O Diabo em Apuros

8 CAPÍTULO VIII


Já era segunda-feira e como sempre, acordei, tomei um banho, comi um sanduíche de queijo e fui para a Runway.

Fui a primeira a chegar, joguei meu casaco e minha bolsa embaixo da mesa e comecei a verificar os telefones e a anotar todos os pedidos insanos de Miranda no bloco de notas.

Então, Emily chegou. Ela nem sequer lembrava aquela Emily arrasada e acabada que eu tinha visto pela última vez. Ela não falou nada sobre como tinha sido o fim de semana com sua família ou sobre o que tinha acontecido com seu pai. Ela simplesmente entrou, disse um “Oi Andrea” que respondi com um sorriso e voltei a trabalhar. Notei que ela estava um pouco apreensiva, mas achei que deveria ser normal.

***

Passado algum tempo, Roy, o motorista avisou que estaria com Miranda no edifício dentro de 15 minutos. Avisei ao pessoal e a notícia se espalhou rapidamente, então, todos começaram aquela corrida louca para que tudo estivesse pronto quando Miranda chegasse. Inclusive eu.

Fui até a banca de jornal buscar todas as revistas que Miranda assinava e depois fui até o Starbucks pegar o seu café. Todos sabiam que eu fazia isso todo dia e que tinha que ser extremamente rápido – aliás, parecia que todos em NY conheciam a fúria de Miranda. Então, não levei mais de 10 minutos para realizar o percurso, ajeitar tudo em cima da mesa da Dama de Ferro, voltar para minha própria mesa, repassar meu batom e voltar a tarefa que estava fazendo antes do telefonema de Roy: responder emails. Comecei a escutar o barulho de saltos batendo no piso, levantei meu rosto para ver de onde viam, embora já soubesse a resposta. Encontrei meu olhar com o olhar frio de Miranda por uma fração de segundos até que ela jogasse seu casaco e sua bolsa em cima da minha mesa. “Jogar” não é bem a palavra, ela os colocou lá. Talvez a Rainha do Gelo tenha se tornado um pouco delicada comigo quando percebeu que precisaria da minha ajuda para descobrir que seria o traidor.

***

Miranda saiu para almoçar com seu marido, então, Emily e eu ficamos sozinhas no escritório, exceto pela companhia de algumas 5 ou 6 estagiárias que estavam na recepção comentando sobre como estavam gordas e que não aguentavam mais vestir 36.

Aproveitei o momento para pedir ajuda a Emily. Ela conhecia muito mais gente que eu na Runway e, então, segundo meu raciocínio ela seria mais apta a descobrir quem tinha feito o tal site hater e por quê.

Comecei a falar:

– Emily, sobre o site... Talvez você poderia...

Parei de falar quando percebi que ela estava chorando. Ela então se levantou subitamente e veio em minha direção, me segurou pelo braço e me arrastou até a cozinha anexada.

– Andrea, eu não fiz por mal. Ele... Ele começou a me perguntar sobre a vida da Miranda e eu fiquei tão feliz por saber responder tudo... Por mostrar que eu a conhecia tão bem, melhor até do que ele mesmo... Ah, Andrea, eu sinto tanto por isso... Ela vai me matar, Andrea, e eu não posso contar... Eu estava sozinha aqui no escritório esperando O Livro ficar pronto para poder levar para ela... Nesse dia você estava doente, lembra? – ela começou a soluçar e ainda chorava muito – Eu não podia negar, sendo ele quem é... Ele disse que levaria o livro e que fecharia o escritório... Ah, Andrea, como eu fui idiota. Eu pedi ajuda a Nigel e nós conseguimos ver pelas câmeras de segurança... Assim que eu sai, ele trouxe um cara aqui e fez o site... Ele colocou meia dúzias de coisas sobre a Wintour para disfarçar sabe... Ele queria se vingar da Miranda... O que eu vou fazer, Andrea?

Eu estava em choque. Ela sabia de tudo e não havia contado. Ela e Nigel sabiam. Eu mesma me senti traída, afinal eles eram os meus melhores amigos dentro da Ruwnay. De qualquer forma, estava pegando um copo de água para tentar acalmar Emily.

– Antes de tudo, Emily, me diga: Ele, quem?

– Sr. Tomlinson. O Marido de Miranda.

O copo com água caiu da minha mão e se espatifou no chão.