis ou vilões, cada um luta pelo que acha certo, são heróis para si mesmos e para os que o apoiam, mas são vilões para aqueles que não pensam como ele.

Capítulo Único — Algo mais Doce.

As sirenes ressoavam alto nos ouvidos de Joker, ou Coringa, ou Palhaço do Crime, entenda como quiser. Ele corria o mais rápido que podia, desviando agilmente das luzes que faziam buracos na escuridão noturna em busca de sua figura em rápido movimento. Ele estava fugindo da prisão novamente, e dessa vez, jurou que não mais voltaria até que cumprisse seu objetivo. Vingar-se de quem o colocou lá, Batman. Ele pulou os portões, em seguida correndo como um louco pelo terreno ao torno da prisão, ele estava ofegante, mas sabe que conseguiu, ele corre mais e mais, sem mais controle de suas pernas, que agem por si mesmas em busca da tão esperada fuga, até que...

Acorda. Era só uma lembrança. Aquilo ocorreu ontem, agora ele está andando pelo alto de um prédio escuro e alto, em uma noite aparentemente comum, pensando em uma maneira de conseguir fundos para executar seu plano. Mas ele não sabia que essa noite mudaria sua vida para sempre. Foi então que ele avistou algo que ninguém mais veria. Um homem, parecia ter em volta de trinta e poucos anos, barba por fazer, cabelos loiros bagunçados, um terno marrom amassado e manchado de bebida. Ele estava em pé no parapeito do prédio, lágrimas desciam por seu rosto, umedecendo sua pele clara. Ele segurava uma foto que Joker não pôde identificar à primeira vista, mas então viu que era a foto de uma garotinho loiro de seis ou sete anos de idade, com olhos verdes profundos e um sorriso inocente no rosto, o mesmo que fora morto no meio do fogo cruzado entre policiais e criminosos, conflitos como esse haviam aumentado em quantidade colossal com o sumiço do Batman, que havia sumido por três meses e sem explicação aparente, e nem mesmo havia tentado dar alguma satisfação aos habitantes de Gothan, disse apenas que: "vocês deveriam parar de agir como se tudo fosse culpa minha, não me culpem por sua incompetência."

– Não me culpe por sua incompetência?! — Gritou o homem, claramente alcoolizado. — Pois não nos culpe por sua falta de responsabilidade! Como alguém se chama de herói, se pensa em si antes de pensar nos outros?! Batman não é um herói, é um vilão dos piores!

Quando o homem ia pular, Joker usou um pouco de seu gás do riso, fazendo com que o homem risse até desmaiar, caindo nos braços de Joker, que o fitou um pouco, mesmo o sorriso forçado do gás do riso ficava belo no rosto do homem.

Francesco acordou em uma cama desconfortável, em uma sala mal-iluminada, e o pior, com o grande vilão de Gothan olhando diretamente para ele.

– Ahhh! — Gritou, mas teve sua boca tampada pelo vilão.

– Não vou machucar você, Francesco.

– C-Como sabe meu nome?

– Estava na sua carteira. — Disse ele, e Francesco podia jurar que o Joker parecia estar...envergonhado.

– S-Se não vai me machucar, o que quer comigo?

– Eu...acho que podemos ajudar um ao outro.

– Eu não quero a ajuda de um vilão como você! — Disparou Francesco, sem pensar, mas o que Joker disse em seguida o calou.

– Aquele que você chamava de herói hoje parece um vilão para você. Por que você me julga como vilão, mesmo sem saber de meus motivos?

– E-Eu...me desculpe.

– Tudo bem, mas, voltando ao assunto — Começou Joker, parecendo mais animado. — Acho que poderíamos unir forças para nos vingar do Batman.

– Olha...Embora eu quisesse muito acabar com a raça daquele maldito, eu não poderia ajudar, eu...não sirvo pra isso.

– Não se menospreze, Francesco, com minha mente e seu dinheiro, nós podemos fazer algo grande, podemos...Matá-lo!

Francesco pensou sobre isso por alguns instantes. Ele nunca havia pensado em matar alguém. Mesmo com seu ódio sobre Batman...

– Eu topo. — Disse Francesco, com um brilho no olhar que fez com que Joker sentisse um frio no estômago, uma sensação nova para ele...atração.

Os meses seguintes foram de preparações entre Francesco e Joker. Realmente, Joker tinha as ideias, Francesco tinha os meios de colocá-las em prática, eles eram uma dupla perfeita, e o trabalho em equipe tornou eles extremamente próximos. Eles viraram comparsas, parceiros, amigos e...ambos queriam saber o que mais.

– Ok, vou avisar à ele. — Disse Francesco no telefone. Em seguida desligou o aparelho e se voltou para Joker. — Bruce está na van, ele pensa que está indo para uma entrevista sobre seu sumiço ou algo do gênero.

– Ótimo, Francesco, estou realmente confiante de que tudo dará certo. — Disse Joker, e com um tom tímido falou. — Sabe...hoje faz seis meses que estam...digo, que trabalhamos juntos.

