O Diário

1 O Despertar


Notas iniciais
Sempre escrevo muito, mas não tenho experiencia em mostrar o conteúdo aos outros. Essa historia é uma de muitas que tenho guardada e estou usando-a de teste para avaliar minhas habilidades (como já disse, não tenho muita experiencia) Agradeço desde ja, quem estiver lendo e espero que aprecie o capitulo 1

O Diário 01

O Despertar

(...)

Os pingos mais pesados da intensa chuva caiam sobre mim, banhando meu rosto, marcando minha pele, cobrindo minha garganta e impedindo minha respiração.

Ouvia um barulho distante, mas alto e constante, uma buzina que tocava sem parar e bloqueava qualquer outro som a minha volta. Junto dela, uma forte luz focada diretamente aos meus olhos atordoados.

Mesmo exausta, uma dor chata me impedia de dormir. E, sem forças nem mesmo para mover os olhos e ver o que mais estava acontecendo a minha volta, logo minha cabeça se enchei de pensamentos, duvidas e uma assustadora confusão.

Nada mais fazia sentido.

O que aconteceu comigo?

Eu entendia que estava jogada no chão, toda torta e sem conseguir mover um só musculo, sabia que algo dentro de mim estava quebrado, era o que tinha originado a abertura por onde o sangue – meu sangue – escorria abundantemente se misturando a poça d’agua da chuva crescia a minha volta e lentamente começava a me afogar.

Por que eu estava aqui?

Eu não conseguia me mexer... Não tinha forças... Não sentia nada em meu corpo além da dor incessante e das fortes pontadas contra meu peito...

Eu estava com medo...

— Não toque nela, é perigoso.

Ouvi alguém falando de repente e só então notei que o alto som da buzina havia cessado, substituído por algumas pessoas ao meu redor que murmuravam espantadas, preocupadas e inquietas.

— Ela está perdendo muito sangue...

Eram poucas frases que entendia, o resto das palavras eram múrmuros abafados e sem sentido que em alguns momentos pareciam dos mais distantes.

Alguém perguntava algo para mim, tentando ver se eu estava consciente, mas eu não conseguia entender... não conseguia falar.

— Alguém ligue para a ambulância, rápido.

Havia outro som também, era falho, arfado e pesado, quase estridente, em um ritmo desregular e imprevisível que de alguma forma me assustava...

As vezes ficava mais baixo, a ponto de desaparecer completamente, em outras soava alto como um grito que estava mais para um rugido de um animal furioso... Sim, uma fera que dominava com liberdade e que agora foi enjaulada e excluída do mundo... Ou talvez... uma besta ferida e assustada, lutando por sua vida tal como eu neste momento...

Sim... era isso... Era eu...

A dor ininterrupta causava um gemido agonizante, que saia do fundo de minha garganta, se propagando pelo local sem que eu pudesse controlar.

Eu estava com medo...

– Hinata!

Então uma das vozes se sobrepujou as outras.

Eu não a ouvi antes, não estava por perto ate agora e conquistou minha total atenção no exato momento em que deu seu grito desesperado.

Um par de pernas entrou no meu campo de visão, se aproximou mais que os outros e se ajoelhou no meu sangue. Seu rosto ficou próximo e eu encontrei, se misturando com os pingos que caiam do seu cabelo loiro, as lagrimas que fugiam de seus olhos azuis, passando por suas marquinhas nas bochechas.

Sua expressão era tão triste e preocupada, tão diferente da sua natureza que sempre me transmitia paz... Eu queria sorrir e dizer que tudo ficaria bem, que a ambulância chegaria e que logo tudo voltaria ao normal para ficarmos juntos, lado a lado...

Mas simplesmente não conseguia emitir nenhum som além dos meus gemidos dolorosos.

— Vai ficar tudo bem! – Ouvi as palavras como se fosse um eco dos meus pensamentos. – A ambulância vai chegar rapidinho e eu vou ficar com você, ok?!

Mas percebi que não era a minha voz que pronunciava meus pensamentos, era a dele. O tom rouco, baixo e choroso que assolou meu coração mais do que qualquer dor que eu poderia sentir.

Ele estava com medo...

— Eu não vou sair do seu lado! Eu não vou deixar você, nunca...

— Naruto-kun...

(...)

