O Diário de Leonardo Jones
1 Capítulo 1- Meu primeiro diário
Notas iniciais
Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2010.
Comprei hoje esse diário, não sei como vou começar, nunca tive um.
Bem, minha vida é com certeza um desastre. Eu completei vinte anos semana passada e sinceramente, parece que eu ainda continuo com quinze. Eu ainda moro com meus pais e isso tem cada dia piorado mais. Não tem como isso ser mudado. O meu pai bebe todos os dias antes de chegar em casa. Ele ainda tem a discrepância de bater na minha mãe que sofre calada com medo dele.
Eu comecei a usar drogas com quinze anos. A primeira vez que usei foi quando vi meu pai batendo na minha mãe. Fui tentar ajuda-la, mas ela acabou me machucando. Também parei de estudar com essa idade. Desde os meus quinze anos a minha vida tem sido horrível. Tudo o que eu quero é que tudo acabe bem, mas isso estar cada vez mais impossível. O meu mundo paralelo, onde eu me escondo do mundo normal e dessa merda de sociedade é a música. Agora, eu poderei contar também com o meu diário.
Todos os meus amigos foram embora quando eu passei a me drogar. Eu tenho chorado todas as noites só de lembrar da vida em que vivo. Estou sozinho, não tenho ninguém com quem contar os meus segredos, minhas tristezas, ninguém para desabafar. Estou vivendo em um verdadeiro "cárcere privado ".
O meu último amigo a ir embora foi Lucas. Ele era meu melhor amigo, estudávamos juntos. Ele me apoiou e tentou me curar do meu vicio no começo, mas com o tempo foi desistindo. Assim como eu já desistir de mim faz tempo. Eu não sei o que fazer, eu nem sei se existe algo o que fazer. Minha vida é mais triste que o melhor livro de drama. Porém, tudo o que sinto e vejo é real. Os livros da Clarice Lispector me impressionam. A clareza e a tranquilidade dela ao descrever os sentimentos do eu lírico é incrível. Quando eu estou lendo um livro ou ouvindo música é como se eu estivesse no paraíso. Eu esqueço totalmente do inferno, onde vivo e passo a viver a vida do protagonista.
Estou na praça da minha cidade. As pessoas me rotulam como "O drogado". Na verdade, é o que eu sou, mas eu não quero ser mais um rótulo nessa sociedade. Eles me olham com desprezo, não sabem meu nome, não sabe onde moro, não sabem quem eu sou e nem da onde eu vim. Eles apenas sabem que eu sou um drogado qualquer.
A sociedade onde eu vivo é composta apenas de rótulos. Onde todos os que vivem nela é obrigado a viver, a se vestir, a falar, a andar como eles querem. A ideia de livre arbítrio está totalmente ultrapassada. Isso é apenas marketing, um logan para te fazer pensar que pode fazer o que você quer. Porém, a verdade é que você não pode. Você tem leis a obedecer, uma hierarquia a respeitar e bilhões de pessoas a te julgar. Eles querem te condenar. Eu quero mudar, e não é fugindo como sempre fiz que a mudança será feita. Tudo o que sinto agora está escrito nesse diário, amanhã lerei essa página e tentarei manter o foco, agora eu tenho que ir para casa, afinal o meu pai estar chegando e se eu não chegar antes dele quem apanha é minha mãe.
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