Em um dia de inverno, não como outro qualquer, era mais frio que os demais, e uma solidão, junto com medo, reinava. Eram sete e meia da noite. Em um canto, lá se encontrava uma garota, que, a horas, chorava sem parar. O namorado acabara de terminar com ela, e eles, em semanas, iriam se casar, ele era o amor da vida dela, mas ele se interessara por outra, e a abandonara.

Ela se chamava Shisuku Surinami, vinha de uma família nobre, uma das mais respeitadas da cidade. E, naquele momento, se rebaixava de sua alta classe, em um canto escuro, de um beco qualquer da cidade, em um bairro quase deserto, desconhecido.

Às nove da noite, acharam-na naquele beco. Sua família ficara preocupada, e mandara uma equipe buscá-la. Horas de buscas, e finalmente a encontraram. Perguntaram-lhe se estava tudo bem, Ela não respondera e continuava chorando sem parar.

Levaram-na para casa, Sua mãe, preocupada a abraçara, ficara feliz em vê-la, e perguntara se estava tudo bem, e ela só afirmara com a cabeça, e lágrimas ainda escorrendo.

Passado um tempo, e Shisuki enfim parara de chorar, toda a mágoa dela, se transformara em raiva, ódio e desprezo. O pai havia colocado ela, em uma aula de espadas, para que se distraísse, ganhara uma katana, e dera a ela o nome de Kira.

Shisuku, em um dia, já era noite, e decidira sair de casa, pegara um Kimono antigo da família, e o cortara, para ficar mais a sua cara, colocara uma bota de salto, e um sobretudo preto, e prendera seu cabelo, em um rabo-de-cavalo, parte da franja solta. Levara Kira embainhada, presa na cintura.

Às nove e meia, chegara ao seu destino. Entrara numa velha casa sem avisar. Se encaminhara as escadas. Enquanto subia, sua raiva se direcionava as mãos, sutil fluíra o sangue nas escadarias. Chegara ao topo, entrara em um quarto, lá encontrara um homem, ele estava de costas, ela desembainhara Kira, aproximara-se do homem e em um golpe só, a cravava no coração dele. Ele a olhava e chorava sangue, ela só disse uma última coisa, “Adeus, meu grande amado!”. O sangue dele, escorria na Kira. Ela saira da casa, e começara a nevar, nevava vermelho, como sangue, estava nevando sangue, o sangue daquele que ela amava.

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