***

O Hospital era um lugar frio, que cheirava a álcool, anticéptico e sangue, além do seu ar sombrio e triste provocadas pelas tragédias que aqui separam famílias e entes queridos.

Naruto sempre odiou estar aqui em meio aqueles corredores que traziam tantas lembranças ruins, mas nos últimos meses esta tinha se tornado praticamente sua casa.

Vinha todos os dias para visita-la, mesmo sabendo que não tinha permissão para entrar no quarto por ordens médicas e tudo que poderia fazer era olhar pela janela de vidro e vigiar o seu sono.

Ficava ate o horário de visita acabar e as enfermeiras aparecerem para enxota-lo do prédio, porem sempre dava um jeitinho de convencê-las a deixa-lo ficar um pouco mais ou, quando a lábia não dava certo, Naruto tentava se esconder ou se disfarçar – ate mesmo de médico, ou o que fosse – só pela chance de conseguir mais um minuto que seja com sua morena.

A diretora Tsunade acabou marcando seu rosto e a cada vez ficava mais difícil burlar a os guardas do Hospital Particular Senju, mas ele não ligava para o desafio, acabou se tornando uma válvula de escape, um robe, vir fazer aqueles marmanjos da segurança de idiota e ter a recompensa de poder apreciar o rosto adormecido da garota.

O que queria mesmo era cumprir a importante promessa de ficar ao lado dela ate que tudo ficasse bem de novo, não importa quanto tempo levasse ou o esforço que precisasse.

Hoje, porem, era um dia diferente, não era hora de visitação e não veio desafiar os guardas. Naruto foi chamado aqui por Shizune, uma das amigas que acabara fazendo depois de tanto tempo de convívio, que o telefonou aflita. Não quis dizer nada pelo celular, mas pediu que viesse rápido para o hospital e essa ação repentina o deixou preocupado.

Então o loiro esqueceu o resto das aulas do colégio, dispensou o almoço e o estágio depois, reservando o dia inteiro para descobrir o que estava acontecendo.

— Sakura-chan! – Naruto avistou a garota de cabelo rosa assim que entrou na sala de espera.

— Naruto? Neji te ligou também? – Ela perguntou.

— Não, não foi ele. Ela está bem? Você sabe de alguma coisa?

— Não sei, ele só me disse para esperar aqui, isso já faz um tempo...

Naruto tinha um pressentimento horrível e não era só por estar no hospital frio e fedido que sempre o deixava melancólico. Algo grave estava acontecendo e ele não saberia o que fazer se algum se seus medos se tornasse realidade. Temia que se fosse o pior.

Não ficava tão angustiado desde o dia do acidente, quando ficou ao lado da menina na chuva esperando os paramédicos chegarem, ou quando a acompanhou na ambulância segurando a mão que ela lhe oferecera e a viu perder os sentidos e ter a primeira parada cardíaca.

Nunca tinha se sentindo tão inútil como naquele dia, ele não pode fazer nada em nenhum desses momentos, e se recriminava por isso.

Lembrava-se perfeitamente de como o hospital estava vazio aquela noite. Naruto teve que pegar emprestado uma calça de um dos seguranças, por não poder andar com a sua que estava suja com o sangue do acidente, mas ele ainda era capaz de sentir o cheiro impregnado nele;

Teve que ficar esperando com uma ânsia e nojo de si mesmo por varias horas, completamente sozinho, ate alguém aparecer para dar noticias e no fim, só poderiam comentar detalhadamente a situação da menina com um familiar.

Era como se a presença dele não contasse... Nunca sentiu tanta raiva...

Seus dois melhores amigos chegaram depois...

Neji, o nervoso e inquieto, não parava de andar de um canto para outro, no espaçoso salão, deve ter percorrido uma verdadeira maratona ali mesmo, enquanto Sakura chorava incessantemente escondendo o rosto com as mãos enquanto sentada numa das poltronas da sala de espera.

Dado momento, incomodado com os choramingos e soluços irritantes da rosada, o hyuuga começou a se irritar. E quando o insistente choro da amiga fez que as primeiras lagrimas saíssem involuntariamente de seus olhos, não conseguiu se conter:

— Cala boca, Sakura! – Mandou grosseiramente. – Isso não está me ajudando!

— E eu lá me importo com você?! Estou preocupada com a minha amiga! – Ela gritou de volta, ainda chorando.

— Chorar não está ajudando ela também! – Neji rebateu.

