O Diário da estranha Lily Luna Potter
1 : Ressignificar:
Notas iniciais
Ressignificar:
é olhar de dentro para fora. é encontrar novidade no que a gente vê todo dia. é saber que as coisas mudam tanto quanto pessoas. é recriar o que um dia já foi criado. é a própria regra. é saber lidar com o novo. é saber que tem um pouco da gente em tudo que a gente faz. é um exercício de autoconhecimento.
Lily Luna Potter sempre teve tudo o que queria, desde que aprendeu que tudo o que precisava fazer era piscar seus lindos olhos castanhos. Desde que descobriu aquela "mágica" ela sempre ganhava duas taças de sorvete depois do almoço e até mesmo uma antes — longe dos olhos de sua mãe. Ela também conseguia dormir entre seus pais na cama em noites de pesadelos e chuvosos e sempre os melhores presentes no natal. Mas, seu encanto acabou quando fez 7 anos e desde então, ela tinha que conquistar cada pedaço de espaço em que lhe era permitido. Não era como se ela tivesse deixado de ser a " princesa do papai" mas, com os anos, apenas o olhar brilhante de Gato de Botas não era o suficiente para ter toda a atenção dele. Seus irmãos mais velhos James Sirius e Albus Severus Potter ganharam mais destaque conforme suas mentes brilhantes e inteligentes começaram a trazer para seus pais sempre as melhores notas, projetos de ciência e troféus acadêmicos. Enquanto Lily não tinha nenhuma habilidade que fosse tão digna de atenção — a menos que pintar dentro das margens fosse uma habilidade especial. E como se isso não bastasse, do outro lado da família, suas primas a cada aniversário pareciam ficar ainda mais belas e interessantes, sempre cercadas de olhares admirados e chamando a atenção aonde quer que fossem. E ela, não conseguia deixar de parecer uma criança, com aqueles cabelos ruivos desalinhados e em #badday e com aquelas sardas que mais pareciam um carimbo dado ao universo para lhe dizer que ela jamais seria reconhecida por nada naquela terra. Sim, ela tinha muitos problemas de auto estima e era carente e muito insegura. Mas, ela descobriu algo em que ela era boa..
Ela era realmente muito boa em se meter em confusão! Um ímã ruivo para problemas! Desde o jardim da infância ou até mesmo antes disso — quando aprendeu a falar — ela sempre tinha uma resposta pra tudo na ponta da língua. E seu jeito um tanto espontâneo e temperamental, sempre a deixava sem recreio e com o chapéu de " bobby" no fundo da classe. Mas também foi nessa fase que conheceu os melhores amigos do mundo: Os Gêmeos Lorcan e Lysander Scamander. Enquanto Lorcan era agitado, bravo e palhaço, Lysander era um garoto doce, gentil e paciente. Mas ambos amavam Lily e a achavam a pessoa mais legal do mundo. E além deles, Hugo Weasley — seu primo favorito — e seu próprio irmão Albus, estavam sempre ao seu redor. E de novo, ela era a única garota da roda, mas se destacava à sua maneira. Apesar de não ser nem um pouco feminina e nem tão pouco frágil, ela sempre se considerava a Cinderela e eles os seus Quatro Cavaleiros. E foram crescendo daquela maneira.
As coisas mudaram de novo quando fez 13 anos, e que começou a perceber que seu corpo estava mudando e usar sutiã e enfrentar a TPM foi algo extremamente difícil pra ela, que não gostava nem mesmo da palavra " calcinha". Mas logo lhe foi apresentado um pouco do mundo feminino que ela sempre fugiu, ela até gostou de passar a usar saias e vestidos, ter pôster de bandas de integrantes bonitinhos em seu quarto, e pintar as unhas — mesmo que ainda as roessem. Ela começou a notar que Albus passou a ser mais protetor, que Lysander estava sempre tímido perto dela, Hugo e Lorcan sempre zombavam quando a via de maquiagem, e os garotos não pareciam mais ter tanto medo dela, eles a olhavam diferente. Mas ainda assim, suas primas sempre eram as mais belas, e as garotas do colégio a encaravam como uma aberração. Então, tudo estava mudando, e ela ainda continuava no mesmo lugar. E agora com 16 anos, ela estava disposta a dar um novo significado a para a velha Lily Luna Potter.
[...]
Ela escutou quando a pedra atingiu o vidro de sua janela e a abriu identificando os rostos de Lysander e Lorcan no escuro de seu jardim. Ela então passou pela janela, andando de fininho pelo telhado e pulando na grama verde. E sim, ela estava fugindo. Eles ouviram falar sobre o show da banda favorita deles no Carvinal e por mais que tivesse implorado, ela não tinha conseguido convencer seus pais a deixá-la ir por ter tirado um F de Ferrada na última prova. Enquanto Albus, obviamente teve a permissão. Que culpa ela tinha se não entendia a álgebra? Quando o alfabeto eram letras e os números eram apenas números era tudo muito fácil, porque tinha que misturar tudo? Enfim, ela não queria perder o show, por isso iria escondida. Ela e Hugo carregavam o mesmo carma de serem os caçulas que não brilhavam na família, mas que estavam sempre tentando.
