O Diário De Stefan
45 Capítulo 45- Megan
Notas iniciais
Megan:
Eu me sinto exausta, irritada, cansada e triste.
Eu já deveria imaginar que algo fosse acontecer, afinal, quando alguém como eu está feliz por muito tempo, sempre existe uma surpresa que me coloca de volta ao chão.
Estou saindo praticamente às pressas e sem dar muitas explicações à todos, principalmente a Damon e Lori, minha melhor amiga e praticamente uma irmã.
Eu sei que ela me entenderia e me apoiaria e acima de tudo me daria todo tempo do mundo pra lidar com as coisas, mas eu não quero deixá-la aflita nesse momento tão incrível da sua vida.
E quanto ao Damon, bom, quanto à ele, eu resolvo quando voltar.
Estou dirigindo o mais rápido que posso, dentro do limite seguro, mas não consigo evitar o caos nos meus pensamentos. Normalmente dirigir por tanto tempo assim me acalma, mas nesse momento, eu mal sei o que fazer.
Eu já não pensava no David fazia pelo menos uns bons 2 anos e eu pretendia manter as coisas assim, mas quem disse que alguém nesse mundo me escuta?
Eu tinha acabado de sair do quarto do Damon, depois de uma madrugada no mínimo divertida, quando o meu telefone tocou....
" -Megan?- Ouvi sua voz rouca ao telefone. A voz que eu levei um longo tempo pra esquecer.
–David?- Minha voz saiu meio vacilante.
–Sim, sou eu. Como você está?- Quis saber.
–Hmm..bem, estou bem e você?
–Vou indo.- Ouvi seu suspiro longo e depois ele tomou fôlego.- Megan, eu sei que você não queria mais que a gente se encontrasse, mas eu preciso te ver. Eu preciso conversar com você sobre algumas coisas. Coisas importantes que eu não disse e que eu preciso que você me ouça.- Ele solta de uma vez.
Eu consegui sentir o desespero em sua voz, mas ainda me pergunto porque justo agora, depois de tanto tempo superando o que ele me fez, ele decide que precisa me dizer coisas.
–David, eu não estou em Nova York,e não sei quando volto, portanto não tem como a gente conversar.- Explico.
–Mas você precisa me ouvir!- Ele exclama e de repente ele começa a tossir freneticamente.
Sinto que ele afasta um pouco o telefone, mas ainda ouço sua respiração enrolada e ao fundo uma voz suave. "-Senhor MacCarthy, o senhor não pode se exaltar. POr favor desligue o telefone!- Alguém diz
Ele continua a tossir e isso está me deixando nervosa. David me pareceu estranho e ainda mais com essa conversa ao fundo.
Ouço ele inspirar e expirar algumas vezes até que retorna a ligação.
–Megan, eu sei que você preferiria que eu sumisse, mas eu preciso muito te ver. Por favor, venha me ver, eu preciso falar com você. -Ele diz Ansioso
–David, o que está acontecendo? Porque essa urgência repentina?- Pergunto de uma vez.
Ele fica mudo, um silêncio típico que antecede algo desagradável, como as gotas que antecedem uma tempestade.
–David...-Digo suavemente.- O que houve? Porque você precisa me ver?
Ele inspira levemente e começa:
–Porque eu estou morrendo Megan...eu..eu vou morrer!- Ele diz tão baixo quanto um sussurro.
Dizem que quando você está nos seus minutos finais, sua mente te traz uma série de recordações, coisas marcantes, que ficaram no seu coração e na sua mente.
Naquele instante, eu ví. Eu ví cada instante que eu vivi ao lado do David, desde a primeira vez que nos encontramos, quando ele chegou com seus pais ha mais de dez anos e se tornou meu vizinho, meu melhor amigo, meu parceiro de turma, meu namorado, meu noivo e de repente, o cara que partiu meu coração como eu jurei que ele jamais seria partido novamente.
–O que?..Morrendo?- Peço ainda sem acreditar.
–Estou doente Megan, faz tempo na verdade, mas eu tentei de tudo, não tem mais jeito.- Ele diz com tristeza.
Eu me sento na cama em meu quarto, ainda não consigo acreditar que ele esteja dizendo a verdade. Pode ser uma desculpa pra me ver.
–David, como isso aconteceu? O que você tem? Porque não falou comigo antes?-Digo apressada.
–Megan, por favor..-Ele começa uma nova crise de tosse.- Eu preciso de você. Eu sei que eu jamais deveria te pedir qualquer coisa, mas por favor, eu preciso te ver. Tem tanta coisa que eu quero dizer. Por favor venha!- Ele implora.
Naquele momento, sim, eu ainda poderia mandar ele pastar e ficar longe de mim, odiar ele por ter me feito amá-lo tanto que meu coração e se derretia cada vez que ele me olhava, por eu ter me dedicado e desistido de algumas coisas para estar com ele, pra numa das suas viagens a serviço da marinha, ele decidir que não me amava mais e sim a garota que ele conheceu nessa viagem enquanto eu ficava lá, preparando a nossa casa para quando ele voltasse, e me abandonar praticamente um mês antes do nosso casamento.
Sim, eu poderia odiar, como odiei por anos cada instante que ele desfilou com ela pela rua onde meus pais moram, fazendo com que meu coração se partisse de novo e de novo...
Eu tenho um milhão de motivos para odiá-lo, mas de repente, todo o ódio se tornou insignificante.
–Eu estou indo prai.- Digo levantando da cama.
–Obrigada Megan! Muito obrigada!-Ele suspira.- Olha, antes de mais nada, eu já comprei sua passagem, mas só pra daqui a alguns dias.-Ele diz.
–Como assim? Porque fez isso?- Pergunto.
–É que..essa semana eu vou fazer mais uma etapa do meu tratamento e eu fico muito mal, às vezes durmo por 2 dias, e eu quero estar acordado quando você estiver aqui. Então pedi uma passagem pra você para daqui há alguns dias, eu não quero que você me veja tão mal, e como não sabia se você viria, quis que você tivesse esse tempo para pensar.- Ele explica.
–Tudo bem, eu vou esperar. Ah David...- Suspiro sem saber o que dizer.
–Eu sei...-Ele diz se lamentando.-Eu preciso desligar agora. Obrigado por vir Megan.- Ele diz.
–Até breve David.
Desligo o telefone ainda meio perdida. De repente uma lágrima começa a fazer seu caminho, ao mesmo tempo que a realidade me atinge. Aos poucos, muito lentamente eu sinto meu peito doer, minhas mãos tremem, um soluço me invade e eu desabo libertando as mais diversas e confusas sensações dentro de mim.
Eu sinto raiva, tristeza, todas as minhas mágoas emergem novamente, meu orgulho ferido se faz presente, mas a dor e a tristeza também surgem.
Eu amei tanto o David, eu quis tanto que dêssemos certo que quando as coisas aconteceram eu me ví tão perdida que achei que jamais encontraria meu caminho de novo.
Foi a dor mais lascinante que eu senti, até agora.
Eu passei o resto da madrugada chorando e sendo invadida por cada lembrança boa, cada momento que eu viví, assim como a dor de ter sido traída, abandonada, enganada, e ainda sim não conseguir odiá-lo para sempre.
E assim a dor fez seu caminho pelo resto da noite, até que eu subitamente peguei no sono...
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