O Dia a Dia da Família Zephyrum
4 Capítulo 4 - Visitante Indesejado 1 parte 1
Notas iniciais
Depois do mercado, a família Zephyrum voltou para casa — a pé. Moravam numa vizinhança muito tranquila, mas mesmo assim eram isolados dos outros vizinhos — humanos — que sempre se escondiam quando viam qualquer membro daquela família na rua.
Até mesmo na caminhada para casa uma senhora que andava com os netos praticamente correu para sair do caminho do quarteto. Andavam dessa maneira: Proto bem a diante (ainda temendo Grandark) de cara fechada e Zero entre Grandark e Goldark pouco atrás.
Proto, que carregava todas as compras, bufou impaciente.
– Tch, por que não moramos em Ellyos? Ernas é tão problemática.
– Se você quiser morar no meio do nada, com vista pro inferno e de caçar a própria comida como um selvagem, eu mesmo abro o portal pra você — Grandark respondeu.
– Un, eu gosto daqui... — Goldark murmurou; viva em Ellyos quando sozinho com Proto e nunca foi forte o suficiente para a vida de exilado então fazia tudo para que Zero e Grandark não o expulsassem de casa. Diferente do companheiro ruivo que esta sempre à um chute de ser expulso. — E-em Ellyos não tem essas comidas que você gosta, Proto. — Comentou.
– Fica tranquilo, loirinho, o cabeça da fósforo ali é o único que merece viver naquele fim de mundo.
– Tch.
Logo chegaram ao portão de casa, onde o ruivo parou e esperou que alguém o destrancasse . Zero e Grandark passaram primeiro e foram direto para a porta. Como Goldark vinha por último, Proto lhe sussurrou ameaçador:
– Strike dois.
– Eeh!? — Sussurrou em grito — Q-q-quando foi o primeiro?
– Quando você gritou quando eu mandei não gritar.
– M-m-mas...
Proto então o deixou para trás.
Assim que abriram a porta, Zero e Grandark perceberam que "algo" zapeava canais em sua tevê. À princípio, o que conseguiam ver acima do encosto do sofá eram dois "chifrinhos" escuros.
Percebendo que os donos da casa haviam chegado, o visitante se pronunciou.
– Ah, até que enfim — Veigas virou parcialmente o rosto para a porta, com extremo desdém- Estou com fome e com vontade de comer comida caseira. Cozinhem para mim. — Ordenou e então voltou-se para a tevê
O ruivo se meteu entre os esverdeados e encarou a criatura abusada.
– Quem é o moleque e como ele entrou aqui?
Veigas olhou para ele com uma expressão popularmente conhecida como "bitch face".
– É o Veigas, e ele se teletransporta — Zero respondeu num tom de insatisfação.
Logo todos haviam entrado em casa e Proto passou direto para a cozinha deixar as compras.
– Olha só, eu não sabia que vocês tinham filhos. — Veigas comentou ao mirar o loirinho depois de seguir o ruivo com o olhar até que ele sumisse na passagem — Mas pelas cores, acho que alguém andou pulando a cerca, hahaha.
Grandark avançou um passo, visivelmente irritado com o comentário. Ao mesmo tempo que Zero o deteve estendendo um braço diante do esverdeado, o cubo de Veigas se materializou diante de seu senhor.
– As coisas estão lá. E eu não vou guardar nada. — Indiferente, Proto voltou e se jogou no canto do sofá, afastado de Veigas, e seu movimento despreocupado fez o visitante quicar uma vez.
– O que? Eu me disponho a vir até aqui para dividir uma refeição com vocês e AINDA não tem nada preparado? Que absurdo! — Cruzou os braços e fechou a cara como uma criança mimada.
– Uh... Me desculpe...
– Não se desculpe com ele, Zero.
– Mas... Bem, então eu vou preparar algo...
– Eu te ajudo — "Se eu passar mais tempo na presença do pirralho viadinho a sala vai acabar destruída."
E seguiram os dois para a cozinha. Goldark até que tentou ir também, mas o olhar (ainda que mascarado) que Proto lhe lançou o fez mudar seu caminho e ir para o sofá. Ele não iria se arriscar a receber um terceiro strike agora.
Assim que o loirinho sentou-se ao lado do ruivo, este o pegou pelos ombros e o acomodou de lado em seu colo, abraçando-o de forma possessiva por fim. Olhou uma vez para Veigas que os observava como se lhe disse "é meu".
Veigas começou a gemer de forma infantil.
– Aaaai, que inveeeeeja! Eu também quero alguém pra ficar assim agarradiiiiinho. — Então ele teve uma ideia e estalou os dedos, e assim seu cubo flutuou para seu lado. — Deus, traga o Sieggy aqui. — Ordenou.
– Perdão, meu senhor, isso vai além de minhas limitações.
– Ai, que saco, então se transforme nele!
– Mas meu senhor — disse o cubo — isso seria--
– Olha só, já se passaram 5 segundos e não estou vendo meu imortal moreno aqui, só um cubo prestes a ser quebrado. — Retrucou ameaçador.