— Parem vocês dois! – Naruto interveio – São essas merdas de brigas que fizeram a gente acabar aqui!

Neji bufou o ar dos pulmões para se acalmar, passou a mão entre os fios de seu cabelo cumprido e se sentou ao lado de Sakura, deixando a amiga se aconchegar em seu ombro para despejar seu choro incessante.

Naruto se levantou quase ao mesmo tempo, andou ate a entrada do corredor que levava ate a UTI e voltou, sua respiração era perceptível de tão pesada.

— Essa espera está me matando!

— “Grave, mas estável”... – Neji murmurou. Eles já disseram o que podiam para gente. Só teremos mais informações quando Hiashi-sama chegar.

— E quando vai ser isso? Ele sabe que a filha dele esta a beira da morte?!

— Não fale assim, Naruto! – Sakura o repreendeu pelas palavras.

— Já liguei para Hiashi-sama. Ele está cuidando de assuntos urgentes da empresa, vai vir assim que possível.

— Isso foi à três horas atrás! A empresa é mais importante que a própria filha?!Que merda! – Naruto se sentou no banco mais distante cobrindo a cabeça com as mãos.

— Naruto está mesmo muito nervoso, não acha?! – Sakura comentou em voz baixa.

— Olhe pelo lado bom: pelo menos o namorado babaca dela não apareceu ainda. – Neji respondeu simples.

Sakura o encarou surpresa pela afirmação e depois virou o rosto rápido, se mostrando um tanto irritada.

— Por que falar desse idiota agora?!

— Porque é esquisito o Naruto mostrar mais preocupação que o bastardo que a pediu em casamento, não acha?! – Neji respondeu. – Mas pelo menos não haverá confusão...

— Talvez ele não saiba de nada ainda.

— Hunf... Eu tive a decência de ligar para avisa-lo. – Neji se esquivou do olhar interrogativo de Sakura. – Achei que era o certo a fazer...

— A culpa é minha! – Ouviram Naruto falar de repente.

— Naruto?! – Sakura se levantou, ele não poderia estar se referindo ao assunto deles, estavam falando baixo de mais para ele ouvir de onde estava.

— Sakura-chan... Eu podia ter impedido isso...

— Nós já falamos sobre isso, Naruto. – Neji interveio. – Foi um motorista bêbado numa pista molhada, nada mais.

— Pensar nisso agora é besteira. – Sakura disse.

— Vocês não entendem... É minha culpa... Eu... – Naruto parou engolindo a seco com a garganta arranhando com um nó enorme que o impedia de respirar direito. Prosseguiu. – Eu vi o carro vindo! Poderia ter corrido para tirar ela da frente, ou ter gritado para ela, ou segurado ela para que não corresse para aquele lado.

— Se torturar assim não ajuda em nada... – Neji disse.

— Chega, para com isso! – Sakura o repreendeu.

— Mas eu só fiquei parado, vendo acontecer... Por que eu não consegui reagir?! – Naruto parecia não estar ouvindo o que os amigos falavam.

— Esse não é o tipo de preocupação que alguém da sua idade deve ter! – Ouviram alguém falar.

Sua voz era grave e alta, intimidadora de uma forma que tirou o loiro de seu desabafo surdo, tal como calou Neji e Sakura. Os três levaram seus olhos para a entrada da sala de espera, encontrando o executivo parado com seu caro terno importado ensopado pela chuva.

— Hiashi-sama? – Neji se levantou ao encara-lo, assim como Sakura deu alguns passos para se aproximar, Naruto, porem, continuou de sentado de cabeça baixa.

— Vou dizer isso sem rodeios, então prestem atenção! – Hiashi dizia em um tom muito calmo para a situação.

— Onde você estava ate agora?! – Naruto esbravejou interrompendo-o enquanto se levantava.

— Com os médicos! – Ele respondeu mostrando certa indignação ou ate descrença na ousadia do rapaz. – Cheguei a algum tempo, já falei com quem deveria falar... Não se preocupem! A própria Tsunade-sama decidiu cuidar da minha filha, não existe ninguém melhor para essa situação...

— A Tsunade-sama?! – Sakura se perguntou com um olhar esperançoso.

— Confio nas habilidades dela, sei que tudo ficará bem!

Hiashi estava certo, afinal...

Tsunade a salvou dessa primeira semana de internação, onde a garota estava mais morta do que viva. Trocando dias muito bons sem nenhuma complicação com outros com crises respiratórias e paradas cardíacas.

