O Diamante Magnífico
3 Compras Problemáticas
Notas iniciais
3. Compras Problemáticas
- Mãe! Mãe! MÃE, acorde, por favor! – quem passava pelo supermercado às dez da manhã podia ver a cena de um garoto sacudindo a mãe, chorando e implorando que ela levantasse do chão.
Aproximadamente uma hora e cinco jarros de água fria depois, ela acordou:
- Will! Will! – ela procurou nervosamente pelo filho.
- Tudo bem, shh, estou aqui... Tudo vai ficar bem – dizia o adolescente, meio pra mãe meio para si mesmo. Ele a abraçava forte, reconfortando-a.
- O que... o que aconteceu? – perguntou ela confusa.
- Você desmaiou na seção de enlatados. Entrou num transe, falou coisas sem nexo, olhou nos meus olhos, disse algo sobre amor puro, unir dois mundos, passagens, e outras coisas do gênero, e desmaiou. Ficou apagada por uma hora, eu já achava que você tinha me deixado. O que houve? Você viu algum espectro ou coisa parecida? Já faz mais de um ano que você não vê um. – disse Will já preocupado.
- NÃO! Não, não, não... Essas criaturas já se foram há muito tempo! Não! Eu não vi nada que estava aqui, eu... Acho que eu tive uma visão. – disse ela sem acreditar.
- Então, o que você viu?
- Eu não me lembro, mas acho que tinha algo a ver com um modo de você e aquela garota, a tal Lyra da Língua Mágica, criarem um mundo novo... – por um segundo em tempos, o rosto dele não aparentou tristeza ao nome de Lyra ser mencionado.
- Como, mamãe? Como é possível? – perguntou ele sonhador.
- Calma, garoto! Eu disse que eu não me lembro! – repreendeu-o. Ele corou. – Eu sei que quando o assunto é essa menina, você perde as rédeas, mas... bem, você já tem dezessete anos e NUNCA saiu com garota alguma! Já está na hora de parar de sonhar com essa Lyra e partir para outra.
- MÃE! – repreendeu-a perplexo, não esperava que sua mãe resolvesse tocar num assunto desses. – Eu não sei... É que... Eu AMO ela, tipo, de verdade mesmo, eu nunca havia me sentido desse jeito por ninguém, e desde ela eu nunca mais fui o mesmo. Eu finalmente entendi o que amar alguém assim como você e papai se amavam. – ela olhou pra ele emocionada.
- Que belo homem você se tornou...
- Se pai ficaria tão orgulhoso... – os dois disseram em uníssono, ela falando sério e ele, bem, não sério, meio tirando onda e revirando os olhos.
- Mãe, essa é a fala mais clichê do mundo!
- Ué, mas é verdade!
- De onde foi que você tirou isso?
- Da fanfic!
- Que fanfic?
- A em que a gente tá, dãh!... O nome é O Diamante...
- de Sangue?
- Não, Magnífico.
- Ahhh... Que título mais fubeca! Qual é o resumo?
- É. — ela levantou um papel, colocou os óculos e leu — Clichê, porém divertida! Will e Lyra Forever!!!! Imperdível!!! Fic melhor que sinopse (MUUUITO MELHOR!)!!! Se não quiser, não leia, mas please me deixe feliz e leia!(e deixe review!!!) :D — Oh, que emoção, alguém se preocupa comigo!
- Ei, que história de dois pontos e dê maiúsculo é essa? E se não quiser, não leia o quê? Quem é que vai ficar feliz?
Will e a Sra. Parry se viraram para o ser humano que perguntara e Will perguntou:
- Ei, quem é você, hein? E o que é que tu tá fazendo na minha fanfic?
- Eu sei lá! Pra nada, pra tudo... Sabe, eu tô aqui mesmo é pra atrapalhar!
- Afe... E você é...? – perguntou Will.
- Puck, o Bom Robim, o duende brincalhão, o que não mente, e que não ressente.
- Ei, essa não é uma personagem de Shakespeare? – perguntou a Sra. Parry.
- E seu nome não é Parry, tipo, Parry, o ornitorrinco, Agente P!...? – retrucou o Puck.
- Esquece! – suspirou a Sra. Parry, que não tinha nada a ver com um ornitorrinco.
- Nossa! É tarde! — ele disse olhando um gigante relógio de bolso. — "Se vos causamos enfado por sermos sombras, azado plano sugiro: é pensar que estivestes a sonhar; foi tudo mera visão no correr desta sessão. Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar." – despediu-se e despareceu.
- Eu SABIA que ele era de Shakespeare! – disse Will.
- Vixe Maria, ele tomou mesmo chá de sumiço! – exclamou a mãe dele enquanto tateava o ar no lugar em que Puck estivera segundos atrás.
- É, né, mãe? Ele despareceu...
- Não, eu tô dizendo Chá de Sumiço! – e mostrou pra ele uma xícara vazia com um saquinho dizendo Beba-me! Chá de Sumiço da Lebre, não some, mas dá febre!
- Tá... Isso é MUITO estranho!... – ponderou Will.
Nesse momento, eles estavam passando pela seção de relógios bem na hora em que eles dispararam alertando às doze horas. Will, nem se despediu da mãe e correu em disparada até o Jardim Botânico.
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