Sábado, 13 de setembro

Hoje não tem aula, o que é ótimo. Escola é uma coisa tão chata que dá vontade de dormir. Mas eu sei que sem escola eu não estaria escrevendo isso agora. Bem que os seres humanos podiam nascer sabendo de tudo, então não precisariam ir a escola.

Hoje meu \"padastro\" vem aqui. Padastro entre aspas porque minha mãe está noiva dele. Não sei como ela consegue aguentar aquele cara. Ele é chato, folgado, fedido e qualquer coisa ruim que você possa imaginar. Minha vida já era um inferno desde que meu pai morreu. Desde que minha mãe ficou noiva daquele cara minha vida virou algo um bilhão de vezes pior que o inferno. Na verdade, eu acho que dá vontade de fugir de casa e nunca mais voltar. Eu sinto falta do meu pai. Muita falta. Mesmo...

I\'m the son of rage and love
The Jesus of Suburbia
From the bible of \"none of the above\"
On a steady diet of
Soda pop and Ritalin
No one ever died for my sins in hell
As far as I can tell
At least the ones I got away with

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Eu sou o filho do ódio e do amor

O Jesus dos Suburbios

Da bíblia de \"nenhum ancestral\"

Em uma dieta de

Refrigerante e Ritalina

Nunguém nunca morreu por meus pecados no inferno

Tanto que posso dizer

Pelo menos com os quais eu escapei imune

Eu acho que meu pai era o único que gostava de mim. Minha mão me trata como se eu fosse um cão que se esfregou em algo sujo quando ninguém está olhando. Eu fico trancado no meu quarto vendo TV. De vez em quando ou outra eu pego um livro e começo a ler. Apesar de não gostar muito de ler, é uma maneira de esquecer que eu sou eu e pensar em outra coisa. Acho que eu mesmo me odeio. O cara que vai casar com minha mãe também me odeia. Se é que eu existo pra ele. Ele me odeia mais que minha mãe. E ele fica dizendo que \"Eu vou ser seu pai, moloque, então fica calado\". Isso enche o saco. E quando eu falo o que eu penso, eu fico de castigo sem jantar. Acho que qualquer dia eu vou fazer tanta besteira pra eles me mandarem pra rua. Qualquer lugar é melhor do que aqui.

And there\'s nothing wrong with me
This is how I\'m supposed to be
In a land of make believe
Who don\'t believe in me

Get my television fix
Sitting on my crucifix
The living room on my private womb
While the Moms & Brads are away

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E não há nada de errado comigo

É assim que eu suponho ser

Numa terra de faz-de-conta

Quem não acredita em mim

Pego minha televisão consertada

Sento no meu crucifixo

A sala de estar, no meu útero privado

Enquanto mamãe e padastro não vem

Até ficar entupido de drogas até ser internado num hospital é melhor do que morar aqui. Eu já fiz isso uma vez. Claro que eu fiquei doido, mas não fui parar num hospital. Minha mãe me pois de castigo durante um mês, só tomando café da manhã e tomando um lanche a tarde. Até hoje estou horrendamente magro. Então deixei de dizer e fazer o que penso. Se não eu ficaria sem comer. Eu emagreci 10 quilos, mas ganhei 5 de volta. Dava vontade de denúnciar ela para algum lugar, mas se eu fizesse isso aí que eu virava um esqueleto vivo.

To fall in love and fall in debt
To alcohol and cigarettes
And Mary Jane
To keep me insane
Doing someone else\'s cocaine

And there\'s nothing wrong with me
This is how I\'m supposed to be
In a land of make believe
That don\'t believe in me

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Apaixonar- se e endivida- se

Com álcool, cigarros

E Mary Jane

Para me manter louco

Usando a cocaína de alguém

E não há nada de errado comigo

É assim que eu suponho ser

Numa terra de faz-de-conta

Quem não acredita em mim.

Sobre o rancho onde eu moro, é um lugar bem chato. Tem uma sala de jantar, uma cozinha, uma sala, o quarto da minha mãe, o meu e um banheiro para cada um. Eu suponho ser chato tudo desde que meu pai morreu. Minha vida não tem mais graça. Eu costumo chamar minha cidade de \"Cidade dos Mortos\" ou \"Cidade dos Condenados\". Porque a mente das pessoas é tão... nem tenho palavras. Aqui as pessoas são manipuladas, preconceituosas, chatas... enfim. Parece que morreram, porque não tem conciência. A pobresa aqui é tamanha que crianças passam fome e frio nas ruas e ninguém faz nada. Isso é absurdo

At the center of the earth
In the parking lot
Of the 7-11 where I was taught
The motto was just a lie

It says \"home is where your heart is\"
But what a shame
Cause everyone\'s heart
Doesn\'t beat the same
It\'s beating out of time

City of the dead
At the end of another lost highway
Signs misleading to nowhere
City of the damned
Lost children with dirty faces today
No one really seems to care

I read the graffiti
In the bathroom stall
Like the holy scriptures in a shopping mall
And so it seemed to confess

---

No centro da Terra

No estacionamento

Na 7- 11 onde fui ensinado

O lema era uma mentira

Ele dizia: \"Lar é onde o seu coração está\"

Mas que vergonha

Porque os corações das pessoas

não batem iguais

Estão batendo fora de tempo

Cidade dos Mortos

No final de outra estrada perdida

Sinais guiando para lugar nenhum

Cidade dos Condenados

Crianças perdidas com rostos sujos hoje

Ninguém parece se importar.

