O Diário de Elizabeth Christie
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Notas iniciais
Depois de lavar o rosto e os braços no banheiro do andar de baixo, cômodo que havia conseguido deixar razoavelmente limpo, Lavínia se viu entrando no carro de Anastácia e deixando que a ruiva a levasse para uma lanchonete no centro. Não demoraram muito para chegar, e Lavínia tentou memorizar o caminho que percorreram. Algo a dizia que ela comeria bastante fora de casa, para não precisar cozinhar.
A lanchonete em si era fresca, o que a fez pensar se o ar condicionado estava ligado; era grande, mas não tanto, apenas o suficiente para que todos os clientes ficassem à vontade e facilitasse o ir e vir das garçonetes e garçons. O lugar estava relativamente vazio, exceto por alguns grupos de adolescentes, algumas famílias e um grupo de jovens que pareciam ter a sua idade.
— Sebas! Pessoal! Aqui! — Anastácia chamou alto, agarrando seu pulso e a arrastando para o lugar onde o grupo de jovens estava. Haviam três, uma garota e dois rapazes — Pessoal, essa é a Lavínia Ashwood, ela é a neta da Constance Goodwin e veio para dar uma olhada na antiga casa da avó. Lavínia esse é o meu namorado Sebastian McLean. — ela beijou o rosto de um dos rapazes — E esses são Alexander Marshall e Erin Devine.
Sebastian McLean era levemente mais alto que ela, mas sua altura era mediana para um homem. Tinha os cabelos castanhos e os olhos eram uma mistura incrível de azul e verde. De certa forma, Anastácia e ele pareciam se encaixar perfeitamente.
Alexander Marshall já era completamente diferente de todos os garotos que tivera contato na universidade; até mesmo ali em seu grupo de amigos parecia se destacar. Para começar, sem dúvida, era alto, mesmo estando sentado dava para se notar. Seu cabelo era completamente preto, assim como suas roupas, que o fazia parecer um motoqueiro, e seus olhos pareciam ser castanhos. Tinha os braços cruzados e uma certa expressão de tédio, mas ainda assim acenou com a cabeça quando ela lhe sorriu.
A última integrante do grupo, Erin Devine, na opinião de Lavínia, tinha um rosto adorável. Seus olhos eram esverdeados e os cabelos eram loiros com um leve tom de vermelho. O sorriso era simpático quando a olhou e o jeito que se vestia a fazia se parecer com uma boneca.
— Olá, — Lavínia forçou a voz a funcionar — é um prazer conhecer vocês.
— O prazer é todo nosso, Lavínia. — a voz de Erin parecia pingar mel — Sente-se conosco.
Anastácia a fez sentar entre ela e Erin, que sorriu mais uma vez. Parecia ser uma garota gentil.
— Então, — a voz firme de Alexander, sentado a sua frente, atraiu sua atenção, ao mesmo tempo em que Sebastian fazia sinal para uma garçonete — Você veio dar uma olhada na casa de sua avó? Ela tem estado abandonada, você sabe. — ele pendeu a cabeça levemente para o lado, a encarando totalmente nos olhos.
Ela tinha que reconhecer que o cara era confiante. Como uma estudante de História que visava a área acadêmica, sabia o quanto a confiança era algo importante.
— Sim, eu sei. — respondeu — Faz alguns anos que minha avó faleceu, mas bem antes disso ela já havia saído daqui, como você deve saber. Meus pais estão ocupados, por isso coube a mim vir até aqui dar um jeito na casa.
— Meus pais conhecem alguns eletricistas e pessoas que trabalham na área de reformação. — Erin se inclinou na mesa — Se quiser, posso falar com eles e te dar o endereço.
— Eu agradeceria muito. — Lavínia sorriu — Realmente, facilitaria muito a minha vida.
— Mas como você vai dormir naquela casa? — foi a vez de Sebastian perguntar. Ele tinha um tom engraçado na voz — Ela está fechada a o quê? 20, 30 anos?
Ela ia responder, mas Anastácia foi mais rápida.
— A coitadinha aqui estava dando uma limpeza intensa na casa quando eu cheguei. — riu — Devia estar horas ali, não é Lavínia?
— Bem, — ela riu também — eu não chamaria de uma limpeza intensa, mas consegui limpar bastante o primeiro andar. Vai dar para dormir.
— Se quiser ajuda, estamos aqui. — Sebastian sorriu.
— Obrigada, mas não precisa. — Lavínia não iria faze-los ajudar em uma tarefa que era dela — Em relação a faxina, consigo me virar.
A garçonete se aproximou e Anastácia pediu batatas e milk-shakes para todos. Parecia ser costume dela fazer os pedidos.
— Mas e então, Lavínia. — Erin recomeçou, ainda sorrindo — Fale de você! Quantos anos você tem? Estuda? De onde você é?
— Eu não sou muito especial. — Lavínia riu — Eu tenho 19 anos, estudo na Universidade de Montana e sou de Missoula.
— Legal, e o que você cursa? — Anastácia perguntou.
— História.
— Pensa em se especializar em que área? — Sebastian a encarou.
— Talvez Idade Média, eu realmente não sei. — Lavínia respondeu — E quanto a vocês? — tentou tirar o foco dela própria.
— Todos nós estudamos na Universidade de Great Falls. — Erin deu um risinho — Eu curso Biologia Marinha, Ana e Alex cursam Inglês e Literatura, e Sebastian, Engenharia.
Não foi surpresa para Lavínia que Anastácia cursasse Inglês e Literatura, já que parecia amar trabalhar em uma livraria, mas Alexander Marshall não parecia ser do tipo que fizesse um curso tão... suave e poético. Ele parecia mais o tipo que se alistaria para uma carreira militar.
Conforme o tempo passou, Lavínia se viu gostando bastante daquele grupo de amigos. Eram realmente muito acolhedores, até mesmo o quieto Alexander. Erin prometeu falar com seus pais e as duas trocaram números.
Anastácia a levou de volta para casa, quando o sol já tinha se posto completamente. Perguntou mais uma vez se gostaria de dormir em sua casa, ou se queria ajuda para a limpeza da casa, adoraria ajuda-la, mas Lavínia negou, prometendo que iria avisa-la se realmente precisasse de alguma ajuda.
Agora ela só precisava telefonar para a mãe e descansar, porque o dia seguinte seria longo. O verão seria longo.
Suspirou.
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