O Diário de Leonardo Jones

4 Capítulo 4- Estamos nas prateleiras


Rio de Janeiro, 01 de Janeiro de 2011.

Novamente passei vários dias sem escrever.

Primeiro dia do ano, é o dia onde as pessoas fazem promessas, traçam objetivos e metas para o ano. A verdade é que muito pouco dessas metas são cumpridas, a não ser se você criar coragem e correr atrás, passando por cima do que tiver que passar, o felicidade não vem até você.

Sim, naquele dia em que parei de escrever eu me droguei.

Na hora é tudo muito confuso, mas depois sobra um mar de arrependimento. O meu natal foi péssimo, minha mãe deu o dinheiro para o meu pai comprar a comida, e ele como sempre pegou o dinheiro e gastou com bebida.

Eu tenho um grande medo, medo de ficar como o meu pai.

Meu ano novo foi como vários outros, em casa. Minha mãe sempre fala para eu sair, ver a queima de fogos ou coisa do gênero. eu não quero ter que enfrentar a sociedade, não no primeiro dia do ano, que expectativa eu posso ter começando o ano sendo rotulado como sempre sou.

Eu me fiz uma promessa, sair das drogas, queria cumprir, ser um orgulho para pessoa que amo, minha mãe.

A televisão tem um péssimo jeito de lidar com as pessoas. Eles colocam coisas em suas cabeças, te fazem pensar como eles querem, é como uma máfia. As propagandas te incentivando a comprar o produto para você ser "feliz", as noticias explicadas do jeito com que você tenha a mesma opinião que eles e novelas não passam de uma realidade onde a televisão quer te encaixar. Não podemos sair ou fazer outro programa na hora da novela, como se fosse sagrado.

Todos aqueles casos, casos que você já sabe como vai acabar, mas você quer ver, porque eles te manipularam a ponto de você querer o que eles querem.

Tudo não passa de uma armação. Os filmes, os humoristas, futebol, rádio, noticias, política, religião, tudo isso é uma armação. Um vicio que tem um plano de te fazer ficar dependente deles. Eles são "maiores" que você. Estabelecem uma hierarquia na sua cabeça, pessoas de tais jeitos são bonitas, roupas de tais maneiras são da "moda", o que isso significa? Significa que somos dependentes deles. Querendo ou não, direta ou indiretamente. Na realidade, o mundo já acabou, não tem mais jeito, o seu mundo acaba quando você não pode se expressar, quando você é colocado em uma cadeia espiritual.

Estamos limitados. Estamos limitados por marcas. Tudo o que você precisa para o uso diário tem uma marca especifica. Pasta de dente, sabão em pó, leite condensado, refrigerante, chinelo, até a emissora de televisão. Aposto como você imaginou as mesmas marcas que eu.

As marcas passam a fazer parte do nosso dia a dia, às vezes reconhecemos o produto pela marca e não pelo seu verdadeiro nome, o que é a chamada metonímia. Você está fazendo propaganda sem ver ou receber por isso.

Somos idiotas o bastante para pensar que o que é o melhor de todos é o que é mais cara. Nem sempre isso é verdade, muitas vezes, a marca é tão conhecida que passa a cobrar mais caro por ser de "marca", mas tem outros que fazem a mesma coisa, mas você quer esses outros? Não, você que o de "marca".

A internet foi uma das maiores inovações do mercado, depois da internet o mundo ficou sem controle. Calunias, propagandas, redes de relacionamentos, crimes (sim, crimes) são feitos sem a visão das autoridades, são feitas de modo clandestinos, todos os sites tem uma propagando do lado da tela.

Hoje, se você não tiver a rede social do momento, você é classificado como excluído de toda a sociedade, você passa a não saber as gírias, o modo de conversar e nem o que está se passando no mundo ao seu redor, você ficar perdido no tempo.

Depois que se conhece o computador é quase que impossível viver sem. Tudo é dependente do computador, seus amigos estão lá, sua família, negócios, escola, sua vida está lá.

Depois que eu escrevo tudo isso é que eu percebo o quanto do assunto eu fujo. Eu nunca consigo começar e acabar falando de mim. O melhor é que quando escrevo, a dor e todo o sofrimento da minha vida sai, eu passo a pensar aqui no meu diário, como se estivesse falando com alguém. Parece idiota pensando assim, pensando que eu estou escrevendo para mim mesmo e que isso melhora o meu dia e o meu humor.

Bem, a página está acabando. Minha mãe está me chamando para ajuda-la, não farei promessas de que amanhã eu vou vir escrever. Não vou lidar como uma obrigação, vou lidar como uma diversão.