O Diabo em Apuros

2 CAPÍTULO II


Notas iniciais
Hater: "os que odeiam".

Emily acabara de entrar no escritório. Ela estava abatida e seu visual refletia isso. Ela estava usando um vestido simples preto que identifiquei sendo da Gucci, um sapato que eu não fazia a menor ideia de quem pudesse ter criado, um brinco de pérolas e acabava por aí. Sem mais jóias ou acessórios. Sua maquiagem estava mais natural que o comum, porém não tenho certeza se fora realmente proposital ou se nenhuma maquiagem conseguiu disfarçar suas enormes olheiras e sua palidez com sucesso.

Eu tinha que fazer alguma coisa. Não era má vontade, mas Emily e eu jamais fomos do tipo de amiga que, espera, simplesmente não eramos amigas. As raras vezes que conversamos falávamos sobre o trabalho, mas mesmo assim, normalmente cochichávamos porque não podíamos incomodar Miranda com nossas vozes que nunca poderiam chegar a sala da Dama de Ferro e por isso normalmente trocávamos emails, mesmo estando sentadas frente a frente. Raramente nós ríamos da Miranda ou reclamávamos dela. Não tínhamos nenhum tipo de cumplicidade ou amizade. Tomei coragem:

–Emily, tudo b... — o telefone tocou.

Emily ergueu as sobrancelhas e olhou para o telefone. Eu podia ver que ela não estava em condições de atender, aliás, ela não estava em condições para estar trabalhando. Tirei o telefone do gancho e atendi:

– Escritório de Miranda Priestley...?

– Alô, sou Sophie Goldenberg, trabalho para a Vogue e preciso falar com Miranda. Ela está?

– Ela ainda não chegou mas posso deixar um recado.

– Pode me dar o telefone pessoal dela? É realmente importante. Algum nerd invadiu os arquivos da Vogue e da Runway e fez um site para expô-los. Como se não bastasse é um site hater dedicado às revistas e suas editoras-chefes.

– Então esse é o recado? — eu disse, talvez tenha soado indelicado, mas existem milhares de sites haters à Miranda por espalhados e esse seria só mais um.

– Querida, parece que não me entendeu. O site está tomando proporções inesperadas e pode realmente afetar as revistas então eu preciso mesmo do telefone da Miranda...

– Mas eu não posso te dar o telefone por isso, me entende? Miranda me mataria se soubesse que eu ando passando o telefone pessoal dela para cada pessoa que ligasse falando sobre um site hater...

Emily tomou o telefone da minha mão.

–Aham, sim, eu já sei de tudo e Miranda também. Ok, vou ver o que posso fazer.

Emily desligou o telefone e tornou a sentar em sua mesa. Colocou as mãos sobre a cabeça. Ela estava chorando? e começou a mexer em seu computador.

Tornei a perguntar se estava tudo bem. Assim que terminei a pergunta, Emily olhou para mim e começou a chorar. Fui até a mini cozinha que havia anexada ao escritório e dei um copo de água para Emily. Ela o tomou, estava tremendo. E então, como num sussurro disse:

– Meu pai morreu, Andy. E aquela vaca disse que só posso ir ver minha família quando eu resolver o problema desse site. Me diga, Andrea, que segredo essa mulher tem que me impede de ir ao velório do meu pai? Que diabos ela esconde?