O Diário De Mary Anne
2 Inesperado
Se passou um mês desde que fiz a minha tão esperada audição para a Juilliard School, era uma sonho entrar, e quando mandei minha carta jamais pensei que chegaria tão longe, são poucos que conseguem uma audição, e a Juilliard tem os melhores avaliadores e apenas os melhores entram, então tudo o que sabia jamais iria ser o suficiente, então naquele mês que me deram entre a grande notícia e as audições treinei como nunca havia treinado antes, horas e horas dentro de um pequeno estúdio que havia perto de minha casa. E quando finalmente o grande dia chegou, dancei como jamais havia dançado antes, meus pés flutuavam desenhando uma obra pelo ar, tudo o que já tinha feito algum dia jamais se comparou com aquele dia, porém, estava convencida de que não era o necessário para entrar, eu não era e jamais seria do grupo dos melhores. Mas um pingo de esperança ainda restava em mim, não sabia se era um sinal, ou apenas a grande vontade que tinha de entrar.
Já se passou uma semana desde que eles começaram a enviar as cartas de aceitação, e isso fazia o desejo de entrar para Juilliard e o sonho de me mudar para Nova York ficarem mais longe ainda, em uma semana já deveria ter chegado, a menos que os correios desejassem me pregar uma peça, o que não é o meu caso. Mais dias se passaram, e minha esperança estava cada vez menor; mamãe tentava me animar – Vai chegar querida, você não é boa, você é ótima, e eles seriam burros de não quererem uma garota como você lá – ela sempre me disse isso seguido de um abraço acolhedor. Sei como é difícil para ela pensar na possibilidade de sua menininha ir para tão longe, mas ela jamais me desencorajou, assim como papai, sempre me apoiaram e me ajudaram o máximo que eles podiam, o máximo que uma professora de inglês do ensino fundamental e um repórter podiam fazer.
Feche meu diário e voltei para a realidade, eram 7:25 da manhã, e a vontade de ir para os últimos dia do colegial não estavam nem um pouco em mim, nunca fui aquele tipo de menina que todos desejam estar em volta, e que as outras meninas desejavam ser, ou uma líder de torcida super popular, era apenas eu, com uma única amiga, Aubrey, e que desejava com todas as forças acabar logo com aquilo e sair logo da pequena cidade de Leavenworth e começar realmente minha vida. Levantei da cama e vesti jeans, blusa rosada e um suéter branco, fui ao banheiro escovei meus dentes, lavei meu rosto e penteei meus cabelos, desci as escadas brancas de madeira correndo, para variar estava atrasada.
– Querida não corre, vai se machucar. – Mamãe me advertia enquanto servia as panquecas.
– Me desculpe, mas é que estou atrasada. – Dei um beijo em sua bochecha – até mais tarde.
– Mas você não vai comer algo? – Já estava na porta quando suas palavras me interromperam.
– Não tenho tempo, como algo no colégio.
Por sorte o ônibus também estava um tanto atrasado, que somando a minha correria deu tempo de pega-lo. Aquele dia no colégio foi como todos os outros, sem novidades, apenas alguns felizes com suas cartas de aceitação, e outros se derramando em lágrimas por não terem mais opção e com seus sonhos desfeitos depois de uma recusa, e ao que parece me juntarei em breve com eles. No almoço tivemos bolo de carne e aquelas gelatinas de cor e gosto irreconhecíveis. Estava ansiosa e inquieta para chegar logo em casa, hoje era dia de correspondência e claro, ainda tinha aquele restinho de esperança. O dia não demorou muito para passar e já soou o toque do sinal avisando que estávamos liberados. Nesse dia não fui à loja de livros como de costume; além de dançar, minha outra paixão era a literatura americana, e quando não estava no estúdio ensaiando, estava com um bom livro em minhas mãos; só queria chegar logo em casa.
Corri para casa e quando finalmente cheguei não havia ninguém lá, mas as cartas estavam esparramadas pelo lado de dentro da porta, peguei todas em minhas mãos e fui para a sala; sentei-me no sofá de coro branco, ao lado de uma mesinha onde sempre deixava as correspondências que não eram para mim. Olhei uma por uma, e então finalmente lá estava ela, a tão esperada carta da Juilliard School, agora só me restava a coragem para abri-la. Deixei todas as outras em cima da mesinha de vidro ao lado do sofá e subi correndo as escadas para meu quarto.
– É agora. – Respirei fundo e então em um único suspiro de coragem rasguei o envelope e pequeno o papel que estava dentro. Segurei junto a meu peito e fechei os olhos por alguns segundos. – É agora, tudo ou nada. – Minha vida, meu futuro dependiam daquela carta e do que estava escrito nela.
E então comecei a ler “Prezada senhorita Campbell, é com grande satisfação que lhe oferecemos uma vaga para o próximo ano acadêmico”, – Ai meu deus –, meus olhos se encheram de lágrimas e o restante das palavras se tornaram um grande borrão, eu não podia acreditar, – eu consegui!
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