O Diário de Reginna Marianna Bellacqua
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Hospedaria de Geffen.
Eu acho que era 1º de Julho, quando estive reunida com os 2 ao mesmo tempo, pela primeira vez....
Logo de manhã, eu estava discutindo com o John, quando o fantasma do tão falado Dio apareceu na janela do quarto onde estávamos hospedados, em Geffen. Quero dizer, onde EU estava hospedada...
Sem mais nem menos, o fantasma desse garoto de 20 anos começou a arrastar o John, e em poucos segundos, o sacerdote que eu conhecia a pouco (mas que já havia conseguido me irritar) havia sido levado para o Inferno, pelo ultimo alvo de seus exorcismos.
Como achei muito mais do que justo (Não me culpe. O John havia exorcizado o Dio, e ele era amigo da Mel, minha irmã...), não movi nem um dedo para ajuda-lo.
Só fui vê-los novamente, mais para a tarde... Eu estava sentada numa das camas do meu quarto da hospedaria, quando ouvi um choro lá em baixo...
Confesso, eu achei muito estranho. Não é comum aceitarem crianças pequenas no hotel... Muito menos permitirem que elas façam birra.
“Será que ninguém vai fazer nada pra fazer a criança ficar quieta?” Pensei, enquanto guardava meu livro.
Levei um susto. O John se materializou para dentro do quarto, só de calça... Olhei-o... Tá, ele pode não ter a melhor personalidade, mas é bem bonito... Já disse que ele tem cabelo castanho escuro, curto? E apesar de ser um sacerdote, ele é bem fortinho... Certo, também não posso me esquecer daquela tatuagem que ele tem, um hexágono...
- Já voltou, é? – Olhei pra parede. Não acredito que estava com vergonha, só por ele estar sem o terno que ele insiste em usar.
Aham...
Não agüentei mais e o encarei.
- Que tal colocar o terno? – Sugeri, apesar de preferir que ele continuasse dessa forma... Não venha pensar besteiras! Ele apenas é bonito, só isso.
- Não estou com ele... – Ele me pareceu meio envergonhado. Ta bom, finjo que acredito.
Me recostei na parede. Estava começando a ficar desconfortável...
-Tem alguma criança hospedada aqui? Eu ouvi um choro... – Falei, na pior tentativa que existe de puxar papo.
- Aham, e estava correndo atrás de mim. – Epa, parece que puxei a conversa pelo lugar certo!
- Séri... – Não pude terminar a frase. Um garoto pequeno, de uns 7 anos entrou no quarto, enxugando suas lágrimas no que parecia ser o terno do John...
- T-toma, seu chato! – O garotinho estendeu o terno na direção do John. Realmente, a situação me fez ficar com pena dele...
O John, como a pessoa que sensível que ele é, pegou o terno sem nem olhar na cara do menino.
- Aí ele. – Disse o John, como se o menino fosse um Poring.
Olhei melhor para o menino... Ele me parecia estranhamente familiar... Peraí!
- Por que esse menino parece com o Dio? – Perguntei.
Por alguns segundos o garoto parou de chorar e me olhou com uma expressão que me pareceu algo: “Só agora você percebeu que sou eu?” e depois voltou a chorar, fazendo mais barulho que nunca. Enquanto essa pequena cena acontecia, o John vestia seu terno... Aquilo era tão irritante! Dia após dia, lá estava ele, com aquele maldito terno...
De repente, ele me olha sem expressão e para a grande surpresa ele diz:
- Quem é você?
Ele só podia estar brincando.
- Já me apresentei. – Sorri meio sem graça. Será que eu sou tão fácil de esquecer?
Ele me olhou dos pés a cabeça
- Não me lembro de você.
Eu NÃO acreditei. Depois de a gente ter lutado porque ele ficou acusando a mim e ao Dhaos de termos aberto Niffheim, ele vem e diz que não se lembra de mim?! Respirei fundo, tentando me conter.
- Reginna Marianna – Dei um sorriso. Ta, tudo bem, eu sei que eu estava super-envergonhada dele ter me esquecido.