Algumas semanas mais tarde, sua situação se estagnou em um sono profundo e ela foi transferida para outro quarto, onde os barulhentos aparelhos preso ao seu corpo eram a única coisa que a mantinha ligada a este mundo.

Foram os dias mais odiados da vida de Naruto! O inferno que ele aguentou firmemente com a esperança de ver sua Hyuuga bem.

Se lembrar dessa angustia era horrível, um trauma do qual ainda não havia se recuperado totalmente. Naruto nunca foi bom em esperar, principalmente quando estava nervoso, e naquele dia a culpa e o medo o destroçou por dentro...

E agora, com todo esse suspense que Shizune e Neji faziam... Não... Não iria passar por aquilo de novo... Não podia! Estava disposto a invadir o quarto se demorasse a receber alguma noticia se fosse preciso.

Foi quando que ele avistou Neji entrando.

— Neji, você demorou! – Sakura foi ate ele. – E a Hin...?

A pergunta dela foi cortada quando viu as lagrimas saindo dos olhos rígidos que tanto a garota quanto Naruto nunca pensaram que veriam chorando. O loiro aguardou o Hyuuga se recompor para falar e se preparou mentalmente para ouvir as más noticias.

— Venham comigo... – Foi só o que ele disse.

Os três andavam pelo corredor, Neji, mais rápido que o normal, estava a frente dos outros dois, se esquivando das insistentes perguntas de Sakura. Enquanto Naruto, com medo e a cabeça cheia de pensamentos, não ousou perguntar nada.

Quando perceberam já estavam a poucos metros do quarto, encontrando Hiashi Hyuuga parado ao lado da janela de vidro, observando algo dentro do quarto da filha.

— A crise passou? – Neji perguntou ao tio que respondeu silencioso, apenas com um aceno positivo com a cabeça.

— Como assim crise?! – Sakura perguntou.

— O que é uma crise?! É uma crise, oras... – Neji respondeu nervoso. – Ela acordou, se levantou, jogou os aparelhos no chão e tentou sair andando por ai, totalmente fora de controle.

— Ela deve ter se assustado com aquele monte de fios e bips! – Naruto disse com um tom incerto.

— Não é isso. – Neji parou de andar. – Aquilo era... Diferente.

— Diferente como? – Sakura perguntou.

— Façam silêncio e observem! Tsunade-sama está com ela agora.

Todos olharam através do vidro e viram a Hyuga sentada sobre a cama, com um olhar amedrontado e confuso, ao lado da Diretora do hospital, sua médica particular.

Naruto abriu um sorriso ao vê-la novamente desperta depois de tantos meses. Sentia que esse era o fim do seu pesadelo e que agora tudo seria como antes, melhor do que antes.

Entretanto, observou algo estranho no olhar que ela direcionava a médica. A garota parecia além de confusa e cansada, muito assustada.

— Muito bem, os remédios vão fazer efeito logo. Está mais calma agora?! – Tsunade disse com um leve sorriso, mas a garota não respondeu. – Eu sou Tsunade Senju, sua médica, estou cuidando de você.

— Cuidando? Por que? – Perguntou ainda confusa.

— É o mínimo que eu podia fazer, sou uma velha amiga do seu pai e você sofreu um acidente bem feio. – A diretora falava com uma voz bem calma e serena, tentando tranquilizar a jovem Hyuga.

— Acidente?

— Foi atropelada, lembra?!

— N-não... Não lembro... – Só então percebeu um leve corte em sua testa com alguns pontos a muito cicatrizado.

— Bem, estava no parque, perto da pista, lembra disso?! – Tsunade insistiu, mas a garota apenas respondeu com um balançar negativo da cabeça.

Tsunade então olhou rapidamente para a vidraça encontrando os quatro espectadores, respirou fundo e voltou sua atenção para a paciente.

A próxima pergunta seria difícil, mas a resposta era definitiva para o diagnostico, tal como impactante para todos.

— Querida, se lembra dos nomes dos seus pais?

A garota colocou uma das mãos sobre seu corte na testa, fazendo um enorme esforço para responder corretamente, mas logo desistiu, fechou os olhos e novamente balançou a cabeça negando.

