O Dia Da Caça
7 VII – Miscigenação.
Notas iniciais
Boa leitura o/
Zero caminhou rapidamente até sua moto, enquanto Ametista reclamava mais atrás acompanhada por Shamash. Por ainda estar chocado com o que havia ocorrido dentro da loja do mestiço, Zero só se deu conta de que Ametista o chamava quando a mesma o sacudiu. Suspirou vagarosamente. Aquela que estava a sua frente era a Ametista que ele sempre conheceu. Pena que não podia dizer o mesmo da Ametista que viu dentro da loja.
-Não quero ir pra casa — A mestiça anunciou.
Zero concordou com a cabeça. Imaginou que o ultimo lugar que a mestiça gostaria de estar era perto do pai. Entretanto permaneceu parado no lugar.
-Zero? – Ametista o chamou – Você está estranho... Olha se foi o que aconteceu dentro da loja...
-Esquece. Só... esquece. – Zero a cortou – Então, o que vamos fazer?
-Não sei – Ametista admitiu desanimada – Aquele pingente era minha única alternativa... Nós temos que encontrar esse demônio Zero.
-Ah claro... E você espera o que?
-Espero que eu tenha deixado algo passar dentro daquela casa. – Falou o olhando nos olhos.
Como se eu tivesse escolha, Zero pensou.
-Suba ai. – Falou, subindo na moto — Acho que seu demônio de estimação não vai se importar em seguir a moto de novo...
Shamash rolou os olhos, porém sumiu da vista dos dois antes que pudessem dizer algo.
-Bem, acho que isso é um não – Ametista riu.
Ao voltarem na casa de Lita, Zero mostrou o compartimento escondido para Ametista que olhou para aquele lugar desconfiado. Olhou para Zero, que parecia bastante relutante em enfiar o braço ali novamente e quando foi olhar para Shamash o mesmo já estava com quase todo o braço para dentro do local. Retirou dali uma cabeça praticamente intacta. Parecia pertencer a alguém bem jovem e possuía longos cabelos negros. Logo, Shamash sumiu com a cabeça, deixando os dois sem reação.
-O que mais tem ai dentro? – Ametista perguntou, no que Zero deu os ombros.
Ametista ajoelhou, olhando para dentro do compartimento, contudo, por ser escuro demais não teve outra escolha fora colocar o braço para dentro. Tateou o lugar com certo nojo até sentir algo parecido com um pano.
-Achei... – Falou animada.
No mesmo momento que Ametista puxava para superfície sua descoberta, Shamash voltava para dentro da casa. Entretanto não carregava mais a cabeça que encontraram. Zero engoliu a seco.
-Você fez o que penso que fez? – Perguntou.
-Qual o problema? Ainda poupei seus olhos de ver. Deveria me agradecer, humano – O demônio respondeu com desdém e então se virou para Ametista. – Jovem Mestra, só pra constar a cabeça era de um demônio.
-Estranho ainda estar intacta. – Respondeu dando mais atenção ao que havia descoberto. Parecia mais um diário do qual abriu com cuidado.
-Ao contrario de humanos, nós demônios demoramos séculos até nos decompor. – Shamash explicou. – Contudo, acredito que o corpo já tenha sido devorado também.
-Informação muito útil, obrigado – Zero ralhou sentindo seu estomago dar voltas novamente – Você não tem um assunto menos nojento?
-Parem vocês dois. – Ametista repreendeu – Eu estou tentando entender isso aqui!
E alguns minutos se passaram enquanto Zero vasculhava os quartos atrás de mais alguma coisa. Entretanto sabia que aquilo só era um pretexto para ele não sentir-se entediado. Quando Ametista achava algo que julgava interessante ler esquecia-se do mundo e de qualquer outra coisa, inclusive dele.
Ciúmes de um livro, que beleza hein, Zero. Sentou-se na cama que provavelmente pertencia a Lita, pelo quarto ser infantil em tons de rosa e branco e olhou em volta. Ainda não conseguia entender o que de fato havia acontecido ali. Os pontos simplesmente não se ligavam.
Levantou-se andando até Ametista novamente que sorriu ao nota-lo.
-Tenho uma historia pra contar. – Disse sorridente.
-Certo... Nada muito nojento, eu suponho.
-Bem, você vai ver.
Então Ametista começou a contar o que havia lido até então, o suficiente para saber o que acontecia.
-Primeiramente havia um demônio, do qual, pelo diário, traiu o outro.
-Que novidade – Zero rolou os olhos, logo se aquietando para Ametista continuar.
-Para que ele não fosse morto, ele teria que dar dois de seus filhos para esse demônio e em seguida marcar o outro para continuar a linhagem. Mas, como estava no mundo humano... Enfim, teve filhos mestiços.
-Espera... Está me dizendo que a Lita vem de uma linhagem demoníaca? – Zero perguntou surpreso.
-Uhum... É uma surpresa pra mim também. Ela não tem energia demoníaca. É totalmente humana, tenho certeza disso. A única coisa que aconteceu foi mistura entre as duas raças – demônio e humano – até não sobrar muito da parte do demônio pra contar historia. O problema da Lita é que ela não tinha dois irmãos para oferecer.
-Como sabe disso? – O rapaz perguntou.
-Vi um porta-retratos na sala. Ela só teve um irmão. Logo a família toda pagou menos ela que deveria continuar... Argh, demônios não tem noção de idade! — Ametista disse irritada.
Zero respirou fundo antes de começar a falar:
-Certo, posso até acreditar nessa teoria louca. E o pingente? E essa cabeça que o Shamash fez o favor de devorar?
-Os pingentes. – Ametista enfatizou – Um é o que marca as “refeições” e o outro é o que marca o que vai dar continuidade a “linhagem”. Pelo visto eles são de formas e cores diferentes. O da Lita, que representa a linhagem, é mais translúcido de cor gelo em forma de uma pequena lágrima. Já o outro, pelo o que eu li, é um pouco maior, de forma oval e opaca. – Continuou — Da cabeça infelizmente não fala nada, mas provavelmente deve ser o demônio em questão, morto pelo outro.
-Então... Fenris não vai atrás do Dante? — Zero sorriu de canto.
-Não – Ametista o imitou – Mas nós temos que saber onde esse outro pingente, antes que esse demônio reapareça e faça um estrago com outra família.
-Claro. – Zero concordou – Eu até sei como conseguir isso – Sorriu.
Notas finais
E SIM a Lita é totalmente humana, apesar da linhagem ;)
Beijoooos e até domingo que vem (nesse num vou postar pelo motivo lá acima, sorry D=).
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