Afinal de contas... Ah, qual era a dele?! Eu não sou de se jogar fora, e muito menos de ser esquecida. Bem, tenho 22 anos, tou no auge da vida e nunca tinha sido esquecida... Normalmente eu deixo uma marca na memória de rapazes, mas nunca fui esquecida, poxa!
- E você é... John... John qualquer coisa. – Sorri sem graça. Certo, eu não estava sem graça assim. Era minha pequena vingança por ele ter me esquecido... Mas, afinal o nome dele é impronunciável...
Mas, antes dele me responder, olhei mais uma vez para o garoto. Ele estava chorando de uma forma tão... Triste. Fui até ele e me abaixei, ficando da altura dele.
- Ei, garoto... O que foi? Está chorando por que?
- John Constantine Brienchoff – Foi o que o John me respondeu. Viu? Não disse que o nome dele era impossível de pronunciar? Se ainda duvida, tente repetir isso 10 vezes seguidas!
- E-ele... – Começou a falar entre soluços, o menino.
- Ele É o Dio, Marianna... – Me respondeu a pergunta que eu havia feito a algum tempo. – Eu trouxe ele de volta a vida.
- É muito mal agradeci... Cido... — Continuou o garoto... Dio. Meu Odin! Então significa que a Mel não vai mais ter que ficar triste por perder um amigo...
Bem, como eu não estava entendendo lhufas, fiz algo que achei que pudesse melhorar o humor do menino.
- Quer uma bala? — Sorri.
- Quero que ele... Se desculpe... E... –Ele não parava de soluçar, estava dando tanta pena, que mesmo sem ele responder se queria ou não a bala, eu a peguei na minha bolsa e entreguei pra ele. – E quero que ele me deixe ficar perto dele... – Ele pegou a bala – O... Obrigada – E em vez de parar de chorar, começou a chorar mais ainda...
Me levantei, apertei a boxexa do Dio e me sentei na beirada da cama de novo.
Tentando mudar de assunto, perguntei ao John:
- E a alma do garoto que era dono desse corpo?
Percebi que o Dio estava olhando pra mim, mas mesmo se não tivesse percebido nesse momento, teria percebido quando ele me disse:
- Você... Parece a minha mãe... – E começou a chorar mais ainda e me abraçou.
Nessa hora, eu quase morri de pena... O Dio não tinha mais mãe... Aí eu me lembrei que eu também não tinha, o que não faço a mínima idéia do por quê, me fez ficar com mais pena dele. Aí eu simplesmente correspondi ao abraço. Poxa, não sou de ferro!
- Ei, John... –Me ajoelhei fora da cama, colocando meu rosto ao lado do Dio, de forma a fazer com que nós dois ficássemos olhando o John.
- Sabe... Esse corpo era ideal pra ele... O garoto já estava morto. – E então ele suspirou, como se lamentasse a morte do menino. Tá. Sei que lamenta.
- Cê não poderia nem dar um abraço nele? – Foi então que eu fiz (Ou tentei fazer) uma cara de cachorro sem dono. Sabe? Aqueles que ficam olhando pra nós com cara de “Poooor favoooor, me adoteeee!” e que são impossíveis de resistir?
- Não. – Respondeu ele, curto e grosso, enquanto dava um sorriso – Não quero que fiquem me chamando de padre tarado.
- Ah, John! Um abraço não mata! Coitado do Dio... – E coitado mesmo, pois ao ouvir que o John não queria abraçá-lo, ele começou a chorar mais ainda. Se é que era possível.
- DESCULPAAAA! – Ele berrava, entre soluços.
- Ah, tadinho John...
- Tá bom... Toma, fica de lembrança – Ele disse enquanto pegava uma garrafa de água benta do casaco e entregava pro Dio.
Uma água benta. Que garoto ou pessoa, em sã consciência vai querer uma água benta de presente?
O Dio não. Disso eu sei, pois ele parou e olhou pra cara do John como se ele, o Dio, fosse culpado por algo e estivesse recebendo um castigo.
- Tá certo... – Disse o John, então ele se abaixou e abraçou o Dio.- Viu? Não matou ninguém. – Fiz questão de dizer, enquanto voltava a me sentar na beirada da cama.
