O Diário da Secretária
10 ️09. Uma boa viagem, uma boa vida.
Notas iniciais
Uma semana se passou desde que o Nunu se foi, mas não se enganem, ele me liga toda santa noite, às vezes ele me liga quando ainda estou no hospital para poder falar com a minha omma e com o meu abeoji, e nessas vezes sou completamente deixada de lado, mas eu não me importo nem um pouco, fico feliz, na verdade.
O Nunu mesmo de longe se faz presente, é um amigo de verdade.
Em uma conversa séria com a minha omma contei para ela o que os médicos me disseram sobre meu appa não aguentar uma cirurgia, ela surtou, choramos muito, mas decidimos falar com os médicos juntamente ao meu appa para que a melhor decisão fosse tomada.
Ele não fará a cirurgia, porém terá pouco tempo de vida, entre uma semana e um mês, e nós vamos aproveitar esse tempo ao máximo ao lado dele.
E como eu estou com tudo isso?
Arrasada...
Não ter como evitar que alguém que se ama se vá é dolorosamente frustrante, mas eu estou me segurando, não posso cair, não na frente da minha omma.
Se eu que sou filha estou assim, imaginem como ela deve estar?
E assim estamos passando esses dias; ela também se segura na minha frente e ficamos assim, as duas se fazendo de fortes para não abalar meu abeoji.
[...]
— Está indo para o hospital Yoonah?
— Sim Senh... Sim, Changbin, me desculpe. — Falo baixinho por quase tê-lo chamado de senhor e ele apenas sorri para mim.
— Vou levá-la.
— De jeito nenhum, — falo mais rápido do que gostaria. — Changbin, por favor, o hospital não é longe daqui e eu agradeço sua preocupação, mas posso ir sozinha.
— Mas eu vou levá-la, já falei com os dois, eles vieram de carro hoje, acho até que vão para o hospital depois da reunião deles com o Jisung.
Reunião... assim que ouvi o Changbin dizer isso me lembrei da reunião que eles tiveram com as meninas, eu fiquei com eles o tempo todo, foi tão estranho...
Flash Back On.
— Pensei que seria uma reunião a moda antiga Lino, por que sua secretária está aqui? — A Taty falou já indo para cima dele.
Eu estava sentada em uma das poltronas confortáveis e fingi que apenas olhava minhas anotações.
— Em primeiro lugar, tire suas mãozinhas de mim, Taty, e em segundo respeite a presença da Srta. Yoon, se ela está aqui foi por que eu pedi para que estivesse.
Olhei a tempo de ver a expressão dela murchar, não sei o que deu no senhor Lee, mas amei a resposta que ele deu e como ele se afastou dela.
— Acredito então que para você é o mesmo, não é Channie?
Volto um olhar para a Rebeca que o está comendo com os olhos.
— Sim, o mesmo para mim, que bom que entendeu tão rapidamente Rebeca, e a partir de agora a Srta. Yoon estará em todas as nossas reuniões, e se por ventura ela não puder estar, a reunião será adiada.
Essa doeu até em mim, e elas ficaram nitidamente bravas com tudo isso, me encararam de cima a baixo como quem avistasse um inimigo em comum e eu apenas encarei os meus chefinhos, afinal, era para eles que eu trabalhava e não para elas.
— Quando estiverem prontos, senhores poderemos começar.
— Certo, minha querida, vamos logo com isso. — O senhor Bang falou me encarando como se as duas não estivessem ali.
— Sim, precisamos estar livres o mais rápido possível, tenho que ir ver o ensaio fotográfico com os modelos hoje. — Tenho a nítida impressão que o senhor Lee piscou em minha direção.
[...]
Em resumo, a reunião foi tensa, elas achavam que teriam um sexo casual no meio do expediente, mas ao contrário disso receberam uma dúzia de novas tarefas para cumprirem em um prazo que assustou até a mim e uma enorme ignorada aos insistentes avanços e provocações que elas insistiram em dar mesmo comigo ali presente.
[...]
— Bom, da minha parte era apenas isso, Lee, tem algo a acrescentar?
— Quanto ao trabalho não, mas preciso dizer uma coisa, meninas, vou falar por nós dois, pois sei que isso se aplica ao Bang também, então me escutem bem... — As duas o encararam atentas e ele seguiu sua fala. — A partir de agora, nós voltamos a condição única de seus chefes, não haverá mais casinhos, rolos escondidos nem aqui, nem fora da empresa, então por favor, esqueçam tudo isso e vamos focar apenas no trabalho, vocês duas são muito competentes e queremos mantê-las na empresa, mas se não respeitarem isso, estarão na rua, então parem de se insinuar assim está bem?
