O Diário Póstumo de Afrodite

6 Capítulo 5 - O fim fez-se perceber


Notas iniciais
Mais um capítulo pronto (e me desculpem a demora). Um obrigada e um beijo especial à Firefox e à FujoshiForever que comentaram no capítulo passado. ♥

Saga lembrava-se muito bem da vingancinha do Afrodite aquele dia. Havia saído da festa porque Radamanthys ligara para ele pedindo que fosse ao seu encontro em um barzinho, senão ficaria com o primeiro que aparecesse.

Saiu morrendo de medo que o homem que ele pensava ser o amor da sua vida naquele momento, realmente cumprisse o que havia dito e foi até o bar indicado.

Após a noite acabar regada a cigarros e a bebidas, seguiram ao apartamento do Radamanthys, onde tiveram uma noite de sexo selvagem, das quais não tinha há muito tempo com Afrodite.

Não dizia ao loirinho metido, mas gostava de ser fodido com força por outro homem. Não que já não tivesse tido noites assim com o Dite, porque sim, havia tido, mas não dizia a ele que gostava, pois o Afrodite sempre foi meio sarcástico e zombador, e tinha medo que algum dia, em algum momento de chateação por parte do loiro, ele o humilhasse e ele, Saga, fosse o alvo das suas zombações, afinal não podia duvidar de nada quando se tratava de Afrodite.

Sem falar que Afrodite vinha ficando “lento” nos últimos tempos, parecia cansado, e não vinha o satisfazendo sexualmente como no começo do relacionamento.

Saga nunca pensou que essa lentidão e cansaço que o seu peixinho— apelido carinhoso que dera ao Di por ele, além de ser do signo de Peixes (Dite gostava muito dessas coisas), ser um exímio nadador (um dos hobbys dele) – vinha apresentando era um sinal de algo mais sério. Havia relacionado isso à rotina maçante pela qual a maioria dos casais passa em algum período do casamento, e não por uma doença no cérebro que ele nem imaginava que existia.

Quando chegou em casa, encontrou-a toda bagunçada, suas roupas rasgadas (algumas peças mais caras, queimadas), e o pior: um contrato de venda de uma mansão que um empresário muito importante havia se interessado, totalmente picado. Saga passara a semana inteira redigindo aquele contrato, mudando partes que deviam ser mudadas, acertando os últimos detalhes e quando finalmente conseguira terminar, o Dite faz aquilo.

Ele de certa forma merecia o troco, mas não daquele jeito. Dite sabia da importância que aquela venda teria em sua carreira como corretor; provavelmente seria promovido a um cargo mais alto dentro da imobiliária se conseguisse concretizá-la.

Dite pôs tudo a perder.

E como o odiou naquela ocasião.

Contudo, no momento que se encontrava agora, sem Radamanthys, sem seu emprego, e sem o seu bem mais precioso, Afrodite, ele achara que fora pouco a vingança que o Di fez.

Sim, muito pouco.

Ele merecia sofrer a eternidade por ter, de certa forma, ajudado a matar o seu amor, destruí-lo.

Abriu a página onde havia parado a leitura e a continou.

[...]

Sorri satisfeito com o que acabara de fazer. Depois, porém, bateu-me um pequeno arrependimento.

As roupas não eram nada, pois você compraria outras no dia seguinte, mas o contrato, o contrato sim era muita coisa. Você tinha passado a semana toda ocupado preparando-o. Eu sabia como era importante aquela venda. E talvez por isso, por saber o quanto ela representava para você, foi que destruí o contrato, piquei-o de uma maneira que você não poderia juntar as partes. Também apaguei o arquivo do computador para que não tivesses a chance de imprimir outro, e até que o levasse a um técnico para que recuperasse todos os seus dados, o prazo para a entrega do contrato já teria acabado e você, na melhor das hipóteses, levaria um belo dum puxão de orelha do seu superior; na pior delas, todavia, seria demitido.

Deixei um bilhete na geladeira, de que as minhas flores e rosas buscaria no dia seguinte.

Ficaria hospedado na casa do Albáfica por uns dias, até arranjar um lugar para ficar. Poderia ficar lá com ele, sim, poderia, mas eu gostava de ser independente, ou melhor, de não depender da ajuda de ninguém. Gostava de mostrar que era um homem de atitude, forte, que conseguiria sozinho superar qualquer pessoa, coisa ou situação.

