Rio de janeiro, 10 de fevereiro de 2011.

Uma coisa que eu odeio é o carnaval.

O Brasil é o país mais hipócrita. Não aceita os gays, se passa por correto e religioso, mas no carnaval isso desaparece. Nem precisa esperar até o carnaval. O Brasil exporta drogas até para os países que eu nem sabia que existia. Tem o maior imposto do mundo. Índice de assassinato enorme. Porém, dois homens ou duas mulheres se casarem é pecado ou errado. Não preciso dizer mais nada, essa estupidez é absurda.

Outro dia, eu estava andando pela minha rua, quieto. Passou um carro lotado, devia ter uns cinco homens lá dentro. Eles pararam o carro pouco a frente da onde eu estava. Um deles saiu do carro e veio atrás de mim, não sabia o que significava. Só fui entender depois da surra que levei. Ele disse:

-Isso é para você aprender a ser homem.

Espera ai, eu apanho na rua apenas pelo fato de gostar de homens e não de mulher. Eu não mato. Eu não machuco. Eu não maltrato pessoas os animais. Por que eu mereço isso? O agressor diz que é pecado uma pessoa gostar de outra do mesmo sexo. Aah, e espancar a outra na rua sem ter feito nada é de Deus?!

Depois de tudo ainda tive que ir ao hospital. Fiquei uma semana internado, olha a gravidade da coisa. O pior de tudo foi o que o estupido do meu pai me disse no hospital:

-Você é um fracassado. Não serve pra nada mesmo. Só me causa desgosto. Eu cuidei de você. Te dei tudo, agora você apanha na nossa rua, porque todo mundo sabe que você é um viadinho.

Talvez, meu esteja certo. Eu seja apenas um fracasso, não sirva pra nada, só para causar desgosto. Só espero que quando eu morrer, Deus tenha piedade de mim. E na próxima vida, eu venha hétero. As pessoas lidam e acham que isso é uma opção. Não, não é. Eu não escolhi apanhar na rua. Eu não escolhi ser humilhado. Eu não escolhi ser odiado e ser o desgosto do meu pai. Eu escolho ser feliz, mas a felicidade não me escolhe.

Eu preciso mais do que nunca de Deus, eu preciso muito. Não sei o que fazer. Nunca soube, mas agora está pior. Acontece a todo o tempo, as pessoas me humilhando. Eu não sei o porque. Todas as noites eu peço à Deus, coragem, sabedoria e felicidade. Dinheiro? Dinheiro não iria mudar em nada a minha vida. Do que ia adiantar ver o meu pai batendo na minha mãe em uma casa no bairro nobre? Ou ser humilhado perante esse mesmo bairro? Nada. Nada mudaria.

A minha mãe quando me viu no hospital, deitado e todo machucado, ela me perguntou:

-Você está bem, Léo?

Foi uma das frases mais bonitas que alguém já me disse. Pode parecer estupido ou tosto, mas foi sincero. A lágrima em seus olhos me encarando, foi como um anjo me protegendo. Depois que me viu, me abraçou forte e sorriu, dizendo:

-Mamãe, nunca, mas nunca mais vai deixar alguém fazer alguma coisa dessa com você.

Aquele sorriso simplesmente fez todas as dores pararem de doer. Todas as cicatrizes sumirem. O que importava era que eu tinha alguém, uma motivação a viver. Minha mãe. Naquele abraço, eu vi e sentir mais que um simples abraço. Eu senti Deus e minha mãe dizendo que irei superar toda aquela situação e que eles estavam torcendo por mim. Essa foi a minha última e a mais verdadeira motivação a sorrir nos últimos dias. Hoje, eu escrevi, apesar de tudo, sorrindo. Agora, eu sinto o amor dentro de mim. Batendo como um martelo no meu coração. Eu posso senti-lo agora escrevendo essas palavras nessa folha em branco.