Notas iniciais
Este capitulo é o encaixe de tudo, o fim! Espero que tenham gostado.

_Sim, mas você nascerá de novo. Mas não se lembrará deles, não se lembrará de nada que viveu até então, sentirá que os conhece, mas não lembrará de absolutamente nada.

_Mais isso não valerá de nada para mim!

Ela estava muito irritada, como isso poderia estar acontecendo?

_Tem outra maneira?

_Sinto muito, ou você vai comigo ou ficará sofrendo aqui.

_Como?

_As pessoas que morrem em acidentes com mortes trágicas como a sua, que não aceitam de forma alguma sua passagem, ficam aqui mais revivem aquele instante pela eternidade. Você quer todos os dias de sua eternidade reviver esse instante doloroso?

_Não. Mas eu não quero ir, meu marido, meus filhos, injusto.

_ Laiza se desespera mais uma vez ao ver chegar a cera de fechar a urna.

_Gui! Estou aqui, olhe para mim.

Ela entra em sua frente, inutilmente ele atravessa seu corpo.

_Aceite, não há o que fazer.

_Não aceito Azrael, faz alguma coisa vão me enterrar.

O anjo simplesmente a olha em silêncio.

Já no cemitério, Laiza ainda tenta chamar a atenção de seus familiares.

_Marcos meu filho você vê a mamãe?

_Sim, mamãe!

_Diz pro papai diz, que eu tô aqui.

O menino acena dizendo que sim, e puxa o terno do pai.

_Que foi meu filho?

_A mãe tá aqui!

_Sim está filho, ela olhará por nós sempre.

_Não pai ela mandou dizer, ta aqui. Olha ela ta brava porque tão colocando ela no buraco.

_Filho, quietinho sim.

O homem não deu crédito ao menino. Laiza gritava, chorava, mais uma vez entrou na urna se colocando em cima do corpo.

_Volta Laiza, volta!!!

Inútil, a terra começa a ser jogada, Laiza grita.

_Não! Não por favor, eu estou aqui, não!

Mas já não há o que fazer.

De repente tudo fica escuro ela ouve uma voz que a chama, sente um chacoalho nos ombros.

_Filha!

Laiza escuta a voz da mãe.

_Laiza! Acorda.

Laiza abre os olhos lentamente e em plantos abraça a mãe.

_Mãe, você me ouviu?

_Que isso menina.

Laiza chorava como nunca.

_Deixei você aqui terminando de se arrumar e fui receber o seu Arlindo, você adormeceu, o carro que vai te levar a igreja chegou. Que houve?

Laiza levanta e vai até o espelho, olha e arruma o vestido; foi um sonho, pior um pesadelo.

_ Então Laiza?

A mãe olhava confusa.

_Nada mãe! Tive um sonho ruim.

_Deve ser o nervosismo filha. Você tá linda querida, mas borrou a maquiagem, venha deixa eu arrumar isso.

Enquanto a mãe arruma, ela pouco escuta o que ela diz. Pensava no sonho, parecia muito real, assustador ainda estava com aquela angustia.

_Laiza! Ouviu o que eu disse?

_Aham!

_Esquece esse sonho filha é só um sonho bobo, você está ansiosa esperou anos esse dia. O que sonhou para ficar assim?

_É como você disse mãe, foi bobagem só um sonho bobo estou ansiosa. As crianças?

_Clara na igreja com seu irmão, Marcos vai com você.

Nisso entra o menino no quarto.

_ Mãe, ta bonita!

_ O meu lindo, você também.

_Vamos está na hora.

_ E você mãe?

_Vou logo atrás com seu pai e seus sogros.

Laiza entrou no carro agora mais calma. Olhava as ruas flores, arvores, que dia lindo era perfeito para celebrar o casamento. Faltava algumas quadras para chegar a igreja.

_Laiza!

_Sim?

_Tem uma movimentação estranha logo à frente.

_De que tipo?

_Olha as viaturas.

Laiza imediatamente lembra do sonho, olha para o filho e abraça.

_Pare esse carro agora!

_Como?

_Tem outra rua?

_Tem, mas é contra mão.

_Pois vai contra mão, não importa se vamos dar a volta, ir na contra mão, mas não passe perto daquele banco.

_Mas a igreja é perto.

_Faça o que eu disse. Tem um celular?

_Me dê.

Laiza liga para o pai.

_Pai não venha pela rua que passa pelo banco, está havendo um assalto, vamos tar a volta.

_Claro filha.