— E o seu nome? – Insistiu pela ultima vez, a diretora viu que permanecia com os olhos fechados, agora chorando. – Tudo bem, tudo bem. Descanse, daqui a pouco o remédio fara efeito e você vai dormir. Com certeza se lembrará quando acordar.

A garota não fez qualquer gesto concordando, mas se deitou sentindo-se cansada, seja pelo choque de ter acordado do coma ou pelo medicamento que lhe aplicaram. Só sabia que logo pegaria no sono.

Tsunade sorriu para ela um ultima vez e então voltou-se para a enfermeira que a acompanhava.

— Por favor, Shizune, fique com ela ate pegar no sono. Aproveite e verifique se todos os aparelhos estão funcionando adequadamente.

— Sim, senhora.

Depois observou novamente os que estavam fora do quarto e teve certeza que teria que encarar um massivo e confuso interrogatório... Bufou de cansaço e decidiu sair para encontrar os quatro curiosos que a observava antes.

— Baachan... – Naruto foi o primeiro a se pronunciar, mas foi interrompido por Hiashi.

— Alguma melhora?!

— É como eu já disse, é uma questão de tempo. – Ela começou a explicação. – Confusão cronológica é normal para um paciente que fica um longo período em coma, mas geralmente afeta a memoria mais recente. Sua filha, por outro lado, tem um caso raro de amnésia.

— Amnésia? – Sakura a repetiu e voltou a olhar pela janela.

— Ei, o que isso quer dizer? – Naruto perguntou confuso.

— Significa que ela não se lembra de nada da vida dela, quem ela é, ou quem vocês são. Como se sua mente fosse um quadro e alguém jogasse uma lata de tinta branca em cima de tudo.

Um quadro em branco?!

Naruto não entendeu de verdade o que a diretora quis dizer. Como ela seria uma pintura apagada?

Ele se virou para a janela e então percebeu a garota olhando diretamente para ele. A garota não parecia olhar para uma pessoa desconhecida do lado de fora do seu quarto. Estava vendo Naruto Uzumaki, aquele que prometeu continuar ao seu lado!

Ele conseguia ver através do olhar dela. Como não sabia quem ele era?! Tinha que saber!

Então Naruto percebeu, nos poucos instantes que ela usou para respirar profundamente, fechar os olhos e virar o rosto, que ele estava apenas se enganando.

A garota deitada podia ter os mesmos olhos perolados, ou a cabelo cumprido e escuro, talvez ate falasse com a mesma voz delicada, mas, não, não era a sua menina.

— Isso é permanente? – Neji perguntou um pouco receoso da resposta atraindo a atenção do loiro de volta a conversa.

— Geralmente não, as coisas devem entrar nos eixos aos poucos, não há com que se preocupar. – Tsunade tentou parecer otimista e então encarou Hiashi. – Ainda sim, gostaria de discutir sobre alguns exames de rotina, para garantir que está tudo em ordem.

A médica esperou o Hyuga responder, mas ele a olhava sério e com uma expressão rígida, era obvio que ele estava meditando sobre algo importante.

— Quero falar com minha filha! – Hiashi disse firme.

— Hiashi, não é o melhor momento. Ela precisa descansar...

— Não foi um pedido! Eu preciso falar com ela! – Ele afirmou, cortando as palavras da médica.

— Hiashi-sama? – Neji estranhou sua atitude.

— Hei, o que está pensando em fazer? Não ouviu a baachan dizer que ela precisa de descanso?! – Naruto se intrometeu.

— Isso é assunto de família! – O Hyuuga disse severamente encarando Naruto diretamente, os dois trocaram olhares raivosos, antes de Hiashi virar o rosto e fingir indiferença. – Neji, saia daqui com esses seus amigos, vocês podem visita-la outro dia.

— Mas...

— Naruto! – Sakura impediu que ele falasse mais.

— Nós já vamos, Hiashi-sama. – Neji disse puxando o loiro pelo braço que só cedeu depois de muito custo.

Apenas quando os jovens já estavam longe, Hiashi voltou a falar com Tsunade.

— Agora vou falar com minha filha, se não se importar.

— Eu me importando ou não, você ainda vai ir falar com ela. – Tsunade disse ironica. – Só gostaria de pedir para não sobrecarrega-la. Informações de mais podem confundi-la e lhe fazer mal...

— Tudo bem, responderei apenas o que ela perguntar.

