Notas iniciais
Postando esse por causa dos muitos reviews que recebi. Go go me mandar review, adoro ler e responder eles \o/

Não demorou muito até chegarmos a Áton. Tudo era muito mais incrível na visão de dentro do jogo: era muito mais real, mais emocionante, e até mais assustador. Mas eu estava com o Lupus, então não devia ficar temendo os monstros de lá... Estava pensando assim, tentando afastar o meu nervosismo.

Começamos a caminhar por um deserto que parecia não ter fim, acho que era o Deserto das Miragens. O clima era muito quente, e também transmitia uma sensação ruim; não consigo explicar exatamente o que era essa sensação. Os outros OOCs também pareciam estar sentindo isso. Minha atenção estava grudada em Lupus; consegui detectar uma pontinha de preocupação vinda dele. Ora, se isso tudo não se resolvesse logo, era muito provável que todos nós morrêssemos.

– Quando é que vamos começar a bater? – Jin perguntou, batendo os punhos. Aquele era outro caso perdido na minha visão, adorava uma luta como ninguém. Pude ouvir seu OOC pedindo para que ele ficasse quieto depois disso.

– Quando você resolver ficar quieto – Retrucou Lass.

– Que tal você ser o primeiro a apanhar, ninjazinho maldito? – Jin arrumou a manopla em sua mão.

– Deixe de ser patético – Lass mais uma vez retrucara. Holy apenas assistia a discussão, com aqueles olhinhos fofinhos e inocentes de criança. Os OOCs faziam o mesmo.

– Calem a boca, idiotas – Lupus intrometeu-se – Continue atenta, Mari. Ao sinal de alguma pista, nos avise.

– Creio que acharemos pistas em um determinado lugar específico do continente – A garota dos olhos heterocromáticos olhava um mapa em seu livro; sua OOC fazia o mesmo.

– Caminharemos até lá, então – Lupus concluiu.

Eu permaneci quieta durante todo o percurso. Estava pensando, tentando dar boas esperanças a mim mesma sobre a situação. E eu também não tinha nada o que falar, para que diabos eu me intrometeria na discussão dos chasers? Impressiona-me o fato de o Lupus não ter começado uma briga com o Lass, inclusive.

– Com medo, Celly? – Lupus resolveu dirigir a sua palavra a mim.

– Medo? Não – Menti.

– Não minta para mim, ainda posso escutar os seus pensamentos – Em momento algum ele se virou para me fitar.

– Isso tudo não pode estar acontecendo... – Falei, sem pensar.

– Veremos se ainda pensará assim após o término dessa missão.

– Missão?

– Isso tudo não passa de uma grande missão onde a recompensa seria continuar vivo, garota – O caçador tinha uma maneira bastante diferente de encarar o mundo. Já estava acostumada com isso.

– Podemos falar de coisas mais divertidas? – Holy resolveu intrometer-se. Um silêncio repentino iniciou-se logo após a sua fala. Todos tinham as suas dúvidas sobre o término dessa grande “missão”, como diz o meu IC.

– Olhem ali, temos companhia – Lass quebrou o silêncio após longos minutos, apontando para o horizonte; um grupo de formigas guerreiras estava vindo em nossa direção.

– E lá vou eu desperdiçar minhas balas... – O portador das scarlets revirou os olhos e em seguida sacou suas armas – Os OOCs afastem-se e fiquem longe da confusão, isso vai ser rápido.

Os OOCs fizeram o que Lupus pedira, e os ICs já se preparavam para a batalha. Holy sacou sua grande marreta, Mari folheou seu livro até parar em certa página, Jin arrumou a manopla na mão e Lass sacou suas garras.

As formigas então atacaram, e por algum motivo focavam as pessoas mais indefesas que se encontravam logo atrás dos ICs. Parecia que de alguma maneira sabiam sobre os OOCs, o portal, essa confusão toda. O moreno irritou-se ao perceber o tal foco das formigas, e passou a atacar com mais precisão.

– Acabem com essas formigas inúteis de uma vez! – Ele berrou.

– Você não manda em mim, irmãozinho – Lass provocou, cortando uma das formigas em quatro partes.

– Apenas faça o que eu digo ninja imprestável – Lupus retrucou.

– Será que dá pra vocês pararem de brigar? – Resolvi interromper uma possível briga entre irmãos. Lothos havia me pedido para impedir a briga entre os dois antes de sairmos do QG, afinal.

Um estrondo pôde ser ouvido, semelhante a um terremoto. Patadas pesadas estavam se aproximando, Holy arregalou os olhos quando viu do que se tratava; Era o grande Dragão do Deserto, no jogo ele era o Sub Boss da missão Deserto das Miragens. Um lagarto gigante que, sendo visto ao vivo, parecia muito mais sanguinário do que aquele simples lagarto gigante que os OOCs estavam acostumados a ver na tela do PC.