O motorista fez a volta, voltaram por um caminho mais longo que demorava mais uns vinte minutos até a igreja, mas ela preferia não arriscar.

Chegaram à igreja enfim, muito atrasados, ao descer olhou para cima em direção ao banco, tinha muitas viaturas.

_Vamos!

_Vamos pai.

Ouviu finalmente a marcha nupcial, seu coração batia forte, estava realizando seu sonho, casaria com Guilherme.

A cerimonia ia se realizando quando Laiza vira-se para entregar o buquê a mãe para pegar a aliança e fazer a troca de alianças, viu passar atrás dos convidados perto da parede um homem de terno negro jamais visto, que parou e a olhava e ele fez um sinal com a mão de cumprimento.

_Laiza!

Chama Guilherme.

_O que foi? A aliança.

_Nada amor, me distrai.

Ficou nervosa, olhou para lá novamente e já não via o homem.

_Pode beijar a noiva.

Disse o sacerdote. Ouve aplausos. Laiza conseguiu realizar o sonho e o homem na igreja a angustiava. Mas devia ser coisa de sua mente, porque ficará impressionada com tudo. Estava casada e agora irá ser feliz.

Chega uma das convidadas e diz a outra mulher:

_ Tá tendo um assalto no banco ali, que perigo.

Laiza, sente estremecer

_ O que a senhora disse?

_Um assalto, Laizinha. Mas parece que os bandidos já estão se entregando.

_Guilherme, seria melhor esperar tudo acabar para sairmos?

_Mas ela disse que já está tudo terminando, não é?

_Sim, meu filho, já estão se entregando.

Laiza estava com medo. Mas era apenas cisma, não iria acontecer nada.

Ao sair da igreja sentiu um calafrio.

_Filho, vá para perto da vovó.

Olhou para rua, ali não havia perigo algum. Pensou ela “Fique calma Laiza, foi apenas um sonho para alertar você, você desviou do perigo salvou seu filho e está viva, casou-se”.

_Jogue o buquê!

Gritou uma prima.

_Não gente, na festa.

No pensamento “Quero sair o mais depressa possível”.

Insistiram.

_Tudo bem. Vamos todas as encalhadas._ sorriu Laiza_ Lá vai, um... Dois... Três. Foi!

Jogou o buquê, as moças se empurravam para ver quem ficava com o buquê.

Enquanto desciam a escadaria da igreja, a tradicional chuva de rosas e arroz.

De repente, ouviu-se disparos, gritaria e correria, uma confusão geral. Laiza olha para o outro lado da rua e vê o homem do seu sonho, ele vem andando em sua direção.

_Laiza, Laiza!

Grita Guilherme.

Num flash, Laiza sente um baque no peito, queima. Vira-se e vê, seu corpo está no chão, frio e sem vida já.

E o marido e a mãe encima do corpo, chamam por ela.

_Laiza meu amor.

_Chame uma ambulância. Pelo amor de Deus.

Laiza com os olhos cheios de lagrimas vê tudo como se estivesse em câmera lenta. Algumas viaturas passavam correndo, outras paravam, policiais agora seguravam a mãe que desesperada gritava, via Rafael levando seus filhos para dentro da igreja. Marcos chorava.

_Mamãe! Eu quero minha mãe.

Via o pai, que não chorava, mas conversava com um policial e trazia uma grande dor no olhar. As pessoas olhavam horrorizadas.

_Que tragédia Meu Deus!

_Era o dia mais importante da vida dela.

Clarinha a filhinha pequena, essa ainda não entendia nada, chorava assustada no colo do irmão, enquanto era levada dali.

O homem de negro era Galariel agora do lado dela, ela o olha e pergunta.

_Porque?

_Porque ninguém foge do seu destino, o que está escrito está escrito, não é fugindo que você vai mudar. Você deu a volta e fugiu do seu destino e ele veio ao seu encontro.

_ E agora?

_Agora vamos, vim te buscar.

_Antes me diz uma coisa.

_Sim?

_Porque o sonho se eu não teria como evitar?

_Foi uma forma que encontrei de te avisar e para te ajudar acertar quando chegasse a hora.

Laiza então pega na mão estendida pelo homem, ainda chora.

_Amo vocês!

O anjo diz:

_Não se preocupe, a vida se encarrega de tudo, inclusive deles.

Laiza então caminha na estrada. Afinal aqui é só uma etapa da fornada, existe outra mais longe, aquela que se percorre até a eternidade.

Notas finais
Comentem sempre.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!