Notas iniciais
Oi, sei que demorei, mas... Minha situação nas minhas casas está cada vez pior. Meus pais ainda continuam separados. Pai Blaine assumiu um relacionamento imaturo e ridículo com um tal de Eli. Papai Kurt trouxe Adam e sempre me deixa sozinho com ele dizendo: "Vou deixar vocês à sós para ter uma conversinha." Qualquer dias desses, vou fazer igual minha tia Santana e dar um tapa nesses ordinários. Pedir que eles voltem é pedir demais?

– Obrigado. – Blaine se jogou sentando em cima da cadeira onde estava Julia.

– De nada. É pelo meu neto e genro. – A mulher encarava o sangue subindo pelo cano.

– Agora eles são da sua família? – Blaine estava tão estressado, que não estava se importando com mais nada.

– Blaine... Por favor não comece, não é momento e nem tenho disposição pra isso. – Pediu a mulher sem olhar nos olhos do filho.

– Não, agora que estamos a sós, eu realmente queria saber. Porque está fazendo isso? Kurt nunca foi seu genro na minha adolescência. Mas agora ele é. Você nunca gostou de nós estarmos juntos, mas agora considera o meu filho, seu neto. Por quê? Por que só agora? – Pediu Blaine virado para ele. Julia se manteve em silêncio. – Responde! – Blaine bateu o punho no braço da cadeira assustando Julia.

– Por que? Você quer saber disso agora? Porque eu fui imatura, não soube lidar com aquilo. Deixei que seu pai mantivesse o controle de tudo, mas ele teve péssimas decisões. Eu tentei te trazer de volta. – A mulher chorava. – Eu tentei mais do que tudo, mas seu pai disse que ou era a mim ou você. Você tinha Kurt, eu não tinha ninguém. Nenhum parente, nem um amigo. Cooper precisava viver a vida dele. Mas ai eu pensei em comprar uma casa e foi o que eu fiz, juntei o dinheiro e quando estava para fechar o negócio, seu pai descobriu. Aquele dia ele me bateu pela primeira vez. Me senti péssima, sem chão. E eu não tinha ninguém, pois o monstro havia colocado meu filho pra fora. Eu tentei te procurar, mas tive medo. Só criei coragem quando você já tinha vindo para cá e Burt não disse o número da casa e nem o telefone, e como não sei mexer em computadores, não consegui te encontrar por redes sociais. Mas... Mas eu te procurei tanto Blaine... Tanto. – Julia havia desabado em lágrimas e cobria o rosto com as mãos.

– Você ainda mora com ele. – Blaine se mantinha forte e olhava para ela por cima, só desviava o olhar quando ela olhava nos olhos dele.

– Ele nos ameaçou de morte. Mas não só eu, você e seu irmão, mas Kurt. – Ela cuspiu as palavras para ele.

Blaine se sentiu fraco e com o estomago embrulhado. Martin era um monstro. Ele havia feito Cooper sofrer antes de ir para Los Angeles, Blaine sofrer, Julia sofrer e mesmo assim ainda queria mais. Blaine se tocou de tudo o que estava fazendo com sua mãe.

– Me desculpe. E-eu agi errado. Me desculpe. – Disse Blaine com lágrimas nos olhos encarando vazio.

– Eu só não queria mexer nisso. Ainda é uma feriada aberta. — Julia conseguia olhar somente o perfil do rosto de Blaine. Com uma barba crescendo, olhos com lágrimas, os braços e o corpo fracos. Blaine havia se tornando um homem, agora era pai. Julia tinha orgulho de Blaine ter se tornado um grande homem sozinho.

– E-eu precisava disso. Mas não imaginei que iria doer tanto. Martin é um monstro. Mas o pior é meu filho estar na incubadora, meu marido está –

– Senhor Hummel-Anderson? – Novamente a enfermeira do cabelo vermelho. Blaine precisava descobrir o nome dela.

– Sim? – Blaine se ergueu na cadeira.

– Preciso te dar uma notícia. Kurt acaba de entrar em coma. – A mulher nem havia preparado o moreno.

Blaine sentiu uma forte pontada na cabeça. O moreno colocou os pés em cima da cadeira e tampou os olhos com as palmas das mãos. Quando Julia menos esperava, o moreno começou a chorar.

– Blaine, venha cá. – A mulher puxou Blaine para que ele pudesse chorar em seu peito, e foi o que o moreno fez. — Vai ficar tudo bem, Kurt e Rory vão sair dessa. — Blaine agarrava a blusa dela e se escondia nela. Julia só pensou em cantarolar a música de ninar que cantava para Blaine. Julia cantava a linda melodia fazendo Blaine se acalmar, enquanto acariciava o cabelo de seu menino. Depois que os soluços pararam, Blaine havia dormido. – Eu te amo, meu menino. – Julia beijou os cachos de Blaine e voltou olhar para o nada, enquanto continuava a doar o seu sangue.

[...]

Blaine abriu os olhos, olhou em volta e viu pequena sala onde estava com Julia, que já não estava mais lá. Blaine se arrumou e foi à sala de espera. O moreno passava pelos corredores, observando algumas pessoas na ala da maternidade, todas felizes olhando seus parentes pelo vidro. Ele queria estar feliz assim.

