O Diário De Um Morto

2 Memorias esquecidas


Notas iniciais
Cliquem nos hiperlinks (as palavras azuis) para verem uma imagem do monstros, armas e cidades!

Meu companheiro estava alto no céu quando meus olhos se abriram. Levantei-me com um salto ao perceber que estava cercado! Formas escuras que saltavam e guinchavam. O barulho era algo muito fino e com um tom choroso, meu corpo começava a retesar e endurecer, eu movi rapidamente minhas mãos e saquei minha main gauche. Uma lâmina pequena, mas muito afiada, seu cabo é simples e de couro e sua guarda é composta de ferro e bronze, um presente de meu pai antes de morrer. Forcei mais a visão para identificar meus adversários e logo vi. Amoleci os músculos e relaxei aquilo não representaria perigo.

_Mukas! – exclamei –

Mukas possuíam uma forma de cactos e se locomoviam a partir de pequenos saltos. Sempre estavam a guinchar num tom choroso e não eram adversários ferozes e muito menos violentos. Provavelmente o que me cercava era uma família. E pareciam estar com medo, pois assim que puxei minhas laminas recuaram aos saltos e estavam agora paradas me olhando.

_Saiam daqui! – Gritei para elas ferozmente –

Dei as costas para elas, e me dirigi ate minha mochila desbotada e rasgada. Peguei o diário no chão, minha cama improvisada e o odre de água. Enrolei a cama e soquei dentro da mochila junto com o diário e o odre. Hoje era o dia em que eu voltaria pra Morroc. Precisava ver algo que não via há oito anos! Puxei a mochila para as costas e enfiei o pé na areia. Olhando ao meu redor e descrevendo em simples palavras seria “areia e mukas.” O resto compunha uma pequena quantidade de plantas rasteiras. Os arredores de Morroc pareciam não ter fim, todos os lados tinham toneladas e toneladas de areia e o Sol, o companheiro de alucinações e loucuras o agente das visões e mortes. Ele resseca nossos miolos enquanto estamos aqui e assim nos mata sem pensar e nem pesar as conseqüências. Acelerei o passo para que chegasse mais rápido, eu estava ansioso.


Três horas de caminhada e finalmente eu via, o grande contorno da Muralha, que obviamente como tudo neste deserto era feita de Areia. Morroc “a cidade Satânica” ou mais conhecida como “A cidade de Areia”. A cidade Satânica ganhou este nome devido ao Imperador Morroc, Um homem louco e demoníaco, matava todos que contestassem suas ordens e não perdoava seus parentes, um simples “não“ poderia matar sua família naquela época. Comecei a correr para o portão, mas estranhamente ele estava fechado e lacrado com suas pesadas trancas de prata. Sem problemas. Pensei. Puxei a mochila para frente do corpo e peguei minha corda reforçada com escama de cobra e o gancho para escaladas feito de bronze. Amarrei a ponta da corda na extremidade oposta ao ganho e o rodei cinco vezes antes de lançá-lo a cima da muralha. Comecei o árduo trabalho de achar consistência na marulha, algo que pudesse segurar o gancho enquanto eu escalava. Balançava a corda para que o ganho se prendesse em algo e logo consegui. Três longos e fortes puxões para verificar se o objeto aguentaria meu peso e em seguida estava apoiando o pé na muralha. Eu puxava a corda para me dar apoio e empurrava o pé na muralha a fim de escalar mais rápido. Já estava na metade da escalada quando o vento começou a rugir a minha volta me fazendo perder um pouco de equilíbrio. La em baixo longas nuvens de areia começavam a se levantar e a girar procurando alguém para cegar, finquei novamente os pés na muralha e voltei a me erguer para cima. A cada passo e a cada puxão o vento aumentava e a muralha se estendia ainda nos seus longos 30 metros de altura. Algo se desprendeu e eu senti a corda afrouxar e começar a vir em bolos maiores em minhas mãos desesperadas.

_Não, agora não! – falava amedrontado –

Eu não podia cair agora, eu precisava! Eu necessitava passar por cima desse grande bloco de areia para chegar ate a cidade! Meus pés começaram a escorregar e a areia se desvanecia em pequenos grãos debaixo dos meus pés. Eu puxava desesperadamente a corda e confirmei que ainda estava presa, mas o objeto que a segurava estava amolecendo e em breve iria ao meu encontro. Finquei novamente os pés e comecei a subir aos saltos a muralha e puxando fortemente a corda ate ela se retesar ao maximo . A borda estava muito próxima, meus dedos estavam quase roçando em sua superfície áspera. Eu ouvi o barulho de algo quebrando e a corda amolecendo novamente, desta vez por mais que eu puxasse, a corda vinha aos montes! Eu dei meu ultimo pulo, meus dedos procuraram pela borda da muralha e por um instante eu achei que tinha perdido, que meu corpo cairia la em baixo na areia fofa e quente e que eu não voltaria a ver mais a luz do sol. Mas finalmente eles cravaram na borda e eu me puxei desesperadamente e ofegando para sua superfície reta e sem perigos. Rolei para o lado a fim de ganhar espaço e ficar longe da queda mortal. Eu ofegava muito e senti uma única lagrima escorrer pelo rosto. Levantei-me cambaleando e olhei ao meu redor. A cidade era muito bonita vista de cima, todas as casas eram brancas e feitas de areia, as pessoas caminhavam tranquilamente e eu ouvia os mercadores oferecendo seus produtos em grossas vozes gritantes. La em baixo eu vi meu gancho preso a uma estaca de madeira desprendida. Icei a corda para cima e a guardei na mochila. Voltei meu olhar para a cidade, mas dessa vez não para as pessoas e as casas, mas sim para uma ruína no canto leste da cidade. Ainda esta la! Pensei aliviado. Procurei por uma escada na encosta da muralha e vi da onde eu tinha arrancado a estaca de madeira, arranquei o que seria um degrau nesta escada pois faltava um pedaço. Com um simples salto ultrapassei o buraco que eu mesmo havia feito e terminei de descer. La em baixo era muito mais movimentado do que eu achava. As ruas estavam lotadas e não pareciam ter nexo, massas de pessoas moribundas e ricas caminhavam nos dois sentidos da rua e se esbarravam e chingavam uns aos outros. Esta é minha cidade! Enfiei-me na massa da população e comecei a caminhar em direção a uma taverna. Eu precisava descansar antes de visitar o lugar pelo qual eu vim.


Notas finais
Espero que tenham gostado, planejo postar um dia sim e um dia não. Elogios e criticas são bem vindos para que eu melhore!