Me senti gelar, eu não era elas, muito menos como elas que mantinham casos com os dois, mas aquilo me pegou, por que o senhor Lee falou sobre isso na minha frente?
— O Lee tem razão, e a Srta. Yoon está como nossa testemunha então por favor, vamos virar essa página, vocês merecem caras extraordinários, mas estes com certeza não somos nós.
Sou a testemunha deles?
Algo como a prova de que eles precisam para manter suas falas firmes sem cair na tentação?
— Eu já entendi bem... a testemunha de vocês é o novo alvo... — A Rebeca me encara com uma expressão de nojo. — Aproveite lindinha, caiu na graça dos dois chefinhos.
O senhor Bang se levantou e a encarou de igual.
— Não mexa com a Srta. Yoona ela não tem nada a ver com nossa tomada de decisão.
— Ah, não tem? — A Taty falou em um tom agudo demais para o meu gosto.
Não tenho mesmo senhor Bang? — era no que eu pensava.
— Mesmo que tivesse Taty, isso não é algo que seja da sua conta, então por favor.
O senhor Lee concluiu e as duas se foram, me deixando a sós com eles.
Respirei fundo, aquilo havia sido intenso e agora tenho a impressão de ter um enorme xis no meu peito só esperando o golpe daquelas duas.
— Posso perguntar o que foi isso? — Perguntei inocentemente, pois eu realmente não havia entendido muito bem.
— Isso foi seus dois chefes encerrando um ciclo de pegação... — O senhor Bang disse me encarando profundamente.
— Para poder estarmos realmente livres para conquista a mulher que amamos. — O senhor Lee completou e meu queixo quase despencou no chão.
— E por que eu tinha que estar presente? A carne dos dois é tão fraca assim que não dariam conta das duas sem alguém os vigiando?
— Não é isso minha doce Yoonah... — O senhor Bang e essa mania de “minha”.
— Na verdade, minha Yoonah nós dois queremos te contar uma coisa...
— Podem falar, eu acho... — eu estava com medo, assim que ouvi o senhor Lee me chamar de “minha Yoonah” eu estremeci, me veio mais uma lembrança perdida daquela noite e o mundo girou sobre meus pés.
A porta se abriu, era o Seungmin.
— Senhor Lee, senhor Bang, Stra. Yoonah.
— Entre Kim, precisa de algo?
— Na verdade, vim buscar o senhor Lee, ele tem que estar no ensaio de hoje.
— Nossa é verdade, eu já ia me esquecendo disso... — ele falou já se levantando e se virou para mim. — Depois teremos essa conversa minha Yoonah.
— Vou com vocês, estou curioso pelas novas joias, inclusive minha querida Yoonah, seu colar será entregue ainda essa semana.
O senhor Bang me falou lembrando do que me disse quando me fez experimentar o colar.
— Não se preocupe comigo senhor Bang.
— Me preocupo sim, nós nos preocupamos não é Lino?
— O Channie tem razão.
Os dois foram com o Minnie e eu fiquei fazendo a pauta da reunião deles, e confesso que sorri um pouco quando cheguei na parte da reunião que não iria para a ata.
Eles dispensaram seus casinhos bem na minha frente.
E eu não vou mentir, aquilo me deixou feliz.
Flash Back Off.
Diário da Secretária (escrito depois do Happy Hour):
“Estou muito confusa!
Teve a coisa do “eu te amo minha Yoonah”
Mas agora tenho quase certeza de ter ouvido mais coisas aquela noite.
Preciso me lembrar...
Yoon Arya! Você tem a obrigação de se lembrar...
Foi só um beijo? Parece que foi mais de um.
Foi só um eu te amo?
Não sei, mas algo me diz que mais de um “minha Yoonah” aconteceu aquela noite... Lembre-se mulher!”
Diário da Secretária (escrito após a reunião):
“Acabei de participar de uma reunião dos chefes com a Taty e a Rebeca.
Agora elas provavelmente me odeiam.
Ps: Acho que me lembrei de mais um pedacinho daquela noite na minha casa.