– Que saco... – O caçador soltou um suspiro, ao perceber que teria mais trabalho a partir daí. As formigas restantes, que já eram poucas, saíram correndo aos tropeços, já machucadas. Algumas estavam até sem alguma parte do corpo. O lagarto nos encarou com um olhar penetrante.

– Não olhem nos olhos dele, e se afastem devagar – Lupus nos disse, sem fazer nenhum movimento brusco. Os OOCs então fizeram isso.

– Isso com certeza irá nos atrasar – Mari disse.

– Vamos brincar com o lagartinho? – Holy perguntou.

– Ou o lagartinho vai nos transformar em seu almoço – Jin completou.

– Ao meu sinal, todos correm para uma direção diferente. Jin, você fica para trás, protegendo os OOCs – Lupus estava improvisando uma estratégia de batalha ali.

– Não vai dar tempo... – Lass percebeu o lagarto se preparando para dar o bote.

– Vão! – O caçador berrou em uma ordem. Os chasers fizeram exatamente o que lhes foi mandado, eu e os outros OOCs estávamos agora na proteção de Jin. O lagarto enfim avançara.

– Lagartinho mau! – Holy amassara a cauda do monstro com uma martelada forte. Rapidamente ele virou-se para mordê-la.

– Tempo da Bala! – O moreno das scarlets fora mais rápido do que a ação do Dragão do Deserto. Alguns tiros ricochetearam naqueles dentes afiados e incrivelmente brancos, enquanto outros passaram rasgando sua boca e parte das escamas de proteção.

– Nirvana! – Jin atacara pelo lado direito, aproveitando a distração do último ataque. Lass passara praticamente invisível em todas as direções, arrancando fora parte das escamas que protegiam o lagarto.

O lagarto não deixara barato: abocanhou a paladina que martelara sua cauda e a arremessou no guerreiro que atacara pela direita. Tentou acertar o caçador com uma de suas patas, enquanto com a outra tentava acertar o ninja. A cada momento que se passava, a batalha ficava mais difícil para ambos os lados.

O caçador então resolvera fazer uma loucura: em dado momento, invocou o par de rupturas e as jogou para mim. Fiquei olhando para as armas com uma cara meio tonta.

– Celly, você deve saber apertar o gatilho. Atire nas patas dele! É impossível errar! – Ele disse, saltando e esquivando de uma mordida.

Realmente, o meu ângulo de visão do lagarto era muito bom, eu visualizava exatamente os alvos. Mesmo nunca tendo ao menos encostado em uma arma em toda a minha vida, mirei as patas do lagarto. Hesitei por alguns instantes.

– O que está esperando?! – Lass me perguntou, ainda enquanto atacava. Os OOCs me olharam preocupados.

Mais uma vez o medo havia me consumido. Primeiro estava frente a frente com um lagarto gigante assassino, agora tenho que atirar nele? Em dado momento, ele acabou me percebendo com as armas apontadas para ele. Conseguiu arremessar todos os chasers para trás utilizando as patas e a cauda, e avançou para mim.

– CELLY! – Íris gritou atrás de mim, já se protegendo contra o possível ataque.

– TEMPESTADE UIVANTE! – Não sei o que deu na minha cabeça, mas acabei executando uma das skills (mais odiadas, detalhe) do Justiceiro, nome da classe que utiliza essas armas. Apenas me lembrei do que via no jogo, executei os mesmos movimentos, e as rupturas fizeram o resto. Tinham mesmo muito poder de dano, o suficiente para fazer o lagarto gemer de dor e se afastar; ele já estava bastante machucado.

Nesse meio-tempo, os chasers puderam todos de uma vez ataca-lo. Ambos utilizaram seus ataques mais poderosos, o que foi o suficiente para desmaiar o lagarto.

– Como... Você fez isso? – Íris veio até mim, surpresa.

– Eu não sei... Apenas imitei o Lupus – Respondi, sem ter muita certeza do que havia dito.

– Foi incrível! – Ela sorriu para mim.

– Bom trabalho, Celly – O dono das armas em minhas mãos se aproximava – Fez exatamente como eu faço.

– É, acho que eu fiz sim – Devolvi as rupturas para ele, que imediatamente as guardou.

– Essa não, agora temos mais uma caçadora de recompensas irritante? – Lass revirou os olhos, estava brincando.

– Cale a boca – Lupus retrucou – Mari, você disse que há um lugar em específico em que você acha que vamos achar pistas. Onde é?

– Creio que não muito longe daqui – Ela voltara a olhar no mapa de outra página – Mas é melhor pegarmos um caminho alternativo. Ninguém está a fim de encontrar o grande escaravelho do deserto.

– Contanto que cheguemos lá vivos, tudo bem – Jin concluiu.

Voltamos a caminhar guiados por Mari, estávamos saindo do deserto por meio de um caminho na lateral, precisávamos apressar o passo. A essa altura, eu já estava desejando mentalmente que os outros grupos estivessem mais adiantados do que nós.

Notas finais
E, claro, comentem o que acharam do capítulo também, né? =w='