O Diabo em Apuros
3 CAPÍTULO III
Fiquei completamente sem ação quando Emily me disse o que tinha acontecido. Eu nunca tinha passado por isso, nem sequer alguma situação parecida.
– Emily, eu sinto muito... Não sei o que dizer.
– Não se preocupe com isso, — ela disse, se levantando da cadeira e revirando alguns papéis dentro da gaveta. — Agora o que eu preciso é resolver isso para poder viajar para minha cidade. Minha mãe, entende, está muito abalada. Você pode me ajudar a encontrar o telefone de um bom hacker ?
– Anhhh, claro, eu tenho um amigo que pode dar um jeito, vou ligar para ele.
Quando estava na faculdade, eu não era do tipo popular. Talvez porque eu me dedicava muito ao estudos. Como eu tinha recusado uma vaga em Stanford, eu tinha que me esforçar para estar sempre nos primeiros lugares da classe, caso contrário meus pais me matariam. Eu passava a maior parte do tempo com pessoas como eu e foi assim que conheci James. Ele estava sempre diante de um computador e me lembro perfeitamente de como ele tinha se orgulhado ao dizer que tinha invadido o sistema da faculdade e alterado as notas de todos os alunos. Liguei para ele, expliquei a situação e ele disse que tentaria resolver em nome dos "nossos velhos tempos".
Durante o dia, Miranda não tinha aparecido no escritório. Ela tinha ligado bastante, como sempre, pediu algumas encharpes brancas, pediu que eu levasse Patricia para o PetShop, pediu um cartão de visitas que alguém do escritório do The New Yorker tinha entregado para ela uma semana antes...
Por volta das 18:40, Miranda apareceu de surpresa no escritório. Ela entrou, me olhou com aquele olhar típico de Miranda e pude sentir ela olhando dentro de mim. Jogou seu casaco e sua bolsa em cima da minha mesa (Uh, Miranda, quanta gentileza!) e foi até a sua mesa. Ao entrar no escritório, chamou Emily e eu. Antes de ir para ver o que Miranda queria, a tela do meu celular se iluminou e vi que James tinha acabado de me mandar um e-mail dizendo que estava tendo dificuldades em hackear o site e que precisaria de mais um tempo.
Quando entrei no escritório Emily já estava lá. Miranda estava sentada, e nós duas em frente à mesa, em pé. Só agora pude notar que Miranda estava furiosa, visualmente abalada, desnorteada.
Jogou um papel em cima da mesa. Ela tinha imprimido uma página de um site. Me perguntei o porque dela ter gasto seu tempo com isso e porque ela estava mostrando aquilo para nós duas. Fui lendo o papel, sem tirá-lo da mesa, Emily estava fazendo o mesmo. Li o nome do site, olhei seu layout, e cheguei até ao post o que estava escrito com letras enormes e ocupava quase toda a página impressa. Não pude acreditar no que estava lendo. Minha boca abriu-se levemente e olhei para o lado. Emily também já tinha acabado de ler.
– Mas que diabos...? — eu disse e Emily fez sinal para que eu me calasse. Olhei para Miranda. Não poderia ser verdade, Miranda não era nenhuma santa, mas não iria tão longe. Simplesmente não poderia ser verdade.
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