— Tem certeza que não vai arrumar problemas com seus pais? — Lysander perguntou quando eles já haviam passado pelo cercado e já corriam pelas ruas.
— E quando eu não arrumo? — riu pulando em suas costas o fazendo ir junto e correr com ela enganchada em seu pescoço. Lysander era a pessoa favorita do mundo louco de Lily. Ele parecia ser o único que achava fofo toda a bagunça que ela era.
— Eu não tenho tanta certeza se isso é certo. — Hugo disse temeroso.
— Relaxa, se seguirmos o plano, nada pode dar errado. Nós vamos ver o show e voltamos a tempo. — Lily garantiu. -Eu deixei a playlist de roncos tocando debaixo do travesseiro, eu sei que nunca vão imaginar que eu saímos de lá. Para todos os efeitos, se nos virem fora das camas, inventamos a desculpa do xixi.
— Desculpa do xixi? — Lysander perguntou perdido.
— Quando éramos pequenos e queríamos roubar alguns doces antes do dia da festa, eu e Hugo nos levantávamos no meio da noite e comíamos todos os doces e quando éramos pegos subindo as escadas de volta para o quarto, inventamos que fomos ao banheiro. Sempre funcionava.
— Tínhamos 4 anos, acha que isso funciona agora?
— Acredite, pro meu pai eu ainda tenho até 2 anos.
— Você é realmente um ser humano maquiavélico. — Lorcan riu.
Quando eles chegaram, o local estava lotado. A maioria eram rostos conhecidos, então eles precisavam evitar encontrar qualquer pessoa que seria capaz de estragar a noite. Eles localizaram Albus e foram até ele, que estava surpreso — ou pelo menos fingiu estar- ao ver sua irmã com os gêmeos e Hugo.
— O que está fazendo aqui? — Alvo perguntou. — Está de castigo.
— Eu ainda estou. — deu de ombros. — Mas o papai deixou claro que eu não deveria passar pela porta, mas ele não disse nada sobre a janela. — sorriu de canto. — Eu não queria perder o show! — fez beicinho. — Você não vai me dedurar não é, Al?
— Bom, eu não. — respondeu a fazendo sorrir. — Mas torça para que Rose não os veja.
— Rose está aqui?! — Hugo perguntou olhando para os lados. — E agora?
— Relaxa, Hugo. — tocou em seu ombro. — Se ela está aqui, Scorpius também está e eu não acho que ela vá estar prestando mais atenção em nós do que nele. — revirou os olhos. — Ninguém vai saber que estamos aqui. — ela varreu seu olhar pelo local até encontrar uma barraca. — Olha só, ali estão vendendo máscaras. Compramos duas e ninguém vai saber que somos nós .
— Tudo bem. — Hugo pareceu relaxar. — Então vamos logo. — disse a puxando para longe.
— Ela sabe que os Weasley são praticamente toda a população ruiva desse lugar?- Lorcan perguntou e Albus riu.
— Mas vai ser engraçado eles acreditarem que nunca serão pegos. — Albus deu de ombros.
[...]
Had to have high, high hopes for a living
Shooting for the stars when I couldn't make a killing
Didn't have a dime, but I always had a vision
Always had high, high hopes
Had to have high, high hopes for a living
Didn't know how, but I always had a feeling
I was gonna be that one in a million
Always had high, high hopes
Lily dançava e pulava agitada curtindo a música, seus cabelos ruivos seguiam os ritmos das batidas. Ela dançava como se não houvesse amanhã. Em um filme clichê, seria um perfeito momento para um sequência em câmera lenta em que ela apenas era livre sendo ela mesma. Ela já tinha perdido Albus, Lorcan e Lysander do seu campo de vista. Ela estava tão empolgada, que nem percebeu que garotos estranhos dançavam ao seu redor. Porém, o momento não durou muito já que alguém que ela julgou ser sem noção acabou esbarrando nela e derramando toda a bebida da mesma em cima da blusa novinha que acabara de comprar em uma das barracas com itens do Panic! at the Disco.
— Ei, qual o seu problema? — ela bradou irritada para quem quer que fosse. Mas ela parou estática no lugar ao se deparar com os olhos azuis cinzentos e o sorriso prepotente de Scorpius Malfoy.
— Oi Luna.. — ele sorriu de canto.
— O que está fazendo aqui? — ela perguntou sem olhar para ele, olhando em volta em busca de Hugo e o encontrou, recebendo uma bronca de Rose um pouco afastados de onde ela estava agora. Droga!
— A pergunta é: o que você e Hugo estão fazendo aqui? — ela o encarou e o viu ainda sorrindo como um babaca. — Não deveriam estar estudando ou algo assim?
— Ha ha, que engraçado você.. — debochou. — Me deve uma camiseta nova. — resmungou.
