Anteriormente, em \"O diário secreto de uma Caçadora\"...

-Em toda geração, há uma Caçadora. Quando uma morre, outra é, digamos, acionada. Ela deve lutar sozinha contra os vampiros, os demônios e as forças das trevas em geral. Ela deve salvar o mundo.

-Você é a Escolhida, garota – Nathan riu, mas pude ver que ele, assim como eu, não tinha entendido nada – É incrível, em todos esses anos, é a primeira vez que vejo uma Caçadora que não sabe o que é!

Inclinei-me para ver a coisa mais assustadora de minha vida. Era, visivelmente, um demônio. Era robusto (dava três de Tristan) e sua cor era uma mescla de azul marinho com verde musgo. Na cabeça, orelhas curtinhas. Nos pés, cascos.

-Como eu posso matá-lo? – indaguei, ansiosa. (...)

-Aí está o X da questão, Anne. Você não pode.

-Quer dizer que agora eu sou o novo namorado da nova Caçadora? – ele riu, beijando o topo de minha cabeça ternamente.

Não tive tempo para falar que Nathan me enchia de perguntas idiotas sobre ser a Escolhida, porque nesse instante, senti os lábios de Tristan nos meus.

Foi no mínimo estranho sentir sua língua fria como uma pedra de gelo pedindo passagem para minha boca fervente. Fiquei um tempo sem decidir se abria a boca ou o afastava, quando por fim passei os braços por seu pescoço e deixei-o me beijar. Pude notar quando ele me levantava do chão, beijando-me com uma intensidade que Nathan não me beijava – em um ou dois dias de namoro é meio difícil de dizer como ele beijava, mas com certeza não era do mesmo jeito de Trip

-Tristan é um vampiro. (...)

-Como você soube? Sobre o loiro? – perguntou Nathan, sentando ao meu lado e passando o braço por mim.

-Ele se transformou pra me ajudar a lutar – contei – Nathan, ele nem sequer tem uma alma!

-Aonde você vai? – perguntou.

-Vou descobrir o que está acontecendo por aqui.

Capítulo VI – Vampirismo (Parte II)

Bati. Bati. Bati. Ninguém me atendeu.

-MATTHEW!

Chamei várias vezes, mas não ouvi som de passos do lado de dentro. Certo, o carro estava na garagem, então ele deveria apenas ter o sono pesado. Ou não queria me ver. Ou, na hipótese mais nojenta possível, estava acompanhado. Eca. Que tipo de mulher iria pra cama com Matt?

Ah, sim. Do tipo que cobra 150 por hora. Ou uma louca que fugiu do hospício.

-MATTHEW!

A casa ao lado de acendeu, sinal de que eu teria que gritar mais baixo. Falando em baixo... A janela era baixa, graças a Deus. Mas a maldita casa poderia ter alarme. De qualquer forma, eu não podia esperar até o amanhecer para obter minhas respostas. Me chame de sete meses. Forcei-a um pouco – acho que não precisei de muita força, ainda não tenho total controle sobre a quantidade certa a ser usada – e logo cedeu. Quebrou a fechadura, mas eu ia pagar. Um dia.

Qual é, eu sou a Caçadora! Não é uma janela chata que ia me impedir de entrar na casa do meu Guardião.

Olhei para os dois lados, antes de entrar. Afinal, quem me visse entrando àquelas horas da noite escondida na casa de Matt acharia que eu era uma ladra e poderia até chamar a polícia. Aí nós só perderíamos tempo. Entrei e fechei a janela de novo – eu não queria que um verdadeiro ladrão entrasse também -, sorrindo orgulhosa pra mim mesma.

-Matt? – chamei, baixo.

Novamente, ninguém respondeu. Será que ele era um daqueles doidos que saem caminhar às quatro da manhã?

-Matt, cadê você?

Okay. Eu quebrei a fechadura em vão. Que ótimo.

