Notas iniciais
Eita! Demorei pra postar de novo hein? Devido ao natal e ao ano novo realmente ficou difícil de postar, enfrentei uns problemas familiares mas agora está tudo bem ^^ novo capítulo ai o/
Lembrando de clicar nos Hyperlinks (os nomes em azul) para terem uma visão mais detalhada ^^

Minhas pálpebras se abriam vagarosamente, o lugar era extremamente escuro e eu sentia uma grande umidade nas minhas roupas. Eu estava deitado e sentia um líquido de cheiro forte e espesso de encontro a minha pele. Cheiro de metal. Era inconfundível, eu estava cercado por sangue. Levantei-me com uma leveza extrema o que me deixou intrigado. Firmei os pés e comprovei, era um lago de sangue imenso, teria 60 cm de profundidade. Uma voz ao fundo que me parecia familiar ecoava, mas de quem era aquela voz?

Droga! Aonde vim parar? Maldito Mercenário!!!

Comecei a caminhar com dificuldade, o sangue dificultava a caminhada, mas eu não podia parar, eu via um pequeno ponto de luz ao longe. Merda! Será que é isso? Uma luz no fim do túnel? Eu realmente morri?

A luz parecia muito distante, e por mais que eu andasse ou corresse ela nunca se aproximava. Eu sentia outras presenças, de vez em quando eu ouvia um guincho horripilante, ou então um grunhido que congelava meus ossos. Aquele lugar era horrível, mas eu precisava voltar! Ray me esperava do outro lado daquela luz. Eu estava correndo mais uma vez, mas dessa vez eu não corria da morte, pois eu já tinha morrido, eu corria pra alcançar a vida. Meus passos rápidos espalhavam grandes quantidades de sangue para o lado criando pequenas ondas e como uma criança boba que corria em direção ao mar eu tropeço e caio.

Eu estava caindo e caindo e caindo infinitamente, chorei pela primeira vez, eu não podia morrer. Tinha coisas pra se fazer ainda e eu não iria desistir... Então tudo se apagou, novamente...

Acordei puxando uma longa golfada de ar para os pulmões, como se tivesse passado 100 anos sem respirar. Ao meu lado algo se moveu velozmente, eu tentei rolar, mas algo me impediu. Uma facada de dor transpassou meu corpo e me fez gritar.

_Não se mova! Ainda não está curado, seu idiota! – A voz era feminina e inconfundível –

_Ray... – Eu estava rouco e minha voz falhava. Mas eu estampava um pequeno sorriso no meu rosto.

_Seu idiota, nunca mais faça isso!

_Faça o que? Morrer? Sinto muito, mas isso acontece! – Soltei uma risada

_Idiota!!! – Ray saiu correndo do quarto deixando somente o som do seu sapato na madeira.

Tentei virar pra observar onde eu estava. O quarto estava escuro, mas a luz da lua que entrava pela janela atrás de mim facilitava. Eu estava deitado numa cama simples, o que me levou a pensar que estava em algum hotel de Morroc. Merda, aquela guria acha que sou rico?

Ao lado da cama estava um belo criado-mudo bem adornado. Uma vela de cor azul estava sobre ele. Tentei virar para o outro lado, mas a ferida abriu novamente e eu desmaiei.

Acordei novamente com o sol batendo em meus olhos, Ray estava sobre o meu corpo com um livro de couro negro recitando algumas palavras baixinhas. Sua mão brilhava em uma áurea verde. E meu corpo parecia estar em um estado mais confortável. Ela me parecia cansada, seus olhos estavam grandes e vermelhos, e seus cabelos negros estavam emaranhados.

_Mas que droga você está fazendo Ray?

_Te curando. – E ficou em silêncio novamente.


Meia hora de silêncio se passou com Ray recitando vagarosamente, verso por verso. Mas finalmente ela fechou aquele livro de couro e saiu de cima de mim.

_Tente se levantar agora! – Ray se recostou em uma poltrona perto da minha cama e fechou os olhos.

Eu a obedeci e tentei levantar, A ferida doía infernalmente ainda, mas com um pouco de esforço me pus em pé. Ray estava de olhos abertos novamente me observando. Eu via uma lágrima pequena na sua bochecha, rapidamente ela a retirou e voltou a fechar os olhos.

_Deixe-me dormir um pouco, mais tarde eu respondo suas perguntas.

_Ok. – Era difícil caminhar, meus pés pareciam pesados e eu tinha que arrasta-los para caminhar. Um espelho adornado de prata nas bordas estava perto de uma janela. Eu me encontrava na sala. Dois sofás para duas pessoas estavam depositados no centro da sala. Eu me aproximei do espelho e me olhei. Eu parecia uma caveira. Meus ossos estavam retraídos e eu estava desnutrido. Toquei meu rosto pra confirmar se era eu mesmo. Joguei-me no sofá nauseado e fechei os olhos. Apesar da dor o sono não veio e me obriguei a levantar novamente. Caminhei até a janela pra me situar. Comprovei que estava em Morroc ainda. Dei as costas à paisagem da janela e vi três garrafas. Vinho forte é disso que eu preciso! Caminhei apressado para o pequeno balcão de madeira que apoiava as três garrafas. Mas para meu desânimo, aquilo era água. Merda! Agarrei mesmo assim a garrafa e voltei a me jogar no sofá, bebendo em grandes goles desesperados. Eu não tinha percebido, mas minha garganta estava extremamente seca, e acabei tomando um choque quando a umidade desceu por ela. A ferida começou a arder novamente, como se fosse um aviso. Está na hora de encarar a verdade...

Puxei devagar a camisa de linho branco que eu usava por debaixo do sobretudo e vi, uma grande cicatriz. Ela se estendia para todos os lados. Aquele maldito filho da puta me cortou e ainda rodou a lâmina nos meus órgãos! Puxei a camisa para baixo e joguei a cabeça na almofada. O sono veio mais fácil dessa vez, mas não sonhei. Acordei novamente pela madrugada. Ray caminhava para fora do quarto. Ela parecia melhor, seus olhos voltavam ao normal. E ela veio em minha direção. Eu ainda estava deitado e ela pôs a mão na minha testa. Vi ela caminhar em direção a sua mochila, puxando novamente o livro e voltar para onde eu estava. Ela estava abrindo o livro quando eu lancei minha mão rapidamente de encontro ao seu pulso a obrigado a fechar o livro. Ray me encarava assustada.

_Já está bom Ray. Eu consigo ficar assim até amanhã. Vá dormir.

_Não, eu tenho que terminar isto.

Lancei a outra mão, mas dessa vez em seu obro apertando o nervo de seu pescoço. Ray desmaiou balbuciando baixinho que deveria terminar. Apoiei meu braço em suas costas para que ela não caísse no chão e a coloquei meu outro braço em baixo de sua perna. O ferimento latejava horrivelmente. Puxei Ray com um impulso para cima. A dor me rasgou e eu soltei um grunhido. Mas a carreguei até a cama e a soltei devagar lá. Idiota persistente. A dor me rasgou de novo e eu caí. Soltei outro grunhido e me arrastei de volta pro sofá. Adormeci sonhando novamente com aquele local cheio de sangue...

Notas finais
Enrolando um pouco? Talvez sim, mas logo vai começar a ação ^^