Assim que ouviu o som do toque na maçaneta da porta, a garota, com alguma dificuldade, se pôs sentada na cama, esperando ser sua médica, mas acabou surpresa ao se deparar com o homem robusto, de terno e gravata, longos cabelos e um olhar intimidador.

— Hiashi-sama? – Shizune já ia se pronunciar quando o viu entrar.

— Saia, por favor! – Ele ordenou.

— Mas a Tsunade-sama...

— Apenas saia! – Ele usou um tom ainda mais autoritário.

A enfermeira saiu após ver a diretora do hospital pela janela de vidro, acenando para que permitisse.

A garota não sabia o que dizer ou se deveria dizer algo, esperava que o homem se pronunciasse, mas este ficou em silencio apenas observando-a com um olhar que a deixava apreensiva e insegura.

— O senhor é médico? – Criou coragem para perguntar, olhando atentamente o senhor a sua frente, não se vestia como um doutor, nem parecia tão simpático quanto um.

— Você não se lembra de nada mesmo?!

Acenou negativamente com a cabeça e viu aquele senhor respirar fundo e forçar um tímido sorriso, mesmo não sabendo nada dele, ela pode notar que aquilo não era habitual.

— Eu sou... Sou o seu pai... Hiashi Hyuuga...

Ela sabia que ele esperava alguma reação a essas palavras, mas não parecia ter qualquer significado para ela agora. Deveria ter? Era um sinal de que ela teria família. Se existe um pai, então também há uma mãe, irmãos, avôs e avós, primos e tios...

... Pai... Esse era quem estava a sua frente e ela não conseguiu esboçar um sorriso que seja, continuou apenas com seu olhar esperando algo mais... Esperando se lembrar, talvez?!

— Então... Se sente melhor? – Ele perguntou um pouco retraído pela falta de reação da filha.

— Acho que sim, a doutora me deu um remédio e disse que me sentiria melhor depois que dormisse.

— Uhum...

Ele continuava com os olhos analíticos e isso a estava incomodando, parecia que ele estava lá para falar algo em especial, mas não conseguia tocar no assunto.

Ou talvez este era apenas seu jeito de mostrar que estava preocupado... Não, esse olhar podia ser nervoso, ansioso, aflito, mas nunca preocupado.

De repente passou a se sentir-se sufocada, era como se ele a olhasse para força-la a se lembrar e não sairia dali ate dizer algo relevante do passado. Essa pressão psicologia junto com a sonolência dos remédios que a médica receitou a deixava dispersa de mais para pensar.

Numa forma desesperada de reagir, voltou-se seus olhos para baixo, não querendo fitar o senhor Hyuuga.

— Não faça isso, por favor. – Hiashi disse em um tom simpático, fazendo a garota encara-lo novamente. – Minha filha nunca abaixaria o rosto para ninguém.

Esboçou um sorriso em resposta, pela primeira vez as palavras do homem a sua frente causaram alguma reação nela. Esse tom que usou soou tão familiar que a fez se sentir calma e segura.

— Bem, Tsunade-sama não quer que eu fique muito tempo. Mas posso responder algumas perguntas importantes, se você quiser.

— Senhor Hyu... – Ela se interrompeu esquivando o olhar mais uma vez. – Desculpe, quer dizer...

— Está tudo bem, não precisa me chamar de “pai” ainda.

— Não sei o que perguntar, Sr. Hyuuga.

— Tem certeza? Não há nada que queira saber sobre si mesmo?!

Ela pensou um pouco, não tinha a menor ideia sobre o que falar, estava cansada e com muito sono para pensar direito. Somente uma coisa veio em sua mente.

— Sim... Acho que tem algo...

— E o que é?

— Qual... – Ela respirou fundo, sabia que essa era a questão mais importante nesse momento. Olhou o senhor a sua frente e criou coragem para perguntar: – Qual é o meu nome?

Hiashi a olhou perplexo e por um instante a menina pensou ter visto lagrimas brilharem no canto dos olhos dele.

Tal gesto, de alguma forma, causou certa estranheza para ela. Era incoerente de uma jeito que não saberia explicar, apenas sentir.

— Hinata... – Ele lhe respondeu com um tom ameno. – Você é Hinata Hyuuga...

Notas finais
Peço desculpas por qualquer erro de português e pelas má qualidade das descrições na narrativa (descrição não é o meu forte, mas prometo melhorar). Criticas serão muito bem vindas.