Foi quando ouvi um barulho estranho vindo do assoalho da casa. Olhei para meus pés e notei que não era eu quem o estava emitindo. Então, o que diabos estava embaixo da casa? Deitei-me silenciosamente e colei o ouvido à madeira. Uma respiração pesada e um sussurro quase inaudível. Apurei os ouvidos e consegui identificar o que estava sendo proferido. \"Porão. Silêncio. Porão. Silêncio. Porão.\"

Levantei-me sem fazer barulho e olhei ao meu redor. Dando passos de gato, percebi que não havia nenhuma porta que pudesse dar para um provável porão. Abri a porta devagar, com cuidado, começando a caminhar em torno do jardim mal cuidado de Matthew. Por Deus, será que ele não cortava aquela grama nunca? Mas, em meio a todo aquele matagal, avistei uma portinhola. Novamente, encostei meu ouvido nela e ouvi os sussurros. Além disso, alguém estava subindo escadas. Escadas estas que deveriam dar para aonde eu estava.

Dei um pulo para o lado e me virei, ficando então encostada na parede. Vi alguém sair do porão e fechar a portinha silenciosamente. Tirei a estaca em meu bolso e quando me preparava para atacar quem quer que fosse, senti uma mão tapando minha boca e a outra me puxando fortemente. Empurrei a pessoa com o cotovelo e ergui a estaca, apontando-a para o peito de...

-Tristan? – sussurrei, sentindo meu estômago afundar.

-Shhh – ele colocou o dedo indicador sobre os lábios – Fique quieta, sim?

-Não me mande ficar quieta! – ralhei, baixinho.

-Cale a boca – ele me prensou delicadamente na parede, me fazendo perder a respiração – Não vou calá-la pra você.

\"Seria bom\", pensei comigo mesma, mas engoli as palavras.

Em resposta, grudei a ponta da estaca em seu peito. Tristan arrepiou-se e me encarou profundamente. Eu também me arrepiei, mas não abaixei a estaca.

-Vamos, faça – ele sussurrou, segurando minha mão sobre o pequeno objeto de madeira – Não é isso que você quer? Matar o vampiro?

-É isso que eu faço – retruquei.

-Então faça – engoli em seco quando ele transformou-se – Me faça o pó.

Antes que eu pudesse responder, ouvimos um barulho de coisas quebrando dentro do porão. Tristan afastou-se de mim e, segurando a MINHA estaca – acho que ele teve medo que eu realmente o matasse –, caminhou lentamente até a porta. Deu uma boa olhada lá dentro e voltou para onde eu estava, o cenho franzido e a mais bela expressão pensativa.

-Por que Harris convidaria um clã quase inteiro de vampiros para entrar na casa dele? – perguntou pra mim, num murmúrio quase inaudível.

-Por que ele é um idiota? – respondi.

-É possível. De qualquer forma, tem alguma coisa errada – ele coçou o queixo e eu quase suspirei.

-O que nós vamos fazer? – eu estiquei-me e dei uma olhada breve no vampiro moreno que estava sentado sob a portinhola, com um cigarro na boca.

Tristan me encarou, me fazendo ter um arrepio – que com certeza não era de medo. Então balançou a cabeça e penteou os cabelos com os dedos entreabertos, parecendo frustrado.

-Vem comigo – sussurrou, pegando minha mão.

No impulso, com o choque de seu toque frio, puxei-a e recuei um passo. Ele me lançou um olhar ofendido e cruzou os braços.

-Não é hora pra isso, Caça-Vampiros – ele estava sendo irônico? – Vamos. Precisamos descobrir do que se trata.

Eu concordei com a cabeça e o segui, atenta, caminhando como se fosse um gato. Afinal, todo cuidado era pouco. De tempos em tempos, Tristan esticava a mão para trás como que para segurar a minha, mas parecia lembrar de algo e a puxava de volta. Pena que ele não via que eu esticava a minha para frente no momento em que ele mudava de idéia. Nós demos a volta na casa, cautelosos.

-Eu não consigo ouvir o que eles estão falando – murmurou Tristan, de repente, parando no caminho – É como se eles... Espera.