Sobre o meu banheiro, eu vivo escrevendo o que penso nas paredes. Isso parece ser ridículo, mas as paredes são as únicas coisas onde eu possa colocar meus pensamentos e \"dividir\" minhas opiniões para que quiser ver. Claro que eu não coloquei nada sobre minha mãe, porque se não eu estaria ferrado. Minha mãe pediu para fazer a reforma. E eu não ligo muito pra isso. Depois é só riscar tudo de novo.

I read the graffiti
In the bathroom stall
Like the holy scriptures in a shopping mall
And so it seemed to confess

It didn\'t say much
But it only confirmed that
The center of the earth
Is the end of the world
And I could really care less

City of the dead
At the end of another lost highway
Signs misleading to nowhere
City of the damned
Lost children with dirty faces today
No one really seems to care

---

Eu li a pixação

Na parede do banheiro

Como as sagradas escrituras no shopping center

E parecia confessar

Ele não dizia muito

Mas confirmou

Que o centro da Terra

É o fim do mundo

E que eu não deveria me preocupar

Cidade dos Mortos

No final de outra estrada perdida

Sinais guiando para lugar nenhum

Cidade dos Condenados

Crianças perdidas com rostos sujos hoje

Ninguém parece se importar.

Meu \"padastro\" chegou. Não sei, mas pareci ter ouvido eles falando de mim. Vou dar uma olhada.

Me levantei e fui até a sala sem ser notado. Sim, eles falavam de mim. Eu não conseguia ouvir muito bem, mas minha mãe olhava para trás, como se não quisesse ser ouvida.

Eles estavam falando mau de mim.

\"Querido, o que vamos fazer com aquele pivete quando nós casarmos?\" era a voz de minha mãe.

To live, and not to breathe
Is to die, in tragedy
To run, to run away to find what to believe

And I leave behind this hurricane of fucking lies
I lost my faith to this, this town that don\'t exist
So I run ,I run away
To the light of masochist

And I, leave behind this hurricane of fucking lies
And I, walked this line a million and one fucking times
But not this time

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Viver, e não respirar

Morrer, em tragédia

Correr, fugir para encontrar aquilo que acreditamos

E eu deixo para trás essa porra de furação de mentiras

Eu perco minha fé com essa, essa cidade que não existe

Então eu corro, eu fujo

para a luz dos masoquistas

E eu deixo para trás essa porra de furação de mentiras

E eu, andei nessa linha uma merda de um milhão de vezes

Mas não agora

\"Não sei. Ah, tive um idéia.\" o homem sorriu. \"Vamos colocar o pivete mala-sem-alça no orfanato, dizendo que não temos condição de cuidar dele.\" Não sei porque, mas uma lágrima correu solta sobre meu rosto. Minha própria mãe me pondo num orfanato?

\"Ótima idéia. E vamos falar que ele tem problemas mentais, assim vão dar remédios, quem sabe ele fique doente. Ou morra.\" ela sorriu. Não aguentei ficar mais um minuto naquela casa. Fiz minha mala, fui até o banheiro reformado e escrevi em vermelho \"St. Jimmy\" na parede. Depois cortei minha mão, sem dó, e a esfreguei na parede. Alí estava minha identidade. Peguei minha mala e fui até a sala com ela.

- Ah, filhinho...

- Como você tem coragem de me chamar de filhinho?- eu tinha ódio dela. E do homem também.

- Você é meu filho.- ela foi me abraçar. A empurrei com força para o chão.

- NÃO ENCOSTE EM MIM!- ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu a interrompi.- COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE DEIXAR O...- não queria falar filho. Ela não era digna disso.- FILHO DO SEU MARIDO EM UM ORFANATO, TENTANDO PLANEJAR SEU ASSASSINATO?- ela abriu a boca de novo para falar algo.- NÃO TENTE FALAR QUE É MENTIRA E QUE VOCÊ ME AMA, — não queria a chamar de mãe.- EU VI, EU OUVI.- simplismente não aguentei e dei um murro na cara dela. E dele também.- Eu sou Jesus of Suburbia, o filho do ódio e do amor. Não me chame de filho. Você não é digna de ter um filho.- saí batendo a porta. Ela me seguiu, enquanto eu entrava no carro.

- Filho...

- EU NÃO SOU SEU FILHO!- ela ia me abraçar, mas eu a empurrei. Seu lábio estava sangrando um pouco na ponta. Mas eu não liguei. Entrei no carro, dei ré e saí daquele lugar horoso. Isso eu chamaria de \"Contos de outro lar Quebrado\". Quando Jesus of Suburbia fugiu de casa. Isso foi o melhor dia da minha vida desde que meu pai morreu. Ver aquela mulher sangrando, falsificando uma dor, foi muito bom. Desejo tudo de mal para ela e aquele cara.

I don\'t feel any shame, i wont apologize
When there ain\'t nowhere you can go

Running away from pain when you\'ve been victimized
Tales from another broken home

You\'re leaving...
You\'re leaving...
You\'re leaving...
You\'re leaving home.

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Eu não sinto vergonha nenhuma, eu não vou pedir desculpas

Quando não existe nenhum lugar que você possa ir.

Fugindo da dor quando você tiver sido vitimado

Contos de outro lar Quebrado.

Você está indo embora...

Você está indo embora...

Você stá indo embora...

Você está indo embora... de casa



Notas finais

Claro que eu não coloquei a música inteira na fic, só as partes Jesus of Suburbia, City of Damned e Tales of another broken home , se não eu não acabaria hoje '