O Dia-a-dia Da Família Shion
5 Capítulo 5
Notas iniciais
– Ah...
– Que desânimo! Aconteceu alguma coisa? — Pergunta Mokaito aos garotos no banco de trás, que suspiravam enquanto olhavam pela janela.
– Sim, preciso mudar de lugar! — Responde Akaito, irritado. — Pensei que com esse novo trabalho íamos nos livrar de nossa mãe, mas isso virou piquenique em família! E ainda por cima eu fiquei no banco de trás com esses dois!
– Eu devia estar reclamando! Troque de lugar comigo! — Reclama Zeito exasperado, dando uma cotovelada em Akaito, quase fazendo ele cair em Taito, que afiava seus picadores de gelo.
– Eu estou bem aqui. — Responde Taito com um sorriso, sem se alterar com o mal-humor dos irmãos, girando o picador com os dedos e o guardando depois. Os dois engoliram em seco.
– Aponte isso para mim e você vai sentir o gosto dele. — Sussurra Zeito, os olhos ficando mais escuros com a raiva.
– Isso pode ser interessante. — Responde Taito afiando outro picador com cuidado.
– Mokaito! — Grita Akaito desesperado.
– Akaito, você sabe que é o único com força suficiente para segurá-los além de mim e dos nossos pais, eu sinto muito!
– Você me paga, Kaito! — Exclama o ruivo para o irmão adormecido no banco da frente, que babava enquanto dizia sorvete com uma voz sonolenta.
*
– Estou com um pressentimento ruim... — Suspira o pai dos garotos no outro carro, logo atrás deles. — Logo, logo, eles vão começar a atacar uns aos outros ali na frente...
– Está tudo bem, Raito. Se fosse para brigarem eles já teriam começado. — Diz a esposa com um sorriso estonteante, ele sorri de volta, um pouco nervoso, se lembrando do dia anterior, a enxaqueca voltando.
– Deve estar bem animado lá... — Comenta Kikaito entediado, olhando para Kaiko e Nigaito dormindo. — Espero que os Kagamines estejam no local. Faz tempo que não vejo eles!
– Parece que o seu desejo foi atendido! — Chihaya diz para o filho, que se aproxima da janela e vê os gêmeos esperando na frente da hospedaria.
Kikaito pula do carro assim que ele para, cumprimentando Rin e Len de modo esfuziante.
– Kaiko! Nigaito! Lembram-se dos gêmeos? — Kikaito puxa os dois irmãos sonolentos, apresentando-os.
– O Kaito vive falando de vocês! — Diz Len depois das apresentações.
– Ele é um irmão mais velho bem babão, não é? — Rin pergunta para eles, Kaiko e Nigaito sem jeito para responder.
– Com certeza! — Exclama Kikaito enquanto o outro carro da família finalmente estacionava. — E falando no demônio...
– Você quer dizer "falando no idiota", não é? — Len dá uma gargalhada da piada sem graça, sem reação dos outros dois, ficando vermelho. -Desculpa...
– Você chama ele de idiota mas não é muito diferente, né? — Rin reclama, logo os dois já estão discutindo, sendo interrompidos por um grito.
– Finalmente! Depois de todo aquele estresse, preciso de ar livre! — Grita Akaito quase jogando Zeito do carro ao sair.
– Tudo está bem quando acaba bem, não é? — Diz Kaito feliz depois do cochilo que deu, Akaito sem dizer uma palavra dá uma chave de braço no irmão.
Os cinco que observavam a cena logo começam a rir dela.
– Talvez o onii-chan seja um pouco idiota mesmo! — Diz Kaiko sem fôlego, logo voltando a rir.
– Venham ajudar a descarregar, vocês dois! — Mokaito pede aos dois irmãos, interrompendo as risadas, fazendo os mais novos voltarem a conversar, enquanto Taito tira uma mala da traseira do carro. — Ué? Cadê o Zeito?
– Junto com a Zatsune. — Diz Taito ao irmão, apontando para os dois próximos de uma árvore centenária.
– Deixa ele! Nós damos conta! — Reclama Akaito pegando a sua mala.
– Mãe! Pai! Vamos sair com os gêmeos! — Kikaito grita em alto e bom som, chamando a atenção de todos.
– Nós estaremos de volta a tempo de ver os locais da filmagem, senhora Shion. — Diz Len com um sorriso alegre, complementado pela irmã. — Estaremos por perto!