- Você... Não me q... quer aqui, né...? – Disse o Dio.
- Você é legal, só não gosto que fique me agarrando. – Disse o John, enquanto sorria.
- Então eu n...não fico aqui, se você não me quer! – Disse o Dio, enquanto começava a chorar com mais força.
Aí o John se desvencilhou do Dio e se sentou ao meu lado. Acho que ele não gostava muito de ser contrariado.
- Já... Já entendi... Você me quer longe... – Disse o Dio, enquanto se afastava da cama onde eu e o John estávamos sentados.
- Hmm... Não. – Disse o John, fazendo uma cara de que o que ele disse era óbvio.Bem, seria óbvio, se ele não tivesse acrescentado depois – Sei lá.
- Mesmo...? – Disse o Dio. Acho que ele só ouviu a primeira parte do que o John disse...
- Eu também quero que você fique aqui. – Disse eu, enquanto sorria pra ele.
- Sim, mesmo. – Disse o John, enquanto o Dio vinha e me abraçava.
- Obrigado... – Disse ele, enquanto se sentava ao meu lado, sem deixar de me abraçar – Po... Posso te chamar de mamãe?
Nesse momento, o John pegou um cigarro e o acendeu.
- E o John de pa... – Ia continuar o Dio, até que ele viu o cigarro do John e meteu um chute nele, fazendo o cigarro cair pela janela do quarto. – Cigarro é mau!
- Prefiro que você me chame de Ma – Disse eu, meio envergonhada.
- Não faz isso... Pela Ellyon! – Terminou o Dio.
- Não fume Joh...- Não terminei minha frase e me virei para o Dio – Conhece a Elly, Dio?
Sim, pois mesmo que ele não conhecesse, eu a conhecia. E muito bem, aliás. Nós somos primas e amigas desde que me entendo por gente. Ela é só 2 anos mais velha que eu, senão me engano.
- Por que não fumar? – Disse o John, enquanto suspirava.
- O John me contou sobre a Elly... – Disse o Dio. Realmente, aquela história estava começando a ficar interessante. Acho que meu interesse ficou evidente demais no olhar, pois o John tratou de dizer:
- Eu não disse nada. – Falou ele, de uma forma que deixou mais que claro que havia dito algo sim...
- Sei, sei... – Respondi, no meu tom mais irônico.
- Ele a am... – E então o Dio caiu dormindo no meu colo, antes de terminar a frase. Isso fez com que eu esquecesse completamente sobre o que estávamos falando. Apenas exclamei:
- Que fofinho! – Apertei mais uma vez a bochecha do Dio e o coloquei em uma cama do quarto, embaixo dos lençóis. – Bons sonhos, fofo. – Dei-lhe um beijinho na testa.
Bem, depois disso eu e o John fomos até a taverna, beber um pouco de vinho. Não sei se ele ficou bêbado ou não, mas pouco depois da 3ª taça ele me convidou para dançar.
E eu aceitei, achando que seria a chance perfeita de humilhá-lo. Mas, não. Até que ele dança bem tango. Claro, o Jesse dança bem melhor do que ele, mas o Jesse é bardo, então não conta.
Ah, você deve estar se perguntando quem é Jesse... Bem, entre várias coisas a principal é que ele é meu primo de 2º grau e que nós crescemos juntos.
Não sei se o nosso namoro e a nossa fuga de Payon para Cômodo é interessante para você, mas esses fatos me renderam boas lembranças.
Ah! Já ia me esquecendo, foi ele que ensinou a mim e a Lili a usarmos o arco. Eu quis seguir o ramo de arqueira... Já a Lilith preferiu virar uma gatuna e logo depois uma assassina profissional.
- Serei mais útil como espiã ao clã dessa forma – Foi o argumento que ela usou na época.
Pois bem, eu estava pouco me lixando se iria ser útil ou não ao clã quando estudei para virar dançarina... Mas, até que foi útil. É bem mais fácil arrumar informações para os Belacqua seduzindo homens. Sem falar que é mais divertido do que ameaça-los de morte.
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