Sim, tenho 27 anos. Sim, atualmente estou sentado na cabeceira da mesa de reuniões da minha seção, de frente para os CEOs das empresas mais faladas nos subúrbios da Coreia do Sul: a Mihalk Solutions, uma empresa focada em produzir vestimentas e materiais básicos, e o Grupo Haneul, um fundo de investimentos focado em comprar empresas em baixa ao redor do mundo.


E o que eu, Kang Do-yun, faço aqui no meio de gigantes? Bom, como mencionei, sou servidor público. Represento o glorioso Fundo de Soluções Monetárias da Coreia do Sul — uma divisão do Ministério da Economia criada para mediar compras e contratos entre empresas locais e estrangeiras, desde que tragam um alto retorno para o país, seja em capital ou em ações estratégicas.


Foi usando todo o peso burocrático dessa instituição que eu acabei de falar por vinte minutos ininterruptos.


Pronto, dei minha cartada. O discurso perfeito e inabalável sobre crescimento a longo prazo.


Mas aquela mulher esquisita não para de me encarar como se eu fosse um pedaço de carne. Um olhar maníaco, quase sociopata. Enquanto os CEOs conversam de maneira mais amigável — graças, diga-se de passagem, aos meus esforços e à insistência do governo —, a funcionária da Mihalk abre a boca e lança a pergunta:


— Mas em que isso resolve a questão dos valores da compra de maneira imediata?


Fico me perguntando como ela achou que seria uma boa ideia falar isso. Percebo o brilho nos olhos dela, como se fosse um demônio. Não entendo o que ela ganharia se metendo nisso; aparentemente é só uma funcionária e não vai ser demitida com a fusão. Continuo calmo por fora, pensando no que posso falar para contornar, mas já é tarde demais.


Percebo, quase de forma visível, as engrenagens da mente do Senhor Jang, o CEO da Mihalk, trabalhando a todo vapor.


— Ela tem razão — ele diz, a voz subindo um tom. — Você falou tanto em crescimento potencial e lucro a longo prazo, quando deixei claro que o que interessa são os ganhos imediatos com a venda. Já avisei que 1 bilhão de wons não é suficiente!


Ele levanta e bate na mesa de vidro.


— Estou começando a duvidar de que você realmente seja funcionário público, Senhor Kang. Isso está me parecendo um golpe. Como a Senhorita Yeong-su bem pontuou, você fica mudando de assunto.


Peço calma. Peço para que ele se sente, e ele obedece. Olho para a 'Senhorita Demônio' Yeong-su e posso jurar que, além do sorriso de orelha a orelha, ouvi um "viva" silencioso vindo dela.


Chamo o Senhor Chris para uma conversa lateral. Ele é um americano com cara bem-humorada.


— Então, tem certeza de que o senhor vai querer realmente fechar com a Mihalk? Como percebeu, vai ser bem difícil convencê-lo.


Ele nem pensa muito e diz, enquanto alisa o cabelo grisalho:


— Tenho certeza. Sabia que ia ser difícil desde o começo, mas imagino que não existam tantas empresas boas assim na Coreia, certo?


Confirmo com a cabeça e dou a alternativa de marcar outra reunião para conseguirmos alinhar melhor os objetivos. Ele concorda, bem como o Senhor Jang.


Os dois apertam as mãos e saem da sala, enquanto eu me inclino sobre a mesa e volto a organizar meu relatório, tentando ignorar o estrago.


Olho para o outro lado da mesa e vejo que Yeong-su ainda não terminou de juntar as coisas dela. Me aproximo, o tom de voz caindo, no limite da minha paciência profissional:


— Por acaso você é uma sociopata? Por que fez isso?


Ela simplesmente dá de ombros, recolhe a última pasta e diz, enquanto vira as costas para ir embora:


— Porque não gostei de você.


Fico ali, olhando-a passar pela porta, enquanto meu cérebro tenta processar que tipo de resposta foi essa.

Notas finais
Protagonistas e personagens principais: Kang Do-yun Yeong-su Han Tae-oh Choi Mi-rae
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.