– Ei, Bud. – Burt foi até Blaine. – Eu sei que não está bem, mas se sente melhor?

– Menos cansado, eu suponho. – Burt havia abraçado Blaine com um dos braços e eles caminhavam para as cadeiras. Blaine tinha a cabeça baixa. – Por quanto tempo eu dormi?

– Cinco horas. – Respondeu Burt.

– Rory? – Perguntou Blaine brincando com os dedos das mãos.

– Está se recuperando.

– ...K-kurt? – Ele havia fechado os olhos por medo.

– Já recebeu a doação... Mas ainda está em coma, não sabemos por quanto tempo...

Blaine olhou para o lado contrário e apertou os lábios para não chorar.

– E os outros? – Burt conseguia a voz de choro do rapaz.

– Foram embora uma hora atrás. Precisavam descansar e ficar no hospital não é bom para as crianças e nem as grávidas.

– Entendo. Julia?

– Lanchonete. Blaine, eu estou acabado, com a situação do meu neto, meu filho, você, minha viagem, então... – Blaine olhou para o sogro. – Eu... Eu posso ir para sua casa?

– Claro, claro. Só pedir minha chave na recepção, tive que tirar para colocar o jaleco. Mas podem ir, a casa é de vocês.

– Você irá ficar bem? – Perguntou Carole entrando na conversa.

– Espero que em breve. – Blaine encarava o chão.

– Ok, nós estamos indo. Qualquer coisa nos telefone. – Disse Burt levantando.

Blaine concordou com a cabeça. O moreno fingiu não ver Burt caindo em lágrimas quando foi embora. Ele estava sozinho agora.

[...]

– Senhor? Senhor? – Alguém balançava os ombros de Blaine. Ele havia cochilado.

– Uh... Pois não? – Blaine se ajeitava na cadeira e os cabelos.

– Blaine? Blaine Hummel-Anderson? – Perguntou outra enfermeira.

– Sim... – Blaine olhou em volta e viu que não era um pesadelo.

– Queira me acompanhar, por favor. – A moça deu as costas para Blaine.

– Para onde vamos? – Perguntou ele levantando rapidamente. O Blaine estava com um pouco de medo e com o coração acelerado; e aquilo não era nada bom pra quem havia acabo de acordar.

– Ver seu filho. – Disse ela olhando para trás e mandando um sorriso. Blaine respirou mais aliviado. Depois de entrarem no elevador, subir alguns andares e andar por mais alguns corredores, chegaram a uma porta. – Vá aquele banheiro e lave as mãos por favor. – Ela apontou e Blaine foi. Blaine se olhou no espelho e se viu péssimo. Barba de três dias, olheiras, olhos vermelhos, roupas amassadas. Kurt odiaria ver ele daquele jeito. Blaine aproveitou e lavou o rosto e mãos. Depois saiu e foi de encontro a enfermeira. – Agora vista isso. – Ela entrou um jaleco. Blaine vestiu e eles entraram. Blaine um pouco receoso de entrar.

– Ele está acordado?

– Sim. Me acompanhe por favor. – Os dois caminharam entre uma sala cheia de pequenas criancinhas em incubadoras. Blaine olhava para todas, tanto do lado direito quanto do esquerdo. Eles estavam chegando ao fundo da sala. – É esse.

Um lindo menino de olhos claros, um pouco de cabelo, que eram castanhos e lisos; isso havia deixado Blaine mais calmo. Tinha a pele avermelhada mas notavelmente branca igual de Kurt. Os olhos curiosos. Mexia os braços e pernas freneticamente.

– Ele é lindo... – Blaine se abaixou ao nível da incubadora e encarou o filho que seguiu os olhos castanhos de Blaine. – Ei, amor. – A criança não parava de encarar o pai. Blaine colocou a mão no vidro e abaixou a cabeça para chorar.

– Uh... Gostaria de segura-lo?

– Eu posso? – Blaine olhou esperançoso para a mulher.

– Se me prometer cuidado...

– Eu prometo. – Disse Blaine. — Qual era o problema dela? Ele é meu filho, é claro que eu vou ter cuidado. – Pensou o moreno.

Ela com cuidado foi levantando a tampa. Pegou o bebe no colo e deu para Blaine.

– Cuidado com a cabeça e as costas do bebe. Coloque seus braços nessa posição. – Ela mostrou para Blaine, que imitou. Gentilmente ela colocou Rory nos braços de Blaine. – Pronto.

– Ele... Ele é incrível...

– Eu vou deixar vocês sozinhos por um momento. – Disse a enfermeira caminhando para o corredor.

– Ei meu príncipe. Você é lindo, sabia? Parece muito com o seu... – Blaine voltou a chorar. Blaine alisava a cabeça de Rory. – Eu queria tanto estar com você e seu papai agora, tanto, mais tanto. – Blaine sentia pontadas no coração. Blaine deu beijinho de esquimó em Rory. O menino colocou a mãozinha em cima da bochecha de Blaine, que abriu os olhos. — Eu te amo tanto, Roy e te prometo que tudo vai ficar bem. Que as coisas vão voltar ao normal, que Kurt também vai cuidar de você e logo. Porque você não pode ficar sem um papai... — Blaine olhou para a janela do berçário. — E eu sem meu marido...

Notas finais
Isso não é justo.