– Aonde vão? — Pergunta Chihaya preocupada, mas eles saem correndo sem dar uma resposta. — Essas crianças!
– Agora a gente dá conta? — Pergunta Kaito com um suspiro de resignação ao irmão.
– Cala a boca!
– Zeito! — Chihaya chama o filho, que se aproxima chateado. — Vá atrás deles!
Ele apenas acena com a cabeça e olha para Zatsune.
– Eu vou com você. — Zatsune diz irritada, indo na frente na direção que os cinco seguiram.
– Eu vou na frente. — Diz Raito cambaleando e passando pelos filhos, que olham para ele em súplica. — Dor de cabeça.
– Eu vou dar uma olhada no local. — A mãe fala com um sorriso enorme, acenando e se afastando antes que eles digam algo.
– Nós vamos dar conta? — Pergunta Kaito de novo olhando para a pilha de malas nos dois carros, Akaito lhe manda um olhar maligno, rangendo os dentes e pegando 4 malas de uma vez. Kaito suspira de novo e retira duas malas muito, mas muito mais pesadas do que pareciam.
– Isso é bem pior que as compras da Meiko!
*
Chihaya se movia entre as árvores de maneira silenciosa, o vestido se entrelaçando pelas suas pernas com o vento forte, o cabelo soltando fiapos da trança grossa.
A pousada era um casarão pouco usado e bem antigo, mas ainda assim era bem conservado. Pelo que contaram um homem e sua esposa visitavam o local todo mês para limpeza e reforma. Tinha conversado com o diretor, o produtor e até com o agente de Kaito e de Meiko, a quem conhecia bem, afinal seu filho e ela trabalharam juntos várias vezes e eles foram os primeiros a serem lançados pela gravadora Crypton. As negociações com a gravadora Power — FX já estavam ocorrendo há vários meses e agora que conseguiram fechar o contrato eles não perderam tempo. Ela sorriu. Foi o jeito impulsivo do diretor da gravadora que fez com que ela gostasse dele e deixasse Kaito começar a carreira. Mas tão rápido quanto o sorriso apareceu ele também sumiu. Alguma coisa ainda não estava certa...
– Uma moeda pelos seus pensamentos...
– Você me assustou! — Chihaya se vira em um pulo, olhando para o homem escondido nas sombras.
– Isso não teria acontecido quando éramos jovens. — Responde ele com a voz rouca.
– Talvez seja a idade...
– Não, você parece preocupada... — Diz ele se aproximando, as roupas de modelo antigo farfalhando, o cabelo debaixo do chapéu que um dia foi loiro, completamente branco, um olhar preocupado.
– Talvez esteja... — Ela se vira, irritada por ter mostrado fraqueza, principalmente para aquela pessoa.
– Será que está preocupada com uma possível perseguição? — Ele toma a mão dela com a sua enluvada, aproximando-a dos lábios. — É melhor tomar cuidado... — Ele beija seu dedo indicador, enquanto a observa fixamente. — Quem brinca com fogo pode sair queimado.
– E você sabe bem disso, não é? — Pergunta ela com a voz aguda, ele solta a sua mão, tornando-se visível agora sob a luz, a face esquerda com uma enorme cicatriz e o braço direito faltando — Kagamine?
– A experiência é o melhor presente que um velho pode dar aos mais jovens.
– Sei... — Chihaya não acreditava nele, o conhecia bem demais, sabia do que ele era capaz e sabia o que controlava aquele demônio. Ela sorriu. — Eu não vi o Riku. Como ele está?
– Bem. — Ele respondeu simplesmente, o sorriso sumindo momentaneamente, se virando em seguida. — Já que quer saber notícias dele, que tal um chá?
– Está zombando de mim?
– É claro que não. — O homem responde enquanto ajeita o seu chapéu perfeitamente alinhado, ele dá um grunhido, começando a se cansar daquele desperdício de tempo, o tom de voz muda. — Seus filhos não são os únicos...
– O que quer dizer com isso? — Chihaya estava cada vez mais irritada, sem perceber havia seguido ele e já estavam quase de volta a pousada.
–Oh, parece que alguém se esqueceu... — O sorriso de escárnio era ainda pior, ele passou a sua frente e abriu a porta de entrada. — Não se preocupe, vou refrescar a sua memória...
Fale com o autor