Eu estava no fundo do poço, mas não demonstraria isso de jeito algum. Foi por isso que quando o Máscara da Morte me ligou durante a tarde e chamou-me para ir num festival de música que teria no parque central da cidade, eu aceitei sem pestanejar. Seria bom uma diversão. Talvez me divertindo desviasse meus pensamentos de ti e me acalmasse um pouco.

Os médicos haviam me dito na última consulta que eu precisaria evitar qualquer tipo de situação estressante. Mas fazer o que se elas me procuravam como um caçador procura a sua caça? E eu era a caça!

A tarde com o Ângelo foi por demais agradável. Surpreendia-me como aquele homem que acabara de conhecer e que era por demasia diferente da minha pessoa, conseguia tirar-me sorrisos mesmo nos momentos tensos como aquele, no dia que eu me dera conta que o casamento pelo qual eu tanto zelava havia acabado.

O que mais me surpreendeu, entretanto, foi que a companhia dele me fez esquecer das minhas rosas.

Quando vi já era tarde demais para que eu fosse ao – agora – nosso antigo apartamento pegá-las, então deixei para o dia seguinte.

Pensando nisso, aceitei o convite do Ângelo para jantar em seu apartamento.

Eu sabia que ele estava querendo algo a mais comigo desde o almoço no restaurante dias atrás. Eu percebia os olhares furtivos dele e, por mais que não estivesse num período apropriado para um novo relacionamento e nem para me apaixonar outra vez, pensava que uma noite com ele poderiam me fazer esquecer-te.

Não poderia estar mais enganado.

O apartamento que ele havia alugado era enorme, mobiliado elegantemente com peças visivelmente caras, e quadros, obviamente, distribuídos em várias paredes.

Não eram quadros de pintores famosos, não. Eram quadros de pintores que, segundo ele, estavam em ascensão e, sem dúvidas, iriam atingir a fama em breve.

Maravilhei-me com eles. Máscara da Morte percebeu, pois não parava de rir da minha cara de abobalhado. Por fim, ele elogiou o meu bom gosto, afinal, se tinha me maravilhado com aqueles quadros, era sinal de que sabia reconhecer um legítima obra de arte.

Meu ego se inflou. Eu amava (e convenhamos que merecia) ser elogiado.

Ele pediu comida em um restaurante italiano.

Dispensamos a entrada, que era nada mais nada menos que algumas folhas de alface, e partimos para o prato principal, um Risoto Clássico Italiano. Enquanto comíamos, ele explicava-me como surgiu o primeiro risoto, algo como uma aprendiz que, pretendendo fazer uma brincadeira com seu mestre (que estava celebrando o casamento da sua filha), subornou o cheff e o induziu a colocar alçafrão na receita. O resultado foi que todos os convidados da festa adoraram a nova receita que, em pouco tempo, se popularizou.

E eu, além de ter adorado o risoto, estava adorando o jeito que ele estava me tratando, todo atencioso.

Tomávamos um vinho rosé, que Ângelo me explicou ser o que melhor harmonizava com risoto, embora, quando os ingredientes que o compunham eram outros, vinhos diferentes e mais ousados eram bem-vindos.

Depois que terminamos o jantar, continuamos a tomar vinhos e conversar sobre os nossos gostos pessoais.

Quando notei que Ângelo na verdade procurava algo mais sério comigo, resolvi abrir o jogo.

Contei-lhe o acontecido sobre nós, que não estávamos nada bem e que achava que esse era o nosso fim. Não poderia mais negar o que ocorrido. Como ele foi super complacente, resolvi contar-lhe mais.

Falei pela primeira vez com uma pessoa, além dos médicos e enfermeiros com os quais vinha me consultando, sobre a minha doença.

Eu estava em fase terminal e precisava compartilhar isso com alguém. Não sei o porquê, mas o Ângelo despertou minha confiança e foi com ele que resolvi desabafar. Ademais, com você eu não poderia contar mesmo.

Notas finais
Isso aí! Desculpem-me a demora mais uma vez. Dessa vez não foi por nem um problema técnico não, foi por preguiça mesmo que não postei e tô super envergonhada por deixá-los esperando por este capítulo. Beijos meus amores e até o próximo.