O cubo flutuou para um pouco mais distante de seu senhor, e após um som parecido com engolir seco, acatou a ordem. Uma luz púrpura começou a envolver o cubo, e crescer moldando-se na forma de Sieghart, porém tendo suas cores em tons de roxo.
Veigas bateu uma palma, admirando aquela forma com excitação.
– Ótimo, ótimo! Não, pera. Quero ele sem camisa!
Pode-se ouvir o cubo suspirar embora a forma de Sieghart fosse aparentemente inexpressiva. Logo estava como seu senhor queria, sentado no sofá ao seu lado.
– Yay! — Imediatamente Veigas pulou no colo do imortal ilusório, sentando-se ali e o abraçando pelo pescoço — Sieggy!
Proto e Goldark assistiram tudo de camarote; Goldark completamente confuso e Proto com uma expressão de nojo. Veigas correspondeu os olhares com uma careta após gesticular a palavra "MEU" em seus lábios.
Veigas ria como uma criança enquanto se esfregava em "seu Sieghart". Vez ou outra também soltava gemidos chamativos mesmo que seu companheiro não movesse um músculo. Estava difícil para o loirinho olhar apenas para a tevê com aquela cena constrangedora acontecendo bem ali ao lado. Proto só ignorava, bufava e xingava.
Dava pra ouvir os passos de Grandark indo até a passagem e voltando para a cozinha, provavelmente preocupado com os sons que ouvia na sala. Metade do filme de sessão da tarde dublado pelo estúdio Herbert Richard havia se passado até que Veigas finalmente se aquietasse.
Enquanto isso, no canto da cozinha mais distante da sala, Grandark mantinha seu andarilho contra a parede. Apalpava-lhe a coxa direita com uma mão e invadia a camisa lisa do albino com a outra; e ainda beijava todo o espaço que a gola V bem aberta daquela camisa deixava exposto.
– N-não, Gran... dark... T-temos visitas em casa hoje...
– Estou estressado. Se não me acalmar, amanhã estaremos procurando uma nova casa. — Grandark subiu a mão por dentro da camisa de Zero até poder cutucar seu mamilo com os dedos. Zero prendia os lábios para dentro da boca para não gemer alto.
– Hm...
O esverdeado então pôs uma das pernas entre as do companheiro, logo usando-a para pressionar e se esfregar à virilha do albino.
– Gran... Ah...
– Você se excita por tão pouco. — Ele riu, apertando a coxa de Zero com força.
Zero quase gritou.
– A-a comida! Vai queimar! — Sussurrava; tinha que se livrar de Grandark logo ou realmente teria uma ereção ali. O segurava pelos ombros e apertava, mas em momento algum tentou empurrá-lo.
– Deixa queimar. Não quero te ver tão empenhado pra cozinha pra outro.
– P-por favor, Gr-Grandark... — Dizia implorando.
– Não. — Negou de uma vez, e tomou vorazmente a boca do andarilho.
De volta à sala.
– Ai, essa comida não vai ficar pronta nunca? Estou morrendo de fome! — Ele disse bem alto, com a intenção de ser ouvido pelos na cozinha.
– Escolheu um péssimo lugar pra comer. O mano cozinha muito mal. — Proto comentou aos resmungos; Goldark em seu colo só não pegara no sono por estar de estômago vazio.
Veigas estalou os dedos novamente e seu cubo voltou a forma original.
– Sim, meu senhor?
– Vá ver o andamento de minha refeição.
– Como desejar.
O cubo se foi como ordenado; Proto soltou um rosnado baixo; certamente já sabia o porquê da demora.
Deus não se demorou a voltar.
– E então?
– Aparentemente, meu senhor, a comida é o que menos interessa aos cozinheiros no momento.
– ... O que? NÃO VAI ME DIZER QUE ELES ESTÃO TRANSANDO NA COZINHA EM PLENA LUZ DO DIA, NÃO É!?
Na cozinha, Zero ouviu o escândalo de Veigas, mas no momento estava com as calças abertas e com o V de sua camisa rasgado até em baixo, partindo a vestimenta em duas. Assustado, ele bateu com a cabeça numa prateleira, derrubando alguns vidros de tempero em cima de Grandark. Só assim para o esverdeado recuar, espirrando por causa da pimenta.
Enquanto Grandark lavava o rosto, Zero se enrolava para fechar as calça e caçar a máscara jogada em sabe-se lá onde.
– VOCÊS AÍ, ONDE ESTÁ MEU ALMOÇO!? — Veigas apareceu de surpresa na passagem (se teletransportou) batendo o pé nervosamente no chão.
– Uuh.. Já vai sair... — Zero respondeu ainda todo enrolado. Tinha achado a máscara mas a vestido ao contrário. Correu para o fogão desligar o fogo das panelas.
– Ao menos o cheiro está bom. — Mais uma vez se teletransportou, dessa vez reaparecendo já acomodado numa cadeira de costas para a pia. Decidiu que esperaria pela comida ali mesmo.
Grandark segurava uma faca invertida por cima da cabeça do pequeno asmodiano distraído e olhava para Zero como se pedisse permissão para matar o visitante. Zero fez que não, então o esverdeado recuou.
(continua)
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