Um deles disse: “agora você é a minha Yoonah e vai ser para sempre tá bom?”
E dessa vez tenho certeza de quem foi...
O Senhor Lee! E tenho quase certeza de que ele me beijou.”
[...]
— E então? Vamos?
— Tudo bem Changbin, vamos.
Fomos em um dos seus carros particulares, ele realmente não estava na empresa para levar os chefinhos embora.
Ao que tudo indica ele estava mesmo ali por minha causa.
— Como você está minha doce Yoonah?
De novo esse “minha...” cara o que deu nesses três?
— Estou aguentando firme.
O Changbin que mantém sua atenção o tempo todo no volante leva uma de suas mãos para segurar a minha.
O toque dele me fez estremecer, e eu nem sei direito o porquê.
— Minha Yoonah, por que você não nos disse nada sobre o tempo do seu abeoji estar acabando?
— Como você sabe disso Changbin?
— Falei com sua omma hoje, eu passei a tarde com ela no hospital, havia ido apenas os visitar, mas quando cheguei lá sua omma estava chorando, então cuidei dela como pude, e ela desabafou comigo.
Ouvi-lo me deixou em um enorme mix de emoções, mas o maior deles era o de gratidão, finalmente minha mãe confiou em alguém para se abrir, ela estava precisando, e não queria fazer isso comigo.
— Se ela souber que me contou, ficará nervosa.
— Eu também imaginei isso, mas ela mesma me disse para falar para você, ela disse ver o quanto eu estava preocupado e me pediu para cuidar de sua amada filha.
— Changbin...
Ele nada disse, apenas intensificou o aperto em minha mão e ficamos assim até chegarmos no hospital.
— O Channie e o Lino também vieram aqui de manhã, eles já sabem e também consolaram sua omma, só não ficaram com ela porque teriam reuniões importantes hoje.
Sequei algumas lágrimas que rolaram meu rosto.
— Ótimo assim não preciso falar sobre isso com ninguém mais.
— Precisa, sim, chame o Seungmin para ficar com você se não nos quiser por perto, mas não fique sozinha está bem? Desabafe com seu amigo por favor.
Eu estava afundada no banco do passageiro, eu não estava mais aguentando quilo tudo, meu abeoji vai me deixar e nós nem fizemos tudo que dizíamos que faríamos.
Começo a chorar de soluçar e o Changbin me abraça forte, me afaga e beija o topo da minha cabeça algumas vezes.
— Vai ficar tudo bem minha Yoonah, seu abeoji está tão forte com tudo isso, ele só quer poder ir em paz, eu sei que essa situação é horrível, mas pense no descanso do seu appa hun? Ele merece, não é?
Me aperto a ele e me deixo desmoronar em seu corpo que me sustenta como uma rocha.
— Ele merece, sim, ele merece deixar de sofrer Changbin, eu só temo que minha omma e eu não aguentemos perdê-lo assim, é egoísta, e eu sei, mas não consigo evitar Binnie.
Falo em meio a soluços intensos e ele não cessa seus afagos em mim por nem um instante e quando dou por mim estou tão agarrada a sua camisa que a amarrotei toda.
— Tanto eu quanto os meninos estaremos com vocês duas, o tempo todo, vocês não estarão sozinhas okay? Eu te prometo meu amor.
Nos abraçamos ainda mais forte, ele me chamar de meu amor, diferente do que seria em circunstâncias normais, me fez um bem maior do que eu imaginava.
— Obrigada por tudo Binnie.
— Está tudo bem amor.
[...]
Me recompus e subi, fiquei com a minha omma junto ao meu abeoji, conversamos muito, sorrimos, o appa estava bem, coradinho e lúcido, e logo meus outros dois chefinhos chegaram ali.
— Trouxemos o frango frito do senhor como prometemos de manhã.
O senhor Lee entra com um largo sorriso, eu o encaro e ele parece a mais pura luz vindo nos alegrar.
— Fiquem tranquilas, os médicos permitiram. — O Senhor Bang entra em seguida com um galão do suco favorito do meu appa. — E também temos suco de laranja natural senhor Yoon, o seu favorito não é?
— É sim filho, vocês trouxeram mesmo. — meu appa se sentou na cama com um pouco de dificuldade. — Muito obrigado rapazes.
— Não agradeça ainda senhor Yoon, eu trouxe seu bolo de cenoura com calda de chocolate assim como o senhor pediu!