– Pois é, né? — Retrucou Francesco, corando. — Quero que me prometa uma coisa...

– O-O que? — Perguntou Joker confuso.

– Depois que o plano der certo e o Batman estiver morto... — Começou Francesco, e relutantemente completou. — Não me deixe pra trás. Eu...não quero que esse plano seja a única ligação entre nós.

Joker não respondeu, apenas assentiu com a cabeça e olhou para Francesco de cima à baixo. Ele usava um blazer risca-de-giz sobre uma blusa de gola "V" de algodão. Calça social preta justa com um cinto de couro escuro e sapatos sociais pretos e lustrosos. Seus cabelos eram loiros e estavam arrepiados de maneira rebelde, contrastando com seus olhos verdes profundos que transmitiam a calma de um rio parado, ao ver Francesco lá, tão lindo, Joker imediatamente sentiu-se inferior. Mas uma frase de Francesco trouxe seu ânimo de volta:

– Vamos pegar aquele morcego filha da puta, não tem nada mais doce que a vingança.

Assim que Bruce entrou no prédio, um luxuoso edifício, que servia praticamente apenas para disfarce. Ele foi amarrado e espancado, completamente imobilizado. Foi levado até um quarto onde estavam Francesco e Joker, lá, foi despido, e colocado dentro do objeto-chave do plano, um morcego gigante de bronze.

– Me deixem sair! — Gritava Bruce de dentro do morcego gigantesco. — Eu pago a quantia que quiserem, não me deixem morrer!

– Deveria ter pensado em ser prestativo quando as pessoas precisavam de você — Retrucou Francesco. — Agora, não nos culpe por sua incompetência.

Bruce chorava alto, e gritava como um louco, gritava como...Como Joker costumava gritar antes. Mas algo havia mudado, algo havia melhorado sua vida. E esse algo estava ali ao seu lado, o ajudando em seu plano mirabolante. Foi então que ele percebeu.

– Francesco...eu te amo.

Francesco se virou para Joker, inicialmente vermelho de vergonha pela repentina declaração, mas então ele fechou os olhos e sorriu.

Um guindaste ergueu o morcego até o centro de Gothan, onde as pessoas pararam tudo que estavam fazendo para contemplar a "homenagem" ao herói de Gothan, sem a menor ideia do que estava acontecendo na verdade. De repente a face do Joker apareceu em todos os telões, que não eram poucos, de Gothan, onde ele falou, em um tom regado de sadismo e crueldade:

– Pesquisas mostraram que os principais atrativos de Gothan são sua culinária pra carnes e churrascos e seu super-herói, Batman, por isso, resolvemos juntar os dois em um só grande atrativo, aproveitem!

Enfim aconteceu, as chapas de bronze do morcego gigante se aqueceram subitamente, causando queimaduras terríveis no herói que se encontrava lá dentro. Ninguém viu isso, mas todos sabiam. Os gritos horríveis que saiam tanto do morcego quando da população horrorizada puderam ser ouvidos em toda a Gothan, assim como o cheiro de carne humana tostada que invadiu o ar de Gothan, fazendo com que pessoas vomitassem apenas de respirar, uma morte, uma reação em cadeia.

– Conseguimos! — Gritou Francesco, abraçando Joker.

Então, ambos aproximaram os rostos, suas respirações podiam ser sentidas, o eles não estavam soltando faíscas de amor, não estavam levitando, mas sentiam como se estivessem, e era isso que importava. Joker se aproximava cada vez mais de Francesco, mas uma dor excruciante invadiu suas costas, três locais distintos. Três ferimentos distintos, balas.

Os mercenários contratados por Joker e Francesco para atrair, amarrar e imobilizar Bruce haviam disparado nas costas de Joker, o alto calibre das balas fez com que eles ainda atingissem Francesco, que estava à sua frente. Joker caiu no chão, sangrando e chorando, mas não de tristeza, de alegria, de um dia ter estado tão perto do amor verdadeiro. Francesco faleceu em seguida. Ele também chorava de alegria, havia perdido seu filho, sua mulher, pensava não ter mais uma razão pra viver, mas tornar o sonho de quem ele amava possível era o único objetivo do qual ele precisava. Nenhum deles havia vivido uma vida exemplar, nenhum deles havia sido um herói para o povo. Mas para eles, um era o herói do outro.

Joker queria poder dizer que a lição que aprendeu foi de que o crime não compensa, e que é errado trazer as pessoas para o mal caminho, mas ele não ligava pra essas coisas, a única lição que ele havia aprendido de verdade era uma:

"Existe sim algo mais doce que a vingança, o amor."

Notas finais
Ok, feito, espero que gostem. Beijos pra vocês, eu acho. e-e' De bônus vai uma dica pra uma música pra ouvir enquanto lê. No Ordinary Love - Memphis May Fire (se quiser um clima mais deprê e chorar um pouco). Ou B Team - Marianas Trench (se quiser algo mais engraçado e fofo e chorar do mesmo jeito).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.