O Diário Insólito
2 Mês de Outubro de 2008
Sábado, 18 de outubro de 2008.
Não agüento mais!
Meu casamento está mesmo em crise. Não sei como chegamos a tal ponto, mas Alma também não colabora. Para ela tudo é motivo de briga. Não suporto seus preconceitos, suas implicâncias. Ela é tão ciumenta que não posso nem ter amigas! Ontem à noite fomos a um bar no centro da cidade, tomar uma cerveja, e bastou uma colega minha de serviço me cumprimentar com um beijo no rosto para que Alma começasse a me amolar por horas!
Não posso mais suportar. Como não temos filhos – e creio que jamais teremos – não há mais nada que me prenda a essa mulher. Não vejo opção a não ser o divórcio. Será turbulento empreendê-lo, mas creio ser o único meio de eu poder viver em paz e, quem sabe, recomeçar minha vida com uma pessoa que realmente me faça bem.
Quinta-feira, 23 de outubro de 2008.
Alma melhorou e muito seu comportamento nos últimos dias. Ela de súbito se tornou mais serena, calma e tolerante, assim como quando nos conhecemos. Nem parece já fazer doze anos desde que nos casamos... Hoje sou um funcionário público beirando os quarenta, longe do rapaz mulherengo e irresistível que conseguiu tantas garotas quando jovem. Já Alma mudou pouco: com seus cabelos castanhos, pele macia, lábios ardentes e corpo de deusa, ainda é a linda e estonteante mulher com a qual decidi dividir minha vida. Se não fosse seu temperamento, as coisas poderiam ter dado tão certo... Mas elas parecem estar melhorando. Continuando assim, creio que Alma voltará a se tornar aquela com quem sempre sonhei...
Começo a repensar a idéia do divórcio. Ainda bem que nada disse a ela!
Domingo, 26 de outubro de 2008.
Ontem eu e Alma fomos a um sebo no centro da cidade. A iniciativa partiu dela, afirmando que devíamos fazer mais coisas juntos. Aprovei a idéia, afinal há tempos estou procurando alguns vinis antigos do Led Zeppelin. Ela, no entanto, como vim a descobrir, estava mesmo interessada em livros. Comprou uma daquelas novelas "água com açúcar" que eram publicadas em ampla tiragem anos atrás – talvez para que a história de amor a fizesse se esquecer de nosso salgado casamento, embora ele aos poucos voltasse a esquentar – e um grande tomo antigo, carcomido e rasgado, sem título ou identificação na capa marrom. Perguntei-me o que ela ia fazer com aquilo e sobre o que se tratava, porém não irei indagar diretamente a ela. Na primeira oportunidade que tiver, averiguarei por mim mesmo.
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