Meu abeoji se emocionou, os olhinhos dele encheram de lágrimas e consequentemente os da minha omma e os meus também.
— Vocês três não precisavam fazer isso por mim. — Meu appa falou sorrindo para os três.
— Claro que precisávamos, — O senhor Lee disse animado. — O appa da nossa doce Yoonah merece o melhor!
— O Lino tem razão. — O senhor Bang falou concordando com seu amigo.
— Tem mesmo. — O Changbin disse sorrindo para nós.
Eles arrumaram tudo para todos comermos, foi um momento incrível, falamos sobre a vida, sobre os momentos que meu abeoji mais amava lembrar e notamos que eram sempre momentos onde minha pequena família estava reunida, nós três, fazendo qualquer coisa simples juntos.
Aquilo tudo me deixou muito emocionada e sensível e quando acabamos de comer meu pai pediu um tempo a sós com os meus três chefinhos, minha omma e eu nem questionamos, os três estão sempre fazendo tanto por nós.
Então, apesar de eu ter ficado muito curiosa, nós duas apenas saímos do quarto.
[...]
*Autora On*
— Vocês três, gostam da minha filha? — Os três olharam surpresos para o senhor Yoon. — Desculpe ser tão direto assim é que não tenho muito tempo mais.
O Bang Chan se recompôs e logo se colocou a falar.
— Sim senhor Yoon, nós três a amamos.
— E é muito amor? Ou vocês acham que pode ser apenas algo passageiro?
— Muito amor senhor Yoon, tanto que já está nos transformando em pessoas melhores.
— Aí eu não concordo senhor Lee, vocês três já são ótimas pessoas, minha filha tem sorte.
O senhor Yoon, olhou pela janela e suspirou.
— Changbin, querido abra as cortinas para mim por favor.
O solicitado assim o fez.
— Está bom assim senhor Yoon?
— Ah, sim, está perfeito, o céu está lindo, e a lua também.
Os três encaravam o senhor Yoon, esperando que ele concluísse o que quer que fosse.
— Preciso pedir um favor a vocês...
— Por favor peça senhor Yoon.
— Sim, diga o que deseja.
— E nós faremos de bom grado.
O senhor em sua cama os encarava, três homens, bonitos, fortes, e bem sucedidos, mas na visão do senhor que tinha sua vida sendo sustentada por apenas um único fio eram apenas garotos de um bom coração, quase como filhos.
— Cuidem da minha Yoonah, deem todo apoio a ela, ela precisará dos três. — O senhor Yoon se aprumou e o esforço o fez sentir dor. — Minha amada esposa irá ficar com sua irmã quando eu morrer, ela já se decidiu, mas ela precisa estar segura de que a nossa princesinha estará bem, e será bem cuidada, sabem como é o coração de uma mãe não sabem?
Os três acenaram que sim, todos eles estavam com lágrimas nos olhos, pois entendiam que o fim do senhor Yoon estava ainda mais próximo do que imaginavam.
— Então, mesmo que não sejam os amores da vida dela, vocês prometem que cuidarão da minha filinha?
— Sim, senhor, eu prometo e sei que meus amigos também. — O Changbin falou e seus amigos concordaram veemente.
— Não sejam tolos, ela os ama também, só não se deu conta ainda, então tenham paciência com ela, vocês a conquistam sem esforço algum, mas a cabecinha dela está cheia, e o coração dela está despedaçado por minha causa.
— Ela ficará bem senhor Yoon, nós vamos garantir isso.
— E eu não duvido nada, mas tem um, porém, notei que vocês estão escondendo algo da minha filha, eu não sei o que possa ser, mas quando essa tempestade passar vocês precisarão ser honestos com ela, só tem uma coisa nesse mundo que minha doce Arya odeia mais que tudo, a mentira, então seja lá o que vocês escondem dela, contem assim que puderem, ela vai precisar de um tempo, deem esse tempo a ela, mas ela voltará a vocês.
— O senhor acha mesmo que ela gosta dos três?
— Acho sim senhor Bang, talvez um como amor e dois como amigos, ou talvez ela ame apaixonadamente os três da mesma forma, mas isso vocês precisarão descobrir e aceitar seja lá como for.
— Nós sabemos disso não se preocupe senhor, vamos sempre respeitá-la.
