No segundo andar da casa Zephyrum há um corredor após a escada onde se localizam os três quartos e o banheiro. Proto e Goldark tem seus próprios quartos; Zero e Grandark dividem o outro.

Os membros da família Zephyrum não tem muito o que fazer em seus quartos além de dormir à noite — e raramente, mandar os menores para um castigo — já que seus móveis não passam de camas e armários. A cama dos chefes da casa é a única de casal. E claro, mais de uma vez na semana esses dois usavam sua cama pra algo além de dormir.

Os barulhos das molas do colchão de casal gritavam quase tanto quanto o andarilho e seu amante. Os dois até sabiam ser discretos, mas certas vezes não conseguiam se conter.

– A-ah... Grandark! Gran... Ah!

– Hah, Zero...!

Eles se aproveitavam no conforto da bagunçada cama de casal, até que uma batida na sua parede lhes chamasse subitamente a atenção.

– FIQUEM QUIETOS AÍ, CARALHO, TEM GENTE QUERENDO DORMIR!

Ah, sim, o quarto do Proto era bem ao lado. Embora a cama dele ficasse na parede em paralelo. Não tinha nada mais naquele cômodo se não a cama de solteiro que o ruivo ocupada e seu armário de roupas — se bem que nem precisava dele, tinha o costume de deixar as coisas espalhadas pelo chão.

– Aquele bastardo... — Grandark praguejou encarando furiosamente a parede golpeada; ainda estava "dentro" do andarilho, apoiado sobre os braços que o cercavam — Por que mesmo ele mora conosco?

– Hah... Hah... — Zero ofegava — Ele é meu irmão... Não podia, hm, deixá-lo desamparado...

– Ele sabe quando ser incoveniênte — Grandark pousava a testa em um dos ombros do amante. Não é porque Proto reclamava que ele ia parar o que estava fazendo.

Apesar de quê passaram a fazer menos barulho depois da queixa.

Proto ainda podia ouví-los, acabou jogando outro sapato na parede.

– Mas que porra, aqueles dois não sabem respeitar o sono dos outros.

– É... Tem gente que não sabe respeitar o sono alheio...

Oh, e Goldark estava com o Proto. O ruivo o abraçava de forma possessiva, o loirinho era pequeno, mesmo a cama sendo de solteiro, cabiam os dois ali.

Aquela cena era totalmente normal; Proto sempre sequestrava Goldark de seu quarto e o obrigava a dormir com ele com um bicho de pelúcia gigante.

– E só pra você saber, se por acaso você fugir ou entrar em "modo espada", independente do que o Grandark faça comigo depois, eu juro que te violo sem dó nem piedade. — Proto ameaçou falando diretamente no ouvido do loirinho.

Goldark congelou imediatamente; não se movia nem respirava. Temia que qualquer movimento em falso irritasse o ruivo. Não se atrevia nem a mover o olhar fixado no interruptor de luz na outra parede. Ficava ali encolhido no abraço de Proto até, por um milagre, conseguir adormecer.

Só mais uma noite comum na casa Zephyrum.