O Diário Da Princesa
2 Príncipe?
E lá estava eu, sentada em um sofá... Eu estava triste, com cara de choro... Como uma pessoa poderia simplesmente jogar tudo o que nós tínhamos fora e nem sequer me avisar? O que tínhamos era tão especial... Pelo menos pra mim. Então lá vem ele, chega, senta ao meu lado, bota uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e me diz pra ficar bem. "Pois é , ele existe..." eu pensei. Então leventei o rosto e quando meus olhos se encontraram com o seu, eu realmente notei que ele existia. E que olhos, que sorriso... Ora, alguém que sempre esteve lá pra mim mesmo eu não notando. Conversamos um pouco, rimos, ele me distraiu e fez a dor passar. Quando menos notei, ele me beijou. E aí de repente...
- Isabela? Isabela? São 6:30! — Minha mãe como sempre me mandando acordar mesmo ela ainda estando praticamente dormindo. Tenho que admitir que nesse dia acordei de bom humor, aquele sonho me deixou nas nuvens. Mas sabem quando você não lembra direito com quem sonhou? Então, esse era meu grande problema. Quem era aquele garoto? Tenho certeza que eu o conheço bem, pois o jeito que me senti a vontade com ele no sonho, não era impressão... Mas então eu olhei a hora e vi que minha mãe não estava brincando.
Corri para debaixo do chuveiro, coloquei meu uniforme, penteei meus cabelos grandes e com um tom meio puxado para o loiro e depois deixei-os secarem naturalmente. Como não deu tempo de tomar café, o que deixava minha mãe mutio irritada comigo, comprei um capuccino no meio do caminho e fui andando... Até que duas meninas me pararam. Elas pareciam miniaturas de mim. Mesma cor de cabelo, com as tiarinhas que eu costumava a usar no cabelo, mesmo estilo de roupa... Uma parecia estar com muita raiva e a outra um pouco sorridente mas assustada.
- Oi! — falou a sorridente, abrindo um sorriso maior ainda, muito animada por sinal. — Posso te perguntar uma coisa, Bela? — Então né. Nunca tinha a visto na minha vida, mas quem eu sou eu para negar uma resposta?
– Oi... Claro...
– É verdade que você e o Gustavo não estão mais juntos?
– Bom, é, mas...
– AHA! Eu disse pra você não disse? — Falou ela para outra garota que ficou vermelha de tanta raiva. — Obrigada! — E foram embora...
Fiquei tentando imaginar, como uma pessoa com tanta confiança em si mesma, conhecida, pelo visto assunto de muitas conversas alheias, conseguiu sofrer tanto por causa daquelas pessoas? Se bem que eu não estava com forças para aguentar nada. E pra ajudar, o meu sonho daqula noite e aquela menina só fizeram mexer na ferida que já estava cicatrizada. Eu e o Gu éramos muito amigos, mas quando inventamos de ficar... bom... Não desgrudamos mais um do outro. Sofri muito quando a gente "terminou" (ou quando ele me trocou). Mas, meus pensamentos estavam voltando ao normal. Estava decidida a seguir em frente com a minha vida. E agora estava curiosa pra lembrar quem era aquele menino do meu sonho.
O dia no colégio foi bom. Apesar das aulas serem chatas, eu estava feliz por estar me dando tão bem com as pessoas da minha nova turma. No intervalo, procurei em todos os lugares pelo menino, mas não o "reconheci". Até que cheguei a conclusão de que ele não deveria ser do meu colégio. Procurei pelo Gustavo também, mas não o achei. "Estranho. Ele geralmente nunca falta" pensei. Então em minha aula à tarde, a professora de História da Arte havia faltado e eu estava sentada com a Mariana e a Marcela conversando, e elas me falaram...
– Você soube, Bebela? Ele pediu transferência... — Momento de silêncio. Não sabia o que pensar. Às vezes eu sentia que a Mariana fazia isso de propósito, tocava no nome dele mesmo sabendo que ia me machucar. Ainda bem que estávamos mais afastadas. Assim que eu mudei de turma e estava mal, ela foi quem mais se aproximou. E digamos que não foi em uma boa época e que ela não o certo tipo de pessoa que alguém deveria tirar como exemplo. Minha mãe havia me proibido de andar com ela... Naquela "época", faltamos provas, aulas para ficar em casa bebendo, fumando... Enfim. Nunca tinha feito nada disso, mas quando minha mãe descobriu, não foi muito bom. O problema envolveu coordenação, famílias e etc.
Quando soube da notícia do Gustavo, fiquei um pouco mal e pra baixo. Na verdade, surgiram mil perguntas na minha cabeça... "Porque ele mudaria de colégio? Será que ele está bem? Se mudou? Brigou com algum amigo? Foi expulso?" Mas nenhuma resposta. Haviam uns 4 meses que eu não falava com ele. Então de repente, Lucas, um menino da minha sala se aproximou e tentou me reanimar falando besteiras. Ele era um fofo. Fortinho, moreno, alto, super engraçado, mas um pouco bobo por ser da minha idade (e na minha opinião, os meninos da minha idade não são tão evoluídos), mas nós éramos colegas. Nunca tive tanto contanto com ele, mas vi que ele se importou quando começou a tentar me reanimar. Eu sou muito fraquinha para rir, então esqueci logo daquilo e achei super engraçado. Foi quando ele sentou do meu lado e olhou pra mim... Espera. Eu conheço esses olhos de algum lugar...
Fale com o autor