— Eu sei que vão... — Ele respirou fundo e com muito esforço voltou a falar. — Irei partir em breve, bem mais breve do que pensam, então por favor saiam e chamem minhas duas meninas, e senhores, obrigado por tudo, foi uma honra conhecê-los.
Os três entendendo o que virá a seguir fizeram uma reverência ao senhor Yoon e saíram chamando as meninas dele assim como ele pediu.
[...]
Quando o Changbin disse que meu appa queria que minha omma e eu entrássemos, eu já entendi o que seria.
Minhas pernas faltaram, meu corpo faltou, então o senhor Lee me sustentou e me levou para dentro, minha mãe já estava segurando uma das mãos do meu appa e eu me pus a segurar a outra.
— Vou deixá-los a sós.
A voz do senhor Lee nunca fora tão cortante.
— Por favor querido pode ficar ao lado da minha princesa Arya?
O pedido do meu appa nos pegou de surpresa, mas o senhor Lee ficou ao meu lado sem nada dizer.
— Como vocês duas sabem, chegou minha hora, — Ouvir aquilo me despedaçou por inteiro — Calma não chorem ainda preciso me despedir direito das minhas meninas.
Eu mal me movia, me sentia esfarelar, eu queria correr, mas as mãos fortes do senhor Lee me sustentavam e ali eu fiquei.
— Meu amor, nós lutamos, e quase sempre vencemos, mas dessa vez nossa vitória veio um pouco diferente, vou deixá-la por hora, mas quando você estiver pronta estarei a sua espera.
Minha omma se abraçou ao meu appa, e os dois choraram juntos.
— Eu te amo meu amor, obrigada pela nossa vida, obrigada por tudo, e por ter me dado nossa bebezinha, você foi um marido incrível e um pai amoroso eu sempre vou amar você.
Eles se separaram e meu pai me encarou.
— Appa... não... não... — Falei já em meio a soluços intensos de um choro desesperado.
— Minha bonequinha, venha e abrace seu appa.
Senti o senhor Lee me conduzir até o meu appa, eu sozinha não conseguiria, mas quando me aproximei dele eu o agarrei com todas as minhas forças.
— Appa, eu te amo, te amo muito, vou te amar para sempre, obrigada appa, por tudo, o senhor é o meu amor, tão lindo. — Acariciei o rosto dele para poder o ver sorrir mais uma vez, a última vez.
— Venha aqui minha filha.
Me aproximei dele e ele sussurrou no meu ouvido, algo que para mim não fazia muito sentido.
“Fique com eles, e se você amar os três fique com os três, seja feliz, descanse e deixe eles cuidarem de você, eles me prometeram que fariam isso.”
— Agora olhe para mim.
Eu o olhei nos olhos.
— Me promete?
— Sim, eu prometo appa.
— Bom, muito bom mesmo. — Meu appa falou e encarou a porta do quarto. — E vocês dois saiam da porta, aproximem-se.
O senhor Bang e o Changbin chegaram mais perto e eu me agarrei a mão do meu appa.
— Que vocês saibam desejar uma boa viagem aos que vão, e para os que ficam, eu desejo de todo coração que tenham uma boa vida.
A força que meu pai colocava em minha mão foi sumindo, olhei para minha omma e segurei uma de suas mãos, e assim, nossa pequena família se tornou ainda menor.
A linha vermelha na máquina de acompanhamento cardíaco não se movia mais, era apenas uma linha constante junto a um barulho constante.
Meu appa nos deixou, e agora o senhor Lee me abraçava com força, o senhor Bang e o Changbin foram amparar minha omma.
Aquela noite foi a mais fria e longa da minha vida, mas mais uma vez tudo foi arrumado pelos meus três chefes.
Diário da secretária (escrito recentemente)
“Meu appa nos deixou, ele descansou.
Mas a saudade dele já está acabando comigo.
O senhor Lee não saiu do meu lado um só instante, o senhor Bang e o Changbin cuidaram do velório, avisaram os parentes, e amigos, cuidaram das nossas vestimentas e de todo o funeral, e a eles, serei eternamente grata.
Appa, boa viagem, espero um dia te reencontrar.”
[...]
* “Todos os amigos da srta. Yoon que trabalham com ela na SBL JOIAS, foram ao velório, eles ficaram o tempo todo ao lado dela e de sua omma, e mesmo com toda a dor que sentia, a Arya sabia que não estava sozinha.”
[...]
“E a nós que ficamos, desejo uma boa vida!” *
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