Ele voltou-se para mim e estreitou os olhos, me encarando. Eu senti um arrepio e uma vontade quase incontrolável de agarrá-lo. Então Tristan olhou para trás e de novo para mim, os lábios entreabertos no que eu sabia não ser um bom sinal.

-É como se eles soubessem que eu poderia ouvi-los de falarem mais alto – sussurrou, num tom de voz quase ininteligível – E se eles sabem que eu posso ouvi-los, sabem que eu estou aqui. E se eles sabem que eu estou aqui...

-É uma armadilha – completei, tomando a estaca de sua mão.

-Se eles sabem que eu estou aqui, eles devem saber que você também está aqui – Tristan segurou e apertou meu braço, de modo que eu não conseguiria me mover nem que quisesse – Isso não é uma armadilha. É uma coisa maior.

-O que...?

-Alguém está atrás de você, mas provavelmente não é para matá-la – eu tentei dizer algo, mas ele colocou o dedo indicador em meus lábios – Eles querem você.

-Mas Matt...

-Eu não sei se foi magia ou a falta de cérebro dele, mas o convenceram a convidá-los – certo, eu estava começando a ficar nervosa com aquela conversa.

-Se eles querem a mim...

-Eles precisam de algo que você se importe – eu estava me irritando com tantos cortes; ele não iria me deixar falar tão cedo – Por isso eles vieram atrás de Harris. Porque precisavam saber com o que você se importava.

-Com o que eu...?

-Eles descobriram e estão mantendo Harris aqui para que você fique aqui e... Droga – Tristan mordeu o lábio e me soltou – Corra o mais rápido que você puder.

-Pra onde? – indaguei, sem entender direito.

-Eles estão indo atrás do seu namorado.

Meu coração congelou e eu não consegui me mover.

-Vá, agora – ele me empurrou – Corra e não pare até chegar lá. Eu me viro por aqui.

Não tive tempo para pensar. No instante seguinte, percebi que minhas pernas na esperaram por minha ordem e já disparavam rua abaixo, rumo à Nathan. Minha mente começava a me enlouquecer – via, como se num filme mudo, quatro vampiros pulando a janela de Nathan, que permanecia parado, os braços colados ao corpo e os olhos vagos.

Eu precisava correr mais depressa, mas estava no meu limite.

Demorei cinco minutos, um pouco mais, para chegar até lá, mas me pareceu que vi o sol nascer e se pôr duas vezes atrás de mim. A janela estava fechada, como se não tivesse sido tocada. Contemplei-a por um instante, pensando se Tristan teria coragem de mentir para mim (nunca confie em um vampiro) ou se foi tudo um truque de nossas mentes.

Bem, de qualquer maneira, eu tinha que entrar ali. A janela era alta, certo, eu já sabia disso. Engoli seco e não olhei para baixo, encontrando a motivação de que Nathan poderia estar em perigo para vencer meu medo de altura. Concentrei-me com certo esforço e saltei, o vento fazendo ondas em meu estômago. Meus dedos firmaram-se no parapeito da janela, me deixando perigosamente suspensa.

Mas é claro que eu nem ligava para isso. Ali dentro, vi Nathan sendo amarrado à cama – alguém mais teve idéias lascivas? – por dois vampiros, enquanto uma bela vampira estava encostada majestosamente à parede, um sorriso satisfeito nos lábios. Aquele maldito sorriso fez meu sangue ferver.

Como disse, meu corpo estava mais adiantado do que minha mente. No segundo seguinte, eu dera um salto, ficara de ponta à cabeça e meus pés se chocaram com a fechadura da janela, que abriu como num passe de mágica. Vi três pares de olhos amarelos me encarando, três bocas sorrindo e Nathan ainda com cara de idiota.

-Vocês me querem? – perguntei, friamente – Lidem comigo, então.

Os dois vampiros aproximaram-se de mim. Desta vez, contrariando o que eu havia dito, minha mente ordenou que meu corpo revidasse, mas ele não o fez. Continuei parada, as mãos na cintura, o lábio inferior tremendo de raiva.

