O Diário de Leonardo Jones

6 Capítulo 6- Várias miligramas


Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2011.

Prometi a mim mesmo parar de reclamar da minha vida.

A minha vida pode ser horrível, mas existem pessoas com uma vida, talvez, pior e que não reclamam. É com elas que devemos aprender a lidar com os nossos problemas.

Em todos os momentos eu passei falando e criticando a sociedade, sem perceber eu fazia parte dela. Eu estava criticando, o que a sociedade faz. É claro que existe uma diferença, eu critico para tentar melhorar a sociedade, a sociedade critica por criticar. Sem objetivos.

Queria viver em um mundo onde todos fossem diferentes. Um mundo onde todos tem os mesmos direitos, mas obviamente isso não é possível. Queria um mundo simples. Sem sacrifícios. Sem dor. Sem defeitos.

O meus problemas são vários. Acho que fiquei um pouco ignorante com o passar do tempo. Parei de estudar tem um tempo, não aguentava a "ignorância" das pessoas da escola.

A cada dia que vivemos temos novos pensamentos e novas motivações. Quando pego algo que escrevi tempos atrás, eu paro e penso: "O que eu pensava quando escrevi isso?" "Nossa, como eu era idiota." Ainda bem que pensamos assim. Isso quer dizer que "progredimos" no nosso modo de pensar, ou "regredimos", que seja.

Quando pegamos um livro pra ler, na maioria das vezes os de suspense. Queremos ir pro final do livro e ler logo o vilão da trama. Sem ter o sacrifício de pensar ou ler todo o livro. Pra você teria diferença entre ler apenas o começo e o final com ler todo o livro? Não, não tem diferença alguma. se você ler o começo e o final, você saberá o básico da história, contudo saberá a história. Se você ler o livro todo, você saberá da trama, detalhe por detalhe, portanto saberá a história. Viu?! Não tem diferença. Agora, se você não quer apenas ler a história, ai sim tem diferença. Um livro é escrito para você esquecer de toda a sua vida, de toda confusão onde está "preso" e acreditar em um final. Onde tudo é permitido e tudo fará sentido no final. Acreditamos, página após página, fielmente que no final dará tudo certo. O casal ficará junto, o vilão se dará mal, mas isso funciona totalmente oposto se você estiver lendo um drama, pense nisso.

Eu tenho sonhos possíveis e impossíveis. Queria ser um escritor famoso com minha vida retratada em um filme, queria que a minha mãe tivesse uma vida confortável e queria também ser feliz pelo menos por um tempo. Agora, fica a seu critério classificar qual é o possível e o impossível.

Em que devo acreditar? Por que o senhor deixaria essa "bagunça" no mundo? Tanto horror, tanto choro, tanta violência, tanta desigualdade; tanto sangue. Às vezes, eu fico olhando uma árvore. Quanto tempo ela está ali? Quantas coisas ela já presenciou? Elas sentem dor? Pra que estou fazendo essas perguntas? O que move o mundo são as perguntas, não as respostas; afinal seria muito chato viver sem fé.

O único motivo por eu não ter reclamado, xingado ou criticado alguém, alguma coisa ou a sociedade em geral é que estou dopado em várias miligramas de remédio. Remédio é uma droga, estou sob controle dos famosos "calmantes" ou se você preferir, droga pra dormir. Agora que o sono veio de verdade. Acho que da próxima vez preciso aumentar as miligramas, ou continuarei na insonia.