O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real
2 Descobrindo o Impossível
Notas iniciais
Segunda-feira, como eu odeio esse dia. Levantei-me, cambaleando como sempre, e fui me arrumar para ir à aula. Era sempre a mesma coisa, eu já estava começando a me enjoar. Queria férias... Mas antes delas eu teria que terminar o quarto bimestre e ir bem nas provas, para não ter dor de cabeça depois. Que saco.
A aula correu sem nada de muito especial, mas eu continuava com aquele pressentimento de dois dias atrás, o de perseguição. Isso estava começando a tirar a minha atenção da aula. Toda vez que eu olhava para a janela, pensava que alguém estava me observando dali, e esperando que eu ficasse sozinha. Estava começando a entrar em desespero, para ser mais exata. O incrível é que eu me esquecia com muita facilidade o suposto perigo que estava correndo.
Bateu o sinal do intervalo, pude escutar os alunos descendo as escadas em disparada, como uma manada de elefantes. Meus colegas desceram logo depois, e eu fiquei na sala sozinha. Estava pegando o meu lanche quando vi um vulto passar por mim. Assustada, me virei para trás, tinha alguma coisa jogada no chão. Estava olhando de longe, assustada demais para ir até lá ver o que era, mas de longe parecia... Uma arma? Que lembrava muito a scarlet do Lupus? Impossível. Minhas lentes de contato deviam estar me enganando. Passados alguns minutos, tomei coragem e resolvi ir até lá ver o que era. Dei meu primeiro passo e fui parada por alguém, que tapou minha boca com uma mão e segurou meu braço com a outra, por trás.
“Shhhhh...” A tal pessoa me mandava fazer silêncio. Lentamente virei minha cabeça e consegui finalmente ver quem era: O dono dos olhos vermelhos que me espionavam e da silhueta da sombra que me assustava. Lupus, o Caçador de Recompensas.
– I-impossível... – Falei, mesmo com a boca tapada.
– Nada é impossível – Ele falou friamente, típico de sua personalidade, me soltando em seguida.
– Lupus? – Perguntei. Ainda não estava acreditando no que via.
– Olá, Celly – Ele falou em tom sarcástico, rindo em seguida – Você só não tem medo da própria sombra, não é?
– Tem uma pessoa me seguindo, do nada viro e vejo uma arma de fogo no chão, e você queria que eu ficasse tranquila? – Eu disse, um pouco indignada.
– Idiota... – Ele riu, ainda achando graça da minha cara.
– Como você... Como é que... – Eu tentava encontrar palavras para perguntar como diabos ele estava ali, na minha frente.
– Cale-se e preste muita atenção no que vou te dizer. E não se atreva a contar isso a alguém – Ele dizia, agora sério. Fiquei quieta esperando que ele me explicasse essa loucura.
– Um portal entre o mundo da Grand Chase e esse mundo se abriu, ninguém sabe ainda como. Mas não eram todos os que conseguiam atravessá-lo. Nós, os membros da Grand Chase, conseguimos atravessar devido à ligação que existe entre cada um de nós e vocês, humanos, que nos interpretam no que vocês chamam de RP, segundo o que a Mari pesquisou e descobriu. Dessa brincadeira entre vocês, surgiu esse “laço”. Vocês sentem o que nós sentimos, sabem o que estamos pensando. E há o risco de, caso vocês morrerem, nós deixarmos de existir, e voltarmos a ser apenas meros personagens de um jogo que não falam nada a não ser falas programadas. – Ele dizia isso com preocupação e raiva ao mesmo tempo, pude sentir isso. As pesquisas da Mari eram verdade: Eu sabia o que ele pensava e achava das coisas.
– Todos os vilões da história do jogo, saíram e também vieram para esse mundo – Ele continuou – Mari suspeita que Duel tenha lançado alguma maldição neles, para que fossem capazes de atravessar o portal. Infelizmente esses desgraçados já descobriram como nós chegamos até aqui, e agora planejam matar os humanos que nos interpretam, para que deixemos de existir e eles possam dominar esse mundo.
– Por isso você estava me observando?
– Exatamente. Se algo acontecer a você, será o meu fim. Todos da Grand Chase estão fazendo isso nesse momento: Tomando conta de seus OOCs para que não sejam mortos.
– Vocês tem que tirar eles daqui, antes que eles nos achem.
– Não posso deixar você sozinha para tentar fazer alguém como o Duel voltar para o mundo do jogo, por exemplo – Ele disse, enquanto pegava sua scarlet do chão – Seria arriscado demais.
– Mas...
Antes que eu pudesse concluir a minha frase, o sinal tocou novamente e os alunos estavam voltando para a sala.
– Ficarei de olho em você, mas nenhum dos outros idiotas pode me ver. Agora você sabe o que está acontecendo, não precisa entrar em pânico – Ele disse, saltando pela janela e sumindo da minha vista.
Eu não conseguia acreditar no que acabava de ver e ouvir. Era loucura demais para ser verdade... O jogo era real? E eu estou de certa forma ligada ao Lupus? Como isso é possível?! Demorei algum tempo para aceitar a ideia. Minha atenção na aula havia sumido.
Notas finais
Se alguém quiser conhecer é só deixar um comentário pedindo para passar o link dos tumblrs.
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