-Não –segurei o pulso de um dos vampiros quando este ergueu a mão para mim e o torci, fazendo-o gritar – Deixem-no livre e eu faço o que vocês quiserem.

-Você não tem opção.

A mulher caminhou até mim, o mesmo sorriso arrogante no rosto. Seus cabelos eram loiros, curtos, os olhos azuis e a pele pálida que todos eles têm. Eu sabia que ela era uma vampira, apesar de não estar transformada como os outros, mas podia muito bem se passar por humana. Ela tocou meu rosto, a mão gelada me lembrando do toque de Tristan.

-Ou você nos acompanha – disse, calmamente, me olhando bem nos olhos. Senti minha cabeça fazer cócegas, como se houvesse alguma coisa ali dentro – Ou ele nos acompanha. A escolha é sua.

Antes que eu pudesse responder, ou lhe dar um soco, ou sequer lençar um olhar à Nathan, uma nuvem de fumaça tomou o quarto. A moça loira virou-se, o sorriso se desfazendo num instante. O outro vampiro avançou, mas assim como o anterior, transformou-se em cinzas.

-Qual é, não esperava que eu deixaria você vir sozinha e ficaria cuidando do Harris! – exclamou Tristan, dando um sorriso convencido – Você sabe que precisa de mim. Olá, Agnes.

Eu estava pasma demais pra me mover, falar, pensar ou muito menos lutar. Fiquei olhando de um para o outro, confusa, enquanto a fumaça se dissipava. Tristan retribuiu meu olhar cautelosamente, me dnado uma piscadela cúmplice.

Por que ele sempre tem que bancar o Superman?

Desse jeito, eu vou acabar ficando louca – de uma maneira boa, é claro.

-Tristan – Agnes torceu o nariz, cruzando os braços e parecendo esquecer de mim por um momento – Você não mudou nada, sabia?

-Talvez porque eu não posso envelhecer, mas eu me cuido. A imortalidade não é pra qualquer um – certo, eu realmente não estou a fim de ouvir um papo de vampiros sobre seus tempos dourados.

Voltei minha atenção para Nathan, que continuava no mesmo lugar. Recuei alguns passos e desamarrei seus pulsos. Ele não moveu um músculo.

-Está hipnotizado – disse Tristan.

-O que diabos está acontecendo aqui? – explodi.

Por que diabos ninguém me explicava nada?

-Então, ele está de volta – Angnes sorriu daquele jeito de novo.

-Eu sei – Trip fez uma careta – Continua puxando o saco do chefe?

-Ele me dá privilégios que você nem sonharia em ter – ela pareceu irritada, o que me deixava mais confusa.

-Hei, eu ainda estou aqui – sibilei, sentindo a respiração ficar pesada.

-Eu sei – Agnes aumentou seu sorriso – Calma, garota.

Meu sangue voltou a ferver. Em minha cabeça, aquela sensação de novo.

-Pare de tentar. Você não vai conseguir hipnotizá-la – Tristan cuspiu as palavras, a MINHA estaca ainda em sua mão.

Ah, então era isso que ela queria fazer!

-Ele precisa dela, Tristan – disse Agnes.

-Não vai tê-la se depender de mim – retrucou.

-Adivinha? Não depende.

No instante seguinte, vi-a parada à milimetros de meu rosto. Apesar do susto e do medo, não recuei, mas sustentei firme seu olhar. Tristan já estava ao nosso lado, os olhos cuidadosos, como se temesse pelo inevitável.

O jeito que ela me olhava me dava arrepios. Agora com mente e corpo sincronizados, saltei para cima de Agnes, que puxou-me pelos cabelos e cravou as unhas em meu braço. Ah, qual é, uma vampira que luta como uma mulherzinha! Dei-lhe uma joelhada na boca do estômago, mas ela segurou meu pé e me virou, ficando por cima de mim.

Tristan bufou e tirou-a dali, os olhos nebulosamente irritados. Foi quando eu percebi que estava sendo tirada fora da briga. Soltei um berro alto quando vi que Agnes segurara a ponta de minha estaca, empurrando-a de volta para o peito de Tristan. Isso o fez perder o equilíbrio, levando-o ao chão com a vampira sobre seu corpo firme – firme, lindo, gostoso, musculoso, maravilhoso e todos os outros adjetivos do tipo.