— Sem problemas. — ele deu de ombros. — Agora vamos, vou levar você e Albus para casa.
— Nem pensar! — retrucou impedindo que ele segurasse seu pulso. — Eu não estou fazendo nada de errado. Albus é bem grandinho também, não precisamos de uma babá, Malfoy. — cruzou os braços emburrada.
— Você não cresce nunca? — revirou os olhos. — Está parecendo uma garotinha mimada. Quantos anos tem? 5 anos? Você não deveria ter saído e sabe disso e por sua causa Hugo está encrencado.
Aquilo a deixou um pouco mal. Ela sabia que Hermione Granger não toleraria nenhuma rebeldia juvenil e faria com que ele ficasse horas trancado na biblioteca até o fim do verão.
— E o que isso te importa? — revidou. — Você não é nada meu. Já tenho dois irmãos e não preciso de mais um.
— Luna.. — a chamou pelo nome do meio outra vez, o que definitivamente ela odiava. Ninguém deveria ser chamado pelo nome do meio.
— Não me chame assim. — reclamou. — Já disse que não vou para lugar nenhum com você, então à menos que.. — ela foi surpreendida quando ele tão facilmente a tirou do chão e a jogou sobre seus ombros. — Me coloca no chão, Scorpius! Agora! — batia em suas costas. — Me coloca no chão! Isso é considerado sequestro!
— Deixa de ser dramática, Luna. — disse e ela sabia que ele estava se divertindo. — Seja uma boa menina.
— Seu filho da.. — hesitou. — Sorte sua que sua mãe é uma mulher incrível.
— Obrigado. — ele sorriu e então caminhou com ela até onde estava sua moto. Ela apenas bufa irritada. — É seguro te colocar no chão ou você pretende morder minha canela? — zombou de sua falta de altura.
— Eu não iria tão longe. — revirou os olhos e ele a colocou no chão. — Obrigada. — tentou ajeitar os cabelos bagunçados. Scorpius ficou a encarando. — Quer tirar uma foto? Vai durar mais.
— Por que está sempre na defensiva comigo? — perguntou parecendo cansado. — Não estou armado, Luna. Não precisa me atacar o tempo todo.
— Me desculpa. — suspirou. — Só não tem sido dias muito bons, mas não é nada com que eu queira falar agora. Principalmente com você. — o alfinetou. — Foi mal, força do hábito.
— Tudo bem. — ele sorriu novamente. — Pelo menos você é sincera.
— Sinceridade bruta é minha especialidade. — sorriu e abraçou o próprio corpo quando sentiu a brisa gelada passar por ela.
— Está com frio? — perguntou preocupado.
— Estaria menos se um desastrado total não tivesse molhado minha camiseta. — eles riram.
— Aqui. — ele tirou a jaqueta e a jogou sobre seus ombros. — É minha jaqueta favorita, então eu irei pegar de volta. Vai sentir frio no caminho.
— Obrigada. — ela sorriu e então subiu na moto junto com ele e colocou o capacete. Ele percebeu que ela não fazia ideia do que fazer para se segurar e riu alto. — O que foi?
— Pode se segurar em mim, Luna. — disse e ela corou. — Eu não mordo. A menos que você queira.
— Você é tão imbecíl! — resmungou mas o abraçou por trás. — Por favor, não vá muito rápido. — mostrou seu nervosismo.
— Confia em mim?
— Não? — disse um tanto óbvia.
— Então é melhor se segurar. — ele riu e acelerou e ela o xingou de diversos nomes. O caminho foi rápido. Logo ele estava estacionando duas casas antes da sua. A mesma demorou um pouco para abrir os olhos e finalmente o soltar e descer da moto, lhe devolvendo o capacete.
— Se não estivesse tão frio, eu beijava esse chão. — fez drama. — Nunca mais quero passar por isso!
— Você é tão caótica. — Scorpius riu.
— Você está rindo demais. — estranhou. — Está bêbado? Oh meu deus! Você está bêbado?!
— Luna, fala baixo! — resmungou. — Não, não estou bêbado. Eu nunca me atreveria a trazer você nessas condições. Estou sorrindo, porque não posso evitar isso quando estou perto de você.
Ela sentiu uma brisa diferente correr por sua espinha e se instalar em seu estômago. Talvez fosse vontade de vomitar, ela tinha bebido muitos shots sem álcool.
— Eu tenho que entrar. — ela disse. — Ainda me deve uma camiseta.
— Boa noite, Luna. — ele sorriu, de maneira irritante.
— Tenha uma péssima noite, Malfoy. Eu ainda te detesto! — gritou enquanto caminhava de trás para frente para o encarar. Ele apenas riu revirando os olhos. Ela se virou novamente e seguiu seu caminho. Ela se sentia mais quente por conta da jaqueta. Sem perceber, ela fungou a peça e sentiu o perfume amadeirado do loiro irritante.
Até que o cheiro dele não era ruim..
Esperava pelo cheiro de enxofre já que pra ela, ele era o demônio do seu ódio..
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