-Anne?

Nathan. Por um momento eu havia esquecido que ele ainda estava ali. No momento seguinte, eu esqueci que Trip ainda estava se pegando com a vampira loira no chão e fui até meu namorado – isso soa TÃO bem! –, abraçando-o antes que pudesse evitar.

-Eu não sabia que eles tinham esse poder – Nathan fungou, indignado – Fui obrigado a convidar a loira com cara de vadia, os outros dois e o loiro.

-Você convi...?

-Ele me fez murmurar um \"pode entrar, Tristan\" – ele fungou de novo, sem me soltar – Eu lembro de tudo, eu queria resistir, mas...

-Eu sei – encostei minha cabeça em seu peito e beijei seu pescoço levemente – Não se preocupe com isso.

Eu estava tão absorta em meu próprio mundinho perfeito com Nathan que realmente esqueci que Agnes e Trip ainda lutavam. Percebi que isso ainda acontecia quando Nathan me virou de frente para eles.

-Oh meu Deus! – exclamei.

Agnes havia montado em cima de Trip, a estaca em punho e o sorriso irritante no rosto. Cerrei meus punhos, olhando ao meu redor em busca de algo que pudesse servir de estaca. Ou um isqueiro. Ou uma espada. Qualquer coisa que me ajudasse a matá-la.

-Não! – Nathan segurou-me, impedindo que eu fosse, no mesmo instante em que o pó tomou conta do quarto.

O problema é que eu não sabia quem havia morrido, pois as cinzas não me davam visão de quem sobrara. Mas, considerando que a estaca estava com Agnes, bem...

-NÃO! – berrei, desesperada, derrubando Nathan e abrindo caminho entre todas aquelas cinzas – TRISTAN!

Não houve resposta do outro lado. Apenas a estaca ainda apontada para o ar, imóvel. Eu despejei uma porção de chutes e socos, começando meu pranto. Então senti as conhecidas mãos de Tristan largarem a estaca e segurarem-me, me atirando ao chão.

-Uma estaca tem dois lados – disse ele, irritado. Eu levantei, irritada.

-Idiota – murmurei, lhe dando um último soco e limpando as lágrimas – Idiota, idiota, idiota!

-Se acalme, sua desvairada – sibilou, me jogando a estaca no ar – Eu não sabia que faria tanta falta assim.

-Não faz – menti.

Ele pareceu perceber. Deu um sorriso \"você sabe que não está falando a verdade\" e piscou um olho pra mim, passando ao meu lado e por Nathan até a janela. Nathan levantou-se, me lançando um olhar ofendido e encarando Tristan por um longo momento.

-Eu não vou voltar aqui, playboy – disse Trip, sério – Não se preocupe com a proteção.

E então ele saltou, sumindo na noite.

Assim que Tristan se foi, Nathan voltou-se para mim, cético.

-Você me jogou no chão! – exclamou.

-Desculpe – murmurei, fazendo um bico dramático, como se estivesse prestes a chorar – Eu me assustei.

-Não, você se preocupou com ele – Nathan cruzou os braços.

-Se ela conseguisse matar Tristan, certamente eu não seria páreo para ela – resmunguei, piscando várias vezes, dengosamente.

Ele suspirou, balançando a cabeça. Certo, eu estava chegando lá no meu pedido de desculpas.

-Mas você gritou o nome dele.

Oh, Deus. Eu não mereço tanto!

-Você não está com ciúmes de Tristan, está? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.

Nathan fez uma careta e penteou o cabelo com os dedos, daquele jeito que só ele sabe fazer. Eu sorri, aproximando-me dele e o beijando. Não, aquela boca não era fria. Definitivamente.

-Ele é só um vampiro – murmurei, ignorando a pontada em meu peito por ter que dizer isso – Um vampiro útil, mas ainda assim, é só um vampiro.